Até a Wikipedia se pôs contra Berlusconi

Em Roma, o dia foi marcado por protestos de civis
Nesta quarta-feira, a Wikipedia italiana completou 24 horas parada. A enciclopédia tem mais de 800 mil verbetes cadastrados e ameaça apagá-los e sair do ar para sempre, como forma de protesto a mais uma patacoada do governo de Silvio Berlusconi.
A “lei da mordaça”, como tem sido chamada uma proposta de lei enviada ao Congresso pelo rei do bunga bunga, é apontada como forma de controle de mídia. Ficaria proibido divulgar gravações telefônicas e imagens capturadas por ordem judicial em processos que ainda não foram julgados. Jornalistas poderiam até ir para a cadeia.
E aí vem o artigo mais polêmico: o projeto de lei também quer obrigar veículos eletrônicos (a Wikipedia, inclusive!) a alterar qualquer informação que um requerente considere prejudicial à própria imagem. Tudo isso sem a necessidade de um julgamento ou qualquer comentário do veículo. Quem descumprir pode pagar uma multa de até 12,5 mil euros (quase R$ 30 mil).
Foge do bom senso, certo? Mas o projeto chegou na Comissão de Justiça da Câmara italiana! E, pior, pode ser que passe. A Wikipedia italiana avaliou a proposta como uma “restrição inaceitável da liberdade e independência”. A manifestação do maior site colaborativo do mundo ganhou muita repercussão e uma importância imensa: pode ser decisiva para evitar ao menos esta possível censura nos meios digitais.
O protesto é internacional, apartidário e defende algo básico: o artigo 27 do Direito Universal dos Direitos Humanos, que prevê, basicamente, o direito de expressão. É a maior batalha até aqui entre o “mundo digital e colaborativo” e um governo retrógrado que transformou a Itália em um dos países mais atrasados da Europa. Quem leva?



