SdV, parte 2: Contrastes no Piemonte
Depois de falar sobre os times da Sicília e Sardenha no post inaugural do Show da Virada (SdV) do Tripletta, agora vamos subir as montanhas. No Piemonte, o futebol tem encontrado seus extremos. Vamos à dupla de lá:
Juventus (2º lugar, 34 pontos, 27 gols marcados e 11 sofridos em 16 jogos)

Andrea Pirlo
Desde que voltou da segundona, a Velha Senhora coleciona fracassos e queima jogadores por atacado. Depois de tanto sofrimento, virar o ano dividindo a liderança da Serie A com o Milan é mais do que o torcedor da Juve esperava. Os resultados animam: nos jogos mais difíceis, os alvinegros venceram Inter, Milan, Lazio e Fiorentina e empataram com a Roma.
Os números são ótimos. A Juventus é o time que mais finaliza no campeonato (17,8 vezes por jogo) e o que mais acerta o gol (6,6). Ainda é o que menos deixa o adversário finalizar (9,8) – e o meia chileno Vidal tem cumprido um belo papel, com média de 4,9 desarmes por partida. O meio-campo alvinegro, aliás, é o ponto forte do time. Recuperado, Pirlo é o jogador que mais dá passes no campeonato (75,3/jogo) e tem a seu lado o melhor jogador da Serie A: um Marchisio agora artilheiro, com seis gols.
Para reconquistar a Serie A, a Juventus tem o calendário a favor, pois não terá que se desgastar na Liga dos Campeões. Por isso, pode (e tem que) abrir mão de jogadores que não estão sendo aproveitados, como Grosso, Toni, Iaquinta e Amauri. A presença deles é suficiente para abalar o ambiente, afinal Conte é um ótimo motivador, mas ainda sofre como gerente de recursos humanos.
A gestão daquele que deve ser o último ano de Del Piero na Juventus tem sido lamentável. Mesmo com problemas recorrentes no ataque, Conte usa seu capitão a conta-gotas: em sete dos onze jogos que disputou até agora, jogou menos de 15 minutos. Com o holandês Elia, a situação é pior: na quinta rodada, ele fez um primeiro tempo horroroso com o Catania, foi substituído no intervalo e não teve outra chance. Tudo isso com o mesmo treinador que mandou o bom lateral esquerdo Ziegler embora sem nem testá-lo.
Novara (18º lugar, 12 pontos, 17 gols marcados e 29 sofridos em 16 jogos)

Marco Rigoni
Mesmo na zona de rebaixamento, a torcida do Novara não deixou de apoiar o time. Apaixonada, ainda está em lua de mel com a equipe, de volta à Serie A depois de 55 anos. Para um time que subiu duas divisões em apenas dois anos, a campanha azzurra é bem razoável, fruto do ótimo projeto da família De Salvo, que encontrou em Tesser um treinador de mentalidade vencedora e jogo ofensivo.
O problema do Novara foi ter que desmanchar boa parte de seu ataque para poder “financiar” as contratações do início da temporada. Com as novas opções, apostar no mesmo jogo atraente que encantou nos últimos anos realmente seria suicídio. Jeda, Morimoto e Meggiorini se tornaram grandes decepções. Um dos poucos que se salva na produção ofensiva do time é o meia Rigoni, autor de seis gols e quatro assistências na temporada.
A salvezza é possível, desde que contratações importantes sejam realizadas. O mercado nem se aqueceu e duas contratações que podem mudar o rumo dos acontecimentos estão fechadas: o meia dinamarquês Jensen, ex-Werder Bremen, e o centroavante Caracciolo, ex-Brescia e Genoa. Diz-se que outro meia deve chegar, além de um defensor (Mantovani, do Palermo?). O Novara ainda é um canteiro de obras e, quem diria, manter-se na primeira divisão poderá não ser só um sonho.
E amanhã…
2012 começará com os times da capital italiana: como está sendo a temporada de Lazio e Roma?
