Setenta quilômetros separam Siena e Florença. Três pontos separam os times de cada cidade, no campeonato. É a vez de Fiorentina e Siena terem suas campanha passadas a limpo no Show da Virada (SdV). A vida não está fácil para ninguém ali na Toscana:
Fiorentina (14º lugar, 18 pontos, 15 gols marcados e 15 sofridos em 16 jogos)

Stefan Jovetic
“Life is now”, diz o slogan da Vodafone. A vida é agora, mas ninguém na Fiorentina parece ter se atentado a isso. A direção do clube, encabeçada pelo diretor esportivo Corvino, ainda vive do passado e mantém no elenco jogadores que não têm mais nada a dar ao clube. E que nem parecem estar interessados em jogar no mesmo nível a que haviam se acostumado.
Mihajlovic perdeu o cargo por causa disso e saiu de Florença cuspindo marimbondos. O principal alvo do treinador sérvio era o meia Vargas, irreconhecível durante o primeiro semestre da temporada. Gilardino também sumiu: ex-artilheiro, marcou apenas dois gols até agora e conseguiu se mandar. Depois de dois anos cavando uma transferência, passou a treinar com o Genoa. Quem não consegue sair é Montolivo.
O meia da seleção italiana permanece no clube contra a própria vontade e não têm jogado nada: em 13 jogos, nenhum gol, só uma assistência e um índice de erros de passe absurdo, pois falha uma a cada cinco tentativas. Com isso, bola para Jovetic, que tem levado o time nas costas. O montenegrino finaliza, em média, cinco vezes por partida e já marcou sete gols na temporada, recorde pessoal. Difícil entender como será a reta final da temporada, pois a torcida já deixou claro que não suporta mais jogar o campeonato sem ambições.
Siena (16º lugar, 15 pontos, 15 gols marcados e 17 sofridos em 16 jogos)

Zeljko Brkic
Se você quer emoção, passe longe dos jogos do Siena. Além de realizar um estilo de jogo mais concentrado, o time toscano ainda sofre com a falta de um bom centroavante. Não é à toa que a equipe é a que menos finaliza na Serie A (média de 10,6 chutes a gol por jogo) e a que menos acerta o alvo (3,4 por partida). E não é à toa que o dérbi com a Fiorentina terminou em um modorrento 0 x 0.
Com pouco dinheiro em caixa, o Siena tem de se acertar com contratações baratas e jovens desconhecidos. Sannino, treinador estreante na Serie A, tem feito bom trabalho. Primeiro, acertou a defesa. O até então desconhecido Brkic tem se mostrado um dos melhores goleiros do campeonato. Na linha de quatro defensores, ninguém destoa – a exceção é o experiente Contini, único zagueiro do time com experiência internacional, mas que já foi parar no banco.
No ataque, porém, exceção é o que funciona. O jovem Destro não tem sido titular, mas já marcou três gols na Serie A, e o capitão Calaiò, com cinco tentos, é o artilheiro da equipe. Todo o resto por ali é decepção, a começar pelo brasileiro Reginaldo. Além de conseguir um bom centroavante, também seria de bom tom reforçar o meio-campo. Vergassola perdeu o fôlego e a titularidade, mas Bolzoni não o substitui bem. As opções para os lados no 4-4-2 de Sannino têm sido traumáticas. Na direita, Mannini e Ângelo não se firmaram; na esquerda, Gazzi, Brienza e Sestu se revezam, também sem sucesso.