A bela Marika Fruscio tinha prometido fazer um striptease caso o Napoli conquistasse a Copa da Itália. O título foi concretizado com a vitória por 2 a 0 sobre a Juventus, e a promessa da modelo foi cumprida. Em um programa de TV italiano, Marika tirou o vestido branco que usava e ficou apenas de biquíni azul diante das câmeras.
Ao exibir suas privilegiadas curvas, Marika seguramente fez todas as torcidas da Itália enxergarem pelo menos um lado positivo no resultado da final da Copa da Itália.
O roteiro para o filme já estava pronto. No adeus de Del Piero, a Juventus vence o Napoli e fica com o título da Copa da Itália. O camisa 10, um dos maiores ídolos da história do clube de Turim (se não o maior), se despede levantando a taça – repetindo o ato da semana anterior, quando da conquista do Campeonato Italiano. Bastante aplaudido pelos torcedores, encerra a bela trajetória de 19 anos pela Juventus de maneira vitoriosa.
Não foi isso o que aconteceu. Pela primeira vez em muito tempo nesta temporada, a Juventus viu-se pressionada pelo oponente e não conseguiu controlar a posse de bola. Melhor durante a maior parte da partida, o Napoli venceu por 2 a 0, com gols de Cavani e Hamsik, e faturou a Copa da Itália. Foi um final para o filme desta decisão bem diferente do primeiro relatado. Mas igualmente carregado de emoção.
O Napoli não sentia o gosto de vencer uma competição havia 22 anos. No último título, em 1990, contava com craques como Maradona e Careca e faturou a Super Copa Italiana ao emplacar uma goleada de 5 a 1. O adversário na ocasião foi justamente a Juventus (Veja abaixo).
No intervalo de tempo entre as duas conquistas, os torcedores da Napoli sofreram bastante. Maradona, Careca e vários outros jogadores importantes saíram, e o time foi se tornando cada vez menos competitivo no decorrer da década de 1990. Caiu para a segunda divisão em 1998, depois de registrar um dos piores desempenhos da história da Serie A: venceu apenas dois jogos e somou 14 pontos em 38 rodadas. Voltou à elite do futebol italiano na temporada 2000/01, mas não resistiu e acabou amargando novo rebaixamento.
A situação chegou a ficar ainda pior. Com problemas financeiros, o Napoli foi à falência em 2004. Teve de mudar de nome e disputar a terceira divisão. Poderia até ter deixado de existir se não fosse pelos esforços de Aurelio de Laurentiis, cineasta natural de Nápoles que estava disposto a fazer o time da sua cidade se reerguer.
De Laurentiis não foi o único a demonstrar que a paixão pelo clube permanecia inabalada. Mesmo neste cenário de desgraça, os torcedores compareceram em peso aos jogos na terceira divisão e impulsionaram o Napoli rumo ao ressurgimento. A segunda colocação na Serie B da temporada 2006/07, a mesma que contou com a participação da Juventus, marcou o retorno à elite – onde permanece até hoje e dá sinais de que ficará por muito tempo.
Os últimos 22 anos não foram fáceis para os torcedores do Napoli. Até por isso, merecem agora fazer uma festa proporcional à fidelidade que demonstraram pelo clube. Dizer que o time atual é o melhor desde aquele de Maradona e Careca, no final dos anos 1980, chega a ser uma obviedade. Assim, o título da Copa da Itália acaba sendo, também, um prêmio aos jogadores desta geração.
É o final feliz para uma história que teve bem perto de dar errado.
Agora, é hora de comemorar. Ou de pagar promessa, como é o caso de Hamsik. Tenho certeza que o eslovaco não ligou em ter perdido o moicano. É melhor do que ter perdido a decisão da Copa da Itália.
A temporada 2011/12 do futebol italiano será encerrada neste domingo. Juventus e Napoli se enfrentarão no Estádio Olímpico de Roma pela final da Copa da Itália. As duas equipes não vencem a competição já há um bom tempo e têm motivos de sobra para tentar acabar com o jejum.
Campeã italiana deste ano de maneira invicta, a Juventus não comemora o título da Copa da Itália desde 1995. Uma vitória neste domingo serviria para coroar a temporada histórica dos comandados de Antonio Conte. Além disso, permitiria à equipe de Turim bordar mais uma estrela em cima do escudo no seu uniforme da próxima temporada.
Não, não tem nada a ver com a história que dominou o noticiário italiano após a conquista da Serie A. Esta estrela não tem relação alguma com a luta dos dirigentes do clube para que a Federação Italiana “devolva” os títulos nacionais de 2005 e 2006, cassados após o escândalo de manipulação de resultados. Ela seria prateada, não dourada como as outras duas, e representaria a décima Copa da Itália na história da Juventus – que deixaria a Roma para trás e se isolaria como a equipe que mais vezes venceu a competição.
O Napoli, evidentemente, tentará frustrar os planos da Juventus. Após participar da Liga dos Campeões, o time do sul da Itália terá de se contentar com a disputa da Liga Europa na próxima temporada. Sem levantar o troféu da Copa da Itália desde 1987, busca vencer o torneio pela quarta vez na história e dar pelo menos um motivo para os torcedores sorrirem neste ano.
O problema é que Walter Mazzarri, treinador do Napoli, parece estar bastante descrente com relação às chances de título. Não fez cerimônia nenhuma para jogar o favoritismo para o outro lado. Até aí, tudo bem. Afinal de contas, a Juventus, como todo mundo já sabe, conquistou o Campeonato Italiano sem perder nenhum dos 38 jogos que realizou.
No entanto, observa-se um respeito excessivo ao adversário no discurso de Mazzarri. Ele diz que a Juventus é, de fato, um oponente que parece ser imbatível, e que o Napoli terá de fazer algo extraordinário para conseguir vencer.
A Juventus é mesmo esse bicho de sete cabeças que Mazzarri desenha? O lateral-direito Maggio, por exemplo, não concorda. “Eles contam com vários jogadores de qualidade, mas nós também”, afirmou o jogador.
Amizade de Del Piero com rockstar pé quente
No dia em que fará sua última partida pela Juventus, após uma trajetória de 19 anos, Alessandro Del Piero convidou um amigo especial para comparecer ao Estádio Olímpico de Roma e assistir à partida. Trata-se de Noel Gallagher, ex-guitarrista da banda de rock britânica Oasis – findada em 2009.
Del Piero já declarou algumas vezes ser fã de Oasis. Acabou desenvolvendo uma amizade com Noel ao longo dos últimos anos e chegou até a fazer uma ponta no clipe da canção “Lord Don’t Slow Me Down”.
Esta não será a primeira vez que Noel irá a um estádio para prestigiar Del Piero. No dia 8 de julho de 2006, ele estava em Stuttgart para acompanhar de perto o jogo entre Itália e Alemanha na semifinal da Copa do Mundo. A seleção italiana venceu por 2 a 0, e um dos gols foi marcado justamente pelo craque da Juventus, que conta a história com mais detalhes no vídeo abaixo.
Será que a presença de Noel no estádio dará sorte mais uma vez a Del Piero?
O Campeonato Italiano só volta no próximo fim de semana, então as equipes vão entrando na reta final das preparações. Como o mercado se fechará três dias após a primeira rodada, as impressões dessa fase de testes acabam se tornando mais relevantes. Além dos amistosos e das eliminatórias europeias, 12 dos 20 times da Serie A finalmente estrearam na Coppa Italia – os oito primeiros da temporada passada só entram nas oitavas-de-final.
O Bologna estreou novo uniforme com vitória suada sobre o Ascoli
O terceiro turno da Coppa Italia causou algumas quedas de respeito: dois times da Serie A já deram adeus ao torneio. A Atalanta perdeu em casa para o Gubbio (4 a 3, com expulsão de Tiribocchi e boa estreia do argentino Maxi Moralez) e o Lecce, também em casa, caiu para o Crotone (2 a 0). A Sampdoria, recém-rebaixada, foi outra eliminada. Perdeu para o Empoli de um renascido Tavano, por 2 a 1.
Novara (4 a 0 na Triestina), Cagliari (5 a 1 no Albinoleffe, com três de Larrivey) e Parma (4 a 1 no Grosseto, com dois de Crespo) passearam em casa. Dos times da primeira divisão, o Cesena foi o que mais passou sufoco: Bogdani marcou o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Ascoli no penúltimo minuto da prorrogação. O Bologna também penou e só conseguiu o gol da virada sobre o Padova nos acréscimos do segundo tempo, com o bom meia Della Rocca.
Ah, os brasileiros: nossos compatriotas foram coadjuvantes nesse fim de semana. Dos 59 gols marcados, só três vieram daqui – nenhum de peso considerável. O zagueiro Emerson (ex-Caxias) estreou na Reggina e marcou um gol inútil na derrota por 2 a 1 para o Modena e o atacante Jonathas (ex-Cruzeiro) abriu o placar para o Brescia que levou virada do Catania. Só Nenê (ex-Santa Cruz e Cruzeiro) decidiu: marcou o primeiro dos cinco gols do Cagliari.
É isso. O torneio só volta no fim de novembro, com o quarto turno. E as equipes grandes só entram nas oitavas-de-final, em dezembro. Então esqueçam a Coppa Italia depois desse post, falaremos dela daqui a alguns meses.
Quarto turno
Bologna x Crotone (o vencedor enfrenta a Juventus nas oitavas-de-final)
Fiorentina x Empoli (Roma nas oitavas-de-final)
Parma x Hellas Verona (Lazio nas oitavas-de-final)
Catania x Novara (Milan nas oitavas-de-final)
Cagliari x Siena (Palermo nas oitavas-de-final)
Chievo x Modena (Udinese nas oitavas-de-final)
Genoa x Bari (Inter nas oitavas-de-final)
Cesena x Gubbio (Napoli nas oitavas-de-final)
Como está difícil para Juve e Roma fazerem a própria parte, agora resta torcer para o rival
Roma e Inter abriram as semifinais da Coppa Italia com um jogo chato, modorrento, sem nada de muito atrativo, tirando o gol de Stankovic e o não-gol de Vucinic.
A derrota em casa complica bastante as chances de a Roma chegar à final. Os giallorossi terão de vencer a Inter por dois gols de diferença no San Siro (ou por 2×1, 3×2, aquilo que todos estão cansados de ouvir). Com isso, a única chance de Totti e amigos se classificarem para uma competição europeia seria através da classificação da Serie A. Os quatro primeiros vão à Liga dos Campeões, os dois seguintes ficam com a Liga Europa. Hoje, a Roma está na sexta posição, um ponto à frente da Juventus, sétima colocada.
Na outra semifinal da Coppa Italia, Milan e Palermo se enfrentarão. A matemática para romanistas e juventinos é simples: se o Palermo chega à final contra a Inter, se classifica para a Liga Europa; se o Palermo cai para o Milan, essa vaga europeia vai para o campeonato, presenteando o sétimo colocado – e acabando com a briga entre Roma e Juventus por uma vaga, já que os dois times sairiam felizes.
Luís Araújo é jornalista do iG Esporte. Gosta de escrever e de acompanhar o futebol italiano. Por isso, assume este espaço dedicado ao futebol tetracampeão do mundo. No Twitter, é @luis_araujo_