Cesena | Futebol Italiano

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012 Bologna, Cesena, Parma | 15:10

SdV, parte 6: Acredite, eles estão no campeonato

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A galera da Emília-Romanha também merece espaço no Show da Virada (SdV) do Tripletta. Mais da metade dos times do Campeonato Italiano já passaram por aqui e eu tenho certeza de que você deve se lembrar de quase todos. Mas o trio que vem por aí tem feito um campeonato de coadjuvante:

Parma (13º lugar, 19 pontos, 21 gols marcados e 26 sofridos em 16 jogos)

Sebastian Giovinco (Getty Images)

Sebastian Giovinco

Nenhuma equipe da Serie A – nem a Fiorentina de Jovetic – representa tão bem a figura do exército de um homem só quanto o Parma de Giovinco. O problema é que a Formiga Atômica ainda não tem cacife para carregar o time nas costas. Junto de Floccari, é o jogador que mais perde a bola em todo o campeonato (em média, 3,1 vezes por jogo). Mesmo assim, marcou sete gols e deu seis assistências.

Quando Giovinco vai mal, o Parma desanda. Não há ninguém para segurar o rojão, mesmo que toda a marcação se dirija ao camisa 10. Um dos poucos a se salvar é Biabiany, o maior driblador do campeonato (3,7/jogo). O elenco é grande e “coeso”, como diria Tite, mas isso gera sérios problemas de continuidade. Muita gente de nível parecido acaba dividida entre o time titular e as tribunas de honra. Vinte e cinco atletas já foram utilizados e dois (Brandão e Marqués) sequer entraram em campo.

O trabalho contestável na rotatividade do elenco tem causado problemas para Colomba, que não é mais indiscutível no cargo. Deixar o habilidoso Marqués de lado tem causado polêmica, afinal o jogador saiu do time por lesão em novembro de 2010 e não ganhou nenhuma chance de voltar. Mas o principal problema está na gestão de Crespo. O centroavante argentino não se lesionou, mas mesmo assim jogou apenas 65 minutos, em 16 jogos. Conhecido por salvar times, Colomba vai mostrando que planejamento é seu calcanhar-de-Aquiles.

Bologna (17º lugar, 15 pontos, 14 gols marcados e 24 sofridos em 16 jogos)

Jean-François Gillet (Getty Images)

Jean-François Gillet

Depois de três temporadas sendo salvo graças aos gols do veterano Di Vaio, bem que alguém do Bologna poderia ter pensado que já era a hora de pensar em um plano B. Mas esqueça, ninguém parece ter tido essa ideia. Se o time rossoblù ainda está fora da zona de rebaixamento, deve muito a seu infindável capitão. Ele tem uma média de nove gols por semestre, pelo Bologna. Neste, marcou só quatro. Quando deixou o dele, foram duas vitórias e dois empates.

Pioli, quem diria, foi essencial para a ressurreição de Di Vaio. Contratado para o lugar do fraquíssimo Bisoli, há dois meses, o mesmo técnico escorraçado do Palermo na pré-temporada tem melhorado o rendimento ofensivo da equipe. Desde que ele chegou, Di Vaio fez três gols em seis jogos, contra apenas um tento nas dez partidas anteriores. O comandante terá outros desafios, ainda mais complexos. Sorte dele ter um goleiro como Gillet, que não deixou a torcida ter saudades de Viviano.

Talvez o maior deles seja aumentar a posse de bola da equipe, a pior no quesito entre os 20 times da Serie A. Sem alguém no meio-campo que consiga entender a função de uma bola de futebol, o time sofre para segurá-la. Nos jogos em casa, teve uma média de 43,5% de posse. A crise de abstinência também leva o Bologna a ser o time mais faltoso do torneio (17,8 faltas cometidas por jogo) e ter o jogador mais advertido do campeonato (Pérez, com nove amarelos). É preciso se impor: deixar a onda levar não salva ninguém da queda.

Cesena (19º lugar, 12 pontos, 8 gols marcados e 20 sofridos em 16 jogos)

Adrian Mutu (AP)

Adrian Mutu

Pelos desastres recentes, Marco Giampaolo merece ter caçada sua patente de treinador de futebol. Depois de fracassos retumbantes no Catania, no Siena e no Cagliari, chegou a vez do homem de fala mansa instalar o caos no Cesena. Ele durou dez rodadas, nas quais a equipe passou sete na lanterna da competição. Giampaolo tinha ideias estranhas e realmente tentou implantá-las.

A maior “falha”, para pegarmos leve com o homem, foi apostar em Mutu como centroavante. O Cesena fez milagre para conseguir contratar o romeno e Giampaolo decidiu que ele seria o Messi do Dino Manuzzi. Escalou Mutu como “falso 9″, mas se esqueceu que o Cesena não é lá um leito de criatividade. A bola não chegava nele, ele não entrava no jogo e o Cesena perdia, perdia, perdia.

Pois bem, Giampaolo acabou devidamente demitido, contrataram Arrigoni e é claro que o time deu uma levantada – como sempre acontece quando Giampaolo é demitido, vale lembrar. Até Parolo, que cavou vaga na seleção italiana na temporada passada, voltou a jogar bola. Mas o importante é que Arrigoni descobriu que Mutu deve jogar para o time, e não o contrário. Trocou o 4-3-3 por um 4-4-2 ortodoxo, o romeno passou a jogar bem, o Cesena venceu três dos últimos seis jogos e Mutu marcou três dos quatro gols do time nessa vitórias. Não atrapalhar é a melhor forma de ajudar.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

sábado, 10 de setembro de 2011 Cesena, Napoli, Serie A | 17:56

Messi, eu?

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Adrian Mutu (Getty Images)

Mutu já teria de chamar a responsabilidade. Aí recebeu mais alguns quilos nos ombros

Pouco antes de a temporada começar, o treinador do Cesena disse que Mutu seria o Messi da equipe. “Deve ficar livre para fazer o que quiser e o time deve se adaptar aos seus movimentos”, pregou Giampaolo. Depois da derrota por 3 a 1 para o Napoli, já descobriu que o romeno até pode ser Messi… Mas aquele que joga na seleção argentina.

O gol que abriu o placar do jogo foi construído num lance em que Mutu veio de trás e lançou Éder. No resto da partida, o romeno ficou bem isolado e não conseguiu fazer o ataque do Cesena funcionar. Ele tinha de chamar a responsabilidade, mas só acertou 20 passes durante todo o jogo. Para efeito comparativo, Hamsík jogou meia hora pelo Napoli e fez 30 passes. Completou todos.

É só a estreia na Serie A, mas se o bom dia já se vê de manhã, o Cesena não anima tanto assim. No outro jogo oficial da temporada, a vitória por 1 a 0 sobre o Ascoli, na Coppa Italia, foi suada e só veio na prorrogação. Giampaolo quer ousar e mexeu demais nas engrenagens de um time que funcionava bem, na temporada passada. Só que ele também não é Guardiola.

Curtas
- Fora de casa? Que nada. No Dino Manuzzi lotado, 7 mil lugares foram ocupados por torcedores do Napoli – quase um terço da capacidade do estádio. O Cesena era vaiado quando atacava e levou olé no segundo tempo.

- Finalmente Mazzarri mostrou alternativas para seu Napoli. O time jogou por cerca de 15 minutos num 4-2-3-1, com Lavezzi e Pandev pelas pontas. A falta de opções era um problema sério.

- O Napoli não vencia na estreia desde 1994, quando bateu a Reggiana por 1 a 0. Adeus, tabu.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , ,

sábado, 12 de março de 2011 Cesena, Juventus, Serie A | 20:04

Outro ano na fila

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Bergonzi expulsa Motta (Foto: Ansa)

Expulsão de Motta é bom retrato da péssima temporada daquele que foi capitão de diversas seleções de base

Definitivamente, não será desta vez que a Juventus retornará à Liga dos Campeões. O empate em 2 a 2 com o Cesena deixou o time nove pontos atrás da Lazio, quarta colocada, e a tendência é que a diferença aumente.

Dois gols de Matri colocaram os visitantes em vantagem, mas um blecaute na defesa da Juve colocou tudo a perder. Primeiro, Buffon fez um pênalti em Parolo e dois minutos depois Motta foi expulso por levantar o pé na altura do rosto de Giaccherini. No segundo tempo, o Cesena só não virou o jogo por pouca pontaria e pelas defesas de Buffon. Parolo, melhor em campo, fez o gol dele e fechou as contas. As notas do jogo, com os melhores em negrito:

CESENA
Antonioli, 6 – sem culpa nos gols, também não fez nenhum milagre
Santon, 5,5 – defendeu bem, atacou mal: nada a ver com o Santon dos tempos de Inter
Ceccarelli (aos 34’st), sem nota
Pellegrino, 6 – sofreu com Matri durante meia hora e depois só assistiu à partida
Von Bergen, 6,5 – xerife da defesa, deu segurança à área
Lauro, 6,5 – venceu a batalha com Motta, Krasic, Pepe e quem mais se arriscasse por ali
Caserta, 6 – pareceu fisicamente recuperado, o que já é muito, mas ainda falta atacar
Malonga (7’st), 6 – entrou esbanjando velocidade, com um pouco mais definiria o jogo
Colucci, 6,5 – administrou bem o meio-campo e anulou a dupla Aquilani-Marchisio
Parolo, 8 – melhor em campo, sofreu o pênalti e empatou o jogo. Bela temporada de estreia
Giaccherini, 4,5 – errou um gol inacreditável, sem goleiro, e jogou sem confiança pelo resto da partida
Rosina (28’st), 5,5 – cobrou a falta do empate e deixou a impressão de que deveria ter entrado antes
Jiménez, 6,5 – tecnicamente, é muito superior. Quando joga pelo centro, se reencontra
Bogdani, 5 – não conseguiu ganhar nenhum lance e terminou o jogo exausto

JUVENTUS
Buffon, 6 – fez pênalti, arriscou ser expulso, mas salvou o empate pelo menos três vezes
Motta, 4 – mal na defesa, o cartão vermelho aos 42 minutos foi a cereja do bolo
Bonucci, 5,5 – ganhou todas de Bogdani, o que não é grande coisa
Chiellini, 5 – o melhor zagueiro da Itália falhou demais e deu sorte: Giaccherini não aproveitou
Traoré, 5,5 – não marcou história, mas ao menos não fez grandes cagadas, o que já é grande coisa
Krasic, 5 – onde está o jogador do início da temporada?
Grygera (1’st), 5,5 – com muito custo e muitas faltas, conseguiu parar o lado esquerdo do Cesena
Aquilani, 5 – participa pouco do jogo, parece estar com a cabeça em outro lugar
Marchisio, 5,5 – marca bem, luta bastante, mas ainda falta maior produção ofensiva
Pepe, 6 – corre pela esquerda de uma ponta a outra, mas vai melhor defendendo do que atacando
Del Piero, 8 – provou que não pode ser reserva neste time e tirou os gols da cartola
Martínez (22’st), 5 – merecia meio ponto a mais, mas entrou no lugar de Del Piero
Matri, 7,5 – estava ali para fazer gols: anotou dois
Iaquinta (32’st), sem nota

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011 Cesena, Extracampo | 23:23

Todos contra dois

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Igor Campedelli

As palavras polêmicas de Campedelli só pioraram a situação

“Parem de ameaças ou deixo o clube. Vendo os jogadores úteis e não inscrevo o time no próximo campeonato. Devolvo o clube ao limbo, assim como estava quando comprei.”

A declaração forte aí de cima é de Igor Campedelli, presidente do Cesena, vice-lanterna da Serie A. Em uma coletiva tensa, o empresário disse que é preciso civilidade para que a torcida conteste o que tem sido feito e pediu que entendessem as dificuldades de um retorno à primeira divisão após 20 anos.

As principais críticas recaem sobre a última campanha do Cesena no mercado de contratações (realmente lastimável) e sobre o trabalho de Massimo Ficcadenti (realmente contestável). O que não torna aceitável que quatro torcedores do time invadam a loja oficial do clube dizendo que “quebrarão tudo” caso o treinador não seja demitido.

O clima quente tem sido alimentado inclusive por alguns jogadores, de certa forma. Pouco depois do empate contra o Parma, Jiménez reclamou publicamente que ele e Rosina são “armadores, não atacantes laterais”. O capitão Colucci veio dizer que já se havia se esclarecido com os torcedores. Sammarco disparou que o time levou o empate porque havia deixado de ser inteligente.

O trabalho de Ficcadenti não entrará para a história do Cesena, de fato. E o treinador peca bastante ao deixar seus favoritos em péssima fase, como Lauro, Parolo e Bogdani, entre os titulares. As escolhas têm sido contestáveis, as substituções ainda mais, e a personalidade arrogante é mais um entrave na relação com a torcida. No último jogo em casa, foi vaiado sempre que possível. O clima no estádio tem sido insuportável e Ficcadenti parece ter apenas o presidente Campedelli na luta contra todos os outros.

O relacionamento entre torcida e torcidos só tende a piorar. A principal organizada do Cesena redigiu um comunicado oferecendo um Oscar à atuação de Campedelli na entrevista aqui do primeiro parágrafo, dizendo não aceitar “que se jogue no mesmo caldeirão quem contesta e quem ameaça”. E foram além, insinuando que a ameaça de tirar o time do circuito profissional jogaria “toda a região contra Campedelli, amigos, colegas e familiares”.

Itália, um país de todos – inclusive dos imbecis

Roma

A foto é de 2009, mas o clima na Roma, dois anos depois, mudou bem pouco. Paciência da torcida continua em baixa

Esse clima hostil tem sido comum na Itália. Há alguns dias, torcedores da Roma receberam a equipe no aeroporto atirando algumas dúzias de ovos. A torcida da Sampdoria tem entoado cantos nada elogiosos a Domenico Di Carlo durante os jogos. Em Bari, uma carta-bomba foi enviada à casa do presidente Matarrese.

Os casos não ficam só na Serie A. Nos últimos 12 meses, cartas-bomba explodiram na sede do Torino, e nos estádios da da Pro Patria e da Carrarese. Aí pergunto: falta mais alguma morte para que a segurança volte a ser pauta no futebol italiano?

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,