SdV, parte 6: Acredite, eles estão no campeonato
A galera da Emília-Romanha também merece espaço no Show da Virada (SdV) do Tripletta. Mais da metade dos times do Campeonato Italiano já passaram por aqui e eu tenho certeza de que você deve se lembrar de quase todos. Mas o trio que vem por aí tem feito um campeonato de coadjuvante:
Parma (13º lugar, 19 pontos, 21 gols marcados e 26 sofridos em 16 jogos)

Sebastian Giovinco
Nenhuma equipe da Serie A – nem a Fiorentina de Jovetic – representa tão bem a figura do exército de um homem só quanto o Parma de Giovinco. O problema é que a Formiga Atômica ainda não tem cacife para carregar o time nas costas. Junto de Floccari, é o jogador que mais perde a bola em todo o campeonato (em média, 3,1 vezes por jogo). Mesmo assim, marcou sete gols e deu seis assistências.
Quando Giovinco vai mal, o Parma desanda. Não há ninguém para segurar o rojão, mesmo que toda a marcação se dirija ao camisa 10. Um dos poucos a se salvar é Biabiany, o maior driblador do campeonato (3,7/jogo). O elenco é grande e “coeso”, como diria Tite, mas isso gera sérios problemas de continuidade. Muita gente de nível parecido acaba dividida entre o time titular e as tribunas de honra. Vinte e cinco atletas já foram utilizados e dois (Brandão e Marqués) sequer entraram em campo.
O trabalho contestável na rotatividade do elenco tem causado problemas para Colomba, que não é mais indiscutível no cargo. Deixar o habilidoso Marqués de lado tem causado polêmica, afinal o jogador saiu do time por lesão em novembro de 2010 e não ganhou nenhuma chance de voltar. Mas o principal problema está na gestão de Crespo. O centroavante argentino não se lesionou, mas mesmo assim jogou apenas 65 minutos, em 16 jogos. Conhecido por salvar times, Colomba vai mostrando que planejamento é seu calcanhar-de-Aquiles.
Bologna (17º lugar, 15 pontos, 14 gols marcados e 24 sofridos em 16 jogos)

Jean-François Gillet
Depois de três temporadas sendo salvo graças aos gols do veterano Di Vaio, bem que alguém do Bologna poderia ter pensado que já era a hora de pensar em um plano B. Mas esqueça, ninguém parece ter tido essa ideia. Se o time rossoblù ainda está fora da zona de rebaixamento, deve muito a seu infindável capitão. Ele tem uma média de nove gols por semestre, pelo Bologna. Neste, marcou só quatro. Quando deixou o dele, foram duas vitórias e dois empates.
Pioli, quem diria, foi essencial para a ressurreição de Di Vaio. Contratado para o lugar do fraquíssimo Bisoli, há dois meses, o mesmo técnico escorraçado do Palermo na pré-temporada tem melhorado o rendimento ofensivo da equipe. Desde que ele chegou, Di Vaio fez três gols em seis jogos, contra apenas um tento nas dez partidas anteriores. O comandante terá outros desafios, ainda mais complexos. Sorte dele ter um goleiro como Gillet, que não deixou a torcida ter saudades de Viviano.
Talvez o maior deles seja aumentar a posse de bola da equipe, a pior no quesito entre os 20 times da Serie A. Sem alguém no meio-campo que consiga entender a função de uma bola de futebol, o time sofre para segurá-la. Nos jogos em casa, teve uma média de 43,5% de posse. A crise de abstinência também leva o Bologna a ser o time mais faltoso do torneio (17,8 faltas cometidas por jogo) e ter o jogador mais advertido do campeonato (Pérez, com nove amarelos). É preciso se impor: deixar a onda levar não salva ninguém da queda.
Cesena (19º lugar, 12 pontos, 8 gols marcados e 20 sofridos em 16 jogos)

Adrian Mutu
Pelos desastres recentes, Marco Giampaolo merece ter caçada sua patente de treinador de futebol. Depois de fracassos retumbantes no Catania, no Siena e no Cagliari, chegou a vez do homem de fala mansa instalar o caos no Cesena. Ele durou dez rodadas, nas quais a equipe passou sete na lanterna da competição. Giampaolo tinha ideias estranhas e realmente tentou implantá-las.
A maior “falha”, para pegarmos leve com o homem, foi apostar em Mutu como centroavante. O Cesena fez milagre para conseguir contratar o romeno e Giampaolo decidiu que ele seria o Messi do Dino Manuzzi. Escalou Mutu como “falso 9″, mas se esqueceu que o Cesena não é lá um leito de criatividade. A bola não chegava nele, ele não entrava no jogo e o Cesena perdia, perdia, perdia.
Pois bem, Giampaolo acabou devidamente demitido, contrataram Arrigoni e é claro que o time deu uma levantada – como sempre acontece quando Giampaolo é demitido, vale lembrar. Até Parolo, que cavou vaga na seleção italiana na temporada passada, voltou a jogar bola. Mas o importante é que Arrigoni descobriu que Mutu deve jogar para o time, e não o contrário. Trocou o 4-3-3 por um 4-4-2 ortodoxo, o romeno passou a jogar bem, o Cesena venceu três dos últimos seis jogos e Mutu marcou três dos quatro gols do time nessa vitórias. Não atrapalhar é a melhor forma de ajudar.



