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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011 Cagliari, Catania, Palermo | 22:49

SdV, parte 1: A turma das ilhas

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O Show da Virada (SdV) do Tripletta começa com uma turma que apronta altas confusões. Talvez o clima mediterrâneo e a proximidade com vulcões possa explicar como raios os times das ilhas italianas conseguem colecionar tantos problemas. Vamos a eles:

Catania (8º lugar, 22 pontos, 20 gols marcados e 23 sofridos em 16 jogos)

Lodi (Getty Images)

Francesco Lodi

O melhor time das ilhas poderia parecer livre da instabilidade. Poderia. Mesmo fazendo uma campanha convincente e muito acima do esperado, pintou confusão no lado azul e rosa da Sicília. O goleiro Andújar, um dos melhores do time, rompeu com a diretoria por motivos ainda desconhecidos e pediu para ser negociado. Resta esperar que o fato não abale o vestiário do time comandado pelo ainda novato Montella.

Quando Terlizzi e Silvestre saíram do elenco, até poderia se pensar que a defesa desandaria. Apesar disso, os etnei sofreram só quatro derrotas até agora. Montella abandonou o 4-3-3 e aposta num inesperado esquema de três zagueiros. E acredite: mesmo assim, o Catania é uma equipe ofensiva.

Mérito de um meio-campo inusitado. Geralmente, vê-se pelo menos um “volante pegador” em esquemas com três no meio. No Catania, isso não existe. São dois jogadores criativos (Almirón e Lodi) e um corredor (Delvecchio). Delvecchio jamais acertará um passe de 40 metros, mas é incansável e segura o setor na unha, pela direita. Mas o craque é Lodi. Ele demorou a aparecer na Serie A, mas dá gosto vê-lo jogar. Além da ótima técnica e de uma boa visão de jogo, ainda é um fantástico cobrador de faltas. Ah, e marcou gol no dérbi da Sicília, contra o…

Palermo (9º lugar, 21 pontos, 18 gols marcados e 20 sofridos em 16 jogos)

Devis Mangia (Getty Images)

Devis Mangia

Se perder um dérbi na Sicília é importante? Pergunte a Devis Mangia. Ele vinha fazendo um trabalho legal no Palermo, mas então tropeçou onde não devia e acabou chutado do barco pelo vulcânico presidente Zamparini. Contra o Catania, deu uma inventada, perdeu por 2 x 0 e não comeu o panetone por questão de dias. Certo, o elenco rosanero sofre com lesões, mas escalar Balzaretti na lateral direita é piada.

A campanha fora de casa foi fator determinante para a queda de Mangia – foram só três pontos ganhos fora da Sicília, um aproveitamento absurdo para quem pretendia voltar à Europa. Uma missão pelo menos improvável, convenhamos, já que o último mercado de verão tirou do Palermo cinco de seus pilares: Sirigu, Cassani, Bovo, Nocerino e, principalmente, Pastore. O argentino ainda não tem substituto, já que Ilicic ainda deve um salto de qualidade.

Falando em eslovenos, vale destacar a terrível temporada de Bacinovic. Uma das grandes surpresas do último ano, o ex-jogador do Maribor virou um fantasma e só foi escalado como titular seis vezes no campeonato. Para um meio-campo fraquíssimo como o do Palermo, time que mais deixa o adversário finalizar, faz diferença. Em média, o torcedor rosanero leva 17,4 “sustos” por partida. Destaque para o meia Migliaccio, que ganhou posição na zaga e tem sido o melhor jogador da equipe até agora.

Cagliari (15º lugar, 18 pontos ganhos, 12 gols marcados e 17 sofridos em 16 jogos)

Cossu (Getty Images)

Andrea Cossu

Dinheiro não é tudo. Juntos, Nenê, Thiago Ribeiro, El Kabir e Larrivey custaram aproximadamente 9 milhões de euros aos cofres do Cagliari. Talvez ter gastado essa grana com gado leiteiro daria o mesmo resultado. A equipe tem o segundo pior ataque do campeonato e, em casa, só balançou as redes uma vez. Os problemas ofensivos têm de ser corrigidos por Ballardini, que chegou há cinco rodadas, mas não mostrou muita evolução.

O Cagliari começou o campeonato bem. Nas cinco primeiro rodadas, venceu três vezes, empatou uma e alcançou a quinta posição. O presidente Cellino chegou a falar em classificação à Liga Europa, mas os jogos seguintes recolocaram o Cagliari no próprio lugar: em onze rodadas, só uma vitória. É claro que Ficcadenti rodou – assim como Zamparini, do Palermo, Cellino não costuma perdoar. A seca do ataque impressiona. Nenê tem sofrido com lesões e Thiago Ribeiro ainda não se adaptou ao jogo do time – pudera, já que na última rodada foi escalado como armador.

Ficcadenti começou setembro com um time ofensivo e de bom jogo, mas logo se perdeu. Sabe-se lá por que, tirou Cossu do meio e o colocou para jogar pela esquerda no ataque. O futebol do camisa 7 logo sumiu. O mesmo homem autor de 12 assistências na temporada passada fez apenas uma até agora, com quase metade do campeonato jogado. O onipresente Conti é o artilheiro do time, com três gols, mesmo fazendo uma de suas piores sequências da carreira. Para não falar do terrível goleiro Agazzi, que faz até quem não torce pelo time sentir um frio na espinha.

E amanhã…

Viajaremos rumo ao norte. Será a vez de mostrar como tem sido a temporada dos times do Piemonte: Novara e Juventus.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 9 de novembro de 2011 Cagliari, Serie A | 20:15

Na Itália, o tempo voa

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Desde que a rodada das chuvas terminou, dois técnicos acabaram demitidos – Mihajlovic, da Fiorentina, e Ficcadenti, do Cagliari. Agora, já são sete mudanças no comando em apenas dez rodadas da Serie A, sendo que duas delas ocorreram ainda antes de o campeonato começar.

Ballardini (Getty Images)

Segure-se, Ballardini! O estiloso homem dos óculos escuros é o terceiro treinador do Cagliari desde agosto

É uma tendência: a cada ano que passa, mais treinadores caem. Em 2001-02, há dez anos, sete times trocaram de comandante. Em 2006-07, há cinco, nove equipes. Em 2010-11, ano passado, foram onze mudanças. Na atual temporada, seis times já mudaram de técnico. O número teria chegado a sete se Lotito, presidente da Lazio, tivesse aceitado o pedido de demissão de Edy Reja, no início do campeonato. E olha que nem um terço do torneio foi disputado e temos outros três senhores na corda bamba.

Na segunda divisão italiana, seis dos 22 times já mudaram de comando. Nas divisões inferiores, os dedos das mãos não são suficientes para fazer os cálculos. A Itália é exceção no futebol europeu. As equipes da França e da Inglaterra ainda estão com o mesmo técnico desde o início de seus campeonatos. Espanha (1), Holanda (1), Alemanha (2) e Portugal (3) também têm médias bem melhores do que a italiana.

A profissão de treinador está sempre na mira da imprensa, dos torcedores e dos presidentes de cada um dos times. Mas, na Itália, essa pressão beira o caos. Dá pra entender como é feita a gestão técnica da maioria dos clubes do país? Confesso que não consigo. Não é raro que um treinador demitido volte ao mesmo cargo algumas rodadas depois, nem que as alterações sejam feitas mudando totalmente uma filosofia de jogo, de grupo, de futebol. Exemplo? Trocar Gasperini por Ranieri, na Inter, ou Bisoli por Pioli, no Bologna. Fica evidente a falta de planejamento.

Afastar um treinador significa pagar dois salários até que os contratos se encerrem ou então dar ao demitido uma bela rescisão contratual. Mesmo assim, os comandantes italianos continuam reféns de presidentes tempestuosos, como Massimo Cellino. Seu Cagliari tem superado qualquer expectativa, na 10ª colocação, e chamado atenção por causa do bom jogo praticado. Mesmo assim, Ficcadenti acabou afastado para a chegada de Ballardini, que já foi demitido do clube duas vezes em apenas sete anos de carreira!

Não tem como não bater na tecla da falta de planejamento. Faz sentido a um Cagliari que tem como única ambição no campeonato uma vida fácil e sem ameaças de rebaixamento demitir o treinador estando em 10º lugar? Faz sentido a um Palermo na 5ª posição ameaçar demitir o cidadão que o botou ali? Faz sentido a uma Fiorentina em crise política e existencial afastar um técnico que tinha controle do grupo e vinha sofrendo com a ausência do comando diretivo?

Coisas do outono italiano: os técnicos têm caído mais do que as folhas. E a crise continua.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 17 de agosto de 2011 Cagliari | 21:34

Bem-vindo ao Cagliari

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Caro Thiago Ribeiro,

Thiago Ribeiro (AZ)

As malas já estão prontas, espero. Você vai viver bem, Cagliari é uma cidade portuária muito bela e tem menos habitantes que o centro de Belo Horizonte. Mas você fala de uma proposta “fora da realidade brasileira”, da “chance de jogar numa liga como a italiana”. Espero que saiba o que Cagliari pode lhe reservar.

Você chegará para disputar um dos campeonatos mais importantes do mundo – mas em crise financeira e de resultados há quase uma década. A Itália também não é mais a mesma. O governo Berlusconi baixou um novo pacote de medidas extremas para salvar o país. Com a “taxa de solidariedade”, os jogadores de futebol (até os estrangeiros) terão de contribuir. Você pagará 10% a mais de seu salário para um governo de ações discutíveis. Pode ser que repasse até 48% de seus ganhos para o Estado. Por causa dessa bagunça, ainda pode ser que pinte uma greve por lá.

Ok, o futebol italiano está em crise internacional. O que nem afeta tanto o Cagliari, que não costuma estar no rol dos “times internacionais” do país, mesmo assim é quase uma miragem no deserto. O presidente Massimo Cellino desembolsa mais de 15 milhões de euros, por ano, só com salários. E ainda está construindo um estádio novo, bonito. Na região, talvez só o porto movimente mais dinheiro.

Prepare-se, aliás, para suportar Cellino. Ele não é lá muito paciente. Em 19 anos como presidente, já trocou o treinador do time 32 vezes. A última delas, semana passada, quando demitiu Roberto Donadoni durante a pré-temporada. Pode parecer estranho, mas Cellino é assim. Dá cada entrevista…

Apesar de ser fanfarrão assim, Cellino dá muita liberdade aos jogadores. Se quiser se dar bem, faça amizade com as lideranças do elenco. Quem não se dá bem com Agostini, Conti e Cossu costuma se tornar carta fora do baralho. Aí está minha maior dúvida. O maior salário do Cagliari é de Cossu, que ganha uns R$ 150 mil líquidos por mês. Difícil acreditar que o elenco cagliaritano receba bem alguém que ultrapasse este teto. Das duas, uma: ou a proposta não era tão irrecusável assim, ou… Boa sorte!

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , ,

sábado, 30 de julho de 2011 Cagliari | 21:00

Jovens escoteiros

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Neste sábado (30), os jogadores da categoria sub-20 do Cagliari se reuniram no retiro pré-temporada, que será realizado na pequena cidade de Ovodda, no interior da ilha de Sardenha.

A pacata Ovodda é cercada por belos bosques

Esqueça aquela preparação tradicional dentro de hotéis, spas, pousadas, pesque-e-pagues, coisas assim. O treinador Gianluca Festa, ex-zagueiro de Inter e Middlesbrough, pediu para que os jovens se reúnam em barracas em um bosque da cidade. E o Cagliari topou a ideia.

“Dormiremos em barracas, nos alimentaremos em uma casa no meio da floresta e faremos os treinamentos no campo da cidade”, explicou Festa. O diretor responsável pela base, Gianfranco Matteoli, gostou da inovação. Para ele, o acampamento não terá nada a ver com férias e terá as condições logísticas para criar maior convívio de grupo e melhorar a experiência de vida dos jovens.

Gostei da ideia. Mas imagine só se pega por aqui: o Flamengo acampado no que restou da Mata Atlântica, o Corinthians ali na Serra da Cantareira, o Cruzeiro em Ibitipoca…

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , ,

sábado, 19 de fevereiro de 2011 Cagliari, Internazionale, Serie A | 22:45

A dois pontos do paraíso

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Ranocchia

3 em 1: o gol de Ranocchia/Kharja/Canini (contra) definiu a partida

A dupla personalidade da Inter versão 2011 segue a todo vapor. Os nerazzurri fizeram um bom primeiro tempo: marcaram um gol, não sofreram riscos, pouparam o time para a Liga dos Campeões. Depois do intervalo, foram completamente dominados, mas conseguiram se safar bem na primeira vitória por 1 a 0 na gestão de Leonardo.

Tudo bem que o gol, como diriam os italianos, estava “viciado” por um impedimento não marcado de Ranocchia. Mesmo assim, foi suficiente para a nona vitória de Leo em onze jogos disputados na Serie A. E s suficiente para encher de pressão o Milan, que enfrentará o Chievo em Verona com a missão de aumentar a distância para a Inter, que agora é só de dois pontos. As notas do jogo, com os melhores em negrito:

INTER
Júlio César, 6,5 – boas defesas em dois chutes de Lazzari e um de Conti
Maicon, 6 – defendeu bem, atacou pouco e levou um cartão bobo que o suspendeu da próxima partida
Ranocchia, 7 – zagueiro frio e calculista, o melhor da Inter ainda levou um gol de presente
Córdoba, 5,5 – sofreu demais para segurar o ímpeto de Nenê e amigos
Nagatomo, 6 – corre muito, muito. Tem melhorado, mas ainda é pouco, pouco
Zanetti, 7 – duvide do homem que disser que o argentino já tem 37 anos
Thiago Motta, 5,5 – errou um passe na intermediária que quase valeu o empate rossoblù
Cambiasso (aos 27’st), 6 – a luta de sempre, cheia da categoria habitual
Kharja, 6 – o chute para o gol e pouco mais que isso: ainda erra passes demais em jogadas decisivas
Mariga (33’st), sem nota
Eto’o, 5,5 – causa perigo mesmo se joga mal. Passar direto por Leonardo quando saiu gerou climão
Stankovic (16’st), 5,5 – entrou em um momento tenso da partida e não comprometeu
Pazzini, 5,5 – sofreu a falta que originou o gol e se degladiou com Astori, nada mais que isso
Pandev, 5 – antes do intervalo, tentou chamar o jogo para si. Depois, sumiu da partida
Leonardo, 5,5 – arriscou o 4-2-1-3 fracassado em seu Milan, com direito a Eto’o de volta ao lado direito. Com as substituições, acabou cercado pelo Cagliari. A cabeça já estava no Bayern, certamente

CAGLIARI
Agazzi, 6 – uma defesa tranquila no início, depois assistiu à partida
Pisano, 7 – fisicamente recuperado, é um dos melhores laterais italianos da atualidade
Canini, 6,5 – discreto como sempre
Astori, 7 – anulou Pazzini por conta própria e nem precisou sofrer
Agostini, 6 – venceu o duelo com Maicon, mas errou passes demais no ataque
Biondini, 5,5 – é só cuore e grinta. Isolou uma bola a minutos do fim de jogo
Conti, 7 – capitão e melhor em campo. A imagem do time: grande prestação e outra derrota
Lazzari, 6 – só melhorou ao ser adiantado. Não lembra aquele meia que quase foi para o Milan
Cossu, 6 – bom nas bolas paradas, tentou apitar a partida e se esqueceu de jogá-la
Nainggolan (25’st), 6 – entrou calmo e tomou conta do meio-campo, logo retomará o lugar de Biondini
Nenê, 6 – correu por todo campo, chamou o time para o ataque. Quase não finalizou, mas é detalhe
Acquafresca, 4,5 – parece ter sentido a atmosfera de San Siro. Pior em campo, com méritos
Ragatzu (19’st), 6 – veloz, técnico e cheio de personalidade, entrou e apanhou bastante
Donadoni, 6,5 – escalou bem e fez as substituições corretas. Por muito pouco não conseguiu o empate

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,