
Antes herói, Ventura saiu pela porta dos fundos
No domingo, o lanterna Bari entrará no péssimo gramado do San Nicola para se dar uma última chance. A partida com o Genoa marcará a estreia de Bortolo Mutti no comando biancorosso. Ele assume um time mentalmente arrasado e tecnicamente inferior ao dos que lutam contra o rebaixamento, mas que ao menos afastou a onda de lesões. Durante o campeonato, todos os titulares passaram pelo departamento médico, mas já têm voltado: pela primeira vez em meses, nenhum jogador sub-20 terá de completar o time.
Mutti assume no lugar de Giampiero Ventura, que conseguiu o feito de perder sete jogos seguidos e deixar o Bari a nove pontos do primeiro time fora da zona de rebaixamento. Na última rodada, os galletti foram derrotados pelo Brescia e parecem ter dado adeus a qualquer chance anímica de salvação.
Ventura teve várias falhas, é claro. Contra o Brescia, teve a desfaçatez de escalar Castillo como titular. Durante o campeonato, pecou quando teve de improvisar no ataque, escolhendo o hondurenho Álvarez como centroavante. E como entender a titularidade absoluta do lento e nervoso lateral-esquerdo Parisi? Ventura fez milagres na temporada passada para dar ao Bari sua melhor campanha da história na Serie A, mas várias vezes esteve perdido no furacão que o clube se tornou nos últimos meses.
Mas o treinador não é o único culpado. O desinteresse da família Matarrese, dona do Bari, ficou escancarado nas duas últimas janelas de mercado. Tudo começou no fim da temporada passada, quando o bom diretor esportivo Giorgio Perinetti foi para o Siena. Para o lugar dele, chegou o contestável Guido Angelozzi, protagonista de um terrível calciomercato. O melhor exemplo está na dupla de zagueiros: os ótimos Ranocchia e Bonucci, hoje na seleção italiana, foram substituídos pelos inconstantes Raggi e Rossi. A capacidade ofensiva também se mostrou lastimável. Somados, Ghezzal, Kutuzov, Castillo e Caputo marcaram apenas três vezes até aqui.

O capitão Gillet tem sido um dos únicos a se salvar
Janeiro foi um mês para esquecer. Ventura sonhou com Kharja para o meio-campo, acordou com Bentivoglio. Pediu um centroavante que garantisse gols e recebeu os incógnitos Okaka, Rudolf e Huseklepp. Quis uma opção decente para a zaga, se deparou com o medíocre Glik. Sem esperanças, entregou o cargo, mas a família Matarrese pediu que continuasse. Mesmo assim, ficou na dela e não deu apoio público, deixando transparecer que o clube estava abandonado.
Só aí é que o Bari mergulhou de vez na crise. Sem apoio da torcida, a família Matarrese teria duas opções. Arquivou a mais difícil, que era aceitar o rebaixamento colhido merecidamente e manter Ventura para que o trauma não fosse tão grande. Escolheu a mais confortável: mudou de técnico no aguardo de uma injeção de ânimo.
Para continuar com uma mínima chance de se manter na Serie A, uma vitória já no domingo será fundamental. Ou, na pior e mais provável das hipóteses, será apenas um número a mais na história dos Matarrese: o sexto rebaixamento em 34 anos de comando.
Se quiser continuar com uma mínima chance de permanência, será fundamental bater o Genoa – se aproveitando, quem sabe, de mais algum dos infindáveis frangos do goleiro Eduardo. Par aisso, terá de confiar nos dois únicos jogadores regulares do time na temporada: o meia Gazzi e o goleiro Gillet.