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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012 Atalanta, Internazionale, Milan | 18:10

SdV, parte 7: Festa na Lombardia

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Na reta final do Show da Virada (SdV) do Tripletta, o blog apresenta o que tem sido a temporada dos times da Lombardia. Em Milão, o fim do ano viu festas. E em Bérgamo, mesmo que o escândalo das apostas possa ameaçar o futuro da Atalanta, o que se viu dentro de campo só trouxe boas notícias:

Milan (1º lugar, 34 pontos, 35 gols marcados e 16 sofridos em 16 jogos)

Zlatan Ibrahimovic (Getty Images)

Zlatan Ibrahimovic

Um baque foi necessário para que o Milan sentisse que empurrar o campeonato com a barriga não levaria a equipe a lugar algum. O time de Allegri teve um início de temporada complicado e a derrota para a Juventus esquentou o ambiente rubro-negro – como não poderia deixar de ser, o cargo do treinador acabou colocado em discussão e especulou-se várias contratações. Mas não é que perder para a rival funcionou para alguma coisa?

Depois da derrota, o Milan caiu para a 13ª posição. Onze rodadas depois, chegou à liderança pela primeira vez no campeonato e virou o ano de volta ao topo: foram 29 pontos em 11 jogos, uma média absurda. A liderança premia o time da Serie A que mais mantém posse de bola (média de 60,8% por partida) e mais acerta passes (85,2%). Robinho é peça importante para estes resultados, pois é o único atacante do campeonato que completa mais de 85% dos passes que tenta.

Para repetir o scudetto da temporada passada, o Milan tem a melhor carta que poderia encontrar na manga. Ibrahimovic vence todos os campeonatos nacionais que disputa desde 2004 e tem feito a parte dele. Nessa série de 11 jogos, o sueco contribuiu com nove gols e cinco assistências, o suficiente para eclipsar as falhas daquela que, no ano passado, era a melhor defesa da Itália. Em 2010-11, o Milan sofreu 0,63 gols por partida. Na atual Serie A, o número subiu para 1 por jogo. Deméritos do goleiro Abbiati, que faz uma temporada abaixo da crítica, e do meio-campo, que perdeu boa parte de sua capacidade de marcação após a lesão de Gattuso e a subutilização de Ambrosini.

Inter (5º lugar, 26 pontos, 22 gols marcados e 19 sofridos em 16 jogos)

Claudio Ranieri (Getty Images)

Claudio Ranieri

O lado azul e negro de Milão teve um início de temporada ainda pior do que o do rival. A Inter viveu um pesadelo sob o comando de Gasperini, que inventou um 3-4-3 intragável, colheu a antipatia com os líderes do elenco e acabou afastado depois de apenas cinco jogos. Foram quatro derrotas e um empate que representaram o vice na Supercopa Italiana, uma queda vexaminosa para o Trabzonspor na estreia da Liga dos Campeões e o time na zona de rebaixamento do Campeonato Italiano.

Com a chegada de Ranieri, tudo mudou. A Inter que queria dar espetáculo virou um time com pés no chão e se tornou a segunda equipe do campeonato que mais finaliza (15,9 vezes por partida, em média). Variando entre o 4-4-2 e o 4-3-1-2, o treinador romano fez a Inter escalar na tabela e encerrar 2011 com quatro vitórias consecutivas, no melhor momento interista da temporada. Com Ranieri, 13 jogadores já marcaram gols na Serie A, recorde no campeonato. Paciente, o treinador tem conseguido fazer Álvarez e Obi funcionar. Thiago Motta e Nagatomo renasceram. Faraoni, aposta pessoal, também tem rendido mais do que esperado.

Lutar pelo título é missão impossível, mas se classificar para a Liga dos Campeões está dentro da realidade da Inter. Para isso, seria interessante que os atacantes voltassem a fazer gols – desde que Eto’o saiu, o setor ofensivo interista foi à bancarrota. Juntos, Milito, Pazzini, Forlán e Castaignos marcaram apenas nove dos 22 tentos da Inter no campeonato. Zárate só marcou uma vez, mas na Liga dos Campeões.

Atalanta (11º lugar, 20 pontos, 23 gols marcados e 19 sofridos em 16 jogos)

Germán Denis (Getty Images)

Germán Denis

Grande surpresa do campeonato, a Atalanta teria o mesmo número de pontos da Inter, não fosse a penalização que recebeu antes do campeonato. Com seis pontos a menos, era de se esperar que a equipe sofresse na luta contra o rebaixamento, mas a rainha dos provinciais só ficou na zona nas duas primeiras rodadas. Quem não esperava muita coisa deste time (este blogueiro, por exemplo) não contava com a astúcia do argentino Denis.

Há quatro meses, quem dissesse que Denis viraria o ano como artilheiro do Campeonato Italiano poderia ser internado. Aos 30 anos, ele faz a melhor temporada da carreira: presente em todos os jogos da Atalanta na Serie A, já fez 12 gols e duas assistências. É ele o destaque individual de uma equipe que joga um futebol sem muita fantasia, mas que até encanta pela objetividade e pelas trocas rápidas de passe.

Mas Denis não está sozinho. No 4-4-1-1 de Colantuono, ele tem jogado pouco à frente de outro argentino, o baixinho Moralez. Habilidoso, bom na bola parada e com grande visão de jogo, o ex-meia do Velez é daqueles capazes de mudar o rumo de uma partida. Contra o Parma, por exemplo, fez os dois gols da vitória da Atalanta. O meio-campo é o ponto forte do conjunto: dificilmente o setor montado por Schelotto, Cigarini, Bonaventura e Padoin faz uma partida ruim. Olho no quarteto, que pode aparecer bem no futuro da seleção italiana.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 26 de setembro de 2011 Atalanta, Serie A | 08:22

Rainha virtual

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Brighi, Cigarini e Denis (Getty Images)

Em uma temporada em que os grandes italianos começam patinando, o ótimo início da Atalanta não pode passar batido: são três vitórias e um empate em quatro jogos. A rainha dos provinciais vai reeditando seu melhor começo de campeonato – em 2000-01, passou invicta pelas oito primeiras rodadas. Digamos que a boa largada dá ao clube o título de “líder virtual” da Serie A. Os dez pontos conquistados em campo colocariam o time na frente de Udinese e Juventus, mas a punição (entenda o que houve) por causa do escândalo de apostas dá apenas quatro pontos à Atalanta.

Para quem abriu o torneio com -6 e entrou nele só para evitar o retorno à segunda divisão, já estar fora da zona de rebaixamento é um grande feito. Não é uma “tabela fácil” que deu à Atalanta uma ótima campanha. Tudo bem, a  equipe ainda não enfrentou algum postulante ao título, mas passou por adversários hostis: fora de casa, um empate com o Genoa e uma vitória sobre o Lecce; em casa, bateu o Novara e se tornou o único time capaz de bater o Palermo da sensação Devis Mangia.

O bom trabalho é reflexo da temporada passada, quando os bergamascos não se contentaram em montar um time para subir de divisão. Campeã com relativa facilidade, a Atalanta pagou caro para ter os promissores Marilungo e Carmona e segurar o camisa 10 Bonaventura. Mais da metade dos titulares do time é remanescente da campanha da Serie B, a outra metade é de contratações cirúrgicas. Faltavam um centroavante de garantia, um lateral direito, um armador e experiência no meio-campo. Chegaram Denis, Masiello, Maxi Moralez, Cigarini e Brighi.

Em um time de ótimos valores individuais, Schelotto tem se destacado. O jovem meia direito pode ser a surpresa da próxima convocação de Prandelli. Impressiona como ele consegue, como dizem os italianos, “criar situações de superioridade numérica”. Incansável, sobe e desce pela ala durante toda a partida e ainda tem técnica suficiente para criar boas oportunidades e marcar gols, como fez contra o Novara. Uma espécie de Camoranesi em seus bons tempos.

Também chama atenção a adaptação rápida de Denis, que decepcionou no Napoli e na Udinese. O aríete argentino marcou três gols em quatro jogos, decidiu dois deles e tem liderado a nuova gioventù da Atalanta. A animação contagiou a torcida, que comprou quase 10 mil carnês para a temporada – 2 mil a mais do que a última temporada do time na Serie A. É uma Atalanta que já mostrou que não há motivo para se preocupar com rebaixamento. Será que dá pra sonhar um pouco mais?

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,