Contagem progressiva: Um presidente que faz diferença | Futebol Italiano

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terça-feira, 24 de maio de 2011 Udinese | 11:10

Contagem progressiva: Um presidente que faz diferença

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Giampaolo Pozzo (Getty Images)

O império de Pozzo começou com uma madereira e culminou na melhor equipe provinciana da Itália

Começa aqui o review que o Tripletta fará da temporada italiana. Será uma contagem “progressiva”, de 1 a 11. O personagem de hoje será o empresário Giampaolo Pozzo, presidente da Udinese e melhor mandatário da Serie A.

Pozzo comprou a Udinese em julho de 1986. Dos titulares da Udinese de hoje, seis jogadores nasceram depois desta data, gente como Sánchez, Isla e Zapata. Já dá pra ter uma medida da extensão de seu poder. E todos chegaram ao clube a preços módicos, com 18 anos ou menos.

Reflexo de um ótimo trabalho de observação, com gente em todos os continentes. Juntos, Isla, Zapata, Inler e Asamoah custaram 2 milhões de euros. O capitão Di Natale foi buscado por 100 mil. Com isso, Pozzo vai lucrando: disse que recusou, por Sánchez, uma proposta 15 vezes superior ao que já gastou com ele e a possível venda de Asamoah ao Milan deve render lucro de mais de 1000%.

Não é uma tendência nova. Exemplos podem ser pinçados desde o fim da década de 1980, com os argentinos Balbo e Sensini, levados à Itália pela Udinese. Nos últimos anos, outros vieram quase de graça e saíram por um caminhão de dinheiro: Amoroso, Bierhoff, Iaquinta, Pizarro, Pepe, Muntari… Desde que assumiu a Udinese, Pozzo percebeu que o lucro na venda dos jogadores seria o truque para tornar a equipe ambiciosa, já que a receita com TV e ingressos é bem menor que a dos rivais.

Gokhan Inler (Getty Images)

O suíço Inler, na mira do Napoli há anos, deverá ser o primeiro da atual geração a dizer adeus

A rede de olheiros começou atuando em Brasil, Argentina e divisões inferiores da Itália. Depois, avançou para o resto da América Latina e países de menor tradição futebolística na Europa, antes de aportar na África. Além de olheiros, há uma infraestrutura televisiva em dezenas de países, que monitora milhares de jogos por mês. Não é coicidência que, só entre compras e vendas de jogadores, a Udinese tenha lucrado 54 milhões de euros nos últimos três anos.

Em 2008, entrevistei Antonello Preiti, então diretor técnico da Udinese. Ele disse que, no clube, a única prioridade era o custo-benefício. Para Preiti, o segredo da formação dos jovens alvinegros é que “eles possuem todo o tempo para amadurecer, pois na Udinese não há pressa por resultados ou retorno financeiro”. Pouco mudou. Tudo bancado pelo presidente Pozzo, que investiu bastante desde que chegou e agora colhe os louros.

Ano passado, 35% das receitas da Udinese vieram de vendas de jogadores. E, nos dois últimos anos, a Udinese fechou “no branco”: não lucrou, mas não deu prejuízo. Algo de causar inveja à Inter e seu passivo de 223 milhões acumulado apenas em duas temporadas. Empreendedor que saiu do nada para se tornar o homem mais rico da região do Friuli, Pozzo levou ao clube o tino comercial, contratou gente que entende de futebol e até colocou esposa e filho para trabalhar pela evolução da Udinese. E assim o clube se classificou à Liga dos Campeões pela segunda vez em seis anos.

O time friulano tornou-se uma máquina perfeita, pronta para gerar lucros, e que busca atletas semi-amadores para vendê-los a um custo milionário. Enquanto isso, paga salários bem abordáveis – Di Natale ganha o mesmo que o laziale Floccari, Sánchez leva quatro vezes menos que o interista Pandev. Tudo isso em uma cidade provinciana e com pouquíssima pressão por resultados: vale lembrar que Pozzo bancou Guidolin no comando mesmo com a Udinese na zona de rebaixamento nas seis primeiras rodadas do torneio. Se o tempo é senhor da razão, Pozzo mostrou-se senhor do tempo.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

3 comentários | Comentar

  1. 3 Rafael 26/05/2011 17:14

    Belo texto, a Udinese há muito tempo vem fazendo esse trabalho de formiguinha muito bem, a classificação para UCL veio para premiar isso, só não pode fazer como a Samp na última temporada. Pra um time sem o apelo de torcida e mídia dos gigantes, parece ser a única forma de sobreviver e tentar fazer frente a eles.

    Quanto ao Inler espero muito que ele vá para o meu Napoli juntamente com o Zapata, que chegaram a especular no meio da temporada, mas não evoluiu. Espero também que o Napoli tenha muito cuidado nas suas contratações e principalmente não perca ninguém.

    Hoje o Galiani deu uma entrevista praticamente descartando o Ganso, e eu já achava isso desde que o clube anunciou a compra do Taiwo, onde a legislação só permite um extra-comunitário. Falou também no nome do Hamsik, mas espero que se De Laurentis quiser vende-lo mesmo que seja pra um time fora da Italia e por um muito bom dinheiro.

    Abs

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    • Braitner Moreira 26/05/2011 22:06

      Pois é, esse lance do extracomunitário vai dar polêmica ainda. O Tommasi, que agora é presidente da Associação dos Jogadores, já deu entrevista dizendo que é favorável que seja reaberta a vaga do segundo extracomunitário. E tem muita gente interessada nisso, como sabemos… O jeito mesmo é esperar.

      Abraço!

  2. 2 fepp df 25/05/2011 17:53

    o inler teve uma época que estava cotado para ir para o arsenal.. :x

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    • Braitner Moreira 26/05/2011 10:37

      Nem duvide. Ontem teve comentarista botando o Inler no Bayer Leverkusen…

  3. 1 Marcos Moura 24/05/2011 11:29

    Ótimo texto cara. E o Di Natale recusou a Juve no início da temporada. Sabia que a bagunça seria grande e que teria desperdício de dinheiro com a contratação de jogadores limitadíssimos a peso de ouro. Grande abraço

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