Domingo é dia de história: O primeiro gol desmascarado
Ídolo milanista durante as décadas de 60 e 70, Gianni Rivera foi a primeira vítima da moviola
A polêmica vitória da Roma sobre a Udinese gerou muita reclamação nas bandas do Friuli. O presidente Giampaolo Pozzo reclamou de um pênalti não-marcado e do gol anulado aos 47 minutos do segundo tempo – segundos depois, Totti desempataria a partida.
As mesas-redondas peninsulares se esbaldaram com o replay dos lances e ainda se esbaldarão nos próximos dias. Na Itália, estes replays são chamados de moviola e representam boa parte dos programas esportivos.
A moviola nasceu em 1967. Ironicamente, por causa de Gianni Rivera, o “garoto de ouro” do Milan, uma espécie de Kaká dos anos 60. Desde então, causa polêmica, divide torcidas e gera tensões.
Em outubro de 1967, em um dérbi com a Internazionale, o Milan marcou o gol de empate em um chutaço de Rivera aos 33 minutos do segundo tempo. O camisa 10 bateu de fora da área, a bola acertou o travessão, quicou perto da linha e foi afastada dali por Burgnich. Tarde demais: o árbitro já havia assinalado o gol rossonero. De nada adiantariam as reclamações.
Mais tarde, a Domenica Sportiva foi ao ar com uma surpresa. Ao vivo, na Rai, Carlo Sassi mostrava para todo o país que a bola não havia cruzado a linha do gol. Foi assim que Rivera tornou-se o autor do primeiro gol “oficialmente” fantasma em terras italianas. Após algumas horas de esforço e muito trabalho, o lance foi exibido em câmera lenta e diversos ângulos em um aparelho usado para fazer montagem cinematográfica, a tal da moviola.
Hoje, o replay é praticamente automático, mas o nome continuou o mesmo. Em 2004, Rivera daria uma entrevista à Gazzetta dello Sport dizendo que a moviola deveria sumir da TV: “Seria melhor se naquele dia a bola tivesse acertado a trave e voltado pro campo. Melhor se não tivessem me dado o gol. Assim talvez isso jamais teria nascido”.
Quarenta e três anos depois, a moviola ainda é protagonista dos programas esportivos, mas não ganhou espaço dentro de campo, onde seria mais útil. Quando provas televisivas são utilizadas, servem apenas para análises em tribunal de lances violentos e nada mais.
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1 Douglas 11/04/2011 20:18
É aquela velha querela da dona FIFA em manter as tradições do esporte diante dos avanços tecnológicos. Alguns esportes utilizam recursos eletrônicos e têm dado certo, mas acredito que cada “um no seu quadrado”. Todavia, botar árbitro atrás do gol (sendo que não possui poder algum de decisão) me parece mais uma lambança ou tentativa frustrada.