Domingo é dia de história: A tríplice coroa da Udinese
Na bela Údine, o futebol demorou a pegar no tranco. Por décadas, a Udinese (principal equipe local) passeava sem qualquer regularidade entre a primeira e a quarta divisões. Somente em 1979, depois de 17 anos afastada da Serie A, é que conseguiu voltar à elite para ficar. Desde então, foram 26 temporadas por ali e só cinco anos na Serie B. Neste campeonato, a Udinese luta por uma vaga na Liga dos Campeões. Se chegou a este ponto, deve muito ao primeiro dos grandes “saltos de qualidade” da história bianconera, liderado por Massimo Giacomini.

Indiretamente, os terremotos no Friuli transformaram a provinciana Udinese em um time de primeira divisão
Giacomini foi nascido, criado e revelado na cidade. Surgiu como meio-campista e teve uma carreira simplória, com passagens esquecíveis por Genoa, Lazio e Brescia. Só se tornou ídolo da Udinese a partir de 1977. Recém-formado em Direito e no curso de treinador de Coverciano, naquele ano Giacomini foi convidado para assumir o time para o qual sempre torceu, que então militava na terceira divisão.
A principal meta do presidente Teofilo Sanson era dar um pouco de alegria à região do Friuli. Em maio e setembro do ano anterior, dois terremotos haviam destruído 45 cidades e danificado outras 92, causando 989 mortes e desabrigando mais de 100 mil pessoas. O estádio local, que terminava as obras para ser inaugurado, servia como campo de socorro para milhares. Naquela temporada 1976-77, a primeira jogada no Estádio Friuli, o time decepcionou bastante.
Por ser tão ligado a Údine, o jovem Giacomini, 37 anos, chegou com carta branca para mudar o que quisesse. De tanto martelar, conseguiu levar para a terceira divisão o artilheiro Nerio Ulivieri, que estava no Foggia, da Serie A. Para dar sentido aos esforços do clube, Giacomini importou as táticas do “futebol total”, famosas na Europa por conta do carrossel holandês de Rinus Michels. O esquema de ultramovimentação foi o primeiro a aplicar a pressão de campo inteiro e a tática do impedimento.
Os resultados obtidos por Giacomini naquele primeiro ano superaram qualquer expectativa. A temporada 1977-78 é, até hoje, a mais vitoriosa na história da Udinese. O time venceu a Serie C com duas rodadas de antecipação, sofreu apenas duas derrotas e teve as melhores marcas de ataque e defesa do torneio. Daquele time, ficaram marcados na história do clube o zagueiro Franco Bonora e os atacantes Nerio Ulivieri e Claudio Pellegrini. Sobre o último, o então técnico do Milan Nereo Rocco chegou a dizer que era “um jogador digno de atuar no San Siro”.

Como jogador e treinador, as passagens de Giacomini pela Udinese somaram dez anos
Naquela temporada, a Udinese alcançou o recorde de 44 jogos (31 destes na Serie C) invicta, marca até hoje não superada. As outras 13 partidas foram disputadas na Coppa Italia Semiprofissional (para times da Serie C para baixo) e no Torneio Anglo-Italiano. Os friulanos venceram a copa local sobre a Reggina. A final, em Reggio Calabria, foi interrompida no meio do segundo tempo porque torcedores da casa começaram a atirar objetos no gramado. No tapetão, a justiça esportiva declarou a Udinese vitoriosa por 2 a 0.
A tríplice coroa foi confirmada pouco tempo depois, com o Torneio Anglo-Italiano. A edição de 1978 era disputada apenas por clubes semiprofissionais e, em 28 de junho, a Udinese fechou a temporada no estádio Friuli com chave de outro ao bater o Bath City, melhor time inglês da categoria, por 5 a 0.
Aquele time terminou a temporada como uma espécie de embaixador de uma região que juntava os cacos para começar a reconstrução. Em campo, marcou pouco por seus valores esportivos. Nenhum dos jogadores que entraram em campo pela Udinese em 1977-78 chegou à seleção italiana.
No ano seguinte, ainda empurrada pela torcida, a Udinese venceria a Serie B com certa facilidade, com sete titulares da campanha espetacular de um ano antes. Depois do capolavoro, Giacomini foi treinar o Milan. A Udinese ainda passaria por três outros saltos de qualidade até chegar aos dias atuais: o biênio de Zico (1983-85), os anos de Zaccheroni que culminaram na Copa Uefa (1995-98) e o trabalho de Spalletti que levou o time à Liga dos Campeões pela primeira vez (2002-05).
2 comentários | Comentar
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2 elbert defelippe 18/11/2011 23:09
pow eu joguei com barreto qundo eramos novo no leno ,abraços pra ele
1 Douglas 21/02/2011 13:24
Bacana este post Braitner. Nada contra os grandes, mas a história do futebol italiano é rica também em personagens como o Giacomini e outros tantos que com amor e dedicação transformaram pequenas comunas em grandes coliseus da bola.
Braitner Moreira 21/02/2011 20:40
De fato, Douglas. Sempre que for possível, trarei histórias dos clubes provincianos para cá. Abraço!