Maestro Charlie
Em 26 de outubro de 2008, um chute despretensioso de Xabi Alonso quebrou a incrível invencibilidade de 86 jogos do Chelsea em Stamford Bridge: 1 a 0 para o Liverpool. No fim daquela temporada, o espanhol foi embora, deixando a recordação do gol histórico e um vácuo criativo no meio-campo de Rafa Benítez. Três anos depois, de dono, técnico e estrelas novos, os Reds venceram outra vez em Bridge por conta de Charlie Adam, substituto tardio de Alonso.
No lance que gerou o primeiro gol, Adam foi perfeito ao roubar a bola de Mikel e entregá-la a Bellamy. No do segundo, enxergou Johnson e uma avenida à frente dele antes de fazer um belo lançamento ao lateral. Bem ou mal, o escocês é o arquiteto que o Liverpool não tinha há duas temporadas e, por isso, a contratação que Kenny Dalglish sempre quis fazer.
Em janeiro deste ano, o Liverpool tentou tirá-lo do Blackpool mesmo sabendo que, até seis meses atrás, a Inglaterra leiga nem sequer o conhecia. Por £7.5 milhões, Adam foi o negócio mais sagaz do clube no último verão. Mas por quê?
1) Porque é o parceiro ideal para Lucas na dupla de volantes do Liverpool. Cerebral e preciso nos passes, ele reduz as responsabilidades do brasileiro quando o time tem a bola. Se houver uma seleção dos piores momentos do ex-gremista em Anfield, Javier Mascherano estará ao lado dele na maior parte do tempo, justamente quando Lucas precisava organizar a equipe.
2) Porque o Liverpool não tinha um lançador para aproveitar os deslocamentos e a velocidade de Luis Suárez ou mesmo a bola alta de Andy Carroll. A equipe ainda pede mais jogadores velozes (Junior Hoilett, do Blackburn, cairia muito bem em Anfield) e boas atuações do jovem centroavante, mas esse recurso para quebrar defesas já existe com o escocês, de visão privilegiada.
3) Porque o time carecia de um especialista em bolas paradas. As cobranças de escanteio de Adam em Stamford Bridge foram ridículas, mas, acredite, ele é muito bom no fundamento e já criou três gols para o Liverpool a partir de set-pieces.
Adam ainda alterna atuações muito boas, como a de hoje, e outras bem mais discretas. Não foi o início perfeito (teve até expulsão contra o Tottenham), mas está claro que o Liverpool ganhou essa aposta.
Seleção do fim de semana
John Ruddy (Norwich); Micah Richards (Manchester City), Rio Ferdinand (Manchester United), Jonas Olsson (WBA), Glen Johnson (Liverpool); Theo Walcott (Arsenal), Michael Carrick (Manchester United), Charlie Adam (Liverpool), Jerome Thomas (WBA); Heidar Helguson (QPR), Robin van Persie (Arsenal).



