A referência é o Fulham
A opção do West Bromwich por Roy Hogdson foi a mais sensata após a estranha demissão de Roberto Di Matteo. A referência adequada de Hodgson para o novo emprego não é o fiasco no Liverpool, mas o sucesso no Fulham. A situação em sua chegada ao Hawthorns tem mais semelhanças do que diferenças em relação ao início do trabalho em Craven Cottage.
Quando Lawrie Sanchez foi demitido do Fulham, em dezembro de 2007, o clube estava à deriva. Com duas vitórias em 17 jogos e na 18ª posição da Premier League, os Cottagers enxergavam de perto a queda à segunda divisão, onde não pisavam desde 2001. Hodgson, que vinha de um trabalho respeitável na seleção finlandesa, foi escolhido para tocar o barco.
Ele começou mal. Os nove pontos nos 13 primeiros jogos praticamente sentenciavam o rebaixamento. No entanto, uma espetacular sequência na reta final atribuiu caráter heroico à salvação do Fulham. Na temporada seguinte, a sétima posição na liga rendeu ao clube a vaga na Liga Europa, competição da qual levou um histórico vice-campeonato.
A reconstrução do Fulham foi possível porque Hodgson soube explorar os bons potenciais do elenco. Sob o comando dele, vários jogadores atingiram o ápice de suas carreiras. Schwarzer, Hangeland, Konchesky, Murphy, Dempsey, Gera e Zamora são claros exemplos.
No West Bromwich, o desafio do experiente treinador é semelhante, ainda que ele não chegue a um clube em frangalhos. Hodgson recebe razoável herança de Roberto Di Matteo. A sequência recente de resultados é ruim (13 derrotas em 18 jogos por todas as competições), mas o ótimo início de temporada dos Baggies, que, pelo saldo, ainda os mantém fora da zona de rebaixamento, mostra que muita gente pode jogar mais.
Na Internazionale e no Liverpool, Hodgson provou que não é técnico para sustentar grandes ambições. Entretanto, seus 19 trabalhos em 35 anos o transformaram em um bom reconstrutor. A missão de salvar o clube da queda e justificar a demissão de Di Matteo não é simples, mas ele pode reeditar com os bons Pablo Ibáñez (relegado ao banco), Shorey, Scharner, Brunt (que parou nas dez assistências), Odemwingie e Carlos Vela o que fez às margens do Tâmisa. Ótima chance para ele esquecer o pesadelo de Anfield.
Hodgson não deve estrear amanhã, quando os Baggies recebem o olímpico West Ham na rodada do clássico de Manchester, que será devidamente repercutido por aqui.
A quem possa interessar, falei há uma semana sobre o lado humano envolvido no processo de escolha do futuro administrador do Estádio Olímpico.



