Mexeu no vespeiro

Lehmann e Almunia se cumprimentam na final da Champions de 2006: tempo em que Don-Don jogava no Andaraí
A contratação de Jens Lehmann pelo Arsenal parece questão de tempo. Quando a BBC anuncia o acerto iminente, a tendência é o negócio se confirmar, até pela pública intenção do goleiro. Aos 41 anos, o alemão deve abandonar a vida de aposentado e atender ao chamado de Arsène Wenger, que se viu sem alternativas a Almunia. Os poloneses Fabianski e Szczesny não retornam tão cedo. Mannone foi emprestado ao Hull City e poderia ser chamado de volta, mas também está lesionado.
Em cinco anos de casa, Lehmann conquistou a Premier League de forma invicta em 2004, a FA Cup em 2005 e, como protagonista, uma inédita vaga na final da Champions em 2006. A história no clube é de sucesso, e a relação com Wenger, muito boa. Se de fato acertar, Lehmann será o segundo jogador recontratado pelo técnico no Arsenal. O primeiro foi o zagueiro Sol Campbell, que, na temporada passada, chegou como opção a Gallas e Vermaelen.
Tecnicamente, não dá para fazer tantas ressalvas. A temporada final no Arsenal e o risco de resgatar a carreira após nove meses sugerem o contrário, mas Lehmann deve ter algum tempo de treinamento, é ídolo e aparece como um paliativo “de confiança”. O problema é o vestiário. Embora tenha a experiência de um tempo bom para o clube, o goleiro desenvolveu um relacionamento bem difícil com Manuel Almunia. No último ano do alemão no Emirates, os dois disputaram posição e trocaram farpas regularmente.
O titular Lehmann começou 2007-08 falhando e se lesionou logo em agosto. Almunia entrou em seu lugar e, incrivelmente, foi bem. Era o estopim. Veja a compilação de frases dos meses seguintes. O levantamento é do Arsenal FC Blog:
Lehmann, a 6/9: “Só não volto se ele (Almunia) for um superman e pegar tudo”
Lehmann, a 9/9: “Ouvi Almunia dizer que merece o número 1, mas até agora ele não ganhou sequer um jogo importante para o Arsenal”
Almunia, a 27/9: “Sou o número 1 agora e me vejo como o melhor goleiro. Este é o meu momento e não vou deixá-lo escapar”
Lehmann, a 13/10: “Ele diz que é o melhor, mas só joga porque eu me lesionei. Acho esses comentários desrespeitosos”
Em abril de 2008, Almunia, que realmente virou a primeira opção de Wenger, admitiu a situação extrema. “Eu sei que ele me odeia. Nós nem sequer conversamos. Mas não me importo mais. Trabalho sempre com Mannone e Fabianski, que são melhores que ele”, revelou ao Guardian.
A titularidade do espanhol e o mau relacionamento levaram o alemão ao Stuttgart. Sem a convivência diária, tudo ficou mais tranquilo. Lehmann até elogiou Almunia algumas vezes. Hoje, já manifestou a intenção de ajudar o antigo desafeto, que obviamente será o titular. Há quem diga que pior do que ‘tá não fica, mas o jovem James Shea, que já treinou com a seleção inglesa e ficou no banco contra o Manchester United, poderia cobrir a lacuna e evitar um trololó desnecessário.


















