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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012 Tottenham | 11:07

Renúncia e evolução

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Que o Liverpool tem uma dificuldade crônica para marcar gols, todo mundo sabe. Mas, no confronto de ontem contra o Tottenham, a ineficiência do ataque vermelho não foi exatamente a principal culpada pelo empate por 0 a 0 em Anfield. A passividade dos Spurs chamou mais atenção. Com Livermore e Kranjcar nos lugares dos ausentes Lennon e van der Vaart, Harry Redknapp, mesmo longe do estádio, mandou uma mensagem à Inglaterra: não é hora para título.

Esta simpática figura* salvou a noite em Anfield

Está certo que Defoe, a única alternativa consistente de ataque, também estava fora por lesão, mas a satisfação do Tottenham com o empate podia ser captada em outros aspectos, bem além da escalação. As linhas retraídas, a quase completa dependência de Bale para agredir o adversário e a demora nas reposições de bola foram indícios de que o 50º ponto na Premier League valia muito mais do que o risco de perdê-lo e permitir o avanço do Liverpool na tabela.

O resultado deixou o Tottenham a sete pontos do Manchester City, com quem não terá outro confronto, e a cinco do Manchester United. Também ofereceu uma margem de oito pontos para o quinto colocado, o Newcastle. Depois desta rodada, os Spurs estão onde planejaram estar: mais longe do título e mais perto de um lugar na próxima Champions League.

Você pode questionar os métodos e a ambição em White Hart Lane, mas é difícil negar a evolução em relação a temporadas passadas. O time, programado para correr e atacar, agora tem destruidores que permitem a Redknapp contrariar o DNA ofensivo quando ele achar necessário. A atuação defensiva do Tottenham em Anfield foi sublime, especialmente por Parker, que sujou toda sua camisa branca entre as linhas de meio-campo e defesa, como já aconteceu na seleção, Dawson e King, que cortaram tudo.

O lateral-esquerdo Assou-Ekotto, outrora vítima constante dos pitos dos torcedores, marca melhor. E ainda há Kaboul, titular nesta temporada, que progrediu demais desde a primeira passagem por White Hart Lane. Para quem manteve um Bale quase sempre on fire (apesar da chance perdida ontem) e um Modric que arrisca e ainda acerta 61 de 65 passes em Anfield, a excelência defensiva pode significar a luta pelo título. Mas, certamente, não agora.

*Você pode seguir o gato de Anfield no Twitter.

Seleção da rodada
Wayne Hennessey (Wolves); Francis Coquelin (Arsenal), Ledley King (Tottenham), Michael Dawson (Tottenham), Leighton Baines (Everton); Scott Parker (Tottenham), Ryan Giggs (Man Utd); Alex Chamberlain (Arsenal), Sergio Agüero (Man City), Juan Mata (Chelsea); Robin van Persie (Arsenal)

Fantasy
O colunista é o líder da liga God Save the Ball. Você tem a missão de mudar isso a partir da próxima rodada.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , ,

terça-feira, 31 de janeiro de 2012 Premier League | 21:14

Terça cheia

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Duas temporadas após vendê-lo a preço de banana, o Chelsea sofreu um golaço de Sinclair

Numa terça-feira em que Liverpool, Chelsea, Manchester City, Manchester United e Tottenham atuaram quase ao mesmo tempo, a coluna recapitula a primeira parte da 23ª rodada da Premier League:

Wolverhampton 0 x 3 Liverpool. Kenny Dalglish gosta do Molineux. Foi lá que, na temporada passada, ele iniciou a reação do Liverpool com grandes atuações de Raul Meireles e Fernando Torres. Os ibéricos foram embora, e os britânicos garantiram outra vitória por 3 a 0. Adam, Carroll e Bellamy comandaram a partida que reposicionou os Reds na corrida pelo top four. Mas o que o Liverpool comemora mesmo é o retorno de Suárez já na próxima rodada.

Swansea 1 x 1 Chelsea. O bom segundo tempo do Chelsea, que anulou o domínio do Swansea no primeiro, foi premiado com o gol de Bosingwa aos 92 minutos. Resultado normal, ainda mais quando a gente olha para as exibições dos cisnes contra Tottenham e Arsenal no Liberty. Em Gales, o ótimo time de Brendan Rodgers não perdeu para o trio de ferro londrino.

Everton 1 x 0 Manchester City. Com direito a torcedor algemado à trave no primeiro tempo, um valente Everton deu sinal de que pode fazer um segundo turno melhor, como de costume para David Moyes. É pena que Donovan, que assistiu Gibson no gol do jogo, não fique até o fim da temporada. Aliás, o meia central irlandês prestou um belo serviço ao Manchester United. Finalmente.

Manchester United 2 x 0 Stoke. Tony Pulis estacionou o ônibus na área, mas o United fez o bastante para conquistar dois pênaltis e a co-liderança da Premier League, ao lado do City, com 54 pontos. Sem Rooney, ainda lesionado, dever cumprido e moral renovado após a queda na FA Cup.

Tottenham 3 x 1 Wigan. Bale e Modric ratificaram seu status de principais jogadores dos Spurs e resolveram o jogo sem problemas. Ótimo para quem recentemente empatou com o Wolverhampton num momento-chave da corrida pelo título. A derrota do City ajudou, mas, para reassumir o posto de candidato, o Tottenham precisa vencer o Liverpool na segunda-feira.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , , , ,

domingo, 22 de janeiro de 2012 Arsenal, Man City, Man Utd, Tottenham | 23:25

Lições de Londres x Manchester

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Amor pelo gol: Bale já marcou oito vezes na liga, uma a mais do que na temporada passada

Manchester não teve a facilidade do primeiro turno, mas tornou a vencer Londres em rodada reservada a clássicos entre clubes das cidades. Um espetacular Man City 3 x 2 Tottenham e um também emocionante Arsenal 1 x 2 Man United nos deixam algumas lições:

Savic é o Squillaci do Manchester City. Empurrada pelo medo, a torcida do Arsenal costuma fazer uma conta simples: faltam quantas lesões de defensores para Squillaci entrar em campo? No City, o equivalente ao francês é Stefan Savic. Sem Kompany e Kolo Touré, Mancini é obrigado a escalar o jovem montenegrino, que já coleciona atuações inseguras. Hoje, ele ofereceu a vitória ao Tottenham. Savic precisa de tempo para levar à Premier League a confiança que, há mais de um ano, ele mostra na seleção de Montenegro.

Bale deve se movimentar, mas nem tanto. Nesta temporada, Harry Redknapp escolheu dar mais liberdade a Bale para aproveitar melhor a visão, a velocidade e o poder de decisão de seu principal jogador. O golaço no Etihad Stadium é, de certa forma, resultado disso. Ainda assim, está claro que o galês não pode abandonar completamente o corredor esquerdo, onde é letal. No fim, arrancando por ali, ele deixou Defoe diante do gol.

O Arsenal precisa se livrar de Rosicky e Arshavin. Afinal, se estiverem no Emirates, sempre vão jogar. Na derrota de hoje, ambos foram mal e protagonizaram decisões bem discutíveis de Wenger. Enquanto Ramsey foi injustamente sacado, Rosicky vegetou em campo até o fim. Arshavin, por sua vez, substituiu Chamberlain, o melhor do Arsenal na partida, e falhou no gol da vitória do United. Eles representam um passado do qual o clube tem de se libertar.

Valencia é fundamental para o United. Com um gol e uma assistência, o equatoriano foi o melhor da vitória sobre o Arsenal. Valencia está novamente em plena forma, o que é uma ótima notícia para Ferguson. Ao contrário de Nani e do lesionado Ashley Young, o ex-jogador do Wigan é winger puro, daqueles que vão à linha de fundo por princípio. Como se não bastasse, ele ainda quebra galhos na lateral direita.

Seleção da rodada
John Ruddy (Norwich); Gretar Steinsson (Bolton), Micah Richards (Man City), Zak Whitbread (Norwich), Gareth Bale (Tottenham); Nigel Reo-Coker (Bolton); Antonio Valencia (Man Utd), Stephane Sessegnon (Sunderland), James Milner (Man City), Clint Dempsey (Fulham); Robbie Keane (Aston Villa)

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011 Copas Europeias | 20:39

“Constrangimento”

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A Europa League será menos inglesa a partir de fevereiro. Depois de o Fulham cair de maneira deprimente, Tottenham e Birmingham também não devem escapar da eliminação amanhã. De qualquer forma, o país já garantiu três dos 32 clubes que estarão envolvidos no sorteio da próxima sexta-feira. O Stoke passou facilmente por um grupo que tinha Dynamo Kiev e Besiktas. Os outros representantes vêm de Manchester: United e City foram premiados com as vagas após o fracasso na Champions.

Para quem torce pela Inglaterra no ranking europeu, a situação não é a pior possível. Afinal, já se esperava que os clubes tivessem dificuldades por conta da origem das vagas. Fulham, Birmingham e Stoke chegaram lá, respectivamente, por Fair Play, League Cup e FA Cup. Como se não bastasse, o único classificado pela posição na Premier League, o Tottenham, anunciava há muito tempo que não apostaria no torneio.

Aliás, o pouco caso com a Europa League é uma questão frequente entre os ingleses. Patrice Evra, por exemplo, falou em “constrangimento” quando perguntado sobre a futura presença do Manchester United na competição. A postura dos Red Devils gerou até uma repreensão de Michel Platini, pai do torneio remodelado. Alex Ferguson, que se considerava “punido” por participar dele, mudou o discurso original e indicou que pode tentar vencê-lo.

Evra mostra todo seu entusiasmo

Conversa fiada, política e artificial. Embora haja alguns exemplos recentes de clubes poderosos que abordaram a Europa League seriamente (um deles é o Manchester City na temporada passada), a visão generalizada para quem se acostumou à Champions é a de Evra. O xodó de Platini é um fiasco na Inglaterra porque as viagens são muito longas, vários adversários são fracos e as rodadas acontecem às quintas-feiras, o que desloca jogos da Premier League para os domingos e segundas.

A cinco confrontos da festa do título, a Europa League aponta dois caminhos para os ingleses: a concretização do discurso do Manchester City, que deve buscar a taça para marcar o nome no continente e melhorar o coeficiente, e uma temporada doméstica sem grandes objetivos para o Stoke, que tem desfrutado sua primeira aventura europeia em 37 anos. Ambos são bem possíveis, porém o status “tanto faz” da competição não deve mudar tão cedo na Inglaterra, que, apesar das ótimas campanhas recentes de Middlesbrough e Fulham, ainda a interpreta como se fosse uma copa nacional qualquer.

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domingo, 27 de novembro de 2011 Tottenham | 21:08

O vencedor da rodada

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Primeiro reserva do Tottenham, Defoe já marcou mais gols neste campeonato do que no da temporada passada

O Liverpool teve o melhor desempenho da 13ª rodada. Mesmo empatando por 1 a 1, os Reds impuseram ao Manchester City um cenário de desconforto até então desconhecido para o ainda líder invicto. Entretanto, quem celebra é o Tottenham. Enquanto Manchester United, Newcastle e Arsenal também perderam pontos, os Spurs deixaram West Bromwich com uma vitória de muito caráter e a vice-liderança por aproveitamento.

Harry Redknapp não pôde contar com Modric e van der Vaart. Em seus lugares, entraram Sandro, que deixou a Parker a tarefa de organizar a equipe, e Defoe, reserva imediato do holandês. Sem suas principais forças criativas, o Tottenham tinha de virar o placar contra um West Brom que, sentindo falta do Odemwingie da temporada passada, tem sido muito mais eficiente na defesa do que no ataque.

E virou para 3 a 1, à base do poder de fogo de Adebayor e Defoe. Com os três gols do sábado, o ataque do Tottenham chegou a 26 em 12 jogos. Após as derrotas para os clubes de Manchester nas primeiras rodadas, ou seja, desde que Parker e Adebayor chegaram a White Hart Lane, o time acumula impressionantes 28 pontos em dez partidas (nove vitórias e um empate). Ninguém – nem o Manchester City – pontuou tanto no mesmo período.

Hoje, o Tottenham é a segunda melhor equipe da Inglaterra. Chegou à maturidade com os reforços cirúrgicos, a manutenção da base (e de Modric, resistindo à tentação de vendê-lo), o resgate do melhor Bale, uma defesa bem mais segura e um Defoe sempre pronto para cobrir qualquer ausência ofensiva. Ainda é difícil imaginar que vão brigar pelo título, mas os Spurs estão no topo de Londres e no trilho certo para voltarem à Champions League.

Tabelas
Veja as classificações do campeonato e da nossa liga no Fantasy.

Seleção da rodada
Joe Hart (Manchester City); Russell Martin (Norwich), John Terry (Chelsea), Daniel Agger (Liverpool), Ashley Cole (Chelsea); Marouane Fellaini (Everton), Lucas (Liverpool), Danny Murphy (Fulham); Victor Moses (Wigan), Jermain Defoe (Tottenham), Juan Mata (Chelsea).

Gary Speed
Que notícia triste, a da morte do treinador galês. Ex-jogador de Leeds, Everton, Newcastle, Bolton e Sheffield United, Speed fazia trabalho muito promissor à frente da seleção de seu país. Ao construir um time em torno de Gareth Bale, Aaron Ramsey e Craig Bellamy, ele colocava Gales no caminho para disputar verdadeiramente uma vaga na Copa de 2014. O blog reverencia o meio-campista, de carreira marcante na Inglaterra, e lamenta o falecimento do técnico e da figura querida por todos os colegas.

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terça-feira, 11 de outubro de 2011 West Ham | 20:45

Novela londrina

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Aí está o projeto inglês de elefante branco. Que não se concretize

A nove meses dos Jogos de Londres, a novela da cessão do Estádio Olímpico continua. A proposta do West Ham, que liderava a corrida para assumir o espaço, esbarrou em questões legais. O estádio segue sob administração pública e será alugado a um clube. A decisão é esperada para março de 2012.

Todas as partes ficaram satisfeitas. O ministro dos Esportes do Reino Unido, Hugh Robertson, afirmou que “o novo processo afasta as incertezas e permite ao governo apoiar o legado do estádio com mais confiança”. Tottenham e Leyton Orient, clube mais próximo do parque olímpico, também celebram. Até o West Ham, favorito para levar o aluguel do estádio, vê vantagens (financeiras e imediatas) no acordo remodelado. A vice-presidente do clube, Karren Brady, assegura que a proposta dos Hammers ainda é a que oferece o melhor legado esportivo e comunitário.

Legal, não? Nem tanto. Com o fiasco da cessão ao West Ham, a adaptação do espaço ao futebol será paga com dinheiro público. São £95 milhões (R$262 milhões) a mais em uma conta que já tinha os £500 milhões (R$1.3 bilhão) gastos com a construção do estádio. A desculpa é de que o aluguel anual anularia as novas despesas.

Existe ainda o impasse esportivo. Com as novas condições, a permanência da pista de atletismo no estádio é certa. O Reino Unido é candidato a sediar o Mundial da modalidade em 2017 e, obviamente, não abrirá mão dela. Ainda em fevereiro, um porta-voz do Bayern Munique alertou o West Ham para a natural preferência dos torcedores pela proximidade do campo. “Nossa média de público na Allianz Arena (sem pista) dobrou em relação ao Estádio Olímpico (com pista)”, comentou. O fato é que, com ou sem pista, a corrida contra o elefante branco continua.

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quinta-feira, 6 de outubro de 2011 Tottenham | 20:02

O sacrifício pode valer a pena

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A prancheta da discórdia: assim, com gol de van der Vaart, o Tottenham venceu o dérbi do Norte de Londres

Mesmo após derrotas indiscutíveis para os times de Manchester nas primeiras rodadas, o Tottenham pode celebrar seu início de temporada. Contratados no fim do mercado de verão, Scott Parker e Emmanuel Adebayor levaram os Spurs a quatro vitórias consecutivas na Premier League, aproximando-os do cobiçado quarto lugar. Na Liga Europa, considerada dispensável, a garotada deve ser suficiente para garantir a classificação à próxima fase.

O cenário favorável só esbarra numa controvérsia entre Harry Redknapp e Rafael van der Vaart. No início da semana, o holandês se declarou “irritado” com a posição em que foi escalado no clássico contra o Arsenal, à direita da linha de meio-campistas (veja ao lado). “Quando tenho de perseguir o lateral adversário, não posso atuar à minha maneira, com as minhas melhores características”, explicou ao Sun.

A resposta apareceu hoje. Embora tenha reconhecido que van der Vaart não atuou onde rende mais, Redknapp não deixou de alfinetá-lo sutilmente. “Se você está no time e é designado a um trabalho, deve apenas fazê-lo”, rebateu ao site oficial da Premier League. Com a reclamação do holandês à mesa, o treinador não hesitou: “(se ele só aceita jogar perto do atacante,) o lugar na equipe fica entre ele e Defoe, que está muito bem”.

Em outra queixa, van der Vaart morreu pela boca. “Não gostei de ser substituído (Redknapp o trocou por Sandro aos 63 minutos), pois marquei um gol e criei outras três ocasiões para meus companheiros”. Não há prova melhor de que, apesar da pane que gerou o gol do Arsenal pelo lado direito da defesa do Tottenham, ele pode ser muito útil na posição em que atuou. E há vários porquês:

*Aaron Lennon, que era figura-chave do Tottenham em 2009, não deve ser titular hoje. Inclinado a lesões e em má fase prolongada há um ano e meio, ele parece longe de reassumir o lado direito do meio-campo.

*Van der Vaart não é um winger clássico. Até por instinto, ele desocupa a direita, aproxima-se do gol para explorar suas melhores qualidades (último passe e finalização) e abre espaço para o lateral ofensivo Kyle Walker avançar pelo setor. David Silva, canhoto como van der Vaart, também parte da lateral para criar jogadas pelo centro no Manchester City. A responsabilidade defensiva é um sacrifício pelo time que ele deveria aceitar.

Rafael e Harry: incompatíveis?

*Quando ele atua pela direita, Redknapp tem a chance de usar seus melhores jogadores de acordo com cada situação. Por exemplo, 4-4-2 com Defoe para agredir o adversário ou 4-2-3-1 com Sandro ao lado de Parker em partidas mais difíceis. Vale lembrar que Defoe se recuperou da péssima temporada passada e tem atuado bem no suporte a Adebayor, o que torna a presença dele interessante em algumas ocasiões, como Redknapp sugeriu.

*Modric também poderia ser sacrificado por ali? É verdade, porém o prejuízo seria indubitavelmente maior. O croata até já atuou aberto pela direita, mas sem o poder de chegada de van der Vaart e provocando um notável empobrecimento da criatividade do time pelo centro. Resolve-se um problema, cria-se outro.

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quinta-feira, 15 de setembro de 2011 Copas Europeias, Tottenham | 19:21

O risco do Tottenham

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Harry, boquiaberto com o poder do Tottenham C na Liga Europa

É oficial: Harry Redknapp não se importa com a Liga Europa. Não que tenha sido surpreendente, mas o Tottenham que foi a Tessalônica para enfrentar o PAOK abusou da garotada (Townsend, Falqué, Carroll, Kane…) e, mesmo assim, arrancou um bom empate por 0 a 0. Os gregos perderam um pênalti e deixaram claro que, apesar do aparente desprezo pela segunda competição continental, os Spurs podem pagar um tributo a Renato Gaúcho, brincar na Liga Europa e ainda seguir em frente.

O Rubin Kazan é favorito a vencer o grupo, mas o Shamrock Rovers não deve oferecer resistência mesmo a um Tottenham que só quer saber de Premier League – e do Liverpool, no próximo domingo. Se levar as duas dos irlandeses, é só vencer o PAOK em casa e partir para o abraço. Redknapp, que se referiu ao confronto de estreia como um “estorvo” e depois recuou diplomaticamente, pode ainda estar na Europa em fevereiro com aqueles jogos de quinta-feira que, na visão dele, só servem para atrapalhar a campanha doméstica.

Mas atrapalham mesmo? Não desse jeito. Além de observar a garotada, Redknapp pode usar esses “estorvos” para dar ritmo a quem não joga regularmente e até encontrar novos titulares. Se Lennon não tem jogado nada, por que não observar com atenção Giovani dos Santos? Não são da mesma posição, mas o mexicano teve um bom verão com a seleção e vem de um empréstimo positivo ao Racing Santander. Flopar, Adel Taarabt também flopou em White Hart Lane. Hoje, a estrela do QPR é bem valorizada.

Harry ainda aproveita e manda um recado a gente como Gomes e Pavlyuchenko. Reserva de Friedel na Premier League, o brasileiro agora é também reserva de Cudicini na Europa. O russo, por sua vez, apareceu na escalação contra o PAOK e foi definitivamente relegado ao posto de reserva do reserva, com Adebayor estreando bem e Defoe querendo voltar à boa forma. A Liga Europa é uma diversão para Redknapp. O risco é que, de tão pobre, a primeira fase pode mantê-lo na competição e tentá-lo a investir nesse problema a partir de fevereiro.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , ,

segunda-feira, 29 de agosto de 2011 Arsenal, Tottenham | 13:40

A lição dos massacres

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Londres trocou o pesadelo social pelo esportivo. Após os tumultos causados pela controversa morte de Mark Duggan, que teve impacto no futebol, os maiores clubes do norte da capital britânica viveram um domingo lamentável. Em casa, o Tottenham foi goleado por 5 a 1 pelo Manchester City. Fora, Arsène Wenger sofreu sua maior derrota como treinador do Arsenal: 8 a 2 para o Manchester United.

A marcante vitória de Manchester sobre Londres, por 13 a 3 no placar agregado, deixa um importante aviso ao campeonato. Enquanto a maioria dos clubes ainda busca ajustes até o fechamento do mercado, na quarta-feira, os times de Alex Ferguson e Roberto Mancini estão prontos ou, pelo menos, no caminho certo para dominarem a temporada. Harry Redknapp e Wenger não haviam percebido.

Em sua escalação, o Tottenham expressou uma confiança a que não tinha direito contra um adversário tão poderoso. Tudo bem que os volantes Sandro e Palacios estavam indisponíveis e Huddlestone não suportaria 90 minutos, mas a parceria entre Modric e Kranjcar na meia central foi um verdadeiro tapete vermelho para o passeio do City.

Enquanto os croatas dos Spurs não marcavam, Barry e Yaya Touré recuperavam a bola com facilidade e acionavam Silva e o estreante Nasri, os falsos wingers que, com bastante espaço entre as linhas de marcação do Tottenham, mandaram no jogo. O francês, aliás, deu três assistências e deixou claro que será fundamental. Dzeko, de quatro gols ontem, que o diga.

Redknapp deveria saber onde estava pisando. Na temporada passada, foi exatamente quando ele se expôs perigosamente (com van der Vaart na área de atuação de Lennon e outros dois atacantes) que os Spurs tiveram sua pior sequência de resultados.

O Tottenham de HR: criativo pelos lados, porém frágil no centro e sem efetividade à frente

O Arsenal pós-Coquelin: sem marcação, sem defensores decentes e sem poder de reação

No Arsenal, a escalação não permitiria uma vitória em Old Trafford. A primeira metade até parecia vir de um time pequeno da Ligue 1: Szczesny; Jenkinson, Djourou, Koscielny, Traoré; Coquelin. Mas isso não explica o placar histórico. Wenger assinou sua sentença de humilhação no segundo tempo, mais precisamente aos 17 minutos.

Naquele momento, o Arsenal perdia apenas por 3 a 1. Wenger trocou Francis Coquelin, seu marcador desconhecido, pelo debutante Oxlade-Chamberlain. E aí, quem marcaria naquele meio-campo? Ramsey e o desanimado Rosicky, no melhor plano de tragédia dos últimos tempos. Wenger ofereceu espaço e uma defesa frágil a Young, Rooney e companhia. Foram cinco gols sofridos em meia hora.

Se prudentes, Redknapp e Wenger teriam evitado apenas a humilhação, mas não as derrotas. Ainda que Tottenham e Arsenal combinem um ponto em cinco jogos, está claro que não é hora de dispensá-los. Sobretudo o francês, enorme na história do clube e, em parte, vítima de questões momentâneas. No entanto, é preciso reconsiderar a mentalidade aventureira e buscar reforços até quarta.

Não os galácticos, não para matar a sede de grandes negócios da imprensa, mas para resolver os próprios problemas, que ontem foram escancarados, com contratações sagazes. O Tottenham precisa de uma alternativa a Lennon e um meia dinâmico como o quase contratado Scott Parker. O Arsenal, de um zagueiro, um lateral-esquerdo e um volante experiente. Que corram contra o tempo.

Fantasy
Após rodada dominada por Rooney, Young e Dzeko, as posições da liga God Save the Ball mudaram drasticamente. A maioria dos times pontuou muito, mas o FC United of Santana, de Claudio Roberto, superou qualquer previsão: 112 pontos na rodada e uma liderança tranquila na classificação geral.

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quinta-feira, 11 de agosto de 2011 Guia, Premier League, Temporada | 20:10

Guia da Premier League: Quem vai à Europa?

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A Champions de 2005 foi uma falsa demonstração de força. O futebol inglês é muito mais selvagem agora

O título europeu do Liverpool em 2005 foi peculiar. Não só pela insanidade da final, porque o Milan tinha mais time ou Traoré e Kewell eram titulares, mas especialmente em função do real nível do clube naquele momento. O campeão do continente terminou a liga doméstica na quinta posição. Não fosse um arranjo promovido pela UEFA, nem sequer teria a chance de defender sua conquista. Era uma demonstração de força do futebol inglês? Não, nada disso.

Se o Liverpool do primeiro ano de Benítez ergueu uma taça tão importante, foi porque se superou de todas as maneiras. Não era um time consistente a ponto de a gente se surpreender com a campanha fraca na Premier League. Aquela temporada, aliás, marcava o auge de David Moyes no rival Everton, quarto colocado na liga. Os Toffees de 2011-12, que prometem ser tão sólidos quanto os de 2004-05, mal pensam em cruzar a barreira do sétimo lugar. Mas por quê?

Porque o mundo mudou, diria o filósofo. Como tem sido nos últimos anos, a dura concorrência vai excluir dois times fortes da Champions. Manchester United e Chelsea estarão lá. O Manchester City pode viver um conflito entre sua ambição e a cautela de Roberto Mancini, mas deve chegar. Sobra a quarta vaga para Tottenham, Liverpool ou Arsenal. O nível é tão alto, que pode ser difícil até dissociar essa disputa da corrida pelo título.

Kenny Dalglish explica que os mais de £100 milhões investidos pelo Fenway Sports Group desde janeiro foram absolutamente necessários para “o Liverpool voltar a seu caminho”. E é verdade. Roy Hodgson herdou de Rafa Benítez um elenco esburacado. Dalglish, que sucedeu Hodgson, conseguiu ótimos resultados subindo gente da base, resgatando relegados e improvisando em várias posições. Seria pouco para esperar do time uma temporada consistente.

Com Downing, Adam, Henderson, José Enrique e até Aquilani, o Liverpool ganha a profundidade de que precisava para não virar terra arrasada à primeira lesão. Além disso, essas contrações devem ter uma espécie de efeito multiplicador, como se diz em Ciências Econômicas: Carroll vai render muito mais. Se souberem aproveitar o lado bom da ausência em competições europeias nesta temporada, os Reds podem voltar ao top four.

A choradeira de Modric aumenta ainda mais a importância de Bale para uma boa campanha do Tottenham

O maior empecilho para isso é o Arsenal. Ainda que Nasri siga o impulso migratório que tira Clichy e Fàbregas do Emirates, Arsène Wenger terá um ótimo time. O que não se pode perder de vista é a necessidade de reinvestir bem o dinheiro das vendas até para evitar a atribuição de responsabilidades excessivas a jogadores muito jovens.

Gibbs está pronto para assumir de vez a lateral esquerda? Ramsey pode ser o substituto solitário de Fàbregas? Van Persie segue sendo a única opção decente para jogar na área? E a defesa que não impõe respeito? São questões para as quais Wenger precisa ter boas respostas se não quiser ficar, pela primeira vez em seu trabalho, mais perto da Liga Europa (ou equivalente) do que da Champions. Conviver com menos lesões também ajudaria.

O Tottenham continua o mesmo. A única adição ao elenco é Brad Friedel, ótimo goleiro quarentão que deve assumir o lugar de que Gomes parece ter desistido na temporada passada. O time segue rápido e perigoso, certamente muito forte em casa, mas tem pelo menos três grandes problemas para resolver: a pirraça de Modric, as duas laterais (ficam os votos de boa sorte para Kyle Walker na direita) e um ataque que não pode mais viver de Crouch, Defoe e Super Pav.

Pintando o sétimo
Os seis primeiros desta temporada devem ser os mesmos de 2010-11, restando descobrir a ordem. A sétima posição, no entanto, é um terreno sem dono. Ela pode ou não (tal qual o sexto lugar) valer vaga na Liga Europa, dependendo dos campeões das copas nacionais.

O maior candidato ainda é o Everton, por conta da solidez do trabalho de Moyes. Há problemas óbvios, elenco curto e dinheiro escasso, porém a manutenção de Baines e Jagielka, a capacidade de dificultar a vida dos grandes e a promessa de um bom início (bem diferente das últimas temporadas) podem ser suficientes.

Bent trocou o Sunderland pelo Aston Villa à procura de companhia. Da foto, sobrou a simpática leoa

O Sunderland também tem de prestar atenção à regularidade para não se perder em janeiro, fevereiro. Steve Bruce contratou bem, mas contratou muito, o que pode lhe exigir um tempo que ele não tem para montar o time. Brown e O’Shea levam uma experiência importante à defesa.

Pelo terceiro ano seguido, o Aston Villa vendeu seu melhor jogador da temporada anterior: agora foi Downing. N’Zogbia é boa alternativa a ele e Young. No entanto, o novo técnico, o já rejeitado Alex McLeish, tem uma longa estrada até fazer a defesa (carro-chefe de seus trabalhos) funcionar. Na frente, dependerá muito de Darren Bent.

Agora com Martin Jol, o Fulham também pode sentir o intenso revezamento de treinadores, porém a política de mercado parece apropriada. Com o retorno de John-Arne Riise à Inglaterra e as capturas de bons jogadores jovens pela Europa, os Cottagers devem fazer um ano forte.

O Bolton de Owen Coyle tenta, com Reo-Coker (ex-Villa) e Pratley (ex-Swansea), arrumar o coração de seu meio-campo. Entretanto, parece distante da Europa por conta das limitações ofensivas, ainda mais sem Elmander. Assim como os Trotters, Newcastle, Stoke e West Bromwich correm bem por fora.

Aposta do blog para a Champions (em ordem alfabética): Chelsea, Liverpool, Manchester City e Manchester United

Aposta do blog para a Liga Europa (do quinto ao sétimo): Arsenal, Tottenham e Everton

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