Stoke City | God Save the ball

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quinta-feira, 14 de março de 2013 Reading, Stoke City | 16:19

O outro lado

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A semana na Inglaterra foi marcada por outra demissão de um treinador intimamente ligado ao progresso de um clube. Depois de Nigel Adkins, dispensado pelo Southampton há dois meses, Brian McDermott, que liderou o acesso do Reading à Premier League, perdeu o cargo na segunda-feira. McDermott deixa o Reading a quatro pontos da saída da zona de rebaixamento e apenas 33 dias após receber o prêmio de Treinador do Mês referente a janeiro.

É mais um caso clássico em que o técnico é vítima do próprio sucesso, e a diretoria parece não compreender que, salvo raras exceções, o caminho natural para um time recém-promovido é a luta contra o rebaixamento. Como no caso de McDermott, o blog geralmente é favorável à estabilidade, ou seja, à manutenção de um trabalho bem-sucedido que, de certa forma, está atendendo às expectativas. Mas existe um exemplo dissonante na Premier League: o Stoke City.

Tony Pulis treinou o Plymouth em 2005-06, única temporada desde 2002 em que ele não esteve no Stoke. Em duas passagens, Pulis se aproxima dos dez anos de Britannia e pode ter orgulho do que fez pelo clube até agora. Esta é a quinta participação consecutiva na Premier League dos Potters, que mantêm regularidade impressionante: são apenas dois degraus entre a melhor (11ª, em 2009-10) e a pior (14ª, em 2011-12) posição final em cinco temporadas na elite. A ameaça de rebaixamento quase sempre permaneceu sob controle.

A fórmula do Stoke é bem conhecida. Futebol rústico, lançamentos longos, arremessos laterais à área e defesa com disciplina militar garantem a estabilidade da equipe na primeira divisão. Nesta temporada, com as contratações do defensor Geoff Cameron e do volante Steve N’Zonzi, houve a impressão de que a fórmula tinha sido aperfeiçoada. Por exemplo, nas seis primeiras partidas em casa, os Potters sofreram apenas um gol, marcado pelo Manchester City na quarta rodada. Liderada pelo capitão Shawcross e o goleiro Begovic, a defesa era quase imbatível no Britannia.

Tony Pulis: o que era espetacular há cinco anos pode não ser suficiente hoje

Embora se sustente na 11ª posição, o Stoke desabou em 2013 e ainda não está totalmente livre da queda. Em nove jogos, perdeu sete. A segurança defensiva foi embora (ainda que Begovic siga fazendo seus pequenos milagres), e o ataque continua pobre, muito pobre. Em toda a temporada, a posse de bola média (42,8%), o índice de passes certos (70,3%) e as finalizações por jogo (9,8) superam apenas os números do Reading. O Stoke é ainda o time que menos acerta finalizações, menos dribla e o segundo que mais comete faltas.

Não há nada errado com o estilo descrito nos dois últimos parágrafos, mesmo que ele não seja “agradável”. Pelo contrário, é ótimo que a equipe tenha uma identidade e ofereça diversidade à liga, até para impor um desafio bem particular aos outros 19 clubes. Mas será que o Stoke progride como deveria? Pulis adora qualificar o próprio time como underdog, isto é, aquela zebra que, à base de muita dedicação, consegue resultados inesperados. Fazia sentido na primeira temporada dos Potters na Premier League, mas agora soa como um discurso para autoproteção.

Uma pesquisa surpreendente aponta o saldo de transferências (o que arrecadou em vendas menos o que gastou em compras) do Stoke como o terceiro pior da Premier League nos últimos cinco anos. Apenas Manchester City e Chelsea, como você já imaginava, apresentam uma “balança comercial” mais desfavorável. Em sua aventura na Premier League, Pulis despejou £89 milhões em jogadores e recebeu somente £8,5 milhões em vendas*. Palacios foi comprado por £6 milhões, mas quem joga é Whelan. Foram investidos £22 milhões em Crouch, Jones e Jerome, mas tem vaga para apenas um deles, considerando que Walters não sai do time. Gasta-se mal demais em Stoke-on-Trent.

A base do Stoke não revela ninguém, e jogadores comprados por muito dinheiro não têm potencial de revenda (ainda que alguns se adaptem perfeitamente ao estilo de Pulis). O clube, apesar de ter mudado de status do ponto de vista financeiro, permanece no mesmo patamar em campo, sem novidade, com raríssimos sinais de evolução. Pulis foi o melhor treinador que o Stoke poderia ter na última década, porém não faltam argumentos para defender troca no comando, antes que seja tarde.

*Dados divulgados pelo jornalista Michael Cox

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sábado, 24 de novembro de 2012 Stoke City, West Bromwich | 19:31

Missões ingratas

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Kompany tenta transpor o exército de defensores do Stoke

A primeira parte da 13ª rodada da Premier League ratificou a solidez do Stoke e a fase impressionante do West Bromwich. O blog trata de ambas:

Não é simples marcar um gol no Britannia Stadium
O Stoke tem campanha simétrica. Após vencer o Fulham por 1 a 0 em casa, o time de Tony Pulis está na 11ª posição e soma três vitórias, sete empates e três derrotas. O saldo é nulo: 11 gols marcados e 11 sofridos. A segurança da defesa, a segunda melhor do campeonato, compensa a habitual pobreza do ataque. Em seis partidas no Britannia Stadium, os Potters levaram um gol, marcado pelo Manchester City na quarta rodada.

Sempre foi difícil marcar em Stoke-on-Trent, mas Pulis de fato aprimorou o sistema defensivo em 2012-13. Geoff Cameron, zagueiro norte-americano que tem sido escalado nas laterais (contra o Fulham, à esquerda), torna a linha de defesa mais confiável e se consolida como uma das boas contratações do verão. A proteção aos zagueiros também melhorou, com três jogadores centrais no meio-campo: Whelan, Adam e, sobretudo, N’Zonzi, rebaixado com o Blackburn, mas brilhante no Stoke. Ademais, continuam lá o goleiro Begovic e o capitão Shawcross, que poderiam estar em qualquer clube da Premier League.

Derrotar o WBA, em qualquer lugar, também é tarefa ingrata
Provisoriamente na terceira posição, o West Bromwich abriu a rodada com uma vitória por 4 a 2 sobre o Sunderland no Stadium of Light, a quarta consecutiva no campeonato. Mesmo sem o lesionado Mulumbu, desfalque para lá de relevante, a equipe de Steve Clarke sempre passou a impressão de que venceria. O blog tem elogiado bastante o sistema defensivo e as atuações do volante argentino Yacob (que, sem Mulumbu a seu lado, foi mais exigido e não decepcionou), mas outro fator importante é a eficiência do ataque, letal em 2012-13. Por enquanto, são 23 gols marcados em 13 jogos.

Ao contrário (por exemplo) do Liverpool, que concentra seus gols em Luis Suárez, o WBA tem vários jogadores que podem marcar a qualquer momento. O atacante titular Long tem excelente movimentação sem a bola e aproveita boa parte das chances; Lukaku, seu reserva, está bem mais confiante do que em sua primeira temporada na Inglaterra; Odemwingie tem sido o meia direita no 4-2-3-1, mas sempre invade a área e finaliza bem; Gera e Morrison têm ótimo chute de média distância. Em Sunderland, marcaram Gera, Long, Lukaku e Fortuné. Tudo dá certo para o WBA.

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sábado, 11 de agosto de 2012 Stoke City, Swansea, West Bromwich, West Ham | 22:59

Guia da temporada (parte 2)

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A segunda parte do guia da temporada traz West Bromwich, Swansea, Stoke e West Ham:

Por apenas £2 milhões, o criativo Michu é ótimo reforço para o Swansea

West Bromwich. Após trabalhos seguros de Roberto Di Matteo e Roy Hodgson, que estabilizaram o clube na primeira divisão, a diretoria do WBA decidiu arriscar e oferecer uma chance a Steve Clarke, ex-assistente de Kenny Dalglish no Liverpool. Clarke costuma armar defesas fortes e tem ótimo currículo como técnico de campo, mas não sabemos o que ele pode produzir como manager. O time, porém, não deve mudar muito. A principal diferença será a competição acirrada por vagas no ataque. Antes absolutos, Odemwingie e Long já são ameaçados pelas contratações de Lukaku e Markus Rosenberg. O garçom Chris Brunt terá mais gente para servir. Previsão para a temporada: 16º.

Swansea. Assim como o Norwich, o Swansea perdeu o treinador, parcela fundamental da fórmula de sucesso da temporada passada. No entanto, os galeses têm uma vantagem importante. A filosofia do clube, a ideia de como o time deve jogar, é algo permanente, e não uma exclusividade do ex-técnico Brendan Rodgers. Por isso, a diretoria contratou o dinamarquês Michael Laudrup, outro entusiasta da posse de bola e da troca de passes. O mercado também determinou as saídas de Caulker, Sigurdsson e Joe Allen, perdas consideráveis. O espanhol Michu, que fez grande temporada pelo Rayo Vallecano, é ótima e barata reposição para o meio-campo, mas o Swansea ainda pode reinvestir parte dos £15 milhões arrecadados com a venda de Allen ao Liverpool. Previsão para a temporada: 15º.

Stoke. Antes da temporada, a impressão é de que a evolução do Stoke estagnou. A ausência crônica de um meio-campista criativo deve continuar travando a equipe, a menos que Tony Pulis faça alguma contratação de impacto até o fim de agosto. Com um repertório limitado, o time fica dependente dos lançamentos longos para Crouch. É a fórmula que deu certo nos últimos anos, mas ela tem um limite, especialmente numa temporada que tende a ser mais competitiva. Pulis sabe como não passar sustos, porém não deve ir muito além da 14ª colocação de 2011-12. Previsão para a temporada: 14º.

West Ham. O Swansea mostrou na temporada passada que o terceiro colocado da segunda divisão não é, necessariamente, o pior dos recém-promovidos. Neste ano, o West Ham pode repetir a dose. A equipe é fisicamente forte (o que dizer de um meio-campo com Diamé, Nolan e Alou Diarra?) e tem várias semelhanças com o antigo Bolton de Sam Allardyce. O poder de fogo deve melhorar em relação a 2011-12, com a contratação do atacante malinês Maiga. Não espere um West Ham encantador, mas competitivo e chato para os adversários, sobretudo em casa. Previsão para a temporada: 13º.

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012 Premier League | 21:14

Terça cheia

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Duas temporadas após vendê-lo a preço de banana, o Chelsea sofreu um golaço de Sinclair

Numa terça-feira em que Liverpool, Chelsea, Manchester City, Manchester United e Tottenham atuaram quase ao mesmo tempo, a coluna recapitula a primeira parte da 23ª rodada da Premier League:

Wolverhampton 0 x 3 Liverpool. Kenny Dalglish gosta do Molineux. Foi lá que, na temporada passada, ele iniciou a reação do Liverpool com grandes atuações de Raul Meireles e Fernando Torres. Os ibéricos foram embora, e os britânicos garantiram outra vitória por 3 a 0. Adam, Carroll e Bellamy comandaram a partida que reposicionou os Reds na corrida pelo top four. Mas o que o Liverpool comemora mesmo é o retorno de Suárez já na próxima rodada.

Swansea 1 x 1 Chelsea. O bom segundo tempo do Chelsea, que anulou o domínio do Swansea no primeiro, foi premiado com o gol de Bosingwa aos 92 minutos. Resultado normal, ainda mais quando a gente olha para as exibições dos cisnes contra Tottenham e Arsenal no Liberty. Em Gales, o ótimo time de Brendan Rodgers não perdeu para o trio de ferro londrino.

Everton 1 x 0 Manchester City. Com direito a torcedor algemado à trave no primeiro tempo, um valente Everton deu sinal de que pode fazer um segundo turno melhor, como de costume para David Moyes. É pena que Donovan, que assistiu Gibson no gol do jogo, não fique até o fim da temporada. Aliás, o meia central irlandês prestou um belo serviço ao Manchester United. Finalmente.

Manchester United 2 x 0 Stoke. Tony Pulis estacionou o ônibus na área, mas o United fez o bastante para conquistar dois pênaltis e a co-liderança da Premier League, ao lado do City, com 54 pontos. Sem Rooney, ainda lesionado, dever cumprido e moral renovado após a queda na FA Cup.

Tottenham 3 x 1 Wigan. Bale e Modric ratificaram seu status de principais jogadores dos Spurs e resolveram o jogo sem problemas. Ótimo para quem recentemente empatou com o Wolverhampton num momento-chave da corrida pelo título. A derrota do City ajudou, mas, para reassumir o posto de candidato, o Tottenham precisa vencer o Liverpool na segunda-feira.

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011 Copas Europeias | 20:39

“Constrangimento”

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A Europa League será menos inglesa a partir de fevereiro. Depois de o Fulham cair de maneira deprimente, Tottenham e Birmingham também não devem escapar da eliminação amanhã. De qualquer forma, o país já garantiu três dos 32 clubes que estarão envolvidos no sorteio da próxima sexta-feira. O Stoke passou facilmente por um grupo que tinha Dynamo Kiev e Besiktas. Os outros representantes vêm de Manchester: United e City foram premiados com as vagas após o fracasso na Champions.

Para quem torce pela Inglaterra no ranking europeu, a situação não é a pior possível. Afinal, já se esperava que os clubes tivessem dificuldades por conta da origem das vagas. Fulham, Birmingham e Stoke chegaram lá, respectivamente, por Fair Play, League Cup e FA Cup. Como se não bastasse, o único classificado pela posição na Premier League, o Tottenham, anunciava há muito tempo que não apostaria no torneio.

Aliás, o pouco caso com a Europa League é uma questão frequente entre os ingleses. Patrice Evra, por exemplo, falou em “constrangimento” quando perguntado sobre a futura presença do Manchester United na competição. A postura dos Red Devils gerou até uma repreensão de Michel Platini, pai do torneio remodelado. Alex Ferguson, que se considerava “punido” por participar dele, mudou o discurso original e indicou que pode tentar vencê-lo.

Evra mostra todo seu entusiasmo

Conversa fiada, política e artificial. Embora haja alguns exemplos recentes de clubes poderosos que abordaram a Europa League seriamente (um deles é o Manchester City na temporada passada), a visão generalizada para quem se acostumou à Champions é a de Evra. O xodó de Platini é um fiasco na Inglaterra porque as viagens são muito longas, vários adversários são fracos e as rodadas acontecem às quintas-feiras, o que desloca jogos da Premier League para os domingos e segundas.

A cinco confrontos da festa do título, a Europa League aponta dois caminhos para os ingleses: a concretização do discurso do Manchester City, que deve buscar a taça para marcar o nome no continente e melhorar o coeficiente, e uma temporada doméstica sem grandes objetivos para o Stoke, que tem desfrutado sua primeira aventura europeia em 37 anos. Ambos são bem possíveis, porém o status “tanto faz” da competição não deve mudar tão cedo na Inglaterra, que, apesar das ótimas campanhas recentes de Middlesbrough e Fulham, ainda a interpreta como se fosse uma copa nacional qualquer.

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domingo, 11 de setembro de 2011 Stoke City | 18:42

Defesa que ninguém passa

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Pete sabe das coisas: feiura no jogo, beleza no amor

Quando olhamos para as estatísticas do Stoke 1-0 Liverpool de ontem, custamos a acreditar no resultado. Foi um domínio inútil dos visitantes no Britannia Stadium: 59% de posse de bola, 20 a 3 em finalizações (11 a 2 em certas) e 12 a 2 em escanteios. O técnico Tony Pulis reclamou do desempenho dos Potters com a bola, mas a verdade é que, no vestiário, ele deve ter aberto um champanhe para Rory Delap e seus amigos.

A alegria de Pulis não vem apenas da quarta posição na Premier League, passageira, mas especialmente do sucesso de suas decisões em campo e no mercado. Sem falar dos ótimos resultados na Liga Europa, o início doméstico chama a atenção por alguns aspectos. Antigo calcanhar de Aquiles, a campanha fora de casa começa bem: quatro pontos em dois jogos. O foco na defesa também é recompensado, com um gol sofrido em quatro partidas.

Além do resultado de ontem, o Stoke pode celebrar o empate da estreia contra o Chelsea e a vitória diante do West Brom no sempre complicado Hawthorns. Rebaixamento não é mais uma preocupação no Britannia. Temporada a temporada, o time só evolui na proposta de jogo físico, baseada em lançamentos para a área. Há três anos na elite e com mais dinheiro para gastar, Pulis não muda essa identidade, mas cria condições para aprimorá-la.

Não por acaso a defesa é a melhor da liga. Com as contratações dos bons Upson e Woodgate (um deles acompanha o capitão Shawcross), o alemão Huth é liberado para a lateral direita, com o também zagueiro Wilson ocupando o outro lado. Não surpreende o insucesso do Liverpool na área adversária, pois eles chegavam, mas sempre encontravam uma barreira de gigantes e um incrível Begovic no gol.

A captura de Palacios também é importante, uma vez que o hondurenho oferece mais qualidade ao centro do meio-campo e prepara a aposentadoria de Delap, o arremessador. No ataque, o mesmo de sempre. Pennant e Etherington armam pelos flancos, agora com Crouch na referência e Walters um pouco atrás do marido de Abbey Clancy. E, acredite, o elenco está bem mais forte. Olha o banco de ontem: Sorensen, Wilkinson, Shotton, Whelan, Palacios, K. Jones e Jerome.

Ninguém lá liga muito para a bola. O antibarcelonismo de Pulis levou o time a 115 jogos consecutivos (desde que chegou à Premier League) com menos posse do que o adversário, sequência quebrada há duas rodadas, com os 53% contra o Norwich. Desse jeito, com uma bola parada infalível e uma defesa de gladiadores, o Stoke virou candidato à cobiçada sétima posição e promete fazer bom papel na Liga Europa. Cada um sabe no que pode acreditar e investir.

Autor: Daniel Leite Tags: , ,

domingo, 14 de agosto de 2011 Chelsea, O jogo do dia, Stoke City | 18:13

O jogo do domingo: Stoke 0 x 0 Chelsea

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É isso aí, Torres. Sangue nos olhos!

Stoke-on-Trent recebeu uma partida com toda a pinta da temporada passada. Enquanto nenhum dos jovens reforços do Chelsea atuou, a novidade solitária do Stoke foi o zagueiro Woodgate, que não iniciava um jogo da Premier League há 21 meses. Novidade, aliás, foi ele ter resistido até o fim. Por outro lado, o empate por 0 a 0 nada teve de estranho. O Britannia Stadium é um terreno complicado demais para visitantes.

Além das peças, os times mantiveram, com raras variações, os seus estilos. O Chelsea, posicionado no previsto 4-3-3, teve muitos problemas para lidar com o jogo físico do Stoke no primeiro tempo. Os aspectos positivos foram a capacidade de infiltração de Ramires (pode ser o “Freddy Guarín” de Villas-Boas) e a demonstração de vontade de Fernando Torres, que, embora tenha passado em branco, fez um jogo decente.

Ficou claro que o Chelsea ainda precisa contratar. É louvável a aposta no futuro com o atacante belga Lukaku, mas existem necessidades muito mais urgentes. Há finalizadores em demasia (Torres, Drogba, Lukaku, Sturridge e Anelka), porém poucas opções laterais e nenhuma alternativa confiável a Lampard (Benayoun, McEachran?), que certamente não vai suportar a temporada inteira, como acontecia há alguns anos.

Apesar do bom segundo tempo do Chelsea, o jogo contra o Stoke sinalizou a Roman Abramovich que ele tem de oferecer opções que condigam com o 4-3-3 de Villas-Boas. O português mudou para um 4-3-1-2 no fim porque se viu obrigado a reunir Anelka, Drogba e Torres para tentar derrotar os Potters.

No Stoke, só alegria, ainda que Tony Pulis siga sacrificando o time para criar condições favoráveis ao kick and rush. Delap, um meia central fraco, fica em campo só para cobrar laterais à área. Quando Etherington saiu, a catapulta humana foi jogar pelo lado do campo, onde é ainda pior. Além disso, o critério para escalar os laterais – Huth (1,91m) e Wilson (1,88m) – passa pela privilegiada altura deles.

A posse é sempre limitada, mas o time também joga bola. Os wingers Pennant e Etherington continuam sendo fundamentais para a equipe funcionar, até porque o produto final deles frequentemente é um cruzamento pelo alto a Kenwyne Jones. Sem medo de ser feliz e eficiente, o Stoke exigiu muito de Cech no primeiro tempo e esbanjou dedicação defensiva no segundo. Pelo visto, fica longe de cair outra vez.

Stoke City (4-4-2): Begovic; Huth, Woodgate, Shawcross, Wilson; Pennant, Whelan, Delap (Pugh), Etherington (Whitehead); Walters, Jones (Shotton)
Chelsea (4-3-3): Cech; Bosingwa, Alex, Terry, Cole; Mikel, Ramires, Lampard; Kalou (Drogba), Torres (Benayoun), Malouda (Anelka)

Melhor em campo: Asmir Begovic (Stoke)
Pior em campo: Florent Malouda (Chelsea)

Nova ausência
Por motivo de força maior (ou não), a página não deve ser atualizada até quinta-feira. Na volta, vamos repercutir a primeira rodada do Fantasy (alguém aí cometeu o mesmo erro do colunista, que escalou Gervinho?) e, é evidente, o trabalho dos clubes no início da temporada. Obrigado pela compreensão.

Autor: Daniel Leite Tags: ,

sexta-feira, 5 de agosto de 2011 Copas Europeias, Fulham, Stoke City | 13:35

Garra inglesa

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Criticado pelo estilo sisudo de futebol, o competente Tony Pulis segue redefinindo o Stoke

A manhã na suíça Nyon foi razoável para os ingleses. Em sua sede, a UEFA sorteou os confrontos dos play-offs das copas continentais. Na Liga dos Campeões, o Arsenal não foi premiado: pega a Udinese, da Itália. Na Liga Europa, o Tottenham faz choque doméstico com os escoceses do Hearts, o Birmingham vai à Ilha da Madeira para enfrentar o Nacional português, o Stoke joga contra o Thun, da Suíça, e o Fulham mede forças com o ucraniano Dnipro, de Giuliano e Juande Ramos.

Stoke e Fulham, aliás, merecem atenção particular por já terem vencido obstáculos. Os Potters, vice-campeões da FA Cup, passaram pelo Hajduk Split, vice-campeão croata, com duas vitórias por 1 a 0. Os Cottagers, que se classificaram pela vaga do Fair Play, eliminaram o NSI Runavik, das Ilhas Faroé, o norte-irlandês Crusaders e o croata RNK Split.

Apesar da relativa segurança de ambos nas eliminatórias, os clubes podem fazer diferentes interpretações de suas participações precoces. O Stoke, que não ia à Europa desde 1974, desfruta vitórias sobre um time com relevante tradição continental e consolida seu redimensionamento pelas mãos do técnico Tony Pulis. Hoje, ninguém em sã consciência aponta os Potters como candidatos claros ao rebaixamento na Premier League.

O Fulham, por sua vez, é punido pelo status conquistado com o vice na Liga Europa em 2010. O time foi bem, mas o nível dos adversários e a longa caminhada de seis jogos até os play-offs provocam a sensação de que cumpriu uma obrigação que o impedia de fazer outras coisas. O novo treinador Martin Jol lamentou a fragilidade da preparação, que teve de sacrificar os tradicionais amistosos de pré-temporada e os minutos de vários jogadores secundários em função da necessidade de vencer.

Circunstâncias à parte, a composição alternativa dos representantes ingleses na Liga Europa, que exclui Liverpool e Everton (sexto e sétimo colocados da Premier League), pode ser interessante. O público desinteresse do Tottenham certamente não atingirá Stoke e Fulham. Se ocuparem posições intermediárias na liga, eles, chegando lá, podem priorizar a disputa na segunda parte da temporada – caso do Fulham em 2010. O Birmingham, na segunda divisão, perdeu força e não deve ir muito longe.

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quarta-feira, 13 de julho de 2011 Jogadores, Mercado | 18:30

Persistência deles, coragem dos clubes

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Woodgate é recebido sob nuvens de desconfiança em Stoke-on-Trent

Em fevereiro de 2007, os frequentadores de departamento médico Jonathan Woodgate, Owen Hargreaves e Kieron Dyer foram convocados à seleção inglesa por Steve McClaren. A ocasião era um amistoso com a Espanha em Manchester.

Hargreaves se cortou “para não arriscar sua condição física”. Woodgate e Dyer foram titulares. A Inglaterra cumpriu as expectativas e perdeu. Apesar de convocações esporádicas até 2008, o trio desapareceu depois. Nos últimos dois anos, as lesões os limitaram, juntos, a 33 jogos (27 só de Dyer) por seus clubes. Fim da linha para eles?

Nada disso. Nesta semana, Stoke e Queens Park Rangers anunciaram, respectivamente, o zagueiro Woodgate (31) e o meia Dyer (32), que ficam na Premier League. O volante Hargreaves (30), que há pouco divulgou uma série de vídeos a fim de provar aos clubes sua aptidão para jogar, atraiu o interesse do Leicester, da segunda divisão.

Woodgate pode dar certo no Stoke. Como o ex-capitão Faye é mais um dos antigos pupilos de Sam Allardyce a reforçar o West Ham, o time precisava mesmo de nova alternativa a Shawcross e Huth. O ex-zagueiro do Tottenham, assim como Hargreaves e Dyer, estava livre. O contrato de risco protege o clube. Boa sacada de Tony Pulis, que, se conseguir colocá-lo em campo, ganha um ótimo defensor.

A contratação do QPR é bem mais questionável. Taarabt (se ficar), Faurlín e Smith ocupam o espaço de Dyer, só que, mesmo como opção secundária, o ex-meia do West Ham nada fez para merecer um lugar na Premier League. Foi nulo nos Hammers quando conseguiu jogar e não marca um gol há mais de quatro anos – quando ainda estava no Newcastle! Dyer era uma estrela no início da carreira, mas pode agradecer a chance oferecida por Neil Warnock, que dá um tiro no escuro e na própria ambição.

Até pela força de vontade, Hargreaves, que atuou por cinco minutos em 2010-11, merece ser testado após deixar o Manchester United. Embora não tenha certeza sobre o desejo do jogador, Sven-Goran Eriksson, que o comandou na Copa de 2006, parece determinado a lhe oferecer essa oportunidade no Leicester. O técnico só precisa ficar de olho na quantidade de apostas no passado: seu elenco já tem Vassell, Konchesky e Nugent. O West Bromwich também estaria interessado em Hargreaves.

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terça-feira, 19 de abril de 2011 Debates | 19:04

Não precisava ser assim

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O assunto é desagradável e muito complexo, mas precisa ser tratado

Vice da FA Cup e rebaixado no ano passado, o Portsmouth de Avram Grant e David James não foi à Liga Europa por conta das finanças

Quando Manchester City e Stoke foram à final da FA Cup, criou-se um problema: perder pode ser uma boa na Inglaterra. A FA Cup, vale lembrar, rende vaga na Liga Europa ao campeão. Se este se classificar à Champions, o vice herda o posto. Com a posição da Football Association e da Premier League, revelada pelo jornalista Iain Macintosh, são três cenários possíveis. Campeão da Carling Cup, o Birmingham está garantido:

1) Manchester City campeão e no Top Four do campeonato: vão à Liga Europa o Stoke e o quinto colocado da Premier League, hoje o Tottenham.
2) Manchester City campeão e no quinto lugar do campeonato: classificam-se o Manchester City e o sexto colocado, hoje o Liverpool.
3) Stoke campeão: como no primeiro, asseguram vaga o Stoke e o quinto colocado.

O Stoke, certamente tranquilo na tabela, enfrenta o Manchester City pela liga após a decisão. Aí está o dilema: se perder a copa, uma derrota poderia ser ótimo negócio para garantir o quarto lugar aos rivais e vaga na Europa a si mesmo. Nesse ponto, nada a adicionar ao texto de Leonardo Bertozzi. Alterar a data do jogo, como defende Harry Redknapp, seria duvidar da retidão dos clubes e, apesar de evitar o encontro depois da final, não resolveria o impasse: a quarta posição dos Sky Blues pode estar mais consolidada em maio do que agora.

O que nos interessa é o fato de as entidades não admitirem que a FA Cup deixe de render um lugar em competição continental. O raciocínio é o seguinte: se o campeão da copa for à Champions, o vice tem de herdar a classificação só para garantir que o torneio ofereça a possibilidade de disputar a Liga Europa. Se terminar o campeonato em quinto e, portanto, classificar-se pelas duas competições, a vaga que prevalece é a da copa. Daí, o sexto colocado da Premier League pode ficar com o posto.

Se a regra para a FA Cup fosse a mesma aplicada à Carling Cup, esse problema não existiria. Sem vagas para os vice-campeões, perder nunca seria bom negócio. O Stoke estaria fora, o Liverpool se limitaria a torcer pelo Manchester City na final da FA Cup, e não haveria suspeitas de corpo mole, proibido na liga, mas muito sujeito a interpretações. A copa nacional já é valorizada o bastante com vaga para o campeão. Não precisava ser assim, com inversão do mérito no pacote.

Para esclarecer
*O Liverpool ainda enfrenta o Tottenham e, como lhe interessaria derrubar o City do quarto lugar, também poderia se beneficiar com uma derrota, mesmo que a sexta posição não esteja garantida
*O texto não defende que regras já estabelecidas devam ser alteradas nesta temporada, mas uma revisão nas próximas
*Obviamente, se o vice-campeão da FA Cup também se classificasse à Champions, aí sim: a vaga na Liga Europa seria do próximo colocado da Premier League
*Detalhes de Newcastle 0 x 0 Manchester United

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