Dever cumprido
A eliminação da Inglaterra na Euro 2012 teve um cenário até certo ponto previsível. Apesar do início promissor, a seleção de Roy Hodgson se limitou a travar a Itália e obteve números tímidos: 36% de posse de bola e apenas nove finalizações em 120 minutos, contra 35 dos italianos. O empate por 0 a 0 levou a decisão do semifinalista aos pênaltis. E assim, você sabe, a Inglaterra já havia fracassado nas Copas de 1990, 1998 e 2006 e nas edições da Euro de 1996 e 2004. Por que 2012 seria diferente?
Embora as circunstâncias da eliminação sejam semelhantes às de outros grandes torneios, a seleção inglesa pode lembrar sua campanha sem qualquer constrangimento. A Inglaterra superou os inúmeros desfalques, executou bem sua proposta defensiva e não perdeu. A trajetória na Copa de 2006, por exemplo, também foi invicta, mas aquela equipe não teve sequer uma atuação elogiável: mal contra Paraguai, Trinidad & Tobago, Suécia, Equador e Portugal. O fracasso era anunciado.
O time de 2012 fez o possível e, fosse competente para manter a vantagem nos pênaltis, estaria nas semifinais. O rótulo de underachiever (aquele estudante que não atinge seu potencial) não cabe à seleção pela primeira vez desde 1998. É claro que as expectativas baixas contribuíram para isso, mas não houve covardia (a despeito da proposta defensiva), desequilíbrio ou negligência com a competição. Os jogadores, ao contrário, desfrutaram o verão no Leste Europeu e realmente se esforçaram por uma boa campanha.
Depois de bastante tempo, a Inglaterra sai de um grande torneio com legado positivo. Contratado há apenas 54 dias, Roy Hodgson terá apoio quase irrestrito da FA e da opinião pública. Ele fez um rápido trabalho de reorganização, venceu os dois amistosos que disputou e extraiu o máximo da equipe na Euro. Não haverá rumores de troca no comando técnico nos próximos meses.
Hodgson tem contrato até 2016. Não se pode esperar dele a formação de um time espetacular: solidez é a palavra-chave sobre o estilo. A novidade que a FA deve exigir é o aproveitamento de jogadores jovens. Logo após a eliminação, o próprio Hodgson citou o exemplo alemão. Vale lembrar que Neuer, Boateng, Hummels, Khedira e Özil foram titulares na vitória por 4 a 0 sobre a Inglaterra na final da Euro sub-21 de 2009. A nova geração inglesa não é tão brilhante, mas tem potencial.
A velha guarda terá espaço à medida que os desempenhos individuais nos clubes sejam satisfatórios. Gerrard, de ótima Euro, já anunciou que pretende continuar como capitão enquanto o quiserem na seleção. No entanto, a capitania não pode virar argumento irrefutável para que ele seja titular absoluto. A política de Hodgson, especialmente com a turma representada por Terry, Cole, Parker, Lampard e Gerrard, tem de ser a meritocracia.
O grupo da Inglaterra nas eliminatórias para a Copa de 2014 tem Montenegro, Ucrânia, Polônia, Moldávia e San Marino. Se a solidez e o compromisso forem próximos aos apresentados na Euro, com mais tempo e menos lesões, não há o que temer.










