Deschamps está certo
O também goleiro John O'Shea é símbolo de um Manchester United dedicado e vencedor
“Talvez esse Manchester United tenha um pouco menos de fantasia do que no passado”, sentenciou Didier Deschamps, técnico do Olympique de Marselha. Embora tenha admitido que os Red Devils ainda são muito perigosos, o treinador vice-campeão europeu em 2004 não hesitou em soltar essa antes de enfrentar Alex Ferguson. O fato é que a análise de Deschamps, baseada no jogo minimalista dos ingleses, teve sua validade comprovada há pouco, no empate por 0 a 0 no Vélodrome.
Quando falamos em fantasia, quase toda comparação que se faça com o United dos anos 90 será ingrata. Afinal, a força motriz daquele time era um meio-campo com Beckham, Scholes, Roy Keane e Giggs, quatro dos grandes jogadores do clube em todos os tempos. A formação inicial de hoje, um tanto diferente da habitual, teve Carrick, Gibson e Fletcher.
Aliás, ainda bem que havia o escocês para compensar as pobres atuações dos dois primeiros. O próprio Carrick admitiu que a equipe não passou a bola direito. Isso se deve muito a ele e Gibson. O irlandês, aconselhado por Giovanni Trapattoni (seu treinador na seleção irlandesa) a deixar o Manchester United, não é o novo Scholes.
É também importante entender a cabeça de Ferguson em grandes jogos. O tímido 4-3-3, com Rooney longe do gol, é mais uma mostra de que ele prioriza a defesa nessas circunstâncias. Mesmo com ótimos zagueiros – e Smalling está nesse bolo -, se tiver de escolher entre explorar uma deficiência e anular uma virtude, ele certamente ficará com a segunda opção. Por exemplo, Ferguson prescindiu de Rafael, que poderia encher a paciência de Heinze, em benefício de O’Shea, que teve de conter Ayew.
Sim, boring, boring United. Mas também vencedor. O próprio Deschamps deixou claro que o seu Olympique de Marselha de 1993, por quem foi campeão europeu como jogador, não era o mais legal dos times. Ainda que antes do pleno retorno de Antonio Valencia, a tendência é que, com equilíbrio, Nani, Rooney e Berbatov liquidem a fatura. O que não pode acontecer é uma excessiva retração. Em marcha lenta após abrir ótima vantagem, o Manchester United caiu diante do Bayern no ano passado e cavou a ausência de clubes ingleses nas semifinais da Champions. Desta vez, se ousar um pouco em casa, Ferguson deve contribuir para levar pelo menos três da Premier League às quartas.
Le Blog du Foot, de Bruno Pessa, repercute aqui o empate na perspectiva dos franceses.





