Salto de qualidade
O play-off que decide o último classificado à Premier League é conhecido como “o jogo de £90 milhões”. Parece nome de filme do Jackie Chan, mas é uma ótima definição. Ainda que fique apenas um ano na elite, o clube promovido garante uma receita extra de pelo menos £88 milhões parcelados ao longo de quatro temporadas, afora os ganhos com melhores acordos comerciais.
Não à toa, a diferença entre as folhas salariais da Premier League e da Championship é gritante. Apesar de o aumento nas receitas ser diluído em quatro anos, o clube que sobe à elite pode assumir compromissos que eram impossíveis antes da promoção. Campeão da segunda divisão, o Reading compreende isso e investe mais em salários altos do que em transferências caras. Mesmo que não tenham tanto dinheiro agora, os Royals sabem que podem bancar despesas em médio prazo.
Há um mês, o clube foi comprado pelo magnata Anton Zingarevich, que até 2013 pagará £25 milhões ao antigo proprietário e ainda presidente, Sir John Madejski. Assim como Zingarevich, o primeiro reforço para a próxima temporada é russo: Pavel Pogrebnyak, que vem de bom semestre no Fulham (seis gols e um hat-trick em 12 partidas) e estava sem contrato. Mas por que ele não quis ficar em Craven Cottage?
A resposta é simples. Sem custos imediatos além das tradicionais luvas, o Reading ofereceu ao atacante de 28 anos um salário absurdo, de £65 mil libras semanais. Assim que tirar a permissão de trabalho, Pog terá o maior rendimento da história do clube, recebendo £13 milhões em quatro temporadas.
Outra contratação fechada é a de Danny Guthrie, que estava no Newcastle. Guthrie não era titular em St. James’ Park, mas mostrou valor quando substituiu Tioté em vários momentos da temporada. Sem contrato, o meio-campista foi procurado pelo West Bromwich, um clube estável na Premier League, porém o calouro Reading foi mais rápido e, certamente, generoso na proposta.
Além de Pogrebnyak e Guthrie, o Reading monitora o lateral-direito francês Matthieu Chalmé, do Bordeaux, o meia Jacob Butterfield, do Barnsley, e o atacante escocês Jordan Rhodes, que se transformou numa máquina de gols pelo Huddersfield, promovido à segunda divisão. Em tese, são transferências não muito caras, mas que, por conta da concorrência, devem exigir ótimas propostas salariais. Newcastle e Fulham estão interessados em Butterfield e Rhodes, respectivamente.
A história recente do Reading, que esteve na primeira divisão de 2006 a 2008, mostra prudência e vendas bem feitas. Nos últimos quatro anos, as saídas* de Kitson, Doyle, Mills, Sigurdsson, Hunt, Long, Shorey e Sonko renderam £36 milhões aos cofres, o que reforça o mérito do técnico Brian McDermott, por lá desde 2009. Jogadores baratos, como Harte, McAnuff e Kébé, foram destaques em 2011-12. Sob nova direção, o clube pretende gastar mais, mas também gastar certo, com um ou outro exagero financiado pelo dinheiro da Premier League.
*Dados do blog Swiss Ramble

