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segunda-feira, 28 de março de 2011 Brasileiros, Debates, Jogadores | 12:15

Neymar e os ingleses

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Neymar apavora defesa de Premier League no Emirates. "Palhinha", diz ele

Neymar arrebentou em competições domésticas e estreou na seleção brasileira, longe da Europa, com gol sobre os Estados Unidos. Só assim, atraiu o interesse do Chelsea, que ofereceu £25 milhões por ele em agosto. Depois, abusou do poder no Santos, liderou o time no Brasileiro, acabou com o Sul-Americano sub-20 e, enfim, apresentou-se de fato aos ingleses no amistoso de ontem contra a Escócia, em Londres.

As vaias recebidas só ratificam o novo peso do brasileiro no Reino Unido. Neymar manteve o costume de forçar faltas e ganhou a antipatia dos escoceses, mas foram os dois gols e o pesadelo que impôs à defesa adversária que atraíram as atenções. Só é preciso não confundir o episódio de racismo, individual (e ainda não esclarecido), com as aceitáveis vaias, coletivas. Afora isso, ele conquistou todos.

Rio Ferdinand, por exemplo, elogiou Neymar e o comparou a Cristiano Ronaldo mais jovem. Ao Globoesporte.com, o atacante do Santos disse não saber se a atuação foi “cartão de visitas”, mas chamou de “palhinha”. Mano Menezes aprovou uma eventual transferência do brasileiro à Premier League. Ainda em Londres, Neymar pode conhecer (se ainda não o fez) as instalações do Chelsea, que certamente já enxerga um investimento seguro. Mais maduro e compatível com qualquer esquema tático, ele vai para onde preferir.

A linha de defesa da Escócia era toda da Premier League: Hutton (Tottenham), Caldwell (Wigan), Berra (Wolves), e Crainey (Blackpool). Podem não ser parâmetro para muito, mas são potenciais adversários. O único problema, o cai-cai, foi levantado pelo ex-jogador escocês Pat Nevin, que passou por Chelsea e Everton: “vive num universo paralelo”. Se quiser a Inglaterra, Neymar vai precisar de um tempo para se livrar das vaias de quem perseguiu, por exemplo, Eduardo da Silva por inventar um pênalti. Do primeiro quarteto da Premier League, ele já se livrou.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , , , ,

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 Blackburn, Debates, Mercado, Temporada | 17:27

Quem quer ser um grande time?

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Neymar e Ganso estão entre os alvos do Blackburn. Mas o que os levaria ao Ewood Park? (Christopher) Samba?

O Venky’s, grupo indiano que comprou o Blackburn há três meses, é bom de negócio. Em 40 anos, a pequena empresa familiar se transformou no maior produtor asiático de aves. Os Rao muito conhecem de fármacos e processamento de carne de frango, mas isso não significa que já saibam como transformar os Rovers em uma potência.

Ontem, a imprensa inglesa repercutiu a obsessão do Venky’s pela contratação de um jogador brasileiro. Estariam na lista de desejos Kaká, Robinho, Neymar, Ganso, Luís Fabiano, Elano e Jucilei. Em janeiro, o Blackburn tentou, sem sucesso, capturar Ronaldinho. A discriminação dos alvos pela nacionalidade – e não pela posição em que jogam – é um sinal de que a visão de futebol dos indianos ainda é um tanto estereotipada e de que não há um projeto de time bem definido.

Quando o Venky’s chegou ao Ewood Park, a primeira atitude oficial foi a demissão de Sam Allardyce, talvez ainda mais estranha que a dispensa de Chris Hughton pelo Newcastle. Big Sam era bem aceito por jogadores, torcedores, colegas de profissão e, apesar do estilo “rude” de futebol, pela crítica. Allardyce tirou o clube do buraco em 2008-09, levou-o à primeira metade da tabela na temporada passada e, de certa forma, vinha mantendo o padrão nesta. Ninguém entendeu a saída dele.

E o substituto tinha status de interino! Felizmente para os indianos, Steve Kean melhorou seus decepcionantes resultados iniciais, o Blackburn segue longe da zona de rebaixamento, e o contrato do treinador foi renovado até 2013. O elenco, por sua vez, conserva alguns nomes interessantes. Paul Robinson, Samba, Givet, Pedersen, Kalinic e especialmente o muito promissor Phil Jones podem fazer parte dessa proposta de reconstrução.

Manter Phil Jones é uma das obrigações do Venky's

Reconstrução que não deveria ser baseada em um jogador de uma nacionalidade preestabelecida. A busca pelo reforço é tão desnorteada, que se especula a possibilidade de o clube correr atrás de um argentino “se não der certo com um brasileiro”. Essa postura lembra muito a primeira contratação do xeque Mansour no Manchester City: Robinho, nos últimos instantes da janela do verão de 2008. O investimento pesadíssimo em apenas um jogador se revelou um fracasso.

Por outro lado, a escolha do brasileiro, meio disfarçada pela impossibilidade de acertar com o Chelsea, até era compreensível. O City tinha ótimos pratas da casa (Richards, Michael Johnson, Ireland, Sturridge) e, após boa temporada com Sven-Goran Eriksson, já vinha de um processo de crescimento sob a administração do tailandês Thaksin Shinawatra. Com o Blackburn, ainda sem o poder de atrair grandes jogadores, o sonho não deve se realizar. Se quiser espalhar a marca, o Venky’s precisa, sem fantasias, montar um time forte primeiro.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , , , , ,