Tchau, final caseira
Os sorteios das oitavas e das quartas-de-final já esboçavam outro fracasso londrino na corrida pelo primeiro título da Champions League. Desta vez, para não aliviá-lo, a final será em Wembley. Do Arsenal, jogado ao Barcelona, a coluna já falou. É hora de discutir as eliminações de Chelsea e Tottenham e suas consequências.
A palavra “fracasso” soa mais apropriada quando a associamos ao Chelsea. Não parece haver uma teoria correta sobre aquele debate de sonho ou obsessão. Roman Abramovich capturou Torres pensando na Champions, mas aproveitou janeiro também para iniciar um tardio processo de reconstrução, que incluiu o inelegível David Luiz.
Quem investe pesadamente há oito anos deve ter uma visão mais pragmática. Mas os torcedores ou mesmo figuras históricas do clube certamente tratam uma eventual conquista de modo mais emotivo, como um sonho mesmo. O choro de Terry na decisão de 2008 deixou isso bem claro.
Ontem, Ancelotti tentou reconstituir o ambiente de sua última vitória em Old Trafford: 4-3-3 e Drogba no banco. Só que 2009-10 não volta mais. O esquema da derrocada na Champions, que havia feito tanto sucesso na temporada passada, foi o mesmo que naufragou no fim de 2010, quando o Chelsea mal podia ganhar um jogo.
Ao abandonar o 4-4-2, que havia ressuscitado o time na temporada, e concentrar as esperanças em Lampard e Torres, ainda sem marcar pelo Chelsea, Ancelotti apostou na má fase. O meia saiu de sua melhor temporada (nos números, ao menos) para a pior. Em 37 jogos, Torres fez ridículos nove gols em 2010-11, um a menos que o emprestado Sturridge, arrebentando no Bolton.
A queda pode custar o emprego a Ancelotti, que errou ao prescindir de Drogba. No entanto, o mau momento generalizado pesa mais que as decisões dele. O elenco deve ter retornos importantes, mas ainda carecerá de um lateral-direito decente e alternativas aos trintões Cole, Malouda, Lampard e Drogba. O Chelsea fracassa porque confiou nas figuras da temporada passada, que não existem mais.
Sem lamentações
No norte de Londres, a situação é bem diferente. O Tottenham foi atropelado pelo Real Madrid, mas a eliminação não anula a ótima campanha. Os Spurs foram a primeira surpresa da Inglaterra na Champions em cinco anos. O Everton de 2005-06 caiu logo na fase preliminar, contra o Villarreal. O Tottenham, ao contrário, capitalizou a chance.
A atmosfera de hoje em White Hart Lane, quente mesmo após a derrapada de Gomes, confirma o que o elenco representa para a história do clube. Com vitórias marcantes e tanta gente brilhando em boa parte da Champions, o Tottenham ganhou tarimba e ratificou a base do time.
O desafio imediato é retornar à disputa, talvez já na próxima temporada. Conservar os jogadores-chave, reparar as duas laterais (a direita pode até ser de Kyle Walker, emprestado ao Aston Villa) e arrumar um atacante mais eficiente são passos importantes. Tudo isso sem abalar a cumplicidade entre torcida e jogadores.













