Os pecados do Arsenal
Irreconhecível, o Arsenal ganhou um gol, uma chance no fim com Bendtner e uma aula de futebol. A queda na Champions diante do Barcelona seria natural, mas se tornou mais dolorosa porque o time simplesmente não fez jus às oportunidades que se apresentaram. Não as de gol, raríssimas, mas as de uma classificação que passou perto de conseguir e longe de merecer. Aqui, alguns dos pecados cometidos:
Presença de Rosicky. Sem Walcott, que, em ótima temporada, seria o cara a puxar os tão necessários contra-ataques, a escalação do tcheco foi a solução tática de Wenger. Ele quis aproveitar Nasri à esquerda para confrontar Daniel Alves e entendeu que o Pequeno Mozart funcionaria melhor que Arshavin pelo outro lado. Rosicky pode ser mais versátil, mas faz temporada quase nula, não tem o mesmo poder de decisão e foi presa fácil para Adriano Correia. Atuação abaixo da linha da mediocridade.
“Ausência” de Fàbregas. O capitão resolveu ser firme na coletiva que antecedeu o jogo. Escanteou os boatos de retorno ao Barcelona e pôs a vontade de vencer com o Arsenal acima de tudo. Ficou só no discurso. Cesc não deu nenhuma demonstração de vibração e mal tocou a bola. Quando o fez, entregou-a a Iniesta no lance do primeiro gol blaugrana. Saiu sob vaias no Camp Nou. Não fosse o respeito dos torcedores por ele, teria ouvido o mesmo no Emirates. Pelo menos, assumiu a culpa.
Covardia. O Barcelona tem meio-campo mais criativo que Paulo Barros e retoma a posse de bola com muita facilidade. Portanto, ofereceria a qualquer visitante um papel secundário. Mas nada justifica a apatia ofensiva de um Arsenal que se resumiu a Wilshere e Nasri e não teve sequer a decência de fazer o próprio gol. Esta versão dos Gunners é superior à da temporada passada e, mesmo sem Walcott, tinha a obrigação de contra-atacar e evitar estas goleadas: 19-0 (!) em finalizações, 68%-32% em posse de bola e 724-199 em passes bem-sucedidos.
Infantilidade. Perdão. O Arsenal finalizou, sim. Com o jogo parado, van Persie deu um bico na bola e nas chances de classificação. A impressão é de que a expulsão foi injusta, até pela possibilidade de o holandês realmente não ter escutado o apito do árbitro. Se ouviu, falhou feio ao não se prevenir.
Chororô. Este é um pecado que se anuncia. Wenger só fala em Massimo Busacca, mas deveria se preocupar com uma atuação muito abaixo do potencial do seu time, que passou longe do ótimo comportamento do primeiro jogo. Wilshere, por sua vez, já ironizou o árbitro no Twitter. Tudo bem, van Persie poderia não ter sido expulso, e Koscielny não cometeu pênalti em Pedro. Mas, ao que parece, o Barcelona se classificaria de qualquer maneira. O Arsenal tem o direito de reclamar, mas precisa se dedicar mais à correção das próprias falhas e esquecer um pouco as dos outros para não se enterrar de vez em 2010-11.
Desleixo. Cair diante do Shakhtar em Donetsk é aceitável. Mas a derrota para o Braga, que fez o time perder a primeira posição do grupo para os ucranianos, não foi digerida até hoje. Por isso, apareceu o Barcelona tão precocemente. Ao contrário do Arsenal, Eduardo da Silva vai às quartas.
Fernando Vives trata aqui do lado espanhol do confronto.








Messi tenta driblar Alex. O argentino esteve apagado (foto AP)