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sábado, 11 de fevereiro de 2012 Man Utd | 15:46

Scholes rules

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A infantilidade de Luis Suárez e Patrice Evra gerou uma assustadora quantidade de achismos, clubismos e radicalismos. Cada um defende seu lado num caso em que ninguém – mas ninguém mesmo – deve ser beatificado. Melhor, então, é repercutir a vitória por 2 a 1 do Manchester United sobre o Liverpool. A atuação dos Devils foi excepcional, especialmente pelo controle do meio-campo.

A ótima fase de Michael Carrick não é de hoje. Desde o afastamento de Darren Fletcher e da crise de lesões entre os meias, ele reassumiu o posto de titular absoluto e ofereceu estabilidade e consistência ao setor, com e sem a bola. Quem mais impressionou, no entanto, foi seu parceiro. Considerando que virou o ano aposentado, Paul Scholes é, realmente, um fenômeno.

Scholes acertou 87 dos 96 passes que arriscou, mas foi bem além dos números. A lucidez e o poder de organização ainda estão lá e, aliados a uma boa preparação física, são muito úteis ao United. Aos 37 anos, ele já comprovou o acerto de Ferguson na decisão de chamá-lo de volta. O retorno de Tom Cleverley não precisa ser apressado, e o time tem a quem recorrer para articular suas jogadas.

Old, but gold

Hoje, pela primeira vez, Scholes e Giggs começaram juntos uma partida desta edição da Premier League. O lance que resume a capacidade deles aconteceu no primeiro tempo, com Scholes acionando Giggs, aberto à esquerda como nos velhos tempos, e aparecendo para completar cruzamento cirúrgico do galês. Eles se recusam a passar o bastão.

Everton 2 x 0 Chelsea
Enquanto o Everton tranca os cofres, David Moyes se vira. Três jogadores emprestados determinaram a ótima vitória sobre o Chelsea: Steven Pienaar, Denis Stracqualursi e o melhor deles, Landon Donovan*. Do outro lado, um time bem sonolento, que despeja dúvidas sobre o futuro na corrida pela quarta posição e nas oitavas de final da Champions League.

Swansea 2 x 3 Norwich
O Swansea é o melhor dos recém-promovidos, mas o Norwich é o mais eficiente. O time de Paul Lambert marcou três gols contra uma defesa sempre sólida no País de Gales e já está a quatro pontos do Liverpool. Impressionante.

*Emprestados pela MLS, Donovan, Robbie Keane e Thierry Henry, decisivo na vitória do Arsenal sobre o Sunderland, serão tema do blog em breve.

Autor: Daniel Leite Tags: , , ,

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 Liverpool, Man Utd | 15:21

Prova de maturidade

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Patrice Evra administrou bem apenas até certo ponto as vaias que recebeu em Anfield há duas semanas. No decisivo confronto contra o Liverpool pela FA Cup, um lapso do lateral francês determinou a derrota do Manchester United. Amanhã, a Premier League nos reserva o outro lado desta história. Luis Suárez, que cumpriu suspensão de oito partidas por ofensas interpretadas como racistas a Evra, vai a Old Trafford pela primeira vez na carreira.

O desafio do uruguaio é um tanto diferente. Se Evra precisava manter a concentração para não oferecer chances ao Liverpool, Suárez terá de controlar seu temperamento, que já é explosivo em qualquer circunstância, diante de mais de 70 mil vozes vorazmente contrárias a ele. O discurso dEl Pistolero é de que as vaias vão, na verdade, ajudá-lo. Seu compromisso é canalizar o sangue quente para correr ainda mais, e não para se envolver em disputas como a que nocauteou Scott Parker há quatro dias, no sonolento Liverpool x Tottenham.

As câmeras não vão dar paz a Evra e Suárez

Suárez tem outra razão para pisar no freio. Phil Dowd, árbitro de United x Liverpool, é uma espécie de Marcelo de Lima Henrique inglês. Ele mostrou 95 cartões amarelos em 24 jogos na temporada, quase quatro por partida. Caso passe no teste e não se transforme na quarta expulsão de Dowd em 2011-12, o atacante pode dar um passo à frente na carreira, provando que suas inesperadas férias serviram para uma reflexão de como ele é muito importante com a cabeça no lugar.

O equilíbrio mental ainda tem de reservar espaço a um Suárez decisivo, como o da vitória em Anfield na temporada passada. O jogo é fundamental para o Liverpool, que depende dos três pontos para não se afastar perigosamente da quarta posição. Mas o favorito é o United, que, em circunstâncias normais, perderá o clássico apenas com uma atuação de gala dos visitantes, o que passa quase necessariamente pelo irritadiço uruguaio.

Confira os jogos da 25ª rodada e a classificação da Premier League. Para a programação na TV, consulte o Papo de Bola, do incansável Edu Cesar.

Não se esqueça de atualizar seu time no Fantasy.

Autor: Daniel Leite Tags: , ,

terça-feira, 31 de janeiro de 2012 Premier League | 21:14

Terça cheia

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Duas temporadas após vendê-lo a preço de banana, o Chelsea sofreu um golaço de Sinclair

Numa terça-feira em que Liverpool, Chelsea, Manchester City, Manchester United e Tottenham atuaram quase ao mesmo tempo, a coluna recapitula a primeira parte da 23ª rodada da Premier League:

Wolverhampton 0 x 3 Liverpool. Kenny Dalglish gosta do Molineux. Foi lá que, na temporada passada, ele iniciou a reação do Liverpool com grandes atuações de Raul Meireles e Fernando Torres. Os ibéricos foram embora, e os britânicos garantiram outra vitória por 3 a 0. Adam, Carroll e Bellamy comandaram a partida que reposicionou os Reds na corrida pelo top four. Mas o que o Liverpool comemora mesmo é o retorno de Suárez já na próxima rodada.

Swansea 1 x 1 Chelsea. O bom segundo tempo do Chelsea, que anulou o domínio do Swansea no primeiro, foi premiado com o gol de Bosingwa aos 92 minutos. Resultado normal, ainda mais quando a gente olha para as exibições dos cisnes contra Tottenham e Arsenal no Liberty. Em Gales, o ótimo time de Brendan Rodgers não perdeu para o trio de ferro londrino.

Everton 1 x 0 Manchester City. Com direito a torcedor algemado à trave no primeiro tempo, um valente Everton deu sinal de que pode fazer um segundo turno melhor, como de costume para David Moyes. É pena que Donovan, que assistiu Gibson no gol do jogo, não fique até o fim da temporada. Aliás, o meia central irlandês prestou um belo serviço ao Manchester United. Finalmente.

Manchester United 2 x 0 Stoke. Tony Pulis estacionou o ônibus na área, mas o United fez o bastante para conquistar dois pênaltis e a co-liderança da Premier League, ao lado do City, com 54 pontos. Sem Rooney, ainda lesionado, dever cumprido e moral renovado após a queda na FA Cup.

Tottenham 3 x 1 Wigan. Bale e Modric ratificaram seu status de principais jogadores dos Spurs e resolveram o jogo sem problemas. Ótimo para quem recentemente empatou com o Wolverhampton num momento-chave da corrida pelo título. A derrota do City ajudou, mas, para reassumir o posto de candidato, o Tottenham precisa vencer o Liverpool na segunda-feira.

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sábado, 28 de janeiro de 2012 Copas Nacionais, Man Utd | 19:38

Red Devils

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Um desfalcado Manchester United teve nos pés a classificação à quinta fase da FA Cup. O fatal cochilo de Patrice Evra aos 43 do segundo tempo gerou o gol da vitória do Liverpool e impediu um replay em que os Red Devils seriam claramente favoritos. Isso à parte, perder em Anfield ainda é normal. Pior é a sequência de eliminações que resumiu a temporada do United a Premier e Europa Leagues.

Para quem sempre flerta com doubles e trebles, 2011-12 já é, de certa forma, uma temporada amarga. É claro que a satisfação do torcedor depende de como terminar a corrida pelo título nacional contra o Manchester City, mas a raiva de Alex Ferguson após as derrotas para Crystal Palace (Carling Cup), Basel (Champions League) e Liverpool (FA Cup) sinaliza que esses fracassos não estavam no script.

Reggie, o simpático mascote do Crawley Town, garantiu a alegria da classe neste sábado

A reforma do United tem sido mais dolorosa do que esperávamos por conta da sequência de lesões, apostas que ainda não deram certo, como David De Gea, e o baixo rendimento de quem contribuía bem mais, como Chicharito Hernández. Porém, embora não impressione em campo, a campanha na liga é excepcional na tabela, com 77% de aproveitamento, mais do que os 70 do último título. Ferguson tem de trabalhar os atributos psicológicos de sua nova (nem tanto por Scholes e Giggs) equipe, mas não há nada irreparável em Old Trafford.

Crawley Town
Enquanto isso, no KC Stadium, um diabo vermelho fez festa. O KC, para quem não lembra, é a casa do Hull City, sexto colocado da segunda divisão e hoje eliminado da FA Cup pelo Crawley Town. O Crawley, que tem o mesmo mascote do Manchester United, é o terceiro colocado da quarta divisão. A vitória por 1 a 0 sobre o Hull levou o clube provinciano às oitavas de final da copa pela segunda vez consecutiva.

A diferença é que, na temporada passada, o Crawley não estava sequer na Football League. Era time da Conferência Nacional, equivalente à quinta divisão. Há um ano, o blog tratou dessa jornada, que, curiosamente, terminou com uma derrota por 1 a 0 para o Manchester United em Old Trafford. Desta vez, o diabo vermelho mais bem-sucedido na FA Cup vem do Broadfield Stadium.

Autor: Daniel Leite Tags: , , ,

domingo, 22 de janeiro de 2012 Arsenal, Man City, Man Utd, Tottenham | 23:25

Lições de Londres x Manchester

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Amor pelo gol: Bale já marcou oito vezes na liga, uma a mais do que na temporada passada

Manchester não teve a facilidade do primeiro turno, mas tornou a vencer Londres em rodada reservada a clássicos entre clubes das cidades. Um espetacular Man City 3 x 2 Tottenham e um também emocionante Arsenal 1 x 2 Man United nos deixam algumas lições:

Savic é o Squillaci do Manchester City. Empurrada pelo medo, a torcida do Arsenal costuma fazer uma conta simples: faltam quantas lesões de defensores para Squillaci entrar em campo? No City, o equivalente ao francês é Stefan Savic. Sem Kompany e Kolo Touré, Mancini é obrigado a escalar o jovem montenegrino, que já coleciona atuações inseguras. Hoje, ele ofereceu a vitória ao Tottenham. Savic precisa de tempo para levar à Premier League a confiança que, há mais de um ano, ele mostra na seleção de Montenegro.

Bale deve se movimentar, mas nem tanto. Nesta temporada, Harry Redknapp escolheu dar mais liberdade a Bale para aproveitar melhor a visão, a velocidade e o poder de decisão de seu principal jogador. O golaço no Etihad Stadium é, de certa forma, resultado disso. Ainda assim, está claro que o galês não pode abandonar completamente o corredor esquerdo, onde é letal. No fim, arrancando por ali, ele deixou Defoe diante do gol.

O Arsenal precisa se livrar de Rosicky e Arshavin. Afinal, se estiverem no Emirates, sempre vão jogar. Na derrota de hoje, ambos foram mal e protagonizaram decisões bem discutíveis de Wenger. Enquanto Ramsey foi injustamente sacado, Rosicky vegetou em campo até o fim. Arshavin, por sua vez, substituiu Chamberlain, o melhor do Arsenal na partida, e falhou no gol da vitória do United. Eles representam um passado do qual o clube tem de se libertar.

Valencia é fundamental para o United. Com um gol e uma assistência, o equatoriano foi o melhor da vitória sobre o Arsenal. Valencia está novamente em plena forma, o que é uma ótima notícia para Ferguson. Ao contrário de Nani e do lesionado Ashley Young, o ex-jogador do Wigan é winger puro, daqueles que vão à linha de fundo por princípio. Como se não bastasse, ele ainda quebra galhos na lateral direita.

Seleção da rodada
John Ruddy (Norwich); Gretar Steinsson (Bolton), Micah Richards (Man City), Zak Whitbread (Norwich), Gareth Bale (Tottenham); Nigel Reo-Coker (Bolton); Antonio Valencia (Man Utd), Stephane Sessegnon (Sunderland), James Milner (Man City), Clint Dempsey (Fulham); Robbie Keane (Aston Villa)

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domingo, 8 de janeiro de 2012 Man City, Man Utd | 18:24

Guerra psicológica empatada

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Paul Scholes troca o blazer pela camisa 22, a que vestiu há 16 anos

Uma equivocada expulsão do capitão do Manchester City, Vincent Kompany, ofereceu ao Manchester United duas boas oportunidades: a de se classificar à quarta fase da FA Cup e a de garantir uma espécie de triunfo psicológico sobre seus rivais para o restante da temporada. A primeira foi aproveitada com uma vitória por 3 a 2. A segunda, talvez igualmente importante, foi por água abaixo na etapa final.

Após ter três gols e um jogador de vantagem ao intervalo, Alex Ferguson certamente sonhava com um Etihad Stadium mais fúnebre quando a partida terminasse. A vitória não deixou de ser uma manifestação de força e poder de recuperação, pois a semana anterior havia sido trágica e o adversário parecia imbatível em casa. Porém, mais do que uma devolução dos 6 a 1 de Old Trafford, uma goleada poderia alimentar os tradicionais jogos psicológicos de bastidores com os quais Ferguson adora minar oponentes.

Em vez de elogios, Sir Alex disparou críticas contra seu time em função da “falta de cuidado” para defender a vantagem no segundo tempo. Para combater a péssima fase, ele parece querer chocar seus jogadores de alguma maneira. É claro que o muito surpreendente retorno do ex-aposentado Paul Scholes tem a ver com a crise de lesões, mas o poder de influência dele sobre o vestiário provavelmente impulsionou o convite de Ferguson.

Do outro lado, o menor dos males. A esta altura, com a liderança na liga e a necessidade de se impor sobre o United por um título mais relevante, a eliminação em si não pesa tanto para o Manchester City, atual campeão da FA Cup. A atuação no segundo tempo, que os aproximou do empate, foi suficiente para evitar um clima negativo ou mesmo o despertar de um velho complexo de inferioridade. No placar, triunfo do United. Na guerra psicológica, não houve vencedores.

Autor: Daniel Leite Tags: , , ,

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011 Man City, Man Utd | 16:04

Inversão de papéis

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O Manchester United resgatou ao menos parte do futebol atrativo do começo da temporada. Vitórias convincentes sobre Wolverhampton, Queens Park Rangers e, principalmente, Fulham quebraram uma sequência de jogos sonolentos que, cedo ou tarde, levariam a resultados negativos. O bônus pelas ótimas atuações é a redução da diferença para o Manchester City, agora de dois pontos. Sem dúvida, foi a melhor reação possível à eliminação na Champions.

Ignorar o United na corrida pelo título seria um erro sem tamanho. É aí que a gente recorre a Brian Kidd, assistente técnico no City, para entender a situação dessa disputa. Há exatamente um ano, com os dois clubes empatados na liderança (o United tinha duas partidas a mais para fazer), ele disse que a questão não era se o City poderia ganhar a liga, mas se o United poderia perdê-la. Mais do que uma simples vantagem matemática, Kidd reconhecia que os rivais estavam alguns degraus acima.

Alguém aí se lembra de Tevez?

A situação de hoje é muito parecida, porém os papéis estão invertidos. O United pode renovar o título, mas o City dá sinais claros de que o provável destino do troféu é o Etihad Stadium. A queda na Champions e a perda da invencibilidade não tiveram impacto sobre o time de Roberto Mancini, que voltou a vencer com segurança e, como se não bastasse, com um diferencial: já são duas partidas sem sofrer gols. Parece pouco, mas a defesa havia sido vazada em oito jogos consecutivos.

Se a retaguarda comandada pelos excelentes Hart e Kompany mantiver o ritmo, o ataque decide. São impressionantes 53 gols (mais de três por jogo) e um aproveitamento de 22% das finalizações (o do Liverpool, para você ter uma ideia, é de 9%). A temporada de estreia do artilheiro Agüero tem sido a melhor que a Premier League já viu também por conta da capacidade de Mancini para variar esquemas e sempre lhe oferecer chances. Ontem, contra o Stoke, Adam Johnson, Silva e Nasri o serviram.

Em nove partidas, a campanha caseira do City é perfeita. Ótimo para quem, no segundo turno, será visitado por United, Tottenham, Chelsea e Liverpool. O United receberá somente o Liverpool do grupo dos seis primeiros colocados. Apesar de prematuro, o favoritismo é evidente. Hoje à noite, Tottenham e Chelsea ajudam a determinar se os Red Devils serão os únicos desafiantes do óbvio.

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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011 Liverpool | 13:50

Suco de maracujá

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Certa vez, Luis Suárez disse que Marco van Basten, seu ex-treinador no Ajax, foi o responsável por transformá-lo em um jogador muito mais coletivo e, portanto, pronto para dar um salto (sem trocadilho com a cidade natal do uruguaio) na carreira. Agora, o futebol inglês lhe impõe um novo desafio. A suspensão de oito jogos e a multa de 40 mil libras pelas supostas ofensas racistas a Patrice Evra são uma punição pesada, mas devem ser vistas também como uma oportunidade para rever conceitos.

Rei do "quase" na Premier League, Suárez chutou outras duas bolas na trave no último domingo

Pouca gente crê que o atacante seja, de fato, racista. Nem sequer Evra pensa assim, como manifestou na acusação ao uruguaio. A defesa do Liverpool tenta reforçar essa tendência ao mencionar que um avô de Suárez era negro, que ele é colega de vários jogadores negros na seleção e capitaneava um time do Ajax com perfil “multicultural”. O comunicado é falho pela argumentação pobre e também porque nada disso pesa sobre o que houve, particularmente, naquele Liverpool 1 x 1 Manchester United.

O próprio Suárez explicou que o uso da palavra negrito (o termo da discórdia entre Evra e o uruguaio) não faz, em Língua Espanhola, qualquer referência a discriminação por cor de pele. Mas aí mora o problema: o fato de ele precisar explicar. No mínimo, Suárez dá sopa para o azar ao “interagir” dessa maneira com o lateral francês, assim como o fez quando dirigiu gestos supostamente obscenos a torcedores do Fulham há pouco mais de duas semanas ou nos frequentes chiliques contra a arbitragem.

Seria, assim, bastante discutível qualquer medida de punição ou absolvição que viesse da FA – e ele ainda pode pagar pelo incidente em Craven Cottage. De qualquer maneira, o camisa 7 vive flertando com a imprudência. E não apenas na Inglaterra. A chegada de Suárez a Anfield aconteceu apenas dois meses depois de ele literalmente morder Otman Bakkal, do PSV. O Liverpool sabia que estava contratando um jogador de potencial fantástico, mas também que seu temperamento precisava ser administrado ou mesmo corrigido.

Um ano depois, Suárez passar janeiro na geladeira (o Liverpool tem duas semanas para recorrer) será péssimo no curto prazo para o clube, que depende muito dele, mas pode ser surpreendentemente bom para o uruguaio. Ele terá um tempo para descansar (vem de duas “férias” preenchidas por Copa do Mundo e Copa América), refletir sobre sua postura e até seu jogo, que deve ser mais produtivo para o Liverpool sem as constantes crises nervosas e com mais concentração no momento de marcar um gol.

Vale lembrar que Suárez pode jogar contra o Wigan hoje à noite.

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011 Copas Europeias | 20:39

“Constrangimento”

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A Europa League será menos inglesa a partir de fevereiro. Depois de o Fulham cair de maneira deprimente, Tottenham e Birmingham também não devem escapar da eliminação amanhã. De qualquer forma, o país já garantiu três dos 32 clubes que estarão envolvidos no sorteio da próxima sexta-feira. O Stoke passou facilmente por um grupo que tinha Dynamo Kiev e Besiktas. Os outros representantes vêm de Manchester: United e City foram premiados com as vagas após o fracasso na Champions.

Para quem torce pela Inglaterra no ranking europeu, a situação não é a pior possível. Afinal, já se esperava que os clubes tivessem dificuldades por conta da origem das vagas. Fulham, Birmingham e Stoke chegaram lá, respectivamente, por Fair Play, League Cup e FA Cup. Como se não bastasse, o único classificado pela posição na Premier League, o Tottenham, anunciava há muito tempo que não apostaria no torneio.

Aliás, o pouco caso com a Europa League é uma questão frequente entre os ingleses. Patrice Evra, por exemplo, falou em “constrangimento” quando perguntado sobre a futura presença do Manchester United na competição. A postura dos Red Devils gerou até uma repreensão de Michel Platini, pai do torneio remodelado. Alex Ferguson, que se considerava “punido” por participar dele, mudou o discurso original e indicou que pode tentar vencê-lo.

Evra mostra todo seu entusiasmo

Conversa fiada, política e artificial. Embora haja alguns exemplos recentes de clubes poderosos que abordaram a Europa League seriamente (um deles é o Manchester City na temporada passada), a visão generalizada para quem se acostumou à Champions é a de Evra. O xodó de Platini é um fiasco na Inglaterra porque as viagens são muito longas, vários adversários são fracos e as rodadas acontecem às quintas-feiras, o que desloca jogos da Premier League para os domingos e segundas.

A cinco confrontos da festa do título, a Europa League aponta dois caminhos para os ingleses: a concretização do discurso do Manchester City, que deve buscar a taça para marcar o nome no continente e melhorar o coeficiente, e uma temporada doméstica sem grandes objetivos para o Stoke, que tem desfrutado sua primeira aventura europeia em 37 anos. Ambos são bem possíveis, porém o status “tanto faz” da competição não deve mudar tão cedo na Inglaterra, que, apesar das ótimas campanhas recentes de Middlesbrough e Fulham, ainda a interpreta como se fosse uma copa nacional qualquer.

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011 Arsenal, Chelsea, Copas Europeias, Man City, Man Utd | 22:37

Ups and downs

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Além da eliminação, Ferguson lamenta a lesão de Vidic, que pode ser grave

Há seis temporadas, o Manchester United deu vexame na Liga dos Campeões ao ficar na quarta posição de um grupo com Benfica, Villarreal e Lille. Classificados, portugueses e espanhóis se revelaram fortes quando eliminaram, respectivamente, Liverpool (que defendia o título) e Internazionale. O submarino amarelo, aliás, quase foi finalista. É por isso que, mesmo marcando três pontos a mais do que naquela ocasião, o papelão deste ano parece maior.

Os resultados de hoje derrubam a bancada de Manchester da Champions e a consolam amargamente com vagas na Liga Europa. O City venceu o Bayern no Etihad Stadium, mas parou na dependência de um bem improvável empate do Villarreal com o Napoli. O United fez pior: perdeu para o Basel na Suíça.

Ainda que o Benfica faça ótima temporada e o Basel tenha a nata da nova geração suíça, o aproveitamento de 50% numa chave em que também estava o romeno Otelul Galati (único adversário derrotado pelo United) é para marcar um dos maiores fiascos de Alex Ferguson.

É difícil, nos dois casos, falar em soberba. No exemplo do Manchester City, o único resultado que pode gerar críticas mais enfáticas é o empate em casa com o Napoli. Além disso, nada muito fora da curva. Talvez tenha faltado a Roberto Mancini a sensibilidade para identificar que, em momentos de vida ou morte (como era aquele jogo do San Paolo), Agüero não pode ser limitado a dez minutos e as laterais devem ter os mais confiáveis Richards e Clichy. Rodízio é legal quando se tem um grupo grande e homogêneo, mas não pode comprometer a esse ponto.

No Manchester United, a prática de trocar a escalação também foi bastante utilizada. Mesmo se o grupo fosse mais complicado, seria natural que Ferguson agisse assim em função da alta exigência de aproveitamento na Premier League. O problema é que o time ainda não achou seu ponto. No início da temporada, dava espaço demais aos adversários. Agora, mal consegue construir jogadas. O vexame surpreende em relação às expectativas iniciais, mas não pelo futebol pobre das últimas semanas.

Chelsea sólido na defesa e chilique de treinador português na coletiva: Mourinho voltou?

Londres ao resgate
Arsenal e Chelsea sustentam a Inglaterra. Garantido em primeiro com uma rodada de antecedência, o time de Arsène Wenger aproveitou a competição continental para se reconstruir. Bem ou mal, os cinco novos titulares (Mertesacker, André Santos, Arteta, Ramsey e Gervinho) foram beneficiados pela repetição na Champions da formação habitual. Nas noites europeias, a equipe fez sangrar os olhos várias vezes (Marselha 0 x 1 Arsenal foi jogo duro – de ver), mas esbanjou eficiência e ainda ganhou um ritmo que a beneficia na Premier League.

O Chelsea também venceu seu grupo. O empate com o Genk na Bélgica não foi exclusividade (ninguém ganhou lá), e a derrota para o Leverkusen na Alemanha assumiu proporções exageradas pelo momento ruim do time. A vitória de ontem, sobre o Valencia, teve vários lados bons e um ruim. Os bons são a mudança tática (linhas mais recuadas, defesa mais protegida), o resgate do melhor Drogba, a sequência de Oriol Romeu (bem mais seguro do que Mikel) e a garantia do técnico no cargo. O lado ruim é o desnecessário chilique de André Villas-Boas.

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