O Bayern inglês
A hegemonia do Manchester United na Premier League esteve realmente ameaçada apenas uma vez, quando as três temporadas de 2003 a 2006 foram dominadas pela melhor versão do Arsenal de Wenger e pelo excelente Chelsea de Mourinho. Mas a resposta a esse período foi imediata. Associado a um ótimo desempenho na Europa, o tricampeonato de 2007-08-09 reiterou a soberania do United na era moderna do futebol inglês.
O título de 2012-13, antecipado há bastante tempo e confirmado na semana passada, foi mais uma demonstração da capacidade de Alex Ferguson de preservar o ethos vencedor em Old Trafford, sempre com ajustes pontuais de uma temporada para outra. Por enquanto, houve três elementos capazes de combater o United desde a fundação da Premier League, em 1992: Alan Shearer (título do Blackburn, em 1994-95), Arsène Wenger e o investimento pesado de Chesea e Manchester City. Os Devils sempre contra-atacaram.
Por conta da quantidade de boas e ótimas equipes (ainda superior, por exemplo, à da Bundesliga), a Premier League transmite uma sensação de competividade, mas está claro que o Manchester United é o Bayern Munique da Inglaterra. Candidatos a concorrentes não faltam, mas ele sempre está na corrida pelo título e habitualmente ganha (13 de 21, ou seja, 62% das edições da Premier League).
As mudanças drásticas pelas quais o futebol inglês passou não atingiram Ferguson, que jamais mereceu o rótulo de ultrapassado. Ainda que faça escolhas questionáveis, como relegar Rooney ao banco no jogo da eliminação na Champions League, e mude demais o time durante a temporada, o manager sempre se atualizou como estrategista e manteve total controle sobre o vestiário. Em Old Trafford, ninguém pode ser ou sentir-se maior do que SAF.
Ferguson é a combinação perfeita entre sagacidade, liderança e imposição de respeito a adversários e arbitragens. Avesso à palavra “aposentadoria” e no comando de um clube que fecha um contrato milionário atrás do outro, ele está na posição ideal para seguir dominando o futebol inglês. A questão é: quem pode minimizar o sucesso do United nos próximos anos?
As respostas mais óbvias são Manchester City e Chelsea, mas o dinheiro precisa ser associado a decisões certas. Para muita gente, os lampejos do City no fim da temporada, como a vitória sobre o United em Old Trafford, justificam um voto de confiança a Roberto Mancini. Outra interpretação é de que o técnico italiano fracassou por não tirar o melhor do time de maneira consistente. O fato é que, apesar do provável título na FA Cup, a temporada é fraca e reflexo de um trabalho confuso, que incluiu contratações que não acrescentaram nada ao elenco.
No caso do Chelsea, a esperança está totalmente depositada no iminente retorno de José Mourinho. A volta do português seria ótima para o clube e para a liga, mas vale lembrar que ele e Roman Abramovich não são propensos a longas parcerias – o período de Mourinho nos Blues (2004-2007) é o máximo que ele permaneceu num clube e também o trabalho mais longo de um treinador sob o comando do russo. Na Premier League, o pós-Mourinho foi decepcionante, com um título e vários anos longe do United.
Entretanto, a conversa não precisa ficar restrita a Manchester City e Chelsea. O notável exemplo do Borussia Dortmund, bicampeão alemão (2011 e 2012) e finalista da atual edição da Champions League, mostra que investimento descomunal não é o único caminho para tornar-se uma potência, embora ele facilite e acelere esse processo. Mas isso é assunto para outro artigo, em breve.












