Punição necessária
A absolvição de John Terry das acusações de ofensas racistas a Anton Ferdinand é prejudicial ao futebol inglês. O resultado do julgamento, levado à Justiça Comum porque Ferdinand prestou queixa à polícia, representa negligência em relação ao tema, exatamente o oposto da imagem que a Football Association pretende transmitir. Na esfera esportiva, há sete meses, Luis Suárez foi suspenso por oito partidas domésticas depois de uma discussão bem mais controversa com Patrice Evra.
Em outubro do ano passado, quando o Queens Park Rangers recebeu o Chelsea, Terry teria dito a Ferdinand, com o perdão do vocabulário, “fuck off, fuck off… fucking black cunt, fucking nobhead”. O capitão do Chelsea admitiu ter utilizado exatamente essas palavras, porém com uma “exclamação sarcástica”.
Em síntese, o zagueiro da seleção inglesa se defendeu com a velha máxima de que, no calor de uma partida, trocas de ofensas não devem ser levadas a sério. É como se ele reportasse ao juiz que agiu como racista naquele momento, mas não é, realmente, racista. Na esteira de Terry, o promotor Duncan Perry argumentou que, se os árbitros punissem os atletas por linguagem abusiva, todas as partidas terminariam aos dez minutos.
Ao colocar a discriminação étnica no mesmo grupo das habituais trocas de farpas entre jogadores, o julgamento arranha a imagem do futebol, inibe denúncias de atos racistas e cria uma perigosa sensação de impunidade. A Ferdinand, a verdadeira vítima dessa história, sobra o constrangimento. A Terry, a convicção de que não fez nada errado.
É para reparar isso que a FA precisa agir, bem além da destituição de Terry como capitão da seleção. Após o zagueiro sair triunfante da Corte, a esfera esportiva deve tomar as rédeas da situação e não permitir que um caso tão emblemático e com tantas evidências acabe em pizza. Nada impede que Terry seja investigado e punido pelo tribunal da FA. Será assim, ou todas as campanhas de combate ao racismo, aquelas vinculadas ao futebol inglês, perderão credibilidade.











