James McClean | God Save the ball

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quarta-feira, 13 de junho de 2012 Euro 2012 | 09:02

Pobre Irlanda

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*Como 20 dos 23 jogadores da Irlanda atuam na Inglaterra, o blog pede licença para falar da seleção de Giovanni Trapattoni:

A Euro 2012 é o primeiro grande torneio da seleção irlandesa desde a Copa de 2002. Há dez anos, os destaques da equipe comandada por Mick McCarthy eram Shay Given, Damien Duff e Robbie Keane. Sim, os mesmos de hoje. Amanhã, o trio de confiança de Giovanni Trapattoni pode novamente parar na Espanha, algoz da Irlanda em 2002. A partida contra os atuais campeões europeus e mundiais tornou-se decisiva para os Boys in Green após a derrota por 3 a 1 para a Croácia na estreia.

O desempenho irlandês no domingo foi lamentável. Era normal que a Croácia controlasse o jogo, mas, além de oferecer a bola ao adversário, o time de Trap falhou demais na defesa e produziu algumas das piores atuações individuais da primeira rodada. O zagueiro Richard Dunne, que cometeu seis faltas, e o lateral-esquerdo Stephen Ward, que entregou o segundo gol croata a Jelavic, foram particularmente mal. Juntos, eles erraram 26 dos 71 passes que tentaram – dois defensores!

Quando a Irlanda leva desvantagem nas bolas paradas e sofre dois gols de cabeça, a derrota é certa. Coletivamente, não há respostas a um adversário mais técnico, como a Croácia. No Grupo C, em que Modric, Xavi e Pirlo dominam o meio-campo, os irlandeses não veem a bola.

Trapattoni tem sido brilhante para a seleção (a Irlanda não ia à Euro desde 1988…), mas carrega parcela de culpa pela pobreza da equipe. A excessiva preocupação com o nível de experiência dos titulares atrapalha. É claro que os dogmas irlandeses têm de ser defesa forte e disciplina tática, mas o time deveria ser mais criativo, perigoso pelos flancos e preciso nas finalizações. Isso passa pela entrada de três jogadores: Darron Gibson, James McClean e Shane Long, todos reservas de Trap.

Preste atenção à comemoração irlandesa. Afinal, pode não acontecer de novo.

Mesmo sem deixar saudade em Old Trafford, Gibson, agora no Everton, tem muito mais criatividade do que os volantes titulares Keith Andrews e Glenn Whelan e ainda finaliza bem de longe. Com Andrews e Whelan, a Irlanda é pobre pelo centro, depende demais dos pontas e vira uma versão piorada do Stoke City.

Sensação do Sunderland, McClean é rápido, azougue e capaz de quebrar defesas. Não faz sentido manter Damien Duff, muito burocrático a esta altura da carreira. Aiden McGeady pode jogar à direita, com McClean do outro lado.

Long é um finalizador superior ao titular Kevin Doyle, que a cada temporada nos Wolves veste mais a carapuça do “atacante trabalhador que não marca gols”. O centroavante do West Bromwich certamente seria um complemento melhor a Robbie Keane.

No entanto, deve ser tarde para tudo isso. Para ter chances de surpreender, a Irlanda não podia perder para a Croácia. Somar pelo menos quatro pontos contra Espanha e Itália não parece estar ao alcance deste time, mesmo que Trap abra algum espaço ao talento em detrimento da experiência.

Autor: Daniel Leite Tags: , , ,

quarta-feira, 7 de março de 2012 Listas | 20:39

Linsanity

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O New York Knicks, da NBA, melhorou seu rendimento porque encontrou no ex-reserva Jeremy Lin as respostas para sua falta de inspiração. Lin, que há algumas semanas liderou os Knicks em sete vitórias consecutivas, foi uma solução caseira e improvável. A Premier League segue o exemplo e também tem seus heróis alternativos, responsáveis principais pelo sucesso recente de suas equipes:

Pavel Pogrebnyak no Fulham. O atacante em má fase na Bundesliga que o Fulham queria era Lucas Barrios, do Dortmund, porém não houve acordo. Pogrebnyak, então, emergiu como substituto de última hora para Bobby Zamora, brigado com Martin Jol e negociado com o QPR. Mal no Stuttgart, o russo fechou contrato por seis meses e já tem incríveis cinco gols em três jogos pelo Fulham. Está certo que a chegada dele coincidiu com o melhor momento coletivo dos Cottagers, mas o impacto do novo atacante foi fundamental para os 100% de aproveitamento nas últimas três rodadas e o atual oitavo lugar.

Gylfi Sigurdsson, nome de craque

Gylfi Sigurdsson no Swansea. Sigurdsson é um meia magrelo e islandês, ou seja, o estereótipo perfeito para alguém sentenciar que ele “não joga nada”. Gylfi arrebentou nos tempos de Reading e começou muito bem na Alemanha pelo Hoffenheim. Como estava mal em 2011-12, era a contratação óbvia para qualquer time médio da Inglaterra. O Swansea foi mais esperto, garantiu o empréstimo em janeiro e já lucrou três golaços e três assistências nos sete jogos dele, que virou o complemento perfeito para Joe Allen, Scott Sinclair e Nathan Dyer no meio-campo dos cisnes. É a prova definitiva de que a Islândia vai além de Gudjohnsen e do vulcão Eyjafjallajoekull.

James McClean no Sunderland. Ele já foi analisado por aqui.

Peter Odemwingie no West Brom. Odemwingie, de quem ninguém esperava muito antes da temporada passada, é uma das contratações mais sagazes da história da Premier League, um achado por 1 milhão de libras. Em 2011-12, porém, ele havia desaparecido e virado até coadjuvante de Shane Long nas primeiras rodadas. O desempenho no ano de estreia parecia um ponto fora da curva, mas ele reagiu recentemente com cinco gols nos últimos três jogos. Tem tudo a ver com a melhora do WBA, que chegou à primeira metade da tabela.

Alex Chamberlain no Arsenal. Deu certo antes do previsto e se converteu numa promessa e tanto para o futebol inglês. Ontem, fora de posição, foi a novidade que permitiu ao Arsenal quase eliminar um Milan que parecia estar vários níveis acima. Depois do caminhão de gols de van Persie, Chamberlain é a melhor historia dos Gunners na temporada. Cabe a Arsène Wenger dar espaço para ele continuar evoluindo e utilizá-lo com frequência entre os titulares.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , , , , ,

domingo, 5 de fevereiro de 2012 Chelsea, Sunderland | 22:40

Fernando Torres e James McClean

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Com dois gols e duas assistências na liga, McClean já virou ídolo no Stadium of Light

Há um ano, Fernando Torres se transformou no jogador mais caro da história do futebol inglês. Também há um ano, James McClean era destaque do Derry City, que participa da primeira divisão irlandesa. Torres não marca no campeonato há 19 horas e tem mais cartões amarelos (quatro) do que gols (três) em um ano de Premier League pelo Chelsea. McClean, por sua vez, tem nove jogos pelo Sunderland e decidiu a vitória por 1 a 0 sobre o Stoke, no sábado.

Torres foi razoável no empate por 3 a 3 contra o Manchester United, com destaque para a precisa assistência ao golaço de Mata. Mas, como quase sempre desde que se transferiu a Stamford Bridge, hesitou na hora de marcar seu próprio gol. O espanhol parece fisicamente bem e conta com apoio irrestrito de elenco, técnico e torcedores. Por enquanto, contudo, tem a autoconfiança de um Keirrison depois de 2009. Nem o conforto pela ausência de Drogba, na Copa Africana de Nações, ajuda.

McClean ignorou a neve do Britannia Stadium e, como autêntico left winger que é, costurou o lado direito da defesa do Stoke. Este norte-irlandês que ninguém conhecia até há pouco foi contratado em agosto, ainda com Steve Bruce no comando, por £350 mil. Se Bruce não o aproveitou, Martin O’Neill identificou nele um dos caminhos para resgatar o Sunderland, que ganhou 22 de 30 pontos possíveis desde que o novo treinador assumiu o barco. O craque é Sessegnon, mas o achado é McClean.

O’Neill disse que a ascensão dele poupou ao menos £10 milhões dos cofres do Sunderland. É só mais uma prova de como a observação (aí, é mérito da equipe de Bruce), mesmo a ligas periféricas como a irlandesa, pode garantir bons resultados. Enquanto isso, lá em Bridge, Torres tenta se encontrar. Para quem custou 143 vezes o preço de McClean, o tempo urge.

Autor: Daniel Leite Tags: , , ,