Pobre Irlanda
*Como 20 dos 23 jogadores da Irlanda atuam na Inglaterra, o blog pede licença para falar da seleção de Giovanni Trapattoni:
A Euro 2012 é o primeiro grande torneio da seleção irlandesa desde a Copa de 2002. Há dez anos, os destaques da equipe comandada por Mick McCarthy eram Shay Given, Damien Duff e Robbie Keane. Sim, os mesmos de hoje. Amanhã, o trio de confiança de Giovanni Trapattoni pode novamente parar na Espanha, algoz da Irlanda em 2002. A partida contra os atuais campeões europeus e mundiais tornou-se decisiva para os Boys in Green após a derrota por 3 a 1 para a Croácia na estreia.
O desempenho irlandês no domingo foi lamentável. Era normal que a Croácia controlasse o jogo, mas, além de oferecer a bola ao adversário, o time de Trap falhou demais na defesa e produziu algumas das piores atuações individuais da primeira rodada. O zagueiro Richard Dunne, que cometeu seis faltas, e o lateral-esquerdo Stephen Ward, que entregou o segundo gol croata a Jelavic, foram particularmente mal. Juntos, eles erraram 26 dos 71 passes que tentaram – dois defensores!
Quando a Irlanda leva desvantagem nas bolas paradas e sofre dois gols de cabeça, a derrota é certa. Coletivamente, não há respostas a um adversário mais técnico, como a Croácia. No Grupo C, em que Modric, Xavi e Pirlo dominam o meio-campo, os irlandeses não veem a bola.
Trapattoni tem sido brilhante para a seleção (a Irlanda não ia à Euro desde 1988…), mas carrega parcela de culpa pela pobreza da equipe. A excessiva preocupação com o nível de experiência dos titulares atrapalha. É claro que os dogmas irlandeses têm de ser defesa forte e disciplina tática, mas o time deveria ser mais criativo, perigoso pelos flancos e preciso nas finalizações. Isso passa pela entrada de três jogadores: Darron Gibson, James McClean e Shane Long, todos reservas de Trap.
Mesmo sem deixar saudade em Old Trafford, Gibson, agora no Everton, tem muito mais criatividade do que os volantes titulares Keith Andrews e Glenn Whelan e ainda finaliza bem de longe. Com Andrews e Whelan, a Irlanda é pobre pelo centro, depende demais dos pontas e vira uma versão piorada do Stoke City.
Sensação do Sunderland, McClean é rápido, azougue e capaz de quebrar defesas. Não faz sentido manter Damien Duff, muito burocrático a esta altura da carreira. Aiden McGeady pode jogar à direita, com McClean do outro lado.
Long é um finalizador superior ao titular Kevin Doyle, que a cada temporada nos Wolves veste mais a carapuça do “atacante trabalhador que não marca gols”. O centroavante do West Bromwich certamente seria um complemento melhor a Robbie Keane.
No entanto, deve ser tarde para tudo isso. Para ter chances de surpreender, a Irlanda não podia perder para a Croácia. Somar pelo menos quatro pontos contra Espanha e Itália não parece estar ao alcance deste time, mesmo que Trap abra algum espaço ao talento em detrimento da experiência.


