
Kenny Miller espera alguém para jogar com ele. Não vai rolar...
Faz 13 anos que o Reino Unido não leva pelo menos duas seleções a uma grande competição. O torcedor brasileiro certamente se lembra da participação da Escócia na Copa de 98, quando os Tartan Terriers perderam por 2 a 1 para o time de Zagallo e caíram na primeira fase. Desde então, só a Inglaterra vai a Copas e Euros, com a mancha da vexatória ausência continental de 2008. São tempos difíceis para as Home Nations.
Amanhã, a Inglaterra testa um de seus vizinhos nas Eliminatórias para a Euro 2012. Às 15h45 de Brasília, recebe o País de Gales, que vem de grande vitória sobre Montenegro. No primeiro turno do Grupo G, os ingleses passaram facilmente pela seleção de Gary Speed: 2 a 0 em Cardiff. Os galeses estão 113 posições abaixo dos rivais desta terça-feira no ranking da FIFA e têm apenas uma vitória em Wembley, conquistada em 1977.
O abismo entre os ingleses e os outros é mais do que natural. Enquanto a Inglaterra tem 52 milhões de habitantes, Escócia (5,5), Gales (3) e Irlanda do Norte (1,7) somam pouco mais de 10 milhões. Por outro lado, está claro que essa disparidade já foi menor. Nesse ritmo, é preciso se esforçar muito para pensar num grupo em que as pequenas nações teriam boas possibilidades.
No sábado, por exemplo, a Escócia fracassou com estilo. Uma vitória sobre a República Tcheca na fantástica atmosfera do Hampden Park teria deixado a seleção de Craig Levein em posição razoável para tentar chegar à Euro via repescagem. No entanto, o árbitro holandês Kevin Blom tomou duas grandes decisões (um pênalti aos tchecos e um não-pênalti aos escoceses) erradas nos últimos minutos que determinaram o empate por 2 a 2.
Levein se perde pelo excessivo apego à defesa. O time depende, assim, de três peças-chave: Charlie Adam, à frente dos zagueiros, o capitão Darren Fletcher, onipresente no meio-campo, e o eterno atacante único Kenny Miller. Às vezes, quando está num dia legal, o lateral Alan Hutton é boa opção ofensiva pela direita. Mas é só. Adam, lesionado, e Miller, suspenso, estão fora do compromisso de amanhã contra a Lituânia.

Bale e Ramsey têm uma década em alto nível pela frente. É hora de os galeses tentarem para valer
A Escócia já não depende dela, só que, cá entre nós, mesmo que dependesse, seria difícil acreditar. Outro virtualmente eliminado é o País de Gales. Ninguém faz festa com os três pontos em cinco jogos, mas Speed pode tirar proveito das Eliminatórias. Afinal, foi nesse período que Aaron Ramsey virou uma liderança e Gareth Bale se tornou sensação na Europa. Com boas referências defensivas, cabe ao técnico montar o time em torno das jovens estrelas e pagar para ver.
Quem mais surpreende nas Eliminatórias é a Irlanda do Norte, ainda com chances de repescagem. Com a dupla do Fulham – Hughes e Baird – e Jonny Evans segurando lá atrás, a seleção sofreu só quatro gols em sete jogos. A campanha de nove pontos pode não levá-la a lugar algum, mas os confrontos equilibrados contra Eslovênia, Itália e Sérvia ratificam o bom trabalho do técnico Nigel Worthington, que ainda conta com a classe de Chris Brunt, do West Bromwich. O adversário da decisão de amanhã é a Estônia.
É difícil prever quando acontecerá ou mesmo quem acompanhará a Inglaterra numa edição de Copa ou Euro. As restrições naturais na formação de jogadores sempre atribuem à sorte um papel importante nessa história. Depende também da próxima geração a reunir dois ou três craques, como Mark Hughes e Ian Rush, de Gales, ou Kenny Dalglish e Denis Law, da Escócia. O ensaio galês com Ramsey e Bale é o mais promissor. Brasil 2014? Seria muito cedo, mas dá para sonhar.
Veja a classificação das Eliminatórias para a Euro.