Conclusões da rodada (V)
Rótulos. Na Inglaterra, manchetes relativas ao Liverpool costumam falar em poor start e relegation zone. Sim, é verdade que os números são constrangedores e deixam o clube na zona de rebaixamento. Mas a situação é ainda administrável para quem pretende, bem além de atingir determinada posição na tabela, reconstruir-se. Na derrota de ontem para o Manchester United, assim como nos empates com Manchester City e Sunderland, a equipe deu vários sinais de que (embora vá sofrer nesta temporada) está no caminho certo para o longo prazo.
A introdução de garotos como Sterling e Suso é precoce e decorrente do elenco curto, que ainda tem deficiências sérias por conta de um mercado de verão “incompleto”, mas eles têm justificado cada voto de confiança. Na temporada passada, o Liverpool não era nada. Hoje, ao menos, é o time do futuro. Torcedores e diretores precisam ser racionais para não julgar Brendan Rodgers antes da hora. Por enquanto, o trabalho é “ruim” somente para quem prefere repercutir os números a analisar os jogos.
Arsenal. A ótima atuação no empate fora de casa contra o Manchester City resume perfeitamente o que tem sido a temporada do Arsenal, que aproveitou a saída de van Persie, de quem dependia demais, para se fortalecer coletivamente. A defesa evoluiu com a chegada do assistente Steve Bould, ex-zagueiro do clube, e sofreu apenas dois gols em cinco partidas na liga. Diaby e Cazorla oferecem, respectivamente, força e criatividade a um meio-campo que ainda deve ganhar Wilshere em breve. Jogadores antes inseguros (sobretudo Jenkinson, Gibbs e Gervinho) também subiram seu nível. Quando (se) Giroud engrenar, o Arsenal pode sair da pasmaceira das últimas temporadas.
Ben Arfa. Foi cinematográfica a assistência de Ben Arfa a Demba Ba, no único gol da vitória do Newcastle sobre o Norwich. Com visão e habilidade notáveis, o francês está no mesmo nível dos playmakers dos candidatos ao título. Quando o talento domou o temperamento, na temporada passada, Ben Arfa tornou-se titular absoluto do Newcastle e, desde então, sempre ofereceu gols e assistências, alguns espetaculares.
Everton. Após cinco rodadas, mesmo não sendo o líder, é o time que melhor jogou no campeonato. Não é teoricamente candidato ao título porque devem faltar consistência e opções de elenco em algum ponto da temporada, mas o que comentamos aqui há seis dias confirmou-se no sábado, com a vitória por 3 a 0 sobre o Swansea, fora de casa.
Southampton. A goleada por 4 a 1 sobre o Aston Villa, primeira vitória dos Saints no campeonato, mostrou todo o potencial de ataque do time de Nigel Adkins. As quatro derrotas iniciais não traduziram fielmente o nível da equipe; apenas expuseram os problemas defensivos, graves. O Southampton tem vocação muito ofensiva, com laterais (Clyne, que marcou gol, e Fox) e volantes (Schneiderlin e Davis) que apoiam melhor do que marcam. Enquanto Ramírez e Lambert criam e aproveitam oportunidades, a defesa exposta oferece chances aos adversários. Quer ver gols? Assista a jogos do Southampton.


