
Mesmo em sua posição natural, Torres foi tímido e perdeu o duelo contra os três zagueiros do Liverpool. Foto: EFE
O segundo estágio de Kenny Dalglish no Liverpool começou em 2009. Rafa Benítez o convidou a assumir a coordenação das categorias de base e o posto de embaixador do clube. Ele nunca perdeu Anfield de vista, mas passou a frequentar mais o estádio desde o retorno. Dalglish, que também vivia o cotidiano dos Reds, acumulava observações e as guardava consigo. Quando se viu treinador, tinha moral histórica e conhecimento de causa para propor mudanças.
O time inovador a que assistimos em Stamford Bridge já havia ensaiado. O deslocamento de Johnson à esquerda, para cobrir uma posição sem dono e abrir espaço a Kelly na direita, aconteceu logo no segundo jogo de Dalglish, contra o Blackpool. Avançar Raul Meireles também era uma necessidade imediata na visão do novo manager, e ele não demorou a fazê-lo. Na quarta-feira, quando recebeu o Stoke, o Liverpool foi armado com três zagueiros, a mesma estratégia que travou o Chelsea.
Solução conveniente. Ainda sem Suárez totalmente integrado e o lesionado Carroll, Dalglish sabia que precisaria de Gerrard e Meireles trabalhando próximos a Kuyt, isolado à frente. Os três zagueiros permitiriam isso sem afetar o equilíbrio do time. Do outro lado, Ancelotti voltava a armar o meio-campo do Chelsea em losango para viabilizar a estreia de Fernando Torres, a quem preferiu não oferecer a ponta direita. Era um 4-3-1-2, com Mikel protegendo a defesa, Essien e Lampard na meia central e Anelka na ligação.
Os Blues tinham uma artilharia pesada, mas não eram fortes pelos flancos. Dalglish reagiu com um sagaz 3-4-2-1, concentrando suas peças na faixa central, com Meireles e Gerrard à frente de Maxi e Lucas, e dando as alas a Kelly e Johnson. Em atuação monstruosa dos zagueiros do Liverpool e de seus protetores, Torres e Drogba mal tocaram a bola. Quando a defesa do Chelsea falhou (aliás, que jornada para os amigos Cech e Ivanovic, hein?), o avançado Meireles estava lá para marcar seu quarto gol na temporada, todos nos últimos cinco jogos. Além do português, Carragher e Lucas foram particularmente impressionantes. Tachado de ultrapassado até duas semanas atrás, Dalglish venceu o Chelsea do hoje sonolento Fernando Torres.
A propósito, depois de quatro vitórias seguidas (com quatro clean sheets), já podemos dizer que King Kenny fica para a próxima temporada? “A decisão é dos proprietários. Ele é um herói para mim e Gerrard. Se você me pergunta, posso dizer que quero muito que ele permaneça”, disse Jamie Carragher ao site do Liverpool.
O imediatismo venceu o West Bromwich
Roberto Di Matteo foi demitido. O West Bromwich perdeu 13 dos últimos 18 jogos. Desfazer-se do treinador italiano pareceu conveniente ao presidente Jeremy Peace, que alegou buscar a melhor forma de evitar a queda ao Championship. No entanto, quem assiste a um jogo dos Baggies certamente identifica um time bem armado, insinuante (com um Brunt em grande temporada) e capaz de encher a paciência dos grandes.
Di Matteo sempre manteve o WBA fora da zona de rebaixamento e o entrega à beira dela, na 17ª posição. O Blackpool, que só perde há cinco rodadas, não pensa em dispensar Ian Holloway. Peace, ao contrário, copia a fórmula do rebaixado Hull City, que resolveu demitir Phil Brown a dois meses do fim da temporada passada. Uma reedição também do resultado não será surpresa.
Seleção da rodada: Hennesey (Wolves); Walker (Aston Villa), Carragher (Liverpool), Agger (Liverpool), Elokobi (Wolves); McCarthy (Wigan), Lucas (Liverpool), Meireles (Liverpool), Barton (Newcastle); Tévez (Manchester City), Saha (Everton).