Discípulos de Alex Silva
Microfones têm intimidado mais que a internet. A maioria dos atletas evita declarações polêmicas logo após os jogos por conta do poder de alcance da mídia. A muitos deles, porém, tem faltado essa consciência na hora de disparar comentários impróprios a milhares de seguidores no Twitter. Os tuítes impulsivos já viraram hábito na Inglaterra.
Após Danny Gabbidon (que desistiu da rede social) ofender os torcedores de seu West Ham, o também hammer Carlton Cole foi multado ontem pela Football Association. Por algum motivo que foge à compreensão do colunista, Cole já esteve na seleção inglesa. Como não está mais, sentou-se em frente a um computador antes do amistoso contra Gana, em 29 de março.
Em alusão à presença de 20 mil ganeses no estádio, o atacante escreveu esta infeliz mensagem em sua página: “a imigração cercou Wembley. Sabia que era uma armadilha! A única forma de escapar é vestir a camisa da Inglaterra e pintar a bandeira no rosto”. A peripécia, deletada logo em seguida, tirou-lhe 20 mil libras.
Quem também faz o tipo engraçadinho é o goleiro Wojciech Szczesny, do Arsenal. Mais inocente, ele adora provocar os rivais. “É um avião? Não, é só Ashley (Cole) tirando o Chelsea da FA Cup”, reagiu à eliminação dos Blues contra o Everton. Assim, ele se sujeita a contra-ataques na rede social, como após a falha na decisão da Carling Cup, que motivou uma série de revides de torcedores.
Ryan Babel, vendido ao Hoffenheim em janeiro, foi outro a cutucar um adversário, só que com o perigoso adicional da arbitragem. Na visita do Liverpool ao Manchester United pela FA Cup, Howard Webb assinalou pênalti inexistente em Berbatov, decisivo no resultado. Inconformado, o holandês publicou uma montagem do árbitro com a camisa dos Red Devils e foi multado em 10 mil libras pela FA.
Mesmo com tanta gente pisando na bola, é claro que a hipótese de os clubes proibirem o uso de redes sociais, a menos que o façam em casos específicos, é perturbadora. Afinal, vários atletas de fato capitalizam a possibilidade de aproximação com os fãs. Rio Ferdinand, Kevin Davies, Jack Wilshere e até Robbie Savage são exemplos de bons gestores de suas contas.
O Twitter também serve para apaziguar. Ontem, por exemplo, Cesc Fàbregas realçou a importância de Arsène Wenger em sua carreira. Horas antes, ele havia criticado a política de contratações do treinador. Quando Balotelli, vencedor do prêmio Golden Boy, disse “não conhecer” Wilshere, segundo colocado, o jovem do Arsenal foi perfeito: “parabéns a Balotelli, ainda que ele não me conheça”.
Outro aspecto interessante é a presença de ótimos perfis assumidamente falsos, como o de Lucas e o do técnico Sam Allardyce. Apesar do clima de recreio que pode sugerir, o Twitter tem sido um território perigoso para os ingleses, que têm de afastar a ideia de que estão numa conversa privada. Se prestarem atenção a isso, não há motivo para saírem perdendo nesse nem tão novo mundo.











