Ainda sem rumo
Stuart Pearce, que certamente não é um grande treinador, conhece bem seu papel no processo de sucessão a Fabio Capello na seleção inglesa. Ele está desfrutando a condição de técnico interino e até sugeriu que poderia comandar a Inglaterra na Euro, mas admite que ainda não tem a experiência (leia-se: capacidade) ideal para assumir uma cadeira desse tamanho. Portanto, sua função é dar mais um tempo à Football Association, que já enrola há muito mais do que deveria.
A miscelânea inglesa que perdeu para a Holanda por 3 a 2 em Wembley não é um projeto pronto. Aliás, nem sequer trilhava esse caminho sob Capello, que mudava esquema, estilo e titulares como quem troca de técnico no Brasil. Considerando que Pearce, que fracassou na Euro sub-21 do ano passado com uma ótima geração, não é a escolha certa para ir a Polônia e Ucrânia, a substituição precisa ser rápida, embora a FA insista que não vai se apressar. De qualquer forma, certos conceitos já podem ser definidos como dogmas para a Euro:
- Ashley Young tem de ser protagonista. Sim, isso mesmo. Sua primeira temporada no Manchester United não se desenvolveu como deveria, mas ele é o melhor jogador da seleção desde o ano passado. Quase sempre atua bem, marca gols com regularidade e, pela Inglaterra, surra todos os concorrentes (Walcott, Downing, Adam Johnson…). O gol marcado contra a Holanda pode lhe recuperar o moral.
- Os fisicamente confiáveis devem ter preferência. Por exemplo, não dá mais para projetar o time com Wilshere. Gerrard, que saiu lesionado do amistoso, também não oferece garantias. Os que sempre estão à disposição, como o agora capitão Parker, devem ser as referências. Hoje, o único jogador que justifica um plano B é Rooney, que poderá atuar a partir da terceira rodada da Euro.
- Os jovens são fundamentais. Não se trata de pensar no futuro ou preparar a Inglaterra para 2014. Se o garoto é o melhor da posição, ele deve ser utilizado. Por exemplo, sem Rooney e Bent para iniciar a Euro, o treinador tem de abrir os olhos a Sturridge e Welbeck. O fracasso na Euro sub-21 de 2011 pode pesar contra eles, mas o caso Joe Hart, reserva dos perigosos Robert Green e David James na Copa em 2010, mostra como o conservadorismo vira veneno quando em dose exagerada.










