O fator De Jong
Na sexta-feira passada, um dos breves assuntos do podcast foi a presença ou não do volante holandês Nigel De Jong, hoje lesionado, no time titular do Manchester City. Agora há pouco, no Etihad Stadium, a dúvida começou a ser desfeita. Em sua estreia na Champions League moderna, o City apenas empatou por 1 a 1 com um valente Napoli. Péssimo resultado para quem ainda tem de brigar com o Bayern no grupo. Claramente e com trocadilho, De Jong, um dos melhores marcadores do mundo, fez falta.
O elenco à disposição de Roberto Mancini é fantástico, mas lhe impõe alguns desafios. Por exemplo, há muita gente boa com a bola e nem tão boa sem ela. Talvez por isso, Mancio tanto buscou um volante defensivo no fim do mercado de verão – está de olho em Sergio Busquets para janeiro, dizem – e acabou tentado a oferecer um contrato ao free agent e duvidoso Owen Hargreaves.
Mesmo desconsiderando Hargreaves, De Jong não é o único que pode fazer o trabalho sujo. Normalmente utilizados em outras funções, Zabaleta, Yaya Touré e até Kompany podem servir a Mancini numa emergência. No entanto, o início empolgante de temporada, a goleada sobre o Tottenham e a ótima forma de Barry minimizaram o problema. O pé lesionado do holandês, que deve voltar no fim do mês, deu lugar a pés mais talentosos e a um vistoso 4-4-2.
Deu muito certo no começo, com Barry e Yaya na dupla função de combater e municiar os armadores Silva e Nasri, que atuam abertos. De Jong não é o melhor amigo da bola, seria difícil para ele entrar nessa rotação e nesse esquema. A questão é que o Napoli lembrou a Mancini (quem diria?) que sua defesa tem problemas. Os contra-ataques puxados por Lavezzi e Hamsik renderam três chances claras e o gol de Cavani aos napolitanos. O City também produziu bastante, mas correu riscos além da conta e dependeu de um gol de falta de Kolarov para escapar de uma desastrosa derrota.
É o fim do 4-4-2 moleque, do toco y me voy, do sonho de ser o Barcelona inglês? É claro que não. Mas o resultado e a liberdade que o Napoli desfrutou devem fazer Mancini repensar a formação em pelo menos alguns grandes jogos. Mesmo que Barry siga bem, promover De Jong e reposicionar Nasri para não perder tanta qualidade pelo centro podem ser boas soluções. E atenção a Adam Johnson, o único winger do elenco. Ele entrou bem e deve ganhar espaço num time que centraliza muito as jogadas.
Rapidamente, sobre o Manchester United: o empate por 1 a 1 com o Benfica em Lisboa foi esclarecedor. Com Basel e Otelul Galati no grupo, o time já sabe se vai terminar a fase com 15, 16 ou 18 pontos. Resposta: 16.
