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segunda-feira, 11 de abril de 2011 Championship, Curiosidades | 18:48

Maldita herança

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No cinema, Michael Sheen foi brilhante no papel de Brian Clough

Ofuscada pela decisão entre Manchester United e Chelsea na Champions, a 41ª rodada da segunda divisão inglesa reserva um encontro interessante a amanhã. Sem muito para fazer na temporada, o Derby County recebe o Leeds United, que tenta garantir vaga nos play-offs. A rivalidade é familiar para quem assistiu ao filme The Damned United (Maldito Futebol Clube).

Derby e Leeds se separam por 98 quilômetros, mas a distância entre os clubes era bem maior ao fim dos anos 60. O então técnico do Derby, Brian Clough, fez o clube crescer assustadoramente enquanto nutria uma obsessão doentia pelo Leeds do antagonista Don Revie, à época o grande time do país.

Ironicamente, Clough foi parar no Leeds em 1974. A passagem dele por Elland Road durou ridículos 44 dias. Culpa de uma maldita herança de Revie, que, mesmo na seleção inglesa, ainda era adorado pelo elenco. Depois, todo mundo sabe o que aconteceu. Clough foi bicampeão europeu com o Nottingham Forest e é reconhecido como um dos maiores técnicos britânicos em todos os tempos.

Nigel e Darren, solidários (na alegria e) na tristeza

Hoje, tem mais gente convivendo com uma maldita herança. O garotinho que aparece no vídeo fazendo pouco caso de uma goleada sofrida em 1973 pelo Brighton de Brian Clough, pai dele, é hoje o técnico do Derby. Desde 2009, o ex-atacante Nigel Clough tem a missão de reconduzir os Rams a seus melhores dias. Os tempos são outros, mas Nigel sabe que os maus resultados e o 19º lugar na segunda divisão fazem todo mundo sentir saudade do já falecido pai.

Filho de Sir Alex, Darren Ferguson também lida com a pressão para seguir os passos do pai, que tentou ajudar, mas acabou atrapalhando. Em 2009-10, ele já havia presenteado o pupilo com o empréstimo de Welbeck ao Preston, então treinado por Darren. No ano passado, o pai mandou três jogadores do Manchester United para lá. Quando o filho foi demitido, chamou todo mundo de volta. Mimo seguido de pirraça, péssimos para a imagem de Darren, que voltou às origens: o Peterborough, da terceira divisão.

A estreia de Carroll
No banho do Liverpool sobre o Manchester City, Andy Carroll mostrou todo o seu repertório. Os dois gols tranquilizam quem tanto investiu nele, mas também reforçam uma necessidade: fortalecer as pontas. O segundo gol, por exemplo, só saiu porque Meireles, fora de posição, fez ótimo cruzamento pela esquerda.

O elenco do Liverpool não tem grandes opções para as laterais e para as “asas” do meio-campo. Na ausência de Johnson e Kelly, o jovem Flanagan, de 18 anos, assumiu a lateral-direita. No meio, Babel foi embora, Jovanovic fracassa, e Maxi não convence ninguém. Por isso e por Carroll, o Liverpool corre atrás de Ashley Young, Jarvis, Downing, Lennon…

Seleção da rodada
Al-Habsi (Wigan); Eboué (Arsenal), David Luiz (Chelsea), Carragher (Liverpool), Evra (Man Utd); Neville (Everton), Spearing (Liverpool), Fàbregas (Arsenal); Valencia (Man Utd), Carroll (Liverpool), Sturridge (Bolton).

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011 Championship, Man Utd, Premier League | 14:15

Invencibilidade decorativa

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Com o ótimo triunfo por 3 a 1 sobre o Aston Villa em Old Trafford, o Manchester United igualou o próprio recorde de invencibilidade da liga: 29 jogos. Após a derrota para o Chelsea, em abril do ano passado, foram 19 vitórias e dez empates. O United da temporada anterior perdeu sete vezes. O desta temporada tem mais 14 jogos para se tornar o terceiro campeão inglês invicto da história.

Em julho, o clube recebeu Smalling, para se proteger de eventuais crises defensivas, e Chicharito Hernández, com um quê de Solskjaer para gols decisivos, mas logo perdeu o lesionado Valencia até março. O atual United não é claramente melhor que o da temporada passada. É, no entanto, um adversário mais duro de ser batido em circunstâncias difíceis, como em clássicos ou jogos fora de casa. Após 24 rodadas em 2009-10, o time acumulava 53 pontos e cinco derrotas. Hoje, tem um ponto a mais e ainda não perdeu. Os mancunianos mantiveram seu aproveitamento. O Chelsea, campeão em maio por um ponto, tem sido incapaz de fazê-lo.

Ferguson e a preocupação com a simbólica invencibilidade

Das sete derrotas da temporada passada, os Red Devils já escaparam de três em 2010-11: Fulham (fora), Everton (fora) e Aston Villa (casa). Ainda falta enfrentar Chelsea (casa e fora) e Liverpool (fora). O outro revés de 2009-10 aconteceu no Turf Moor, contra o rebaixado Burnley, então comandado por Owen Coyle. Por baixo do pano da invencibilidade, o Manchester United lidera o campeonato com certo conforto. São cinco pontos de vantagem para o Arsenal, nove para o Manchester City e dez para o Chelsea.

A curva de desempenho do time costuma atingir o topo entre dezembro e janeiro, meses mais densos do calendário inglês. Alex Ferguson sabe que precisa de novidades para manter o United forte em todas as vertentes até maio. E começou a investir nisso ao desafiar Rooney a equiparar sua contribuição à de Berbatov. Resultado do trabalho psicológico ou não, o Shrek foi fantástico na vitória sobre o Villa, com duas finalizações clínicas.

O retorno da Champions League em fevereiro deve impor a Ferguson a necessidade de um rodízio mais amplo, viabilizado justamente pela vantagem no campeonato. Com mais de um terço da liga pela frente, não perder significa, meramente, pontuar. Os jogos ainda não são como o memorável encontro entre Arsenal e Leicester City de sete anos atrás. A única finalidade daquela partida, na perspectiva do já campeão Arsenal, invencível por 37 jogos, era não perder. Tudo para fazer mais uma festa.

O Manchester United pode ser campeão inglês invicto. Mas não é hora de tratar um simbolismo como objetivo em uma temporada que ainda precisa ser ganha. Rio Ferdinand, por exemplo, já disse que não se importa. Se o título fosse para quem perde menos, o Liverpool de Rafa Benítez teria levado a liga há dois anos.

Paul Jewell: eternamente um Ram

A casa de Paul Jewell

O Ipswich Town escolheu Paul Jewell para substituir Roy Keane, técnico demitido há pouco menos de um mês. Jewell foi o treinador que levou o Wigan à elite. Em meados de 2007-08, ele assumiu o Derby County, que fazia campanha horrorosa na Premier League. E manteve o padrão: não ganhou nenhum jogo até o fim daquela temporada. Paul conseguiu 12 vitórias após o rebaixamento e ficou no Derby, equipe que comandou em 52 partidas, até dezembro de 2008.

Ontem, Jewell retornou ao Pride Park, estádio do Derby County, para enfrentá-lo pela 29ª rodada do Championship. O Ipswich venceu por 2 a 1: sim, Jewell comemorou uma vitória no Pride Park, fato raríssimo em sua passagem pelos Rams. Pior para o treinador do Derby, Nigel Clough, filho de Brian Clough. “Damned Jewell!”, teriam profanado Nigel e os torcedores locais.

Atualização às 19h11min: Gary Neville anunciou a aposentadoria. Parou tarde demais. No entanto, a imagem que deve ser registrada não é a dos últimos anos, de um lateral-direito se arrastando e se revezando com jovens e improvisados. Neville faz parte de um grupo de jogadores que mudou o patamar do Manchester United em escala global. Nunca foi brilhante, mas prestou sólidos e longos serviços aos Red Devils. Na caixa de comentários, o companheiro Roberto Júnior fala mais a respeito do antecessor de Rafael.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , ,