Neymar e os ingleses
Neymar arrebentou em competições domésticas e estreou na seleção brasileira, longe da Europa, com gol sobre os Estados Unidos. Só assim, atraiu o interesse do Chelsea, que ofereceu £25 milhões por ele em agosto. Depois, abusou do poder no Santos, liderou o time no Brasileiro, acabou com o Sul-Americano sub-20 e, enfim, apresentou-se de fato aos ingleses no amistoso de ontem contra a Escócia, em Londres.
As vaias recebidas só ratificam o novo peso do brasileiro no Reino Unido. Neymar manteve o costume de forçar faltas e ganhou a antipatia dos escoceses, mas foram os dois gols e o pesadelo que impôs à defesa adversária que atraíram as atenções. Só é preciso não confundir o episódio de racismo, individual (e ainda não esclarecido), com as aceitáveis vaias, coletivas. Afora isso, ele conquistou todos.
Rio Ferdinand, por exemplo, elogiou Neymar e o comparou a Cristiano Ronaldo mais jovem. Ao Globoesporte.com, o atacante do Santos disse não saber se a atuação foi “cartão de visitas”, mas chamou de “palhinha”. Mano Menezes aprovou uma eventual transferência do brasileiro à Premier League. Ainda em Londres, Neymar pode conhecer (se ainda não o fez) as instalações do Chelsea, que certamente já enxerga um investimento seguro. Mais maduro e compatível com qualquer esquema tático, ele vai para onde preferir.
A linha de defesa da Escócia era toda da Premier League: Hutton (Tottenham), Caldwell (Wigan), Berra (Wolves), e Crainey (Blackpool). Podem não ser parâmetro para muito, mas são potenciais adversários. O único problema, o cai-cai, foi levantado pelo ex-jogador escocês Pat Nevin, que passou por Chelsea e Everton: “vive num universo paralelo”. Se quiser a Inglaterra, Neymar vai precisar de um tempo para se livrar das vaias de quem perseguiu, por exemplo, Eduardo da Silva por inventar um pênalti. Do primeiro quarteto da Premier League, ele já se livrou.
