Brendan Rodgers | God Save the ball

Publicidade

Posts com a Tag Brendan Rodgers

sábado, 18 de maio de 2013 Liverpool | 16:04

A temporada possível

Compartilhe: Twitter

Rodgers sempre menciona as tradições e os valores do Liverpool. Mais do que um clube de futebol, é um modo de vida, diz

A temporada do Liverpool foi ruim ou boa, dependendo de quem a interpreta. Na perspectiva mais pessimista, o clube subiu apenas uma posição em relação a 2011-12 – de 8º a 7º na Premier League – e fracassou de maneira retumbante nas copas. Os otimistas podem buscar números menos importantes, mas que ajudam a traçar o novo perfil do time. Por exemplo, o saldo positivo de 27 gols, inferior apenas aos dos quatro primeiros colocados da liga, ou os 38 gols marcados fora de casa, um recorde neste campeonato.

O Liverpool, que encerra sua campanha contra o Queens Park Rangers amanhã em Anfield, perdeu nove partidas na liga, seis nas últimas 32 rodadas. Nada impressionante, mas indica um time menos frágil e previsível que o da temporada passada, derrotado 14 vezes no campeonato porque sangrava para marcar gols – foram 47 contra 70 (mais os que provavelmente serão marcados diante do QPR) de 2012-13.

Entretanto, números não definem precisamente a temporada do Liverpool, sobretudo porque o Fenway Sports Group, administrador do clube, escolheu a mudança no verão passado. Quando demitiu Kenny Dalglish, entregou o time a Brendan Rodgers e recusou-se a reforçar o elenco com jogadores para curto prazo (Clint Dempsey foi um exemplo), mesmo que isso tenha limitado demais as alternativas do treinador, o FSG bancou um projeto e desistiu da temporada.

O ano seria apenas um intervalo de tempo no qual Rodgers desenvolveria uma ideia de ruptura com o britanismo de Kenny Dalglish, ajustaria o elenco e tentaria provar, com alguns resultados e jogos marcantes, que está no caminho certo. Admitindo isso, Rodgers fez bom ano de estreia, com o bônus de ter desenvolvido garotos da base como Suso, Sterling e Wisdom e ainda recuperado jogadores que pareciam casos perdidos.

Henderson fez grande segunda metade de temporada, após um péssimo 2011-12, e Downing trabalhou até virar titular, ainda que deva perder a posição a partir de agosto, com novos reforços. Além deles, um Gerrard praticamente livre de problemas físicos se redescobriu como uma espécie de deep-lyng playmaker, trabalhando mais na organização do time do que na finalização de jogadas.

A falta de criatividade no primeiro mercado de transferências de Rodgers, que contratou os antigos conhecidos Allen e Borini, foi compensada pela sagacidade na janela de inverno, quando o Liverpool começou a resolver problemas de fato. As capturas de Sturridge e Coutinho em janeiro não foram golpes de sorte, mas a confirmação de que, com tempo para avaliar o próprio elenco, Rodgers sabia exatamente o que estava fazendo e de que tipo de jogador precisava.

Entrevistas de diretores e do próprio Rodgers indicam que o próximo mercado seguirá o mesmo modelo. A ideia é contratar jogadores jovens, talentosos, ainda não tratados como fenômenos (por isso mais baratos) e que possam se desenvolver no clube. Tudo sem preconceitos ou clichês.

Sturridge, que teve algumas atuações espetaculares, mostrou que nem todo inglês contratado pelo Liverpool é superestimado. A nacionalidade nada tem a ver com seu talento, mal explorado pelo Chelsea. Outro grande exemplo é Philippe Coutinho, incrível durante o empréstimo ao Espanyol, subavaliado pela Internazionale, que cometeu um enorme equívoco ao vendê-lo por apenas £8,5 milhões, e considerado precipitadamente uma promessa frustrada – ele tem só 20 anos! O brasileiro é o melhor jogador do Liverpool desde que foi contratado.

Ídolo precoce, Coutinho já virou até peça de Lego

No próximo verão, seguindo a lógica de contratar para setores carentes, o Liverpool deve acrescentar ao elenco um zagueiro para substituir Carragher, que está se aposentando, um lateral-esquerdo para competir com José Enrique, um meia versátil e criativo (outro Coutinho) e um winger mais eficiente do que Downing. Manter Suárez é parte importante do projeto, mas uma eventual saída não é o apocalipse, desde que haja reinvestimento. Nas vitórias enfáticas sobre Newcastle (6 x 0) e Fulham (3 x 1), o Liverpool provou que a ausência de seu melhor jogador não pesa tanto quanto há cinco meses.

Sagaz no mercado, Rodgers também evoluiu do ponto de vista tático. No início da temporada, ele vivia falando em “matar (adversários) pela posse de bola”. Contudo, para se tornar menos previsível, o Liverpool incorporou outros estilos a seu jogo de controle e marcação adiantada. Contra Newcastle e Fulham, média de apenas 49% de posse de bola e vários gols marcados em transições rápidas, aproveitando a criatividade de Coutinho e a velocidade de Sturridge.

O principal obstáculo a Rodgers será a exigência natural de resultados, que aumenta à medida que a mudança de patamar se confirma. Em 2012-13, a avaliação não passará somente pela “sensação de progresso”, mas também pelo “progresso de fato”, aquele dos números e objetivos alcançados. Não se trata de atrelar a manutenção do emprego do norte-irlandês à classificação para a Champions League 2014-15, porém o Liverpool tem de flertar com os 70 pontos.

Página do blog no Facebook

Autor: Daniel Leite Tags: , , , ,

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013 Liverpool | 14:17

Coutinho no Liverpool

Compartilhe: Twitter

Coutinho herda a 10 de Joe Cole, mas precisa jogar muito mais do que o antecessor

O planejamento do Liverpool para o mercado de janeiro incluía a contratação de um número 10 que tornasse a equipe mais criativa. Há menos de duas semanas, o sonho de vários torcedores (e Steven Gerrard) ainda era Wesley Sneijder, que pouco depois acertou sua transferência para o Galatasaray. A um dia do fechamento da janela de inverno, o Liverpool anunciou a chegada de outro ex-interista, o brasileiro Philippe Coutinho, de 20 anos.

Repare no vídeo que, antes de falar sobre Sneijder, Gerrard indica que o time precisava de “um número 10, ou outro jogador de ataque, que pudesse atuar também pelos lados”. Embora a conversa tenha se direcionado ao holandês, a descrição coincide muito mais com Coutinho. A questão é que Brendan Rodgers não pretende formar um time apenas criativo, mas também flexível em suas opções ofensivas. Salário e idade certamente não foram os únicos fatores considerados para não insistir em Sneijder e apostar em Coutinho.

Ao contrário de Sneijder, que se estabilizou há muito como meia-atacante central, Coutinho atua aberto sem problema. Especialmente quando jogou à esquerda do ataque do Espanyol, para onde foi emprestado no primeiro semestre de 2012, rendeu demais, explorando os dribles em velocidade. Aliás, é com o Coutinho da liga espanhola que o Liverpool espera contar. O da Inter fez boas partidas esporádicas, entre uma contusão e outra, um treinador e outro. O do Espanyol brilhou regularmente, enfim mostrou o potencial conhecido desde a base do Vasco e marcou cinco gols em 16 jogos.

Meio-campo e ataque do Liverpool com Coutinho, baseado no sistema adotado na goleada sobre o Norwich

É evidente que este modelo deve sofrer variações de acordo com as circunstâncias, mas a estratégia adotada na vitória por 5 a 0 sobre o Norwich, na rodada passada da Premier League, indica como Coutinho pode ser aproveitado. O Liverpool foi escalado num sistema híbrido, que teve Sturridge como centroavante, Suárez atrás dele (com liberdade quase total para fazer o que bem entendesse em campo), Downing à direita e Henderson variando entre a ponta esquerda e a meia central. Nesse caso, Coutinho poderia perfeitamente ocupar a vaga de Henderson.

Coutinho é muito talentoso, faz o perfil Kaká de bom comportamento e parece ter a inteligência tática (ou, no mínimo, a disposição para aprender) para se adequar à ideia de jogo do Liverpool. Pela faixa de preço especulada (entre £8 e £10 milhões), é um investimento válido, que pode dar enorme retorno.

Por outro lado, o brasileiro tem bastante a provar. Após as oscilações na Inter, a batalha contra as lesões e as exigências físicas da Premier League serão desafios consideráveis. Ainda mais porque ele é contratado na semana da derrota para o Oldham na FA Cup, quando se questiona a capacidade do Liverpool de lidar com a imposição física de certos adversários – enfrentar o Stoke City, por exemplo, é sempre um drama. Para que o talento fale mais alto, Coutinho precisa estar resistente, confiante e jogando regularmente. O trabalho do staff comandado por Brendan Rodgers será essencial.

Atendendo a pedido: página do blog no Facebook.

Autor: Daniel Leite Tags: , , ,

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013 Premier League | 14:42

Saldo da festa

Compartilhe: Twitter

Sete rodadas em um mês, quatro em dez dias. A concentração de partidas da Premier League no período festivo sempre rende muitas observações. O blog trata de três aspectos importantes:

Disputa pelo título fica mesmo em Manchester. Two-horse race, dizem os ingleses. A derrota do Chelsea para o QPR praticamente enterrou a possibilidade de o título sair de Manchester. Mesmo que o time de Rafa Benítez flerte com 100% de aproveitamento até o fim da temporada, o que é para lá de improvável, a vantagem real de 11 pontos do United (que curiosamente perdeu 11 em 21 rodadas) não dá margem a outro perseguidor além do Manchester City, sete pontos abaixo. A turma de Robin van Persie é favorita pelo conforto na liderança e pela capacidade do holandês de resolver os jogos em que o United falha do ponto de vista coletivo.

Trabalho de Rodgers é melhor do que parece. A atual oitava posição do Liverpool é a mesma que frustrou os proprietários e resultou na demissão de Kenny Dalglish no fim da temporada passada. No entanto, o significativo enxugamento da folha salarial e a consciência de que resultados importam menos do que o alicerce para os próximos anos dão outra perspectiva à gestão de Rodgers. Já falamos muito da coragem para aproveitar jovens num contexto (elenco curto) que exige isso, mas as últimas rodadas expuseram outras virtudes do trabalho do norte-irlandês.

O Liverpool teve péssima atuação contra o Stoke, no Boxing Day, mas foi não menos do que excelente nas outras partidas festivas, diante de Fulham, QPR e Sunderland. Nesses três jogos, a equipe teve médias de 24 finalizações e 63% de uma posse de bola muito mais produtiva do que no início de 2012-13. Rodgers ainda resgata jogadores que pareciam causas perdidas (Henderson e Downing, que vêm de ótimas atuações) e teve um par de boas notícias no início do mercado de inverno: a chegada de Sturridge, a quem ele perseguia desde agosto (pode não dar certo, mas o Liverpool é o melhor lugar para o atacante de 23 anos), e a saída de Joe Cole para o West Ham.

Nulo na temporada passada, Marveaux virou titular na ausência de Ben Arfa em 2012-13

Departamento médico determina temporada fraca do Newcastle. Os Magpies têm nove derrotas nas últimas 11 partidas. A distância de apenas dois pontos para a zona de rebaixamento representa um anticlímax para quem comemorou tanto a quinta posição da temporada passada. Alan Pardew não se acomodou após ganhar um contrato até 2020, e as contratações de 2011-12 também não deixaram de ser brilhantes. O maior problema reside no péssimo momento físico do elenco.

A equipe que contava demais com Ben Arfa e Cabaye teve Marveaux e Bigirimana em várias das últimas rodadas. Até Jonás Gutiérrez perde jogos por lesão. Steven Taylor, que seria fundamental ao lado de Coloccini para tornar a defesa mais confiável, raramente está saudável. Agora sem Demba Ba para garantir um gol por partida, o Newcastle aposta mais em seus fisiologistas do que em quaisquer outros profissionais para ter uma temporada tranquila. Em meio à ameaça de crise, o lateral ofensivo Mathieu Debuchy é ótimo reforço e serve de alento.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , ,

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012 Liverpool | 21:19

Mercado antecipado

Compartilhe: Twitter

De acordo com o Times e outros veículos confiáveis, o Liverpool deve anunciar nos primeiros dias de 2013 as contratações do atacante Daniel Sturridge, do Chelsea, e do winger Tom Ince, do Blackpool. Sturridge, que perdeu espaço em Stamford Bridge desde a demissão de André Villas-Boas, custaria £12 milhões. Ironicamente revelado na base do Liverpool, Ince seria contratado por £6 milhões. Considerando as necessidades do elenco e o suposto orçamento de £20 milhões disponibilizado a Brendan Rodgers para o mercado de janeiro, são apostas válidas.

Sturridge é um nome que gera mais dúvidas do que certezas. Aos 23 anos, o garoto que surgiu muito bem no Manchester City ainda não se estabilizou e convenceu apenas dois treinadores em sua carreira: Villas-Boas, que aparentemente pretendia levá-lo ao Tottenham, e Owen Coyle, para quem marcou oito gols em 12 jogos de Premier League durante o empréstimo ao Bolton, em 2011. No entanto, há elementos que o tornam um alvo interessante para o Liverpool.

Quando assistimos a uma partida dos Reds, pensamos “se Luis Suárez falhar, quem marcará gols para este time?”. Sturridge não é exatamente um ás das finalizações, mas pode contribuir bastante. Sua excelente movimentação sem a bola e a capacidade de, atuando aberto pela direita, invadir a área e finalizar com o pé esquerdo são características que Rodgers certamente procura para completar o ataque, uma vez que o técnico pretende manter Suárez centralizado.

Desde a estreia na Premier League, ainda aos 17 anos, Sturridge marca um gol a cada 172 minutos em campo, índice superior até ao de Suárez – 203 minutos por gol. Toda vez que ganhou uma sequência de jogos (particularmente em 2011, por Bolton e Chelsea), cumpriu muito bem sua função. Ele tem agilidade para ser ponta direita no 4-3-3, como aconteceu no Chelsea de AVB e deve ser o caso no Liverpool, mas também pode ser alternativa a Suárez como centroavante.

Previsão do Liverpool com Ince e Sturridge

A principal tarefa de Rodgers no desenvolvimento de Sturridge será ajudá-lo na hora de tomar decisões em campo. O instinto de tentar o gol a qualquer custo às vezes impede que ele passe a bola, e isso é quase imperdoável na cartilha purista do treinador. O ego supostamente inflado de Sturridge, que deve disputar posição com o italiano Fabio Borini, é outro ponto a considerar. Ainda assim, o Liverpool pode representar a oportunidade ideal para fazer sua carreira progredir.

Ince Jr.
Tom Ince, de 20 anos, é filho de Paul Ince, jogador do Liverpool entre 1997 e 1999. Criado em Anfield, ele pediu para sair em agosto do ano passado. No Blackpool, que pagou uma irrisória compensação de £250.000 aos Reds, evoluiu demais sob o comando de Ian Holloway, hoje técnico do Crystal Palace. Nesta temporada da Championship, é o terceiro artilheiro com 13 gols e o segundo assistente com nove passes decisivos.

Canhoto, ágil e versátil (atua nas duas pontas e também já jogou centralizado na seleção sub-21), Ince é uma boa aposta para qualquer clube inglês. Entretanto, no caso do Liverpool, fica a inevitável frustração por precisar pagar £6 milhões por um talento que estava no clube há um ano e meio. É óbvio que a oportunidade de jogar regularmente no Blackpool foi fundamental para o crescimento de Ince, mas para isso servem os empréstimos.

Autor: Daniel Leite Tags: , , ,

quarta-feira, 28 de novembro de 2012 Liverpool, Tottenham | 11:40

Estágios diferentes

Compartilhe: Twitter

André Villas-Boas e Brendan Rodgers se conhecem há oito anos. Em 2004, José Mourinho assumiu o Chelsea e convidou a dupla para fazer parte de seu staff. Por escrever relatórios detalhados dos adversários, AVB representava “os olhos e ouvidos” de Mourinho, como o próprio manager definiu. Rodgers, o menos britânico dos técnicos britânicos, juntou-se às categorias de base. Ainda antes da passagem por Stamford Bridge, o norte-irlandês viajou pela Europa, aprendeu a língua espanhola e absorveu diferentes métodos sobre como treinar uma equipe.

Hoje, às 17h45 de Brasília, o Tottenham de Villas-Boas recebe o Liverpool de Rodgers. Em sua entrevista pré-jogo, AVB comentou a trajetória do antigo colega e elogiou seu trabalho em Anfield, ainda que o Liverpool esteja na 11ª posição, com 16 pontos. Há, sem dúvida, uma empatia entre os técnicos. A idade (AVB tem 35 anos; Rodgers, 39), a cruzada por um estilo de futebol menos britânico e a pressão que enfrentam em clubes ambiciosos os aproximam.

No entanto, há diferenças consideráveis entre as atuais condições de trabalho. Villas-Boas pode ser mais cobrado nesta temporada. Na sétima posição com 20 pontos, o Tottenham encerrou uma sequência de três derrotas na liga quando venceu o West Ham por 3 a 1 na última rodada. Era inevitável a sensação de que o emprego de AVB estava em xeque, embora este Tottenham ainda não tenha, por falta de peças, as características que o técnico português mais aprecia.

A saída de Modric, o fracasso da negociação com João Moutinho e ausência de um jogador como Hulk (ou mesmo Sturridge) impossibilitam o 4-3-3 com foco em posse de bola e pressão implacável sobre o adversário, como o que fez tanto sucesso há duas temporadas no Porto. Os Spurs foram montados no 4-2-3-1, com uma proposta de jogo muito mais direta.

A peça mais importante do meio-campo é o recém-contratado Dembele, que ainda está invicto no Tottenham e deve retornar ao time titular contra o Liverpool. Atacante transformado em meia central por Martin Jol no Fulham, o belga é onipresente em campo, ataca e defende com intensidade, mas não é exatamente um substituto direto para Modric. Este seria Moutinho. Mesmo assim, AVB tem Defoe marcando gols, Bale e Lennon correndo pelos flancos e Dempsey (que interessava ao Liverpool) como número 10. Não são o time e o estilo que ele planejava, porém os recursos estão lá.

Rodgers e AVB na temporada passada

Em Anfield, Rodgers busca soluções criativas para compensar o elenco curto. Com as lesões de Borini e Lucas (este volta em breve), não há disponíveis um “primeiro volante” e uma alternativa a Suárez. Allen tem sido o meio-campista mais recuado. Na Europa League, quando geralmente preserva o atacante uruguaio, Rodgers escalou Shelvey como falso centroavante. Até Joe Cole reapareceu.

As soluções táticas não param por aí. A carência de jogadores capazes de marcar gols transformou José Enrique em ponta esquerda. Rodgers identificou o lateral espanhol como uma possível fonte de gols e o empurrou para perto de Suárez nas últimas três rodadas. No empate contra o Swansea, o Liverpool teve uma escalação inusitada, com Enrique na ponta e Downing na lateral. Uma sacada (que, neste caso, fez sentido) de fazer inveja a Adílson Batista.

Rodgers está invicto há oito jogos na liga. Empatou cinco, é verdade, mas também tornou a equipe mais sólida e recuperou-se do início desastroso no que diz respeito a resultados. Por enquanto, a coragem para promover garotos e a perspicácia tática para superar a coleção de problemas definem o trabalho de Rodgers melhor do que a incômoda 11ª posição. Não à toa, o emprego dele parece mais seguro.

Autor: Daniel Leite Tags: , , ,

sexta-feira, 5 de outubro de 2012 Liverpool | 15:21

Atenção!

Compartilhe: Twitter

Na última rodada da Premier League, o Liverpool quebrou sua sequência de resultados negativos com uma convincente vitória por 5 a 2, fora de casa, sobre o Norwich. A reação foi interrompida ontem, com a derrota por 3 a 2 para a Udinese, em Anfield, pela Europa League. Como o torneio continental não é a prioridade na temporada, as observações valem mais do que o resultado em si.

Rodgers admite defesa frágil

Primeiro, é preciso registrar a assimilação da filosofia de Brendan Rodgers, que faz o time se comportar sempre da mesma maneira, independentemente da escalação. Ainda que com oito reservas (dos titulares habituais, Reina, Johnson e Allen foram escalados), o Liverpool teve 71% de posse de bola e 14 finalizações certas.

Por outro lado, a partida deixa uma pergunta intrigante: por que todo esse domínio não foi suficiente para vencer? Rodgers, com razão, atribuiu a derrota à falta de concentração no segundo tempo. Os gols da Udinese saíram, nesta ordem, de um domínio errado de Johnson, uma cabeçada de Coates contra a própria baliza e uma passividade incrível diante de Di Natale, que controlou a bola à vontade até oferecê-la a Pasquale, que marcou o terceiro dos italianos.

A defesa sofreu 20 gols em 11 jogos na temporada (descontando a primeira etapa da Liga Europa, contra o Gomel, da Bielorrússia). Em média, o Liverpool precisa marcar três gols para vencer uma partida. É evidente que os Reds têm de evoluir coletivamente, coordenando melhor a pressão sobre a saída de bola adversária e posicionando corretamente as linhas de marcação, entre as quais sempre há espaço. No entanto, são as distrações e falhas individuais que oferecem mais gols aos adversários.

Se nos lembrarmos do trabalho de Rodgers no Swansea, é possível afirmar que sua filosofia pode ser compatível com solidez defensiva. Na temporada passada, por exemplo, os Swans sofreram apenas 18 gols em casa, menos de um por partida. O segredo era não errar passes e manter o oponente sempre distante do gol. Em nove dos 19 jogos no Liberty Stadium, o goleiro Michel Vorm não foi vazado.

Na falha mais clara da temporada, Skrtel ofereceu o gol a Tevez, do Man. City

No Liverpool, a capacidade de manter a posse de bola já é satisfatória. Allen e Sahin, por exemplo, dificilmente erram passes tolos. Para melhorar ainda mais, Rodgers também transforma Suso, mais um ótimo passador, em titular. Na goleada sobre o Norwich, o meia espanhol de 18 anos atuou aberto pela direita no 4-3-3 (à la David Silva no Manchester City), explorando seu habilidoso pé esquerdo na construção das jogadas.

O aspecto que precisa evoluir mesmo são os fundamentos defensivos, ironicamente a única virtude da equipe na temporada passada. Tecnicamente, os zagueiros Agger e Skrtel, ambos de contrato renovado, formam ótima dupla, mas o resto tem de melhorar: laterais, proteção à defesa (Lucas faz bastante falta nesse sentido) e, especialmente, concentração. Enquanto sofrer os chamados “gols fáceis”, o Liverpool terá seu progresso limitado.

Autor: Daniel Leite Tags: ,

segunda-feira, 3 de setembro de 2012 Liverpool | 17:19

Gol é um detalhe

Compartilhe: Twitter

A derrota por 2 a 0 para o Arsenal, em Anfield, confirmou a ausência de um finalizador no Liverpool, problema antigo que se agravou nesta temporada. As opções ofensivas são muito escassas, pois Kuyt, Bellamy, Maxi e Carroll deixaram Melwood. As contrapartidas foram as contratações de Borini e Assaidi, além de uma redução total de £23 milhões anuais na folha salarial. A diretoria planejou e pode atingir a saúde financeira, mas não se esforçou para resolver uma doença crônica do elenco. Pelo contrário.

Dempsey, sonho de uma noite de verão

Quando questionado sobre a possibilidade de Andy Carroll ser emprestado, há uma semana, o treinador Brendan Rodgers afirmou que permitiria isso apenas se um substituto fosse contratado. “Preciso de, no mínimo, três atacantes. Hoje, tenho Suárez, Carroll e Borini. Seria insano se deixasse Andy sair, a menos que haja outras soluções”, respondeu ao Guardian.

Em 30 de agosto, véspera do fechamento do mercado, Carroll foi emprestado ao West Ham. A conclusão óbvia era de que o Liverpool contrataria no deadline day, o último dia para transferências. Em afirmação publicada no site oficial do clube, Rodgers havia declarado aberta a caça a um “goleador reconhecido”. Clint Dempsey, autor de 23 gols pelo Fulham em 2011-12, era o alvo, todo mundo sabia. No entanto, não houve acordo com o Fulham, e o Liverpool não contratou ninguém.

A informação mais recorrente é de que a oferta máxima do Liverpool foi de £3 milhões, metade do oferecido pelo Tottenham, que capturou o norte-americano. A mesquinharia do clube, somada à inabilidade do diretor esportivo Ian Ayre de conduzir as negociações, determinou o caos no ataque. Ontem, Downing era a única opção ofensiva na reserva. O bastante promissor Raheem Sterling, de 17 anos, já é titular absoluto. O marroquino Oussama Assaidi deve aparecer no banco em breve. Mas todos esses são jogadores para as laterais do campo, no 4-3-3 de Rodgers. No centro, comandando o ataque, Suárez tem sido sacrificado e foi muito mal contra o Arsenal.

Repercutiu tanto o deadline day improdutivo do Liverpool, que o proprietário John W. Henry escreveu uma carta aos torcedores, publicada hoje pela manhã, na qual esclarece a política de contratações. Subentende-se que os gastos abusivos realizados até o ano passado funcionam como lições importantes, para não repeti-los. Henry ainda reiterou a ambição de resgatar os dias de glória do Liverpool, ressaltando que, com responsabilidade administrativa, isso vai levar muito tempo.

Yesil pode jogar antes do que imaginava

A carta é teoricamente perfeita, mas a negligência com um ajuste tão necessário assusta. Buscar um atacante faria uma diferença enorme para a equipe, não exigiria um grande sacrifício financeiro e facilitaria demais o trabalho de Rodgers, que teria mais peças e a chance de tirar Suárez da área, onde ele é subaproveitado.

Mesmo depois do fechamento da janela, a tendência é que, para amenizar o problema, o Liverpool seja forçado a um paliativo. Ele pode ser, por exemplo, a promoção do recém-contratado e promissor Samed Yesil para o time principal. Não é o ideal, pois o alemão de 18 anos queimaria uma etapa importante de sua adaptação à Inglaterra, mas Yesil, de seis gols e cinco assistências na Copa do Mundo sub-17 de 2011, é claramente melhor do que Adam Morgan, outro atacante da base. Rodgers também considera apelar para um jogador livre, um veterano que não tenha encontrado clube em agosto. Klasnic, Crespo, Owen e Del Piero são especulados. Acredite se quiser.

Outros problemas
*A ausência de Lucas, fora por pelo menos dois meses, pesou contra o Arsenal. Cazorla fez a festa entre as linhas de defesa e meio-campo. Joe Allen é ótimo, mas sofre com o posicionamento defensivo quando é escalado como “âncora” no meio-campo. Hoje, não há uma alternativa equivalente a Lucas.

*Pepe Reina tem falhado constantemente. Não há um goleiro reserva que o coloque sob pressão.

*Gerrard e Suárez foram muito mal ontem. Pode ser reflexo de quinta-feira, quando ambos jogaram 90 minutos contra o Hearts, na Liga Europa. Outro sinal de elenco curto.

Autor: Daniel Leite Tags: , , ,

sexta-feira, 27 de julho de 2012 Liverpool | 16:37

Caminho sem volta

Compartilhe: Twitter

O Liverpool fez apenas dois amistosos na pré-temporada, com nove desfalques e sem estrear nenhuma contratação, porém já esboça uma nova identidade. O empate por 1 a 1 com o Toronto e a derrota por 2 a 1 para a Roma dizem mais sobre o comportamento do que sobre o real nível do time. Mesmo recheada de garotos e com 11 substituições nas duas partidas, a equipe evitou lançamentos longos e tentou chegar à área adversária trocando passes. Embora a mecânica das infiltrações precise melhorar, o técnico Brendan Rodgers elogiou a assimilação da filosofia pelo grupo.

Rodgers ganhou elogios do capitão Steven Gerrard

Jogar dessa maneira não é necessariamente algo positivo. Como qualquer outra ideia de futebol, o tiki-taka está fadado ao fracasso se não houver jogadores que se adaptem a ele e façam-no funcionar com eficiência no ataque e segurança na defesa. Para colocá-lo em prática, Rodgers tem o apoio irrestrito da diretoria, que até tirou a pressão pelo top four e colocou o projeto à frente dos resultados imediatos.

Por outro lado, o elenco do Liverpool tem diversos problemas, pois foi montado a peso de ouro para abusar de lançamentos longos e transição rápida (nada explica isso melhor do que as contratações de Andy Carroll e Charlie Adam). Após a maioria dos reforços fracassar e a gestão Kenny Dalglish terminar dois anos antes do previsto, o clube tenta caminhar na direção oposta. Rodgers não está lá por acaso. A diretoria foi aconselhada por vários “consultores”, que apontaram o nome do ex-técnico do Swansea.

Como não pode revolucionar o elenco de uma hora para outra, o treinador norte-irlandês se apega a quem ele conhece. A única contratação do Liverpool até agora foi Fabio Borini, que trabalhou com Rodgers na base do Chelsea e no Swansea. O jornalista inglês Michael Cox fez uma comparação interessante sobre a relação entre o técnico e o atacante italiano, que representa para Rodgers o mesmo que Pedro Rodríguez significou para Pep Guardiola no Barcelona. Em suas entrevistas, Borini costuma ressaltar a amizade deles: “sempre trocávamos mensagens de texto na temporada passada”.

Borini tem um quê de Pippo Inzaghi na hora de comemorar gols

Além de Borini, o Liverpool se interessou ainda por outros dois ex-pupilos de Rodgers no Swansea: Gylfi Sigurdsson, que preferiu o Tottenham, e Joe Allen, por quem o clube segue negociando. Em tese, Allen seria a contratação para servir de base para o novo time. Aos 22 anos, ele tem aproveitamento de passe similar aos de Xavi e Iniesta (muito em função do estilo adotado pelo Swansea), cobre boa parte do campo e tem melhorado como ladrão de bolas. Em síntese, é um projeto, ainda não finalizado, de Luka Modric.

Retomando os amistosos, foi interessante ver a participação de alguns garotos. O mais famoso é Raheem Sterling, tratado há bastante tempo como a grande promessa da base do Liverpool. Ele foi bem e chegou a participar de um gol (marcado por outro garoto, Adam Morgan), mas quem mais impressiona é Jesús Saez, o Suso. Titular da Espanha campeã europeia sub-19, Suso mostra maturidade e classe aos 18 anos. É um meia criativo, para ser observado com muita atenção.

Outro ponto é a consistência tática. Mesmo com ausências que não permitiram projetar a equipe para a temporada, Rodgers aplicou o 4-3-3 em cada um dos 180 minutos contra Toronto e Roma. O novo treinador dá sinais de que, para o bem ou para o mal, vai com suas convicções até o fim. Amanhã, o amistoso com o Tottenham (que em breve será assunto por aqui) em Baltimore, nos Estados Unidos, deve ser um teste proveitoso, com um time menos desfalcado e um rival direto, também em transição.

Autor: Daniel Leite Tags: ,

quinta-feira, 12 de julho de 2012 Fulham, Liverpool | 23:58

No máximo, plano B

Compartilhe: Twitter

Após £35 milhões e 18 meses, Andy Carroll é um projeto sem futuro no Liverpool. Em parte, por conta de atuações constrangedoras, brilhos apenas esporádicos e tímidos 11 gols em 56 jogos. A outra razão é o estilo do qual o técnico Brendan Rodgers não abre mão. Bolas longas e chuveirinhos desnecessários já estão proibidos em Anfield. Assim, o planejamento da equipe não passa pela presença de um centroavante mais aéreo do que terrestre, caso de Carroll.

O desafio do Liverpool é decidir o que fazer com ele. Se o Guardian estiver certo, o Fulham pode ajudar. Embora tenham contratado o colombiano Hugo Rodallega, os Cottagers ainda precisam criar opções ofensivas depois das saídas de Andy Johnson e Pavel Pogrebnyak. De acordo com a publicação, Martin Jol está disposto a oferecer £9 milhões mais Clint Dempsey por Carroll, explorando o conhecido interesse do Liverpool no norte-americano.

Carroll vestiu o novo uniforme, mas pode não jogar com ele

Oferta sobre a mesa, Rodgers tende a aceitar. O novo treinador, que não tem responsabilidade sobre o investimento de £35 milhões realizado há um ano e meio, deve interpretar a possível proposta do Fulham como um presente, dos mais convenientes. Ao mesmo tempo, ele teria um ótimo reforço, resolveria o problema em que Carroll se transformou e ainda financiaria outra contratação com o lucro da transferência.

Além do Fulham, estariam interessados Aston Villa, West Ham e o Milan do imortal Silvio Berlusconi. O surto de especulações foi motivado por uma entrevista em que Rodgers aprova um eventual empréstimo do centroavante. A verdade é que ele suavizou a afirmação de que Carroll não faz parte de seus planos.

Tanto não faz, que a remodelagem do Liverpool começou pelo ataque. O clube chegou a um acordo com a Roma pela contratação de Fabio Borini, que trabalhou com Rodgers na base do Chelsea e quando emprestado ao Swansea. Borini, que evoluiu demais desde que aparecia esporadicamente no banco dos Blues de Carlo Ancelotti, é o centroavante moldado para o novo Liverpool. O italiano tem agilidade e contribui para a troca de passes, sem ignorar o fundamento da finalização. Praticamente um anti-Carroll.

Mesmo que os boatos não se confirmem, Carroll não deve ser mais do que um plano B, um reserva de £35 milhões. Não é apenas uma punição ao fraco desempenho, até porque ele terminou bem a temporada passada. É uma questão de estilo. Carroll não serve a quem pretende trocar passes até a morte, controlar partidas e usar infiltrações para abrir espaços na defesa adversária. Como afirmou Loco Abreu antes de deixar o Botafogo, um jogador não pode “brigar contra uma tática”.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , ,

quinta-feira, 21 de junho de 2012 Swansea | 15:19

Grito de liberdade

Compartilhe: Twitter

As pessoas vão, mas o clube fica. Nos últimos anos, o Swansea City tenta seguir à risca esse princípio. A política da diretoria galesa é a de não depender simplesmente das convicções de seus profissionais. No Liberty Stadium, ao contrário, são os profissionais que se adaptam à filosofia da instituição. A reação à saída do técnico Brendan Rodgers, recém-contratado pelo Liverpool, ratifica essa postura.

Michael Laudrup (à esq.), campeão europeu com o Barcelona há 20 anos

Quando liberou Rodgers para conversar com o Liverpool, o presidente Huw Jenkins foi elegante, agradeceu os serviços prestados pelo norte-irlandês e lhe desejou sucesso. Em seguida, reconheceu que a busca pelo novo treinador seria muito difícil, pois havia poucos nomes que se ajustariam ao Swansea Way. Após duas semanas de buscas e negociações, os galeses acertaram por dois anos com o dinamarquês Michael Laudrup.

A propósito, o que é o Swansea Way? Desde que trocou o Vetch Field pelo Liberty Stadium, em 2005, o Swansea ganhou não apenas nove mil lugares para os torcedores, mas também uma boa dose de ambição. A mudança para o novo estádio coincidiu com o acesso à terceira divisão. O ex-jogador do clube Roberto Martínez assumiu o posto de técnico em fevereiro de 2007 e determinou que, a partir de então, o time jogaria futebol atrativo, zelando pela posse de bola e controlando as partidas. O Swansea se apropriou daquelas ideias e não as largou mais.

Em 2008, os galeses venceram a terceira divisão e se viram a apenas um degrau da Premier League. Martínez se transferiu para o Wigan no ano seguinte, mas o sonho e o estilo de jogo se mantiveram com o português Paulo Sousa, que quase levou a equipe aos play-offs. Sousa, porém, decidiu aceitar uma proposta do Leicester. Por linhas tortas, uma ótima notícia, pois o sucessor Brendan Rodgers carregou o Swansea à Premier League, feito inédito para um galês, e rapidamente se tornou o melhor treinador do clube desde o histórico John Toshack.

De Gales ao mundo: Toshack conquistou La Liga com o Real Madrid em 1990

Esta tecla já foi bastante batida, mas vale relembrar o Swansea de 2011-12, pioneiro na história da Premier League entre clubes com recursos escassos. Trocas contínuas de passes, posse de bola próxima a 60% e jogadores razoáveis exaltados pelo impecável coletivo deram o tom da campanha que levou os cisnes à 11ª posição. Assim que perdeu Rodgers, o presidente Jenkins fez questão de garantir que isso não mudaria.

A manutenção da base do elenco, garantida pela cláusula que impede o Liverpool de comprar jogadores do Swansea durante um ano, e a contratação de Michael Laudrup sinalizam que o presidente está certo. Em relação a Rodgers, Laudrup bebe da mesma fonte e ainda tem o bônus de ter jogado no Barcelona de Johan Cruyff durante cinco temporadas. Não será por incompatibilidade entre filosofias que ele vai fracassar.

Entre as décadas de 70 e 80, o Swansea conseguiu três promoções em quatro temporadas, uma ascensão meteórica que conduziu o clube à elite e a uma expressiva sexta posição logo no primeiro ano. O grande responsável foi o então jovem treinador John Toshack. Desta vez, para não cair à mesma velocidade com que subiu, o Swansea tenta não depender de uma pessoa, mas de um conjunto de ideias que passaram a caracterizar a instituição, a maneira de jogar futebol daquele time. O cisne dá um grito de liberdade.

Autor: Daniel Leite Tags: , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última