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sexta-feira, 27 de maio de 2011 Barça x United, Copas Europeias, Man Utd | 14:00

Rumo a Wembley: De 2009 a 2011

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Há dois anos: Surpresa! Um falso centroavante

Há dois anos, o sonho do tetra europeu do Manchester United esbarrou no Barcelona. A vitória blaugrana por 2 a 0 em Roma foi o ato final da temporada de estreia de Pep Guardiola como técnico dos catalães. O Barça já era muito forte, é claro, mas ainda não tinha o mundo a seus pés e vinha de uma semifinal em que não mereceu eliminar o Chelsea de Guus Hiddink.

Isso parecia tão claro, que houve quem vinculasse qualquer chance catalã à presença de Iniesta, responsável por baby booms na Espanha em 2010 e 2011 e dúvida para aquele jogo. O United, então detentor do título, parecia ter mais saídas e havia vencido o Barcelona de Rijkaard em 2008. Cristiano Ronaldo era o melhor do mundo, e a defesa de Ferguson, a mais confiável.

O Barcelona contou com Iniesta, mas não teve seus dois laterais titulares. Mesmo assim, os Red Devils caíram. Aos 10 minutos, Eto’o interrompeu o esboço de domínio do United marcando um golaço construído pela direita. No segundo tempo, de cabeça, Messi decretou uma vitória completamente merecida.

É, Eto’o e Messi foram invertidos por Guardiola. Se agora Ferguson toma café da manhã pensando em como parar o argentino pelo meio, naquela época ele esperava um embate com Evra, que chegou a persegui-lo fora de seu setor em claro sinal de que o United não sabia o que fazer defensivamente.

O principal erro ofensivo foi não aproveitar o jogo pelas pontas. Ronaldo é forte e sabe atuar dentro da área. Não seria um problema em si atirá-lo entre Yaya Touré (sim, o quase atacante de hoje foi zagueiro na ocasião) e Piqué. A questão é que o português, que saiu cuspindo fogo de sua última partida pelo clube, foi subutilizado. Park tende a centralizar e mal explorou o lado de Sylvinho.

Na temporada seguinte, já com o lateral no Manchester City, a gente viu a festa que Lennon fez contra ele em um Tottenham x City. O ideal seria ter Ronaldo por ali, duelando com o brasileiro. À esquerda, Rooney também não foi um oponente dos mais fortes para Puyol. Outro que ficou bem à vontade foi Busquets, o que mostrou a Ferguson que ele precisa de alguém mais agressivo que Giggs no setor.

Agora: Como o time habitual de Ferguson pode se comportar contra esse Barcelona

Por conveniência, minimizar a maioria desses problemas não passa por tantas alterações ao time que vem jogando desde as quartas-de-final contra o Chelsea. A hipótese de Rooney atuar isolado, para abrir espaço a um marcador, parece improvável. Chicharito pode ser decisivo. Rooney, já bem habituado à posição 10, não deixará Busquets em paz.

Outro ponto crucial é a presença ou não de Giggs. Fletcher não estaria fisicamente bem a ponto de substituir o galês, como tem sido ventilado. O escocês seria importante para ajudar a conter Messi, mas vale lembrar que o United não tem nele ou em Carrick um marcador à Pepe, um ferrenho cumpridor de ordens que mande prender e soltar à frente dos zagueiros.

Caso extraconjugal à parte, Giggs é o melhor jogador do time na Champions. E foi por ali, ao lado de Carrick, que ele quebrou a defesa do Chelsea e também recompôs de modo exemplar. Parar Messi, como se isso fosse possível, não parece, no caso do United, atrelado à presença de um marcador individual implacável.

A aplicada marcação por zona, sem a zona que originou a inusitada cena com Evra correndo atrás de Messi há dois anos, já seria um progresso em relação àquela final. Por falar em marcação, há mais dois pontos fundamentais: Daniel Alves agora joga, e Iniesta, o melhor em campo em 2009, também.

Apesar de ter abandonado a seleção sul-coreana para se dedicar ao clube, Park tem, segundo Evra, o fôlego mais impressionante do elenco. Daniel, portanto, que se cuide. Carrick tem de estar em dia mais feliz para suportar seu matchup, contra Iniesta. E não tem jeito: se a formação escolhida for a que vem sendo utilizada, Giggs precisa incomodar Xavi.

Além da importância de Giggs para manejar e conservar o pouco que os ingleses devem ter de posse de bola, o United conta com outra grande alternativa ofensiva no meio: Valencia, em ótima fase. Ferguson certamente não quer abrir mão de um winger autêntico que explore aquele flanco depois de perder a chance de fazê-lo contra Sylvinho.

Sim, há várias dúvidas: Mascherano ou Abidal?; Fletcher ou Giggs?; Fábio, Rafael ou O’Shea? O caso da lateral direita do United é o famoso cobertor curto, que prioriza o ataque (os brasileiros) ou a defesa (o irlandês). Sem falar na experiência europeia de O’Shea e até de Rafael, Fábio vive o melhor momento, mas isso não garante nada.

O campinho, ainda povoado de dúvidas, e as coincidências históricas estão aí. Manchester City campeão na mesma temporada, Wembley e final contra clube ibérico, exatamente como em 1967-68, no primeiro título dos Red Devils. Apesar do tão comentado déficit físico, o Barcelona parece um pouco à frente. Mas o United também parecia em 2009.

Em seu El Pichichi, Fernando Vives relembra os três títulos europeus do Barça.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , , ,

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011 Arsenal, Copas Europeias | 21:35

O Arsenal não é mais o mesmo

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Quem foi ao Emirates saiu de lá com a sensação de que muita coisa mudou em relação a 2010. Não se trata de uma pobre comparação entre a vitória de hoje e o empate da temporada passada. O Barcelona fez de novo o Arsenal se sentir visitante na própria casa em boa parte do encontro, mas o abismo entre os dois na posse de bola (61% para os blaugranas) diz muito apenas sobre o primeiro tempo. Na metade final do segundo, quando os Gunners já dominavam ligeiramente as ações, Arsène Wenger mudou ao recuar Nasri e Fàbregas para abrir espaço a mais jogadores de ataque. Com uma ajudinha de Pep Guardiola, que decidiu trocar Villa por Keita, conseguiu o inimaginável: sufocar o Barça e virar o jogo em cinco minutos.

Dá filme: O curioso caso de Jack Wilshere, veterano aos 19 anos e um mês

Contudo, ele não chegou lá apenas por ter pensado certo. A substituição-chave (Song por Arshavin) ajudou, mas o Arsenal foi muito mais atuante do que nas quartas do ano passado porque está diferente. Apesar dos recorrentes deslizes, o time desta temporada é forte e chegou mais encorpado ao confronto. Se em 2010 precisou de muita sorte para empatar por 2 a 2 em casa e sucumbiu diante de Messi na Catalunha, desta vez não roubou o favoritismo culé, mas já pode desafiar Guardiola e seus amigos. Por quê?

Porque o Arsenal tem Wilshere, um veterano de 19 anos que acertou todos os (24) passes que arriscou no primeiro tempo. Jack já é um dos melhores volantes do mundo. Ele estava no Bolton enquanto os Gunners caíam no Camp Nou. Hoje, é pura classe e um dos mais importantes fatores na volta dos contra-ataques letais.

Porque van Persie não apenas deixou o Departamento Médico, mas também voltou a ser um atacante de mão cheia, que finaliza bem de qualquer jeito. O gol à Maicon contra a Coreia do Norte prova que o holandês está saudável (bem como Fàbregas) e pegando fogo.

Porque o polonês Wojciech Szczesny, além de ter nome indigesto, parece ser grande goleiro. O que era um equívoco monumental de Wenger (manter o elenco de arqueiros com Almunia, Fabianski e Mannone) acabou, pelas linhas tortas da contusão do compatriota Fabianski, abrindo espaço ao jovem de 20 anos.

Porque o elenco, saudável em sua maioria, oferece mais variáveis a Wenger. Nasri, que começou a temporada à direita, foi deslocado ao outro lado para que Walcott fosse titular. Hoje, ele saiu de lá no segundo tempo e foi centralizado (e recuado) para criar. Avançando no contra-ataque, ajudou a arquitetar o gol de Arshavin. Os três meias, que nem sempre estão na mesma linha, são o ponto forte do esquema.

Porque o time tem mais identidade e caráter. Por exemplo, Clichy bobeou de forma retumbante no gol de Villa ao não acompanhar o movimento da linha de defensores, mas se recuperou ao fazer assistência sensacional a van Persie. O personagem Fàbregas, que apareceu ofensivamente ao iniciar o contra-ataque do segundo gol, foi muito bem cortando bolas lá atrás, especialmente quando Wenger precisou retraí-lo um pouco para abrir o time. O gol da vitória, por sinal, teve assistência do melhor jogador do clube na temporada, Nasri, ao homem que ele relegou ao banco, Arshavin.

E, finalmente, não porque a defesa continua fraca. “Volta, Vermaelen!”, dizem em Londres. Para compensar, o grande zagueiro do Barça, Gerard Piqué, está fora do segundo jogo.

Anyway, fica a imagem de um grande time, ainda sujeito a lapsos, mas que se mostrou pronto para reagir contra o melhor conjunto do mundo. E que vai lutar muito pela ainda difícil classificação.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011 Copas Europeias, Tottenham | 21:45

Arrancada para a vitória

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Há um ano e meio, Aaron Lennon era o melhor jogador do Tottenham. Arrancava com sucesso dez, quinze vezes por jogo e atormentava os laterais-esquerdos adversários. No entanto, uma lesão na virilha no fim de 2009 quebrou o encanto. Duas datas previstas para o retorno foram derrubadas, Lennon voltou apenas em abril, perdeu a chance de ser destaque na Copa e jamais retomou a velha forma. Mas hoje, quando o time mais precisava do repertório dele, o winger puxou contra-ataque em velocidade impressionante, deixou Yepes deitado e ofereceu o gol da vitória no San Siro a Peter Crouch.

Decisivo em nível continental, Crouch atribui a Lennon seu sétimo gol na temporada da Champions League. Reuters

Aliás, que vitória de caráter – e de elenco – do Tottenham! Gallas, Pienaar, Sandro e Palacios substituíram Kaboul, Bale, Modric (que ingressou no segundo tempo) e Huddlestone a contento. Dawson, promissor no Nothingham Forest e por vezes vezes falho em White Hart Lane, resgatou a boa fase após a desastrosa exibição contra o Fulham e fez a partida da vida dele ao barrar Ibra. Gomes foi gigante no segundo tempo, de maior volume milanista. Palacios e Sandro, que deve ganhar espaço depois de hoje, seguraram Seedorf e Robinho. A parceria entre Crouch e van der Vaart, um autêntico atacante, deu muito certo no primeiro tempo.

Os italianos acusaram muito mais os desfalques. Rino Gattuso tentou compensá-los com a tradicional intensidade, que hoje passou do ponto. Ele empurrou até o assistente-técnico do Tottenham, o escocês e também esquentado Joe Jordan, que foi rossonero nos tempos de atacante. Fato é que, hoje, ninguém de branco se intimidou. Os Spurs mereceram o resultado e tomaram o favoritismo. Bale, Modric e até Huddlestone devem estar bem para a volta, em 9 de março, quando os laterais Abate e Antonini certamente serão muito atacados.

O Milan não terá o suspenso Gattuso, seus três inelegíveis (Cassano, van Bommel e Emanuelson) e pode ainda não ter Ambrosini e Pirlo, cujas ausências tiraram Thiago Silva da defesa e, para a alegria de Lennon, abriram espaço a Yepes. Redknapp lamenta apenas a lesão de Corluka, que deve obrigá-lo a resgatar Hutton. Por que, afinal, ele emprestou Kyle Walker ao Aston Villa? No fim das contas, foi interessante ver o retorno de Woodgate (sim, ele mesmo), que não jogava desde novembro de 2009.

Com o resultado, o Tottenham se junta a Liverpool, Manchester United e Arsenal, todos com vitórias recentes no San Siro. E, se estamos falando de rivalidades acirradas nos últimos anos, não podemos esquecer o Arsenal-Barcelona de amanhã. Desde que retornou à Champions League, em 2004, o Barça se chocou várias vezes com clubes ingleses: Chelsea (oitavas de 2005 e 2006, fase de grupos de 2006 e semifinais de 2009), Manchester United (semifinais de 2008 e final de 2009), Liverpool (oitavas de 2007) e o próprio Arsenal (final de 2006 e quartas de 2010). Descontando os duelos da fase de grupos, os blaugranas eliminaram os ingleses cinco vezes e caíram em três ocasiões. A chance do Arsenal de diminuir o prejuízo é amanhã, no Emirates.

Braitner Moreira, editor do Tripletta, analisa aqui a postura do Milan.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 27 de maio de 2009 Sem categoria | 21:33

NÃO DEU PRO CHEIRO

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Na Euro 2008, após após o jogo da semi Espanha 3 x 0 Rússia, o técnico Guus Hiddink disse que tinha a convicção que seu time (a Rússia) só conseguiria bater a seleção espanhola se tivesse saído na frente no marcador. Depois de fazer o primeiro gol, a seleção espanhola começou a tocar a bola de uma maneira infernal, deixando os russos sem o menor poder de reação.

Hoje, a tive a mesma impressão. O troca de passes do Barcelona, liderados por Xavi e Iniesta, não permite roubadas de bola, não proporciona contra-ataques e faz com que o adversário tenha que correr demais. Ou você faz o primeiro gol (como o Chelsea fez) e fica explorando contra-ataques ou você não consegue mais buscar o empate, e ainda fica exposto a levar mais. O gol de Eto’o, marcado quando o Manchester mandava no jogo, mudou completamente o destino da final. Pode-se dizer que o melhor ataque da Europa (na verdade, do mundo) venceu a melhor defesa, mas acho mais correto dar o crédito ao meio campo azul e grená.

O Manchester, que joga marcando a saída do adversário para roubar a bola e tem um contra-ataque mortal, não achou espaço para fazer seu jogo. A partida pode até ter parecido um pouco chata, mas foi uma aula de futebol do Barcelona.

Enfim, era o jogo mais importante da temporada. O Manchester United não perdia uma partida de Champions League havia 25 jogos, desde 19/9/07, mas todo tabu um dia é quebrado.



Eto’o passou por Vidic e Carrick chegou meio segundo atrasado


AS NOTAS DO MANCHESTER UNITED

Van der Sar – 7.0
Poderia ter sido mais se não fosse ele. Não teve culpa nos gols.
O’Shea – 5.5
Controlou bem seu lado na defesa, mas não fez o algo mais que se espera de um lateral no ataque.
Vidic – 4.5
Perdeu ritmo no final do temporada. Não foi sombra do jogador eleito o melhor da temporada pela Liga Inglesa. Tomou um drible previsível no primeiro gol.
Ferdinand – 5.0
Um pouco melhor que Vidic, mas também falhou no segundo gol. Não poderia ter perdido o contato com Messi.
Evra – 6.5
Não deixou Messi crescer pelo seu lado. Isso já é muita coisa..
Carrick – 5.0
Perdeu o confronto no meio campo. Poderia ter evitado o passé de Iniesta no gol e chegou meio segundo atrasado para bloquear o chute de Eto’o.
Anderson – 4.0
Foi mal, tatica e tecnicamente. Deu uma furada grotesca e foi substituído no intervalo.
Giggs – 4.5
Não impôs seu jogo. Esteve em campo apenas.
Park – 5.0
Correu muito, como sempre, mas não produziu o suficiente para o time. Para comemorar, apenas o fato de ter se tornado o primeiro jogador asiático a jogar uma final de Champions League.
Ronaldo – 6.5
Começou com muita fome de bola, chutou cinco bolas ao gol nos primeiros 20 minutos, mas depois do gol do Barça, assim como todo o time do Manchester, foi caindo de produção. No segundo tempo, perdeu um gol.
Rooney – 5.5
Para mim o melhor jogador da temporada do Manchester, mas hoje não se encontrou.

ENTRARAM
Tevez
– 5.5
Substitui Anderson, mas não causou impacto nenhum no time.
Berbatov – 5.0
Menos ainda.
Scholes – 4,5
Entrou e merecia ter sido expulso. Não usou sua experiência em favor do time.


Messi fez de cabeça. Vê se pode. (fotos AFP)

Autor: rogerioandrade Tags: , , , , , , , ,