Sob ameaça
Até na Inglaterra, dirigente de futebol adora pagar de Roberto Justus. A questão é que o uso indiscriminado do “você está demitido” costuma golpear as finanças. A Associação dos Treinadores de Liga (LMA na sigla em inglês) revelou à BBC que, só na temporada passada, os clubes ingleses das quatro primeiras divisões gastaram £99 milhões (cerca de R$290 milhões) em demissões de técnicos.
Se alguns integram um rol de treinadores que sempre conseguem boas posições (isso é bem evidente no Brasil), outros demoram a voltar à cena. Na Inglaterra, o período médio entre a dispensa e o novo emprego é de um ano e oito meses. Mas também existem aqueles que nem sequer retornam. De acordo com a LMA, “quase metade” dos técnicos de primeira viagem não retoma a carreira após a demissão.
Considerando apenas a Premier League, foram dispensados, antes do fim da temporada passada, Chris Hughton (Newcastle), Sam Allardyce (Blackburn), Roy Hodgson (Liverpool), Roberto Di Matteo (West Bromwich) e Avram Grant (West Ham). Por costume, outubro é o mês em que treinadores começam a perder seus empregos, geralmente porque os clubes ainda acreditam na salvação de um ano que começou mal.
É assim que funciona. Steve McClaren já deixou o Nottingham Forest, da segunda divisão, após 112 dias de (péssimo) trabalho. A temporada ainda é uma criança, mas pelo menos três técnicos da elite já balançam. Do mais para o menos ameaçado, veja quem são os “prestigiados” do futebol inglês:
*Com seis pontos em sete jogos e ficha suja de duas temporadas fracas, Steve Bruce não deve durar muito no Sunderland. Niall Quinn, que o segurava no cargo, saiu da presidência. O próprio treinador admitiu trabalhar com “o melhor elenco” desde que chegou ao clube, cobrindo-se de mais pressão – como se precisasse. Os resultados pobres poderiam ser atribuídos às várias mudanças no grupo, mas ele não tem tempo para conduzir um processo de amadurecimento da equipe. As vitórias são para já.
*Era tão previsível… Sem muitas contratações relevantes (a única foi a do zagueiro Scott Dann), os cartolas indianos do Blackburn não deveriam ter o direito de contestar Steve Kean. Mas, para quem demitiu um Sam Allardyce querido pelos jogadores e de boa campanha na temporada passada, quatro pontos em sete rodadas são nada convincentes. O auxiliar John Jensen já rodou.
*Ex-atacante do Bolton e aclamado por fazer um time rústico trocar passes (há controvérsia), Owen Coyle está mal em 2011-12. Não se trata apenas das seis derrotas em sete jogos, cinco para equipes de ponta, mas da facilidade com que seu Bolton concede gols. Meio-campo e laterais frágeis e lesões de jogadores-chave colocam em xeque sua posição. De qualquer forma, ele é competente e ainda tem algum crédito. Só precisa rever um par de conceitos antes que seja tarde.
Pode até haver outros ameaçados, como Roy Hodgson (West Brom), Roberto Martínez (Wigan) e Arsène Wenger (Arsenal). No entanto, o incrível trabalho dos dois primeiros na temporada passada e a história do último devem segurá-los por enquanto. A menos que um desses clubes sinta a necessidade de uma “mudança de impacto”, às vezes cruel, como a que tirou Roberto Di Matteo do West Brom em fevereiro. Façam suas apostas.
