Incompatíveis?
Um dos grandes debates atuais no futebol inglês é a suposta incompatibilidade entre Drogba e Fernando Torres. A constante presença do marfinense no banco ainda não foi completamente esclarecida: rodízio, má fase, ou o campo é pequeno demais para ele e o espanhol? Hoje, na ótima vitória do Chelsea sobre o Copenhague, os dois jogaram simultaneamente por 20 minutos. Até pela vitória garantida, pouco tempo para avaliar. Certo é que, apesar de Torres ter melhorado, o atacante dos Blues em melhor forma é mesmo Anelka, autor de dois gols. Não significa que tenha de ser titular, mas que não pode simplesmente ser descartado em benefício de uma dupla promissora.

É quase inacreditável que esses dois tenham representado um problema por tanto tempo
Parece claro que, se Drogba tiver tempo, os dois vão se acertar e dar essa opção a Carlo Ancelotti. O esquema de hoje, um 4-4-2 simples com Ramires e Malouda abertos, é mais uma alternativa para torná-los compatíveis. Recentemente, outros treinadores do futebol inglês também tiveram de buscar soluções para que seus melhores jogadores pudessem ser mais bem aproveitados. Vamos relembrar alguns casos:
Gerrard e Lampard (Inglaterra). Sem dúvida, o mais famoso dos dilemas. O debate se intensificou após a seleção fracassar nas Eliminatórias para a Euro 2008, quando Steve McClaren fez os dois craques parecerem jogadores comuns. Depois, Fabio Capello até encontrou uma solução. Mandou Gerrard para a esquerda e deixou Lampard e Barry no meio. Antes da Copa, com o capitão do Liverpool por vezes se deslocando à faixa central e abrindo espaço a Ashley Cole, deu muito certo. Na África do Sul, com Barry fora de forma, o esquema não teve muitas chances.
Bent, Gyan e Welbeck (Sunderland). Steve Bruce certamente gostou dessa dúvida. Na primeira metade da temporada, ele tinha à disposição três atacantes em boa fase. Mesmo assim, o treinador costumava relegar Gyan ao banco. Como dois dos avançados são leves e podem jogar pelo lado do campo, era estranho que um time médio não utilizasse um deles como titular. Quando recebeu uma chance, o trio funcionou, com o ganês à direita, a revelação do Manchester United à esquerda e Bent como referência. Desse jeito, o Sunderland dominou e venceu o Bolton, com gol de Welbeck, em 18 de dezembro. Um meio-campo tão funcional, que tem os ótimos Cattermole e Henderson, permitia isso. O problema é que durou pouco. Welbeck, que deve retornar ao United para a próxima temporada, lesionou-se e volta só no fim de março. Bent pediu para ser negociado e foi para o Aston Villa.
Van der Vaart (Tottenham). Aqui, uma possível incompatibilidade entre um jogador e um esquema. Quando o meia ofensivo chegou a White Hart Lane, havia quatro bons atacantes no elenco dos Spurs. Era difícil imaginar que Harry Redknapp, um tanto rígido taticamente, fosse abandonar seu tradicional 4-4-2. Onde o ex-madridista jogaria? Na Inglaterra, cogitaram-se várias possibilidades: Bale de volta à lateral esquerda, van der Vaart na meia central (como a certa altura da final da Copa), ou mesmo no ataque. A má fase dos homens de frente não deixou dúvida. Redknapp decidiu fazer um ajuste e jogar com apenas um atacante e van der Vaart vindo de trás, num 4-4-1-1. Tem sido um sucesso.
Mais Champions
Amanhã, na França, Manchester United e Olympique de Marselha também começam a disputar um posto nas quartas-de-final da Champions. Reecontram-se Sir Alex Ferguson e Gabriel Heinze, que teve saída muito turbulenta de Old Trafford. Bruno Pessa, de Le Blog du Foot, fala aqui sobre o confronto.


















