Tempo de mudança
Diante de fantásticos 20 mil torcedores africanos, Inglaterra e Gana empataram por 1 a 1 em Wembley. O ótimo teste foi marcado pelas sete ausências inglesas e as estreias de Jarvis e Welbeck. Aliás, o último tem ascendência ganesa e chegou a flertar com a seleção africana. A sequência, que começou no sábado com a vitória sobre País de Gales pelas Eliminatórias da Euro, rendeu à seleção um novo esquema, pelo menos um novo titular e a exposição de problemas.
4-3-3. Capello tem falhado, mas ainda sabe acertar. A temporada de Wilshere e Parker pedia um setor mais povoado. O 4-3-3 dos dois jogos deixa o conjunto mais forte e não desperdiça Rooney. À esquerda, Shrek sacrifica os números, mas cansa o lateral-direito adversário e aproveita melhor a visão de jogo, o que parece bem razoável numa temporada de poucos gols. Após sete jogos seguidos sem Gerrard e Lampard juntos, já parece viável que só um deles seja titular.
Ashley Young ganhou a posição. Há um ano e meio, com Lennon on fire e Gerrard deslocado à esquerda, os wingers eram bem definidos. Depois, Walcott, Adam Johnson, Milner e até o decadente Wright-Phillips passaram por ali sem que houvesse claramente dois titulares. Hoje, o lado esquerdo é de Rooney. Mesmo ignorado na Copa e atuando como atacante no Aston Villa, Young arrebentou contra Gales, foi bem ontem (à esquerda) e deve se estabilizar na outra ponta do 4-3-3. Walcott é seu principal concorrente.
Ups and downs. A vitória em Gales e, até pelos sete desfalques, o empate contra Gana deixam a sensação de saldo positivo. No entanto, a Inglaterra continua muito sujeita a altos e baixos. A superioridade em Cardiff era tão grande, que o esboço de reação dos galeses, mesmo à base de empolgação, poderia ter sido evitado. Ontem, o gol de Gyan no fim escancarou a dificuldade em conservar o resultado num jogo difícil. Falta manter o ritmo.
Andy Carroll em pauta. Capello avisou: beba menos. Se ele tem exagerado no consumo de álcool, a recomendação é obviamente muito válida. Poderia não ter saído do vestiário, mas a informação em domínio público deve servir até para encorajar o atacante a uma resposta rápida. Em campo, ontem, o titular Carroll novamente acusou a falta de ritmo, mas marcou um golaço e foi mais um a desfrutar o 4-3-3. O homem de área do Liverpool, de 22 anos, parece ser receptivo a conselhos e tem salvação.











