Do kung-fu a Modric
Acabou para o Manchester United. E está acabando para a Inglaterra, que, na Champions League, deve ter apenas a despedida do Arsenal em Munique e a honra de sediar a decisão. A provável ausência de representantes ingleses nas quartas de final é a sequência natural do que foi discutido no blog em dezembro do ano passado. No entanto, como até José Mourinho admitiu (“o melhor time perdeu”), os Red Devils poderiam ter derrubado o Real Madrid. O blog enumera cinco episódios que determinaram a derrota por 2 a 1 e a eliminação do United em Old Trafford:
A expulsão de Nani. O lance capital do confronto, mais do que qualquer um dos cinco gols. Sem intenção, Nani aplicou em Arbeloa um golpe de kung-fu e foi expulso pelo árbitro Cuneyt Cakir, que, enquanto o português estava deitado, teve alguns segundos para pensar no que faria. Um cartão amarelo teria punido Nani com correção, condenando a imprudência sem ignorar o caráter acidental do lance. Até a expulsão, o United controlava bem o jogo e não dava sinais de que sofreria gols.
A ausência de Jones. O quebra-galho do elenco, que perdeu por lesão a partida decisiva, teria sido importante demais. Não apenas para assessorar Rafael no combate a Ronaldo, sua principal função no jogo de Madrid, mas especialmente para fechar espaços e oferecer mais energia depois da expulsão de Nani. Alonso, Modric, Özil e Kaká circulavam à vontade contra meio-campistas desgastados e sem a força de Jones, que, como Sam Allardyce descobriu há duas temporadas no Blackburn, é capaz de proteger muito bem a área.
A apatia de van Persie. Ainda que a fase não seja brilhante, o holandês poderia ter feito mais no confronto. Na primeira partida, faltou a precisão habitual quando ele perdeu uma oportunidade clara diante de Diego López. Na segunda, faltou tudo a van Persie, que se aproximou bastante de sua versão pálida da Euro 2012.
A decisão de Ferguson. Ferguson relegou Rooney ao banco com o argumento de que Welbeck seria mais eficiente em atrapalhar Xabi Alonso. De fato, Welbeck foi enérgico sem a bola e limitou a passes burocráticos o articulador do Real Madrid, que costuma ser letal nos lançamentos. Mas Rooney vive ótima fase técnica e, embora não tenha o fôlego de Welbeck, também está habituado a cumprir papéis defensivos que contrariem sua “natureza”. Teria sido mais simples perseguir Alonso do que fechar o lado direito, como no primeiro jogo. É inevitável pensar na falta que Rooney fez nos momentos em que o United dominava. Não aproveitar Kagawa, que vinha de hat-trick no sábado, foi outra opção questionável.
A entrada de Modric. O ex-dínamo do Tottenham ainda não encontrou espaço no sistema de Mourinho, que mantém Khedira e Özil nas posições que ele poderia ocupar. Mas a atmosfera de um estádio inglês fez bem ao croata, um dos grandes da Premier League até a temporada passada. Chamado logo após a expulsão de Nani, Modric mostrou seu repertório em meia hora. Além do gol que pôs o Real Madrid em situação favorável, os passes precisos e a excelente movimentação minaram o sistema defensivo do United. Foi o melhor do jogo.











