O dramático retorno a Milão
Após o alívio da torcida pela permanência do clube em White Hart Lane, Harry Redknapp manifestou o mesmo sentimento em relação à vitória por 2 a 1 do Tottenham na casa do sempre perigoso Sunderland. “Tivemos sorte”, admitiu. Ainda que sem o transferido Bent e os lesionados Turner, Cattermole e Welbeck, os Black Cats dominaram o primeiro tempo e poderiam ter feito mais além do belo gol de Asamoah Gyan. A virada deixou os Spurs em boa situação na luta pela próxima Champions, mas não escondeu os problemas que eles têm de enfrentar ainda na atual edição da copa europeia.

Essa turma levou o Tottenham à Champions. Sem Bale, Huddlestone e (possivelmente) Modric, a missão no San Siro é mais espinhosa
É grande a preocupação para o primeiro jogo das oitavas-de-final contra o Milan, já amanhã, no San Siro. Ao poupar Palacios, Crouch e Lennon, Redknapp teve de cavar fundo em seu ótimo elenco para encontrar o time que enfrentaria o Sunderland. Isso porque as lesões também deixaram o grupo sem muita gente importante. O Tottenham, que não tem Huddlestone desde novembro, perdeu recentemente Modric, Bale e van der Vaart. Sem exagero, as quatro principais peças do time estão (ou estavam) fora de combate.
À época do sorteio, em meados de dezembro, o Milan era tratado como um adversário abordável, talvez com um Ibrahimovic de vantagem. O Tottenham teve boa experiência contra a Internazionale na primeira fase e, mesmo com o primeiro lugar na chave, receberia bem um grande desafio. No entanto, a crise de lesões, que deve ter fim imediato apenas para van der Vaart, faz os Spurs sentirem uma ponta de inveja do Chelsea, igualmente campeão de seu grupo, que vai enfrentar o Copenhague.
A boa fase do time de Massimiliano Allegri também não ajuda. Ainda que sem os inelegíveis Emanuelson, van Bommel e Cassano, o líder da Serie A é muito forte. Especialmente no setor ofensivo, com Ibrahimovic, Pato e o surpreendente trequartista Robinho em grande forma. Ademais, os desfalques do Tottenham transformaram um potencial pesadelo para os laterais milanistas em uma demanda por cautela para Redknapp.

Em sua versão mais criativa, Robinho deve obrigar Redknapp a retrair os volantes Sandro e Palacios
Quatro meses após a derrota para a Inter por 4 a 3, o Tottenham volta diferente a Milão. King, Kaboul, Huddlestone, Jenas (suspenso, ao contrário do que indicava a primeira versão do post) e, depois de muito suspense, Bale não viajaram. Recuperado da retirada do apêndice, Modric foi, mas não é presença certa em campo. Figuras outrora importantes também podem não começar o jogo. Hutton foi escanteado justamente após o empréstimo de Kyle Walker ao Aston Villa. Ainda sem marcar na Premier League, Defoe vive temporada fraca após os 18 gols em 2009-10. Assim como Kranjcar, que reapareceu com gols em dois jogos consecutivos, mas, com Pienaar no elenco, não é o favorito para substituir Bale.
Redknapp pode manter o habitual 4-4-1-1 mas, em respeito a um Milan muito forte pelo centro e com Modric provavelmente preservado, o Tottenham deve se retrair. A defesa sofreu 11 gols nos seis jogos da primeira fase e precisa melhorar esse registro. A suspensão de Jenas deve transformar Sandro em titular. A escalação mais óbvia é esta: Gomes; Corluka, Gallas, Dawson, Assou-Ekotto; Lennon, Palacios, Sandro (Modric), Pienaar; van der Vaart (Kranjcar); Crouch (Defoe).
Os problemas na hora errada transformaram os rossoneri em favoritos. No entanto, se van der Vaart, o artilheiro do Tottenham na temporada, realmente retornar, uma jogada óbvia e de algum sucesso em 2010-11 pode arruinar os planos milanistas de clean sheet no San Siro: lançamento para Crouch (com dores nas costas, ele também virou dúvida), que ajeita de cabeça para a finalização certeira de van der Vaart. Sem Bale para embasbacar o San Siro mais uma vez, pode não haver muito além disso e da dedicação defensiva para voltar a White Hart Lane com boas chances.