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sexta-feira, 16 de março de 2012 Fulham, Swansea | 19:02

Fulham e Swansea

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Os fãs do futebol inglês sabem que o charme da Premier League não se resume a grandes clássicos. Partidas que não entram na grade de programação da TV brasileira também podem reservar algo especial para quem as acompanha. Amanhã, o carismático Craven Cottage deve receber uma delas. Fulham e Swansea se enfrentam ao meio-dia de Brasília e têm ótimos argumentos para fazerem um jogo bem interessante.

Apesar de ser contestado por uma numerosa ala de torcedores do Fulham, Martin Jol tem, no mínimo, boas intenções. Nas últimas quatro rodadas da Premier League, nas quais os Cottagers acumularam três vitórias, o técnico holandês foi bastante ousado. O habitualmente titular Dickson Etuhu virou reserva, e o capitão Danny Murphy, de toque refinado, tornou-se o maior responsável pela marcação no meio-campo.

Prévia do Guardian: os queridinhos Pogrebnyak e Sigurdsson frente a frente

Por conta da versatilidade do belga Moussa Dembele, cobiçado por Arsenal, Tottenham e Liverpool para o próximo mercado, Jol tem conseguido reunir Murphy, Dempsey, Duff (ou Bryan Ruíz), Andy Johnson, Pogrebnyak e o próprio Dembele na mesma escalação. O Fulham, que há um tempo agonizava com peças estáticas em campo, ao menos agora tenta priorizar a abundância de jogadores capazes do meio para frente.

Contra um Swansea que sempre tenta trocar passes curtos para envolver o adversário, a prévia do Guardian (figura ao lado; sem Johnson e com Ruíz no time) faz muito sentido ao apontar um meio-campo congestionado por opções de ótima qualidade. Ainda assim, em Craven Cottage, a equipe galesa enfrenta o grande desafio de manter o estilo que lhe rendeu a alcunha de Swanselona sem permitir que o forte arsenal ofensivo do Fulham, com um Dempsey e um Pogrebnyak letais na frente do gol, atue à vontade. O inquestionável zagueiro Ashley Williams, como sempre, será fundamental.

Mesmo com problemas para repetir em outros estádios as exibições do Liberty Stadium, o Swansea mostrou contra o Manchester City, na rodada passada, que não precisa temer ninguém. A agressividade do islandês Sigurdsson num meio-campo que trata tão bem a bola foi a cereja no bolo do técnico Brendan Rodgers, e os cisnes têm alguma chance amanhã. No primeiro turno, em Gales, o Swansea venceu bem, por 2 a 0.

Confira a classificação da Premier League.

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Premier League e FA Cup na TV.

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quinta-feira, 15 de março de 2012 Chelsea, Copas Europeias | 19:06

Hiddink italiano

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A cidade de Manchester caiu diante da Península Ibérica. United e City foram eliminados com justiça da Liga Europa por Athletic Bilbao e Sporting, que venceram três dos quatro jogos das eliminatórias. Houve um pouco de complacência dos ingleses, mas muito de bom futebol do Athletic e de péssima fase do Manchester City, que demorou demais a reagir contra o quarto colocado da liga portuguesa. Para ambos, vida e Premier League que seguem.

Com o completo fracasso inglês na segunda competição continental, o último representante do país na Europa é o Chelsea. Sim, aquele time preguiçoso que havia levado 3 a 1 do Napoli no San Paolo conseguiu se recuperar na Champions. A classificação com a assinatura da oligarquia que derrubou André Villas-Boas, comemorada por um extasiado Roberto Di Matteo (vocês viram quando ele atropelou Fernando Torres logo após o jogo?), lembra demais o que aconteceu há três anos.

Di Matteo faz pênalti em Drogba

Pelo trabalho limitado a meia temporada e a relação insustentável com os senadores do elenco, a crítica adora associar Villas-Boas a Luiz Felipe Scolari. Então, também é pertinente associar Di Matteo a Guus Hiddink, substituto de Felipão em Stamford Bridge. Boa parte do sucesso do holandês no Chelsea (semifinal da Champions e título da FA Cup) pode ser atribuída ao ambiente de camaradagem que ele criou numa rede de amigos que envolvia Abramovich, Lampard, Terry, Drogba e quem mais você imaginar.

Hiddink é muito mais experiente do que Di Matteo, que tem apenas trabalhos consistentes em Milton Keynes Dons e West Brom. A questão não é essa, mas o efeito da substituição de um técnico renegado pelo elenco por outro benquisto. Com três vitórias, um gol sofrido, uma classificação épica e uma celebração engraçada de tão intensa, Di Matteo pelo menos passa a impressão de que seu ambiente é ótimo. Vale registrar que, como jogador, ele foi parceiro de Terry e Lampard até a aposentadoria, em 2002.

Ainda que tenha figuras decadentes, o elenco é capaz. Como em 2008-09, quando o Barcelona de Pep Guardiola contou com sucessivos erros de arbitragem para eliminar o Chelsea, o time pode surpreender na Champions, que, aliás, quase conquistou em 2007-08 com o também interino Avram Grant. O ambiente em Stamford Bridge é tão determinante para o sucesso, que uma melhora repentina dele muda uma temporada. Não dá para lutar pela liga, mas os Blues de Di Matteo estão vivos em duas copas, mesmo cenário que Hiddink encontrou há três anos.

Em longo prazo, porém, o Chelsea erra ao manter o modelo oligárquico com uma panelinha de jogadores no poder.

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quarta-feira, 14 de março de 2012 Debates, Liverpool | 14:55

O príncipe

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Steven Gerrard ignora a lógica. Sua temporada já teve duas lesões sérias e outros tantos problemas físicos menores, ele havia retornado ao time com uma atuação pálida contra o Sunderland no fim de semana e, definitivamente, não parecia estar em boa forma. Sem qualquer sinal que sugerisse uma recuperação, Gerrard subiu ontem ao gramado de Anfield como se fosse meramente um dos 22 titulares do Merseyside Derby. Duas horas depois, voltava para casa na companhia da bola com a qual, de maneira brilhante, marcou todos os gols da vitória do Liverpool por 3 a 0 sobre o Everton.

Gerrard é capitão, bandeira do clube, craque e indispensável a este elenco, ou seja, reúne todas as características para ser venerado pelos torcedores. A título de exemplo, Jamie Carragher, contemporâneo de Gerrard e também ídolo em Liverpool, é apenas bandeira, ainda que seja exemplo de dedicação e serviços prestados nos últimos 15 anos. O colunista não pretende diminuir a dimensão de Carra na história do clube, mas posicionar Gerrard no lugar que ele merece.

Gerrard leva a criança para casa

Mas que lugar seria este? Bem, há seis anos, o site do Liverpool organizou uma pesquisa em que os torcedores apontaram os 100 melhores jogadores da história do clube. Gerrard ficou na segunda posição, atrás apenas do atual treinador, Kenny Dalglish, ídolo máximo em Anfield nas vitoriosas décadas de 1970 e 1980. À época, o capitão tinha apenas 26 anos e acabara de, com atuações sensacionais, conduzir o Liverpool às conquistas da Champions League de 2005 e da FA Cup de 2006.

É natural que a eleição tenha sido influenciada pelo momento brilhante de Gerrard e até pela perspectiva do que ele ainda poderia fazer pelo clube. A partir dali, os títulos rarearam, é bem verdade, mas o nível do capitão não caiu. Aliás, o ápice da carreira dele aconteceu em 2008-09, quando a Premier League quase voltou para Anfield. Na semana em que o Liverpool venceu Real Madrid por 4 a 0 na Champions e Manchester United por 4 a 1, Zinedine Zidane tratou de qualificá-lo como “o melhor do mundo”.

Ian Rush, John Barnes, Kevin Keegan e Graeme Souness atuaram numa época muito mais gloriosa para o clube, mas o protagonista dessas gerações, Kenny Dalglish, já é devidamente reconhecido como “o rei”. Quando falamos de Gerrard, a capacidade de executar todos os fundamentos em campo, certamente superior à de seus rivais históricos, a força mental que já tirou vários milagres da cartola e a fidelidade ao clube dão crédito à eleição de seis anos atrás: mesmo neste Liverpool problemático, Gerrard se consolida como o segundo melhor de todos os tempos em Anfield. E, como ele fez questão de esclarecer ontem, sua carreira ainda não acabou.

Mais sobre Steven Gerrard.

Mais sobre Kenny Dalglish.

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segunda-feira, 12 de março de 2012 Man Utd | 16:03

Meia-volta, volver!

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United 8 x 2 Arsenal, em 28 de agosto de 2011

Antonio Conte iniciou seu trabalho na Juventus com um inovador 4-2-4. Na verdade, era nada além de um 4-4-2 com wingers muito ofensivos, mas a definição diferente serviu para que a novidade fosse discutida. Com menos alarde, o Manchester United também começou a temporada assim. O time que goleou o Arsenal por 8 a 2 em agosto, por exemplo, teve Cleverley, Anderson, Nani, Young, Welbeck e Rooney.

Aquele foi o melhor futebol apresentado pelo United em 2011-12. A derrota por 6 a 1 para o Manchester City em outubro, a queda de Nani e as lesões de Young e Cleverley obrigaram Alex Ferguson a reconsiderar a postura da equipe, que, mais cautelosa, foi eliminada de três copas, mas acaba de resgatar a liderança da Premier League com excelentes 67 pontos em 28 jogos. É exatamente agora que Ferguson volta ao ataque.

Ontem, enquanto o City perdia por 1 a 0 para o Swansea em Gales, um United bem mais ousado vencia o WBA por 2 a 0 em Old Trafford. Carrick e Scholes foram os meias centrais que deram sustentação a Welbeck (aberto pela direita), Young (pela esquerda), Rooney e Chicharito. O 4-4-2 ofensivo e fluido (ou simplesmente 4-2-4) do início da temporada é uma aposta razoável para a reta final porque as circunstâncias favorecem.

O United tem a obrigação de controlar nove dos dez jogos até o fim do campeonato. À exceção do Manchester City, adversário na 36ª rodada, todos os oponentes estão abaixo da sétima posição. Fulham, Everton e Swansea, que seriam anfitriões indigestos, vão ter de visitar Old Trafford. A melhor maneira de evitar uma reedição do domínio exercido pelo Athletic Bilbao na quinta-feira passada é agredi-los como no início de 2011-12.

Para o quarteto ofensivo brilhar, é fundamental que os meias centrais estejam bem. Nesse sentido, o retorno de Scholes é perfeito porque oferece qualidade no passe e cobertura a Cleverley, que também está de volta. Além disso, Carrick é consistente há bastante tempo. Ferguson ainda pode contar com Giggs, Anderson, Pogba e, quando quiser recuperar a bola com mais facilidade, Jones para o setor.

É justo lembrar que o City é o melhor time da Inglaterra e depende das próprias forças, mas também que teve uma semana péssima, em que até David Silva decepcionou. Enquanto isso, em Old Trafford, Young e Rooney resgatam a ótima afinação do começo de 2011-12. A temporada ainda não é, mas pode terminar empolgante para o United.

Leia aqui a ótima entrevista que Alex Ferguson concedeu ao iG.

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sexta-feira, 9 de março de 2012 Copas Europeias, Debates, Man Utd | 17:23

Tipo importação

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Old Trafford não reprimiu Marcelo Bielsa

Em sua visita a Old Trafford, o Athletic Bilbao mostrou duas virtudes irrefutáveis. A primeira é individual, de ótimos jogadores como Javi Martínez, De Marcos, Muniain, Susaeta e Llorente, que derrubam o conceito preconceituoso de que o clube, limitado a atletas bascos, não pode competir em alto nível. A segunda e mais importante é coletiva: os habituais ataques em bloco, pressão à defesa adversária e zelo com a posse de bola que fazem de Marcelo Bielsa um treinador brilhante.

O resultado foi bem além da vitória basca por 3 a 2, que ainda dá margem à sobrevivência do United na Liga Europa. O Athletic teve 55% de posse de bola e incríveis 14 finalizações certas (o dobro do United), que exigiram uma notável atuação de De Gea. Alguém pode alegar certa complacência dos ingleses (visível, por exemplo, na preguiça de Rafael no lance do terceiro gol), mas o mérito pelo absoluto domínio da turma de Bielsa sobre a maioria titular dos Red Devils não deve ser contestado.

Nada disso é acaso. Além da elogiável concepção de futebol, Bielsa é profissional e detalhista a ponto de ter assistido a 126 horas de seu time em ação para traçar perfis do elenco e conhecer um terreno que se apresentou como um desafio inédito em sua carreira. Uma das inspirações de Pep Guardiola, o argentino é valorizado agora pela capacidade de implantar ideias que fogem ao trivial mesmo em equipes com recursos bem mais escassos que os do Barcelona.

No caso de ontem, a Inglaterra recebeu uma lição. A péssima temporada europeia dos clubes ingleses ainda parece casual e não é, necessariamente, fruto de um ou outro estilo. Ainda assim, uma liga que se notabilizou por jogos insanamente rápidos ganharia demais se alguém como Bielsa aparecesse por lá. Hoje, o time mais legal de se ver e talvez o único que tenta reeditar essa maneira de atuar é o Swansea de Brendan Rodgers, que faz os jogadores parecerem melhores do que eles realmente são.

A resistência a novas ideias é maior em clubes de ponta. Tanto que o Chelsea e suas estrelinhas destruíram de várias formas a proposta de André Villas-Boas. Mas clubes médios que desejam ser grandes não têm nada a perder com a importação do tiki-taka. Pense, por exemplo, na mediocridade do Aston Villa de Alex McLeish e do Sunderland do já demitido Steve Bruce. Pense também sobre os salários deles. Tem gente trabalhando melhor – e ganhando com autoridade em Old Trafford – por menos.

A 28ª rodada da Premier League começa amanhã. Então, passe no Fantasy e atualize seu time.

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quarta-feira, 7 de março de 2012 Listas | 20:39

Linsanity

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O New York Knicks, da NBA, melhorou seu rendimento porque encontrou no ex-reserva Jeremy Lin as respostas para sua falta de inspiração. Lin, que há algumas semanas liderou os Knicks em sete vitórias consecutivas, foi uma solução caseira e improvável. A Premier League segue o exemplo e também tem seus heróis alternativos, responsáveis principais pelo sucesso recente de suas equipes:

Pavel Pogrebnyak no Fulham. O atacante em má fase na Bundesliga que o Fulham queria era Lucas Barrios, do Dortmund, porém não houve acordo. Pogrebnyak, então, emergiu como substituto de última hora para Bobby Zamora, brigado com Martin Jol e negociado com o QPR. Mal no Stuttgart, o russo fechou contrato por seis meses e já tem incríveis cinco gols em três jogos pelo Fulham. Está certo que a chegada dele coincidiu com o melhor momento coletivo dos Cottagers, mas o impacto do novo atacante foi fundamental para os 100% de aproveitamento nas últimas três rodadas e o atual oitavo lugar.

Gylfi Sigurdsson, nome de craque

Gylfi Sigurdsson no Swansea. Sigurdsson é um meia magrelo e islandês, ou seja, o estereótipo perfeito para alguém sentenciar que ele “não joga nada”. Gylfi arrebentou nos tempos de Reading e começou muito bem na Alemanha pelo Hoffenheim. Como estava mal em 2011-12, era a contratação óbvia para qualquer time médio da Inglaterra. O Swansea foi mais esperto, garantiu o empréstimo em janeiro e já lucrou três golaços e três assistências nos sete jogos dele, que virou o complemento perfeito para Joe Allen, Scott Sinclair e Nathan Dyer no meio-campo dos cisnes. É a prova definitiva de que a Islândia vai além de Gudjohnsen e do vulcão Eyjafjallajoekull.

James McClean no Sunderland. Ele já foi analisado por aqui.

Peter Odemwingie no West Brom. Odemwingie, de quem ninguém esperava muito antes da temporada passada, é uma das contratações mais sagazes da história da Premier League, um achado por 1 milhão de libras. Em 2011-12, porém, ele havia desaparecido e virado até coadjuvante de Shane Long nas primeiras rodadas. O desempenho no ano de estreia parecia um ponto fora da curva, mas ele reagiu recentemente com cinco gols nos últimos três jogos. Tem tudo a ver com a melhora do WBA, que chegou à primeira metade da tabela.

Alex Chamberlain no Arsenal. Deu certo antes do previsto e se converteu numa promessa e tanto para o futebol inglês. Ontem, fora de posição, foi a novidade que permitiu ao Arsenal quase eliminar um Milan que parecia estar vários níveis acima. Depois do caminhão de gols de van Persie, Chamberlain é a melhor historia dos Gunners na temporada. Cabe a Arsène Wenger dar espaço para ele continuar evoluindo e utilizá-lo com frequência entre os titulares.

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terça-feira, 6 de março de 2012 Newcastle, Sunderland | 14:44

Dérbi à parte

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Expulsão no Tyne-Wear derby não é exatamente uma surpresa

Não à toa, o Tyne-Wear derby do domingo foi especialmente disputado. Empatados por 1 a 1 no St. James’ Park, Newcastle e Sunderland podem, pela primeira vez desde a distante temporada 1954-55, terminar juntos na metade superior da tabela. O Newcastle está dez pontos e seis posições acima, mas parece claro que essa não é a diferença real entre os times. Tanto que, curiosamente, o saldo de gols do Sunderland é melhor (4-0). A coluna, então, tenta descobrir quem de fato leva vantagem no Nordeste da Inglaterra:

Apesar do momento favorável, os plantéis de Newcastle e Sunderland não são exatamente primorosos. O primeiro agonizou quando perdeu Tioté por lesões e para a Copa Africana. Na defesa, há um problema sério de reposição. Uma derrota em dezembro por 4 a 2 para o Norwich, que construiu todos os gols pelo alto, foi consequência de uma terrível dupla central formada por Simpson e Perch, que nem zagueiros são.

O Sunderland jamais chegou a esse ponto, mas tem um ataque deficiente, uma vez que o baixinho Sessegnon, um criador de jogadas na essência, foi isolado algumas vezes na frente. Se Bendtner, emprestado pelo Arsenal, se mantiver saudável e humilde (difícil), a questão é parcialmente resolvida. No frigir dos ovos, o time titular* do Newcastle é ligeiramente melhor por contar com mais jogadores de primeira classe (Tioté, Cabaye, Ba e Cissé), embora o Sunderland tenha mais peças de reposição.

Você deve ter reparado que todas as estrelas dos Magpies são contratações recentes. Se a administração de Mike Ashley é contestável, ao menos a equipe de observadores de Graham Carr é ótima e já poupou muito dinheiro do clube. No Sunderland, que trocou os comandos técnico e administrativo há pouco tempo, as contratações também costumam ser sagazes. Vale lembrar que Onuoha, Henderson, Bent, Welbeck e Gyan, todos fundamentais na temporada passada, foram embora, o que obrigou uma rápida remontagem. Ainda que tenha falhado em campo, Steve Bruce foi bem nesse aspecto, sempre gastando menos do que qualquer outro que estivesse em sua posição.

De técnico, aliás, ninguém pode reclamar. Martin O’Neill, torcedor de infância do Sunderland, causou impacto imediato ao substituir Bruce: foram conquistados 22 dos primeiros 30 pontos em disputa. O’Neill perde apenas para Alex Ferguson entre os treinadores britânicos e deve fazer no Stadium of Light o que fez no Villa Park: colocar o clube entre os oito melhores do país. No Newcastle, Alan Pardew realiza trabalho notável. Seu estilo mais direto de futebol, quase sempre com dois centroavantes, não é lá muito popular, mas tem saído melhor que a encomenda.

Com boa capacidade de investimento, o Sunderland pavimenta um futuro até mais promissor que o do Newcastle. Se O’Neill ficar no clube, além de contratar, ele ainda poderá assistir à evolução de gente como James McClean, Ji Dong-Won e Connor Wickham, todos garimpados pelo clube no início desta temporada. O Newcastle, por sua vez, deve continuar investindo na observação detalhada de talentos subestimados para evitar um fiasco como o da geração de Owen, Duff e Geremi, que culminou em rebaixamento.

Se a pergunta fosse “quem tem mais chances de superar o rival na próxima temporada?”, a resposta seria “Sunderland”.

*Time atual do Newcastle: Krul; Simpson, Steven Taylor, Coloccini, Santon; Ryan Taylor, Tioté, Cabaye, Jonás; Ba, Cissé.

Time atual do Sunderland: Mignolet; Bardsley, Brown, O’Shea, Richardson; Larsson, Cattermole, Gardner, McClean; Sessegnon; Bendtner.

Autor: Daniel Leite Tags: ,

segunda-feira, 5 de março de 2012 Chelsea | 10:59

Junta técnica

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Villas-Boas, ator coadjuvante, fotografado durante o "Oscar do Esporte"

O jornalista e torcedor do Fulham Felipe Marra Mendonça, morador de Londres, fez uma sugestão interessante a Roman Abramovich. Em vez de contratar outro treinador ou mesmo ceder o lugar interinamente a Roberto Di Matteo, por que não criar uma espécie de junta técnica com John Terry e Frank Lampard no comando?

Em algum momento do finado trabalho de André Villas-Boas, houve a ilusão de que o Chelsea mudaria seu paradigma de subserviência do manager em relação aos jogadores. O português bateu de frente com Lampard ao transformá-lo em peça de rodízio do elenco e silenciá-lo temporariamente, passando a impressão de que o Super Frankie, que aos quase 34 anos perdeu seus poderes especiais, aceitaria o novo status.

No entanto, o decadente meia rapidamente rompeu o silêncio e adotou um discurso apelativo, de que “só queria jogar” e “o técnico não explicou por que o barrava”. A relação de Lampard e Terry (que também não faz um bom ambiente) com os torcedores é muito emocional, pois, desde José Mourinho, eles são as únicas referências que já estavam no clube antes da chegada de Abramovich. Ou seja, mexeu com eles, mexeu conosco.

Contraditoriamente, a dupla é muito próxima a Abramovich, que, como Luiz Felipe Scolari evidenciou hoje, mantém há bastante tempo um relacionamento íntimo com um grupo de atletas que joga para escanteio qualquer treinador que ameace a oligarquia. Enquanto isso, Villas-Boas foi deteriorado pela panelinha, e o Chelsea perdeu um manager promissor que, na opinião do colunista, claramente sabia o que estava fazendo.

Como Abramovich se recusa a dispensar suas referências problemáticas e sempre prefere a cabeça do manager, a sugestão do início do texto é perfeita: saia do armário, Roman, e assuma de vez quem manda em Stamford Bridge. Terry-Lampard não seria exatamente uma nova era, mas a formalização do que é, há muito, a realidade deste Chelsea.

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sábado, 3 de março de 2012 Arsenal | 17:22

Dependência ou morte

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Walcott dá a nota para a temporada de van Persie

Na temporada passada, os torcedores de West Ham e Blackpool depositavam quase todas as esperanças em Scott Parker e Charlie Adam, respectivamente. Os dois clubes acabaram rebaixados à segunda divisão, mas Parker e Adam, premiados pelo ótimo desempenho, continuaram na Premier League. É natural que equipes menores tenham uma referência a quem entreguem todas as responsabilidades. Estranho é que isso aconteça no Arsenal.

E como acontece! Robin van Persie decidiu de novo. O Arsenal foi dominado pelo Liverpool no clássico de hoje, mas um par de toques do holandês silenciou Anfield. Van Persie agora tem incríveis 25 gols em 27 partidas na Premier League. Associando-os às oito assistências dele, chegamos a uma participação direta em 33 dos 55 gols marcados pelos Gunners, exatamente 60%.

A excelência do atacante aponta dois caminhos. O primeiro, mais imediato, é que van Persie pode, com uma bela ajuda do Chelsea, levar o Arsenal a uma improvável vaga na Champions. O outro, de médio prazo, é a saída dele, considerando que as discussões para a renovação do contrato (o atual vai até 2013) foram adiadas pelo próprio jogador e que ele está muito acima do nível médio do elenco.

De qualquer maneira, a facilidade dele para marcar gols, desenvolvida por Arsène Wenger (pense no RvP de três anos atrás), é um trunfo inestimável para o Arsenal. Na temporada mais difícil do treinador francês, van Persie já evitou vários surtos de crise. De importância comparável à que ele tem hoje para o time, talvez haja Ba no Newcastle, Dempsey no Fulham e Yakubu no Blackburn, não mais que isso.

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quinta-feira, 1 de março de 2012 Inglaterra | 20:41

Ainda sem rumo

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Stuart Pearce, que certamente não é um grande treinador, conhece bem seu papel no processo de sucessão a Fabio Capello na seleção inglesa. Ele está desfrutando a condição de técnico interino e até sugeriu que poderia comandar a Inglaterra na Euro, mas admite que ainda não tem a experiência (leia-se: capacidade) ideal para assumir uma cadeira desse tamanho. Portanto, sua função é dar mais um tempo à Football Association, que já enrola há muito mais do que deveria.

A miscelânea inglesa que perdeu para a Holanda por 3 a 2 em Wembley não é um projeto pronto. Aliás, nem sequer trilhava esse caminho sob Capello, que mudava esquema, estilo e titulares como quem troca de técnico no Brasil. Considerando que Pearce, que fracassou na Euro sub-21 do ano passado com uma ótima geração, não é a escolha certa para ir a Polônia e Ucrânia, a substituição precisa ser rápida, embora a FA insista que não vai se apressar. De qualquer forma, certos conceitos já podem ser definidos como dogmas para a Euro:

Oi, tchau: Stuart Pearce não é o nome certo

- Ashley Young tem de ser protagonista. Sim, isso mesmo. Sua primeira temporada no Manchester United não se desenvolveu como deveria, mas ele é o melhor jogador da seleção desde o ano passado. Quase sempre atua bem, marca gols com regularidade e, pela Inglaterra, surra todos os concorrentes (Walcott, Downing, Adam Johnson…). O gol marcado contra a Holanda pode lhe recuperar o moral.

- Os fisicamente confiáveis devem ter preferência. Por exemplo, não dá mais para projetar o time com Wilshere. Gerrard, que saiu lesionado do amistoso, também não oferece garantias. Os que sempre estão à disposição, como o agora capitão Parker, devem ser as referências. Hoje, o único jogador que justifica um plano B é Rooney, que poderá atuar a partir da terceira rodada da Euro.

- Os jovens são fundamentais. Não se trata de pensar no futuro ou preparar a Inglaterra para 2014. Se o garoto é o melhor da posição, ele deve ser utilizado. Por exemplo, sem Rooney e Bent para iniciar a Euro, o treinador tem de abrir os olhos a Sturridge e Welbeck. O fracasso na Euro sub-21 de 2011 pode pesar contra eles, mas o caso Joe Hart, reserva dos perigosos Robert Green e David James na Copa em 2010, mostra como o conservadorismo vira veneno quando em dose exagerada.

Autor: Daniel Leite Tags: , , ,

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