Até mais, GB*
A campanha invicta da Grã-Bretanha no futebol olímpico foi bastante parecida com a da Inglaterra na Euro: primeiro lugar no grupo, alguma evolução durante o torneio e, para não perder o hábito, derrota nos pênaltis. É difícil falar em fracasso após tantos obstáculos enfrentados na formação do elenco, mas há certa frustração por não subir ao pódio e ainda mais pela eliminação diante da Coreia do Sul, cujos atacantes são Ji Dong-Won, reserva no Sunderland, e Park Chu-Young, figurante no Arsenal.
Embora tenha feito bons ajustes durante a competição, Stuart Pearce não melhorou sua imagem como técnico. A insistência em improvisar o lateral-esquerdo Neil Taylor na direita, apesar de contar com Micah Richards, e a incapacidade de montar um time que realmente controlasse jogos, mesmo tendo ótimas opções no meio-campo, inibem qualquer clube da Premier League de contratá-lo.
Não obstante a eliminação precoce, há vencedores no time britânico. Ainda que pudesse ter feito mais contra a Coreia do Sul, Jack Butland consolidou-se como o melhor goleiro britânico sub-23, ganhando a disputa pela posição com Jason Steele. Antes do salto à Premier League, o desafio do garoto de 19 anos é atuar regularmente no Birmingham, que na temporada passada o emprestou ao Cheltenham Town, da quarta divisão.
Os meias centrais também aproveitaram a chance de disputar um torneio de seleções. Escalado entre as linhas de defesa e meio-campo, o mirrado galês Joe Allen foi bem consistente na organização do time e até roubando bolas, o que pode tirá-lo mesmo do Swansea na próxima temporada. Tom Cleverley fez boa competição e, caso supere as lesões, deve ganhar terreno na corrida para suceder Paul Scholes no Manchester United. Allen e Cleverley deixaram Aaron Ramsey (no primeiro jogo) e Ryan Giggs (nos dois últimos) no banco.
Por outro lado, os Jogos Olímpicos também expuseram (não que seja novidade) como vários ingleses que estiveram em Londres jamais devem ser promovidos à seleção principal. O zagueiro James Tomkins é bastante inseguro, o volante Jack Cork está um nível abaixo dos outros, e o atacante Marvin Sordell é o símbolo de como a Inglaterra precisa melhorar sua produção de centroavantes.
No feminino, decepção e legado
As mulheres do Team GB foram mal nas quartas de final, quando perderam para as canadenses por 2 a 0. A eliminação do bom time de Hope Powell é dolorosa especialmente pela sensação de que uma medalha era até provável. No entanto, a participação deixa um legado importante: a vitória por 1 a 0 sobre o Brasil na primeira fase, para mais de 70 mil pessoas em Wembley. O resultado repercutiu de maneira muito positiva e pode, como sugere o slogan das Olimpíadas, inspirar uma geração.
*Depois dos Jogos, o Team GB se desintegra no futebol. As quatro seleções britânicas seguem separadamente.




