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quinta-feira, 14 de março de 2013 Reading, Stoke City | 16:19

O outro lado

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A semana na Inglaterra foi marcada por outra demissão de um treinador intimamente ligado ao progresso de um clube. Depois de Nigel Adkins, dispensado pelo Southampton há dois meses, Brian McDermott, que liderou o acesso do Reading à Premier League, perdeu o cargo na segunda-feira. McDermott deixa o Reading a quatro pontos da saída da zona de rebaixamento e apenas 33 dias após receber o prêmio de Treinador do Mês referente a janeiro.

É mais um caso clássico em que o técnico é vítima do próprio sucesso, e a diretoria parece não compreender que, salvo raras exceções, o caminho natural para um time recém-promovido é a luta contra o rebaixamento. Como no caso de McDermott, o blog geralmente é favorável à estabilidade, ou seja, à manutenção de um trabalho bem-sucedido que, de certa forma, está atendendo às expectativas. Mas existe um exemplo dissonante na Premier League: o Stoke City.

Tony Pulis treinou o Plymouth em 2005-06, única temporada desde 2002 em que ele não esteve no Stoke. Em duas passagens, Pulis se aproxima dos dez anos de Britannia e pode ter orgulho do que fez pelo clube até agora. Esta é a quinta participação consecutiva na Premier League dos Potters, que mantêm regularidade impressionante: são apenas dois degraus entre a melhor (11ª, em 2009-10) e a pior (14ª, em 2011-12) posição final em cinco temporadas na elite. A ameaça de rebaixamento quase sempre permaneceu sob controle.

A fórmula do Stoke é bem conhecida. Futebol rústico, lançamentos longos, arremessos laterais à área e defesa com disciplina militar garantem a estabilidade da equipe na primeira divisão. Nesta temporada, com as contratações do defensor Geoff Cameron e do volante Steve N’Zonzi, houve a impressão de que a fórmula tinha sido aperfeiçoada. Por exemplo, nas seis primeiras partidas em casa, os Potters sofreram apenas um gol, marcado pelo Manchester City na quarta rodada. Liderada pelo capitão Shawcross e o goleiro Begovic, a defesa era quase imbatível no Britannia.

Tony Pulis: o que era espetacular há cinco anos pode não ser suficiente hoje

Embora se sustente na 11ª posição, o Stoke desabou em 2013 e ainda não está totalmente livre da queda. Em nove jogos, perdeu sete. A segurança defensiva foi embora (ainda que Begovic siga fazendo seus pequenos milagres), e o ataque continua pobre, muito pobre. Em toda a temporada, a posse de bola média (42,8%), o índice de passes certos (70,3%) e as finalizações por jogo (9,8) superam apenas os números do Reading. O Stoke é ainda o time que menos acerta finalizações, menos dribla e o segundo que mais comete faltas.

Não há nada errado com o estilo descrito nos dois últimos parágrafos, mesmo que ele não seja “agradável”. Pelo contrário, é ótimo que a equipe tenha uma identidade e ofereça diversidade à liga, até para impor um desafio bem particular aos outros 19 clubes. Mas será que o Stoke progride como deveria? Pulis adora qualificar o próprio time como underdog, isto é, aquela zebra que, à base de muita dedicação, consegue resultados inesperados. Fazia sentido na primeira temporada dos Potters na Premier League, mas agora soa como um discurso para autoproteção.

Uma pesquisa surpreendente aponta o saldo de transferências (o que arrecadou em vendas menos o que gastou em compras) do Stoke como o terceiro pior da Premier League nos últimos cinco anos. Apenas Manchester City e Chelsea, como você já imaginava, apresentam uma “balança comercial” mais desfavorável. Em sua aventura na Premier League, Pulis despejou £89 milhões em jogadores e recebeu somente £8,5 milhões em vendas*. Palacios foi comprado por £6 milhões, mas quem joga é Whelan. Foram investidos £22 milhões em Crouch, Jones e Jerome, mas tem vaga para apenas um deles, considerando que Walters não sai do time. Gasta-se mal demais em Stoke-on-Trent.

A base do Stoke não revela ninguém, e jogadores comprados por muito dinheiro não têm potencial de revenda (ainda que alguns se adaptem perfeitamente ao estilo de Pulis). O clube, apesar de ter mudado de status do ponto de vista financeiro, permanece no mesmo patamar em campo, sem novidade, com raríssimos sinais de evolução. Pulis foi o melhor treinador que o Stoke poderia ter na última década, porém não faltam argumentos para defender troca no comando, antes que seja tarde.

*Dados divulgados pelo jornalista Michael Cox

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Autor: Daniel Leite Tags: , , ,

sexta-feira, 10 de agosto de 2012 Norwich, Reading, Southampton, Wigan | 15:40

Guia da temporada (parte 1)

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Roberto Martínez: pronto para mais um milagre?

Faltam apenas oito dias para o início da Premier League 2012-13, razão pela qual a coluna publica a primeira parte do guia da temporada. As previsões não são científicas, mas baseadas em impressões. Começamos com Norwich, Wigan, Reading e Southampton:

Norwich. Chris Hughton, novo treinador dos Canaries, pretende provar que o clube pode sobreviver sem Paul Lambert, responsável por tirar o Norwich da terceira divisão e levá-lo até a 12ª posição da primeira. Lambert montou quase todo o elenco e conhece profundamente suas limitações e virtudes. Hughton tem o compromisso de alterar o mínimo possível em relação à temporada passada, manter o artilheiro Holt satisfeito e fazer o time evoluir gradativamente. Seu principal reforço é Snodgrass, ex-meia do Leeds United. Snod, que era ídolo em Elland Road, pode aproveitar o entrosamento de longa data com Howson, seu companheiro durante quase quatro anos em Leeds. Previsão para a temporada: 20º.

Wigan. Os Latics assombraram a Inglaterra com uma sequência de ótimos resultados e atuações na reta final da temporada passada, porém o cenário não é exatamente animador. O Wigan ainda não perdeu titulares no mercado, mas Diamé e Rodallega, contratados por West Ham e Fulham, eram nomes relevantes no grupo. Moses, jogador mais valioso do elenco, também pode sair. A boa notícia é a permanência de Roberto Martínez, que flertava com Liverpool e Tottenham há algumas semanas. No entanto, a quarta temporada do técnico espanhol no DW Stadium deve ser a mais difícil. Embora não seja prudente apostar contra o Wigan, a equipe terá de trabalhar muito para não sucumbir à maior competitividade de 2012-13. Previsão para a temporada: 19º.

Reading. O campeão da segunda divisão adotou um modelo sagaz de contratações, gastando pouco nas transferências e muito nos salários. Guthrie e Pogrebnyak são os principais reforços, mas é preciso destacar também o fortalecimento da defesa. Shorey (que retorna ao Reading), Mariappa e Gunter (nomes confiáveis na Championship que merecem a chance na Premier League) oferecem segurança e profundidade. De qualquer maneira, para escapar do rebaixamento, o Reading depende demais da consistência do trabalho de Brian McDermott, que soube administrar o elenco mesmo nos momentos em que o clube arrecadava bem mais em vendas do que investia em compras. O time, porém, tem enfrentado muitos problemas nos amistosos. Previsão para a temporada: 18º.

Southampton. O desempenho dos Saints beirou a perfeição no último biênio, com dois acessos diretos consecutivos. A administração segura do proprietário Nicola Cortese e o trabalho irretocável do técnico Nigel Adkins dão confiança para enfrentar a Premier League, assim como fez o Norwich na temporada passada. A grande expectativa fica em torno do desempenho de nomes como Adam Lallana, Rickie Lambert e o brasileiro Guly do Prado, que foram dominantes em divisões inferiores e agora precisam competir em outro nível. Eles têm o apoio de Steven Davis e Jay Rodriguez, dois ótimos reforços. Previsão para a temporada: 17º.

Autor: Daniel Leite Tags: , , ,

segunda-feira, 2 de julho de 2012 Reading | 14:22

Salto de qualidade

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O play-off que decide o último classificado à Premier League é conhecido como “o jogo de £90 milhões”. Parece nome de filme do Jackie Chan, mas é uma ótima definição. Ainda que fique apenas um ano na elite, o clube promovido garante uma receita extra de pelo menos £88 milhões parcelados ao longo de quatro temporadas, afora os ganhos com melhores acordos comerciais.

Não à toa, a diferença entre as folhas salariais da Premier League e da Championship é gritante. Apesar de o aumento nas receitas ser diluído em quatro anos, o clube que sobe à elite pode assumir compromissos que eram impossíveis antes da promoção. Campeão da segunda divisão, o Reading compreende isso e investe mais em salários altos do que em transferências caras. Mesmo que não tenham tanto dinheiro agora, os Royals sabem que podem bancar despesas em médio prazo.

Reserva de Kerzhakov na Euro, Pogrebnyak vai ganhar dinheiro no Reading

Há um mês, o clube foi comprado pelo magnata Anton Zingarevich, que até 2013 pagará £25 milhões ao antigo proprietário e ainda presidente, Sir John Madejski. Assim como Zingarevich, o primeiro reforço para a próxima temporada é russo: Pavel Pogrebnyak, que vem de bom semestre no Fulham (seis gols e um hat-trick em 12 partidas) e estava sem contrato. Mas por que ele não quis ficar em Craven Cottage?

A resposta é simples. Sem custos imediatos além das tradicionais luvas, o Reading ofereceu ao atacante de 28 anos um salário absurdo, de £65 mil libras semanais. Assim que tirar a permissão de trabalho, Pog terá o maior rendimento da história do clube, recebendo £13 milhões em quatro temporadas.

Outra contratação fechada é a de Danny Guthrie, que estava no Newcastle. Guthrie não era titular em St. James’ Park, mas mostrou valor quando substituiu Tioté em vários momentos da temporada. Sem contrato, o meio-campista foi procurado pelo West Bromwich, um clube estável na Premier League, porém o calouro Reading foi mais rápido e, certamente, generoso na proposta.

Além de Pogrebnyak e Guthrie, o Reading monitora o lateral-direito francês Matthieu Chalmé, do Bordeaux, o meia Jacob Butterfield, do Barnsley, e o atacante escocês Jordan Rhodes, que se transformou numa máquina de gols pelo Huddersfield, promovido à segunda divisão. Em tese, são transferências não muito caras, mas que, por conta da concorrência, devem exigir ótimas propostas salariais. Newcastle e Fulham estão interessados em Butterfield e Rhodes, respectivamente.

A história recente do Reading, que esteve na primeira divisão de 2006 a 2008, mostra prudência e vendas bem feitas. Nos últimos quatro anos, as saídas* de Kitson, Doyle, Mills, Sigurdsson, Hunt, Long, Shorey e Sonko renderam £36 milhões aos cofres, o que reforça o mérito do técnico Brian McDermott, por lá desde 2009. Jogadores baratos, como Harte, McAnuff e Kébé, foram destaques em 2011-12. Sob nova direção, o clube pretende gastar mais, mas também gastar certo, com um ou outro exagero financiado pelo dinheiro da Premier League.

*Dados do blog Swiss Ramble

Autor: Daniel Leite Tags: , , ,

quarta-feira, 18 de maio de 2011 Cardiff, Championship, Nott'm Forest, Reading, Swansea | 09:50

Final justa e impopular

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Muito mais confiante no Swansea, Borini parece ter deixado um irmão gêmeo no Chelsea

O Reading e o galês Swansea vão decidir em Wembley o terceiro promovido à Premier League da próxima temporada. No jogo que determina quem se junta a Queens Park Rangers e Norwich, muita gente queria ver o bicampeão europeu Nottingham Forest e o galês Cardiff de Bellamy (que, lesionado, só assistiu à eliminação) e Bothroyd. Apesar de ser a menos desejada das combinações, a final de 30 de maio é justa.

O Swansea derrotou o Nottingham Forest por 3 a 1 em Gales. O empate por 0 a 0 no primeiro jogo já havia sido uma vitória psicológica do conjunto treinado pelo ótimo Brendan Rogers. Com um a menos desde os 52 segundos, a equipe galesa suportou a pressão e contra-atacou muito bem. Os grandes desempenhos de Williams na defesa e do trio Dyer, Borini e Sinclair à frente foram fundamentais.

Mesmo não marcando nos play-offs, Borini é impecável. O italiano de 20 anos, sem confiança e espaço no Chelsea, precisava do empréstimo ao Swansea. Em três meses, ele fez seis gols pelo novo clube. O fim de seu vínculo com os Blues se aproxima. O retorno a Stamford Bridge é incerto, mas sua atual função, de atacante único no 4-2-3-1 de Rogers (Dyer, Dobbie e Sinclair são os três meias), tem sido importante para o time galês funcionar e certamente lhe rende um status bem superior.

Relevante: Long é o único a jogar hurling e defender a seleção de futebol no maior estádio irlandês

Outro atacante brilhou ainda mais em Cardiff x Reading. Na impressionante vitória dos Royals por 3 a 0 fora de casa, o irlandês Shane Long ratificou sua ótima temporada. Os dois gols levaram Long a 23 no campeonato. Seguro e oportunista, ele já fez todo mundo em Reading esquecer seu compatriota Kevin Doyle, contratado pelo Wolverhampton há dois anos.

Até a temporada passada, Long provavelmente não tinha certeza de que a opção pelo futebol era a melhor que poderia ter feito. Na adolescência (foto), ele jogava hurling, um esporte irlandês semelhante ao hóquei. Agora, em seu melhor ano, sabe que fez a escolha certa. Principal jogador do time do momento na segunda divisão, o atacante tem sido especulado no Liverpool.

Alguém arrisca?
Contra o Cardiff, o Reading marcou muito bem, especialmente com o turco Karacan, acionou Long como tinha de fazer e, estendendo a outros jogos, sempre vai levar perigo em bolas paradas com o lateral-esquerdo Ian Harte. O Swansea, por sua vez, tem uma defesa até mais confiável, gente boa para decidir à frente e um treinador que esteve nos Royals há pouco tempo. Os galeses parecem ter mais saídas, mas a arrancada do Reading é sensacional. Para sair do muro: Reading, 51%.

Trauma
O Cardiff venceu os play-offs de 2003 (terceira divisão), mas ficou pelo caminho em 2002 (terceira divisão), 2010 e 2011. A trajetória do Forest é bem pior: nem sequer passou das semifinais em todas as suas participações. Fracassou em 2003, 2007 (terceira divisão), 2010 e 2011.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , ,