E agora, Rangers?

O técnico Neil Warnock assumiu o QPR em março de 2010. Em um ano, foi da luta contra o rebaixamento a uma confortável promoção
Há três anos, Flavio Briatore prometeu que o Queens Park Rangers, então 20º colocado da segunda divisão inglesa, chegaria à Europa em 2012-13. O otimista Briatore não preside mais o clube, mas o antigo projeto ainda dá uma noção do que o QPR pode fazer nas próximas temporadas.
Hoje, o time londrino venceu o Watford por 2 a 0 fora de casa e garantiu o título da segunda divisão e a promoção à Premier League após 15 anos de espera. O sucesso, anunciado pela invasão de campo frustrada de cinco dias atrás, era praticamente certo desde setembro, quando os Rangers tomaram conta da liderança.
O QPR controlou o campeonato. A defesa sobra, com 30 gols sofridos em 45 jogos – o Swansea, segundo colocado no quesito, foi vazado 42 vezes. O fator que diferenciou definitivamente os Rangers dos outros foi Adel Taarabt, ex-flop do Tottenham em temporada brilhante. Aos 21 anos, o marroquino é o capitão e lidera o time em gols e assistências.
No entanto, uma análise mais detalhada do elenco e do aproveitamento (de 65%, bem inferior ao do Newcastle na temporada passada) ainda leva o QPR a crer que precisa de bem mais para fazer sucesso na Premier League. O grupo, muito bem conduzido pelo técnico Neil Warnock, foi moldado apenas para subir com conforto.
Por exemplo, o winger Routledge, destaque do Newcastle na segunda divisão, mas limitado a poucas chances na primeira, foi emprestado ao QPR e virou peça-chave. Para o clube se redimensionar de fato, o mais rico dos sócios, o indiano Lakshmi Mittal, vai ter de gastar.

Mittal é o melhor dos proprietários indianos. Afinal, os do Blackburn não estabeleceram um padrão muito alto
Com £24 bilhões nos cofres, Mittal tem poder financeiro equiparável ao de Mansour Al Nahyan, proprietário do Manchester City. Ele divide as ações com o chefe da Fórmula 1, o desinteressado Bernie Ecclestone, que pretende vender sua participação. Desde que o indiano chegou a Loftus Road, a aquisição mais cara foi a de Alejandro Faurlin*, que custou £3,5 milhões ao clube.
Proprietário de um terço dos Rangers, Mittal prometeu há dez dias que vai investir mais. “Precisamos melhorar a defesa (na verdade, talvez seja o setor menos carente) e de um bom goleador (de fato, não dá para entregar a responsabilidade a Helguson)”, disse ao Evening Standard. Ele não mencionou diretamente, mas também seria fundamental minimizar a dependência de Taarabt.
Nada indica que o QPR poderá cumprir a profecia de Briatore. Mesmo assim, uma temporada tranquila na elite seria a chave para o clube começar, de fato, a alimentar a ambição que se anunciou no fim de 2007, quando Mittal apareceu. Contratações para equilibrar o time e a manutenção da cobiçada estrela marroquina seriam passos importantes.
*O único empecilho à promoção do QPR é justamente a transferência de Faurlin. O clube é acusado de violar regra da Football Association ao envolver uma terceira parte no negócio com o Instituto de Córdoba. O West Ham já havia enfrentado o problema com as contratações de Tevez e Mascherano. Os Hammers foram multados em £5,5 milhões, mas não perderam pontos na Premier League.
