De Clough a McClaren
Depois de 18 anos com Brian Clough, o Nottingham Forest teve nove treinadores em período equivalente. Nenhum foi muito bem. A saída de Billy Davies, que fracassou em dois play-offs da segunda divisão, fez a diretoria ajustar o foco. O clube transformado por Clough, provavelmente o melhor inglês que nunca treinou a Inglaterra, contratou um dos piores técnicos da história da seleção: Steve McClaren, que terá a missão de reconduzir o bicampeão europeu à elite após 13 anos.
McClaren substituiu Eriksson depois da Copa de 2006. Ficou na seleção por 16 meses, tempo em que construiu o maior vexame da geração: não se classificar à Euro 2008. Empates com Israel e Macedônia e três derrotas para Rússia e Croácia não o deixaram impune. A repulsa ao ex-treinador do Middlesbrough foi tão grande, que ele se viu sem espaço no país e, com algum nome no continente, exilou-se no holandês Twente. Mas onde ele errou?
Steve estava convicto de que precisava marcar uma nova era na Inglaterra. Apesar dos braços cruzados diante da incompatibilidade entre Lampard e Gerrard, ele agiu – e mal: minimizou Beckham quando ainda seria muito útil e chegou a usar uma formação quase inconstitucional na Inglaterra: três zagueiros contra a Croácia em Zagreb. A seleção perdeu com um gol contra bizarro.
Paul Robinson foi punido após errar mais uma vez, e o estabanado Scott Carson virou titular no jogo derradeiro. Em Wembley, os ingleses sofreram dois gols dos croatas nos primeiros 14 minutos. McClaren, que escalou uma defesa com Richards, Campbell, Lescott e Bridge, preferiu se proteger da chuva (foto) a socorrer o time. A Inglaterra empatou no segundo tempo, com Beckham em campo, mas logo sofreu o terceiro gol: 3 a 2 Croácia e fim da linha para ele.
A chance no Twente, onde foi campeão holandês, apareceu pelo que fez no Middlesbrough. McClaren tem o único título de elite da história do Boro (a League Cup em 2004) e um excelente vice na Copa da UEFA em 2005-06. Steve mostrou consistência no Riverside, mas se perde quando tenta se diferenciar de todo mundo. No último trabalho, nem concluiu a (desastrosa) temporada no Wolfsburg. Enquanto o Forest aposta no lado bom dele, resgatamos musicalmente, com Chris Cohen, os erros na seleção:


