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sexta-feira, 15 de julho de 2011 Liverpool, Mercado | 19:03

O bom mercado do Liverpool

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Novo Alonso? Os passes de Adam chamaram a atenção no primeiro amistoso do Liverpool na Ásia

A pré-temporada na Ásia não afastou o Liverpool dos grandes negócios. O técnico Kenny Dalglish interrompeu sua estada na Malásia para fechar a contratação do winger Stewart Downing, que estava no Aston Villa, por £20 milhões. Downing é o quarto reforço do clube no atual mercado. Jordan Henderson, Charlie Adam e o goleiro brasileiro Doni (well done, empresário) já haviam chegado a Anfield.

A transferência eleva os gastos do clube no verão europeu a estimados £45 milhões. Se somarmos esse valor ao de janeiro, ultrapassamos a marca de £100 milhões. Ainda que o adjetivo overpriced (acima do preço real) possa ser atribuído a algumas dessas aquisições, os novos proprietários agiram corretamente. Não custa lembrar que a venda de Fernando Torres ao Chelsea financiou metade dessa brincadeira.

Dalglish e o pessoal do Fenway Sports Group herdaram um elenco cheio de buracos. A saída de Xabi Alonso, há dois anos, havia transformado o Liverpool em um two-man team, totalmente dependente de Gerrard e Torres. A situação piorou com contratações equivocadas e posições ignoradas no mercado. O investimento combate justamente o modelo de prisão às condições técnica e física de um ou dois.

Há também uma questão de contexto. Downing pode não valer £20 milhões individualmente, mas talvez valha até mais para os Reds, que precisam demais de um bom cruzador. Enquanto Suárez já é o craque do elenco, Carroll, excelente cabeceador, ainda não emplacou. Nesse aspecto, Downing, Adam e Henderson podem fazer o papel de Joey Barton, cujas assistências o ajudavam muito no Newcastle.

Superestimado? Não para o Liverpool, que realmente precisa de um Downing

A chegada de Downing provavelmente fecha o ciclo de contratações no meio-campo. De acordo com o preciso OptaJoe, ele, Adam e Henderson criaram 239 ocasiões de gol na última temporada, número correspondente a 56% de todas as chances do Liverpool no mesmo período. A abundância de opções e uma ligação mais efetiva com o ataque eram alvos claros da direção.

Downing não é melhor do que Ashley Young, que preferiu o Manchester United, mas teve temporada superior à dele. Às 27 primaveras, chega a Anfield após ano muito produtivo, o melhor de uma carreira que tem sido menos do que prometia em seu início, no Middlesbrough. Mais consistente, Downing oferecerá gols, cruzamentos a Carroll e uma qualidade nas pontas (joga nas duas) que o time não tem há muito tempo.

O winger pode ter conquistado definitivamente a confiança de Dalglish no último jogo da temporada, quando foi determinante para a vitória do Aston Villa sobre o Liverpool. Assista aqui a um resumo da atuação dele. Downing, vale lembrar, foi eleito pelos torcedores o melhor jogador do clube em 2010-11.

Como escalar o time?
O próximo passo no mercado deve ser a resolução de outro problema crônico: a lateral esquerda. Aly Cissokho, do Lyon, e José Enrique, do Newcastle, despontam como os nomes mais prováveis. Apesar de o elenco ainda não estar fechado, já é viável fazer um esboço das opções de Dalglish.

Ainda que não dispute competição continental, o Liverpool tenta – e tem se saído bem – montar dois times para minimizar o impacto de perdas por lesão ou suspensão e se manter forte durante toda a temporada. Nos campinhos abaixo, as possíveis formações titular e reserva no 4-3-3, esquema que tem sido apontado como o favorito para ser a base de trabalho em 2011-12:

Foram desconsiderados jogadores com grande chance de deixar o clube (Aquilani, Joe Cole…) e possíveis contratações (à exceção da lateral esquerda, que fatalmente será reforçada). Mesmo assim, sobra muita gente.

Se preferir atuar num 4-4-2 convencional, Dalglish pode escalar Gerrard, Meireles ou Henderson à direita. De um jeito ou de outro, uma das obrigações do treinador é dar liberdade a Suárez para trocar de posição o tempo todo, aspecto fundamental na recuperação dos Reds no último semestre. As fichas do Liverpool pelo título ou por vaga na Champions passam por isso.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 13 de julho de 2011 Jogadores, Mercado | 18:30

Persistência deles, coragem dos clubes

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Woodgate é recebido sob nuvens de desconfiança em Stoke-on-Trent

Em fevereiro de 2007, os frequentadores de departamento médico Jonathan Woodgate, Owen Hargreaves e Kieron Dyer foram convocados à seleção inglesa por Steve McClaren. A ocasião era um amistoso com a Espanha em Manchester.

Hargreaves se cortou “para não arriscar sua condição física”. Woodgate e Dyer foram titulares. A Inglaterra cumpriu as expectativas e perdeu. Apesar de convocações esporádicas até 2008, o trio desapareceu depois. Nos últimos dois anos, as lesões os limitaram, juntos, a 33 jogos (27 só de Dyer) por seus clubes. Fim da linha para eles?

Nada disso. Nesta semana, Stoke e Queens Park Rangers anunciaram, respectivamente, o zagueiro Woodgate (31) e o meia Dyer (32), que ficam na Premier League. O volante Hargreaves (30), que há pouco divulgou uma série de vídeos a fim de provar aos clubes sua aptidão para jogar, atraiu o interesse do Leicester, da segunda divisão.

Woodgate pode dar certo no Stoke. Como o ex-capitão Faye é mais um dos antigos pupilos de Sam Allardyce a reforçar o West Ham, o time precisava mesmo de nova alternativa a Shawcross e Huth. O ex-zagueiro do Tottenham, assim como Hargreaves e Dyer, estava livre. O contrato de risco protege o clube. Boa sacada de Tony Pulis, que, se conseguir colocá-lo em campo, ganha um ótimo defensor.

A contratação do QPR é bem mais questionável. Taarabt (se ficar), Faurlín e Smith ocupam o espaço de Dyer, só que, mesmo como opção secundária, o ex-meia do West Ham nada fez para merecer um lugar na Premier League. Foi nulo nos Hammers quando conseguiu jogar e não marca um gol há mais de quatro anos – quando ainda estava no Newcastle! Dyer era uma estrela no início da carreira, mas pode agradecer a chance oferecida por Neil Warnock, que dá um tiro no escuro e na própria ambição.

Até pela força de vontade, Hargreaves, que atuou por cinco minutos em 2010-11, merece ser testado após deixar o Manchester United. Embora não tenha certeza sobre o desejo do jogador, Sven-Goran Eriksson, que o comandou na Copa de 2006, parece determinado a lhe oferecer essa oportunidade no Leicester. O técnico só precisa ficar de olho na quantidade de apostas no passado: seu elenco já tem Vassell, Konchesky e Nugent. O West Bromwich também estaria interessado em Hargreaves.

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segunda-feira, 11 de julho de 2011 Mercado, Tottenham | 17:19

Contrato para quê?

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Ah, as amarras do contrato

A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, garante que, quando quer sair de um time, o jogador apronta um tumulto e atinge o objetivo. Não é só no Brasil que mergulham nas ideias da ex-nadadora. Depois das peripécias de Carlos Tevez no Manchester City, Luka Modric causa um fuzuê no Tottenham, que não libera seu organizador para, como ele mesmo diz, “um clube maior”. O mais interessado é o Chelsea, rival citadino.

O croata alega que o presidente Daniel Levy “quebrou um acordo de cavalheiros” quando fez pouco caso da abordagem do Chelsea, que teve uma proposta de £22 milhões rejeitada – foi a 27 hoje, diz o Guardian. Levy assegura que Modric não está à venda por qualquer preço. O meia, choroso, argumenta que foi ameaçado de afastamento do time caso não aceite a decisão.

E daí? Em que mundo Modric vive? No ano passado, após duas ótimas temporadas em White Hart Lane, estourou a mesma história de transferência. Com o Tottenham classificado à Champions, ele escolheu assinar um novo contrato de seis anos, certamente com belo reajuste. A felicidade de Harry Redknapp não cabia em suas bochechas avermelhadas: “Luka é essencial para o que está acontecendo aqui”.

Modric é a menina dos olhos do Tottenham, que o contratou por £16,5 milhões há três anos. A antiga estrela do Dinamo Zagreb foi escolhida para coordenar em campo o avanço do clube. Ao primeiro insucesso (um quinto lugar na liga, normal), ele chuta o balde, ignora o longo compromisso que firmou e alega “acordo de cavalheiros”? Ora, o grande acordo ali é a assinatura do vínculo até 2016.

Se Nasri tem o Arsenal nas mãos, o Tottenham decide o futuro de Modric. Um negócio que poderia até ser vantajoso se bem feito, com o clube reinvestindo em posições carentes, virou questão diplomática. E, como lembrou Redknapp, “há gente que não serve para amarrar as chuteiras dele sendo vendida por £20 milhões”. Modric possui visão de jogo apuradíssima, mas, adepto do patricismo, é quase cego em outros departamentos. Ele pode pedir o que quiser. Até 2016, os Spurs têm o direito de negar.

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quinta-feira, 7 de julho de 2011 Arsenal, Chelsea, Man City, Man Utd, Mercado | 18:41

Ele é o cara

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Toda a harmonia entre Nasri e Gallas: a gente sabe que para o Tottenham ele não vai

Samir Nasri é o protagonista do mercado na Inglaterra. E não é difícil entender por quê. Com mais um ano de contrato, ele está insatisfeito no Arsenal. Quando, há três temporadas, trocou Marselha por Londres, o francês “queria ganhar títulos”, mas passa em branco no Emirates. Até há pouco, Nasri não tinha status para reclamar. No entanto, a enorme evolução em 2010-11 dá voz ao meia e dor de cabeça a Arsène Wenger.

A possibilidade de os Gunners perderem sua estrela sem compensação financeira em 2012 é o ponto-chave da história porque derruba o preço dele. É claro que, sem o ônus do mercado interno (que inflacionou Torres e Carroll, por exemplo) em função do iminente fim do contrato, alguns dos grandes ingleses correm atrás de Nasri, de 24 anos e ambientado ao país. É o negócio perfeito.

Manchester United, Chelsea e Manchester City estão na disputa pelo meia, que pretende ficar na Premier League. O Arsenal, que teria rejeitado uma proposta de £20 milhões do United, resiste enquanto pode. De acordo com a BBC, Wenger ainda tenta convencê-lo a renovar. Se Nasri bater o pé como Clichy, o cenário ideal é mandá-lo para fora do país – à Inter, por exemplo. Mas a verdade é que, agora ou no ano que vem, por £20 milhões ou de graça, ele vai para onde quiser.

Distinta da possível transferência de Fàbregas, uma decisão do Arsenal, a provável saída de Nasri seria desastrosa para o clube. Ela representaria a perda de seu melhor jogador, uma manifestação de impotência e um reforço a rival direto. E que reforço.

Nasri pode jogar em quatro posições. Começou a última temporada à direita, com Arshavin pela outra ponta. Com o crescimento de Walcott, foi deslocado à esquerda para abrir espaço ao inglês. Também era substituto confiável para Fàbregas como meia ofensivo e, nos minutos decisivos da vitória sobre o Barcelona na Champions, foi essencial atuando mais recuado, ao lado de Wilshere.

Ao United, Nasri pode servir como organizador na meia central. Se incorporado ao provável 4-3-3 de Villas-Boas no Chelsea, deve ocupar uma posição do ataque e estar pronto para substituir Lampard quando necessário. No City, ele formaria um combo criativo com David Silva. Mas, se há um time que realmente precisa dele, este é o Arsenal. Assim, não será tão surpreendente se, mesmo contrariado, Nasri ficar mais um ano no Emirates, com o clube assumindo o risco de perdê-lo de graça em 2012.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , ,

quarta-feira, 6 de julho de 2011 Man City, Mercado | 09:36

Porta trancada

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Ainda não, campeão

É cedo para garantir a saída de Tevez do Manchester City. Da Argentina, onde tenta se ajustar a Sergio Batista e à seleção na Copa América, o atacante comunicou oficialmente pela segunda vez a intenção de deixar o clube. À primeira, em dezembro, a diretoria reagiu com desdém e não aceitou negociá-lo. Agora, estabelece um preço absurdo para quem quiser tirá-lo da cidade: £50 milhões. É o mesmo valor pago pelo Chelsea por Fernando Torres, que, assim como Tevez, tem 27 anos e um histórico goleador na Inglaterra. Alguém está disposto a assumir o risco?

Tevez costuma dar ótimas respostas em campo, mas o eterno argumento de pai e filhas e a “assessoria” de Kia Joorabchian o transformam numa bomba-relógio pela qual ninguém fora da Inglaterra (talvez o Real Madrid; nunca se sabe) despejaria tanto dinheiro. Ao exigir uma quantia tão alta, o Manchester City parece mais determinado a mantê-lo do que a lucrar com o argentino, que lhe custou £25,5 milhões há dois anos.

Substituí-lo a contento pode exigir mais do que uma contratação, o que, em tempos de adaptação ao Fair Play financeiro da UEFA, é um problema até no City. Em dois anos de clube, Tevez marcou 53 gols e, para o blog, foi o melhor da última temporada inglesa. O argentino é um tesouro para Roberto Mancini, de mentalidade defensiva. Apesar do relacionamento difícil, o italiano certamente adora ter um dos melhores atacantes únicos do mundo, alguém que não precisa de companhia para resolver.

Por isso, o clube cria estratégias mirabolantes para sossegá-lo. Oferecer a capitania a um jogador sem espírito de liderança e que mal fala inglês foi a de 2010-11. Na próxima, porém, não deve ser simples, pois não se trata só dele. Se obrigado a ficar na “pequena e chuvosa” Manchester, Tevez pode perder parte de seu prestígio. De acordo com o Guardian, a ascensão de Kompany – em campo e fora dele – populariza o belga no elenco e ameaça o status de capitão do argentino, que havia adorado o mimo.

Ele teve a chance de deixar essa "pequena e chuvosa" cidade há dois anos

A ideia inicial do City para domar sua estrela, dizem, era o compromisso de devolvê-la ao Boca Juniors em 2013, antes do fim do contrato. Não colou. Talvez fosse bom para Tevez, Vanessa, Katie e Florencia, só que não era legal para Kia. Ninguém sabe quantos dedos do iraniano ajudaram a digitar o pedido de transferência, mas o fato é que o volúvel atacante é quem vai enfrentar um vestiário difícil. A cidade até perdoa as ofensas, o técnico até releva enquanto ele decidir, porém os jogadores podem perder o respeito pelo Apache num tempo em que o clube tenta ratificar sua identidade.

O papo de família, as más influências e o desempenho em campo devem amenizar as reações da torcida, mas sua irremediável pirraça é constrangedora. Na última temporada, Mancini lhe deu licença para ver a família em Buenos Aires, só que ele, em vez disso, foi passear em Tenerife. O primeiro pedido de transferência foi motivado por um desentendimento com diretores. O segundo, pela saudade da família, que não se adapta a Manchester. Tudo vira desculpa para burlar regras.

Tevez tem o direito de pedir para ser negociado, mas o clube também está na dele ao fazer jogo duro. Afinal, o contrato de mais três temporadas, assinado quando ele já tinha experimentado as dores e os prazeres de Manchester por dois anos, serve para alguma coisa, não? A saída não é certa porque depende da avaliação que o City fará do clima dele por lá. Só um ambiente insustentável pode derrubar o preço do argentino.

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segunda-feira, 4 de julho de 2011 Mercado, Swansea | 15:25

Consciência galesa

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O Swansea mantém a cara, mas troca o material esportivo

“Um clube que não podia pagar a conta de luz há alguns anos acaba de ganhar o jogo de £90 milhões”. A frase do treinador Brendan Rodgers resumiu bem a importância da promoção do Swansea à Premier League, conquistada no play-off final da segunda divisão contra o Reading em maio. O repentino aumento nas receitas é a coroação de um processo de reconstrução que passou pelo trabalho de investidores-torcedores e pela mudança em 2005 para o Liberty Stadium, mais rentável do que o Vetch Field.

Aquela vitória por 4 a 2 em Wembley, com três gols de Scott Sinclair, teve um enorme valor simbólico. Além de causar a inédita presença galesa na Premier League, ela lembrou o calvário de oito anos atrás. Em 2002-03, outro triunfo por 4 a 2 (sobre o Hull City), também com hat-trick (de James Thomas), garantiu o Swansea na quarta divisão. O clube tinha tudo para simplesmente festejar o crescimento, mas o discurso e a postura no mercado sugerem que ninguém no Liberty Stadium olha para trás.

O Swansea, já foi dito aqui, conseguiu associar um futebol atrativo a uma defesa sólida (a segunda melhor da Championship) na temporada passada. Em entrevista à BBC, o galês Ashley Williams (foto) prometeu que isso não vai mudar. O melhor zagueiro do time afirmou que Brendan Rodgers deve manter seu estilo, ousadamente inspirado no Barcelona. O rebaixamento disfarça, mas o Blackpool é um ótimo exemplo de equipe que colheu frutos por não se acovardar na primeira divisão.

A briga do Swansea também será contra o rebaixamento. A questão é de que maneira ela será abordada. Como não há orçamento para uma revolução, a melhor forma é conservar a identidade, o que, por si só, já afasta uma campanha à Derby County de 2007-08, que ganhou uma vez, fez 11 pontos e marcou 20 gols. O time galês, que é melhor do que o Blackpool, parece saber o caminho.

E ele certamente passa por segurar os principais jogadores e dar mais profundidade ao elenco. Rodgers e a diretoria são firmes e mantêm os cobiçados Williams, Taylor e Sinclair. As saídas de Pratley e do goleiro De Vries não estiveram ao alcance do clube, que tentou renovar os contratos. A prevista perda de Borini já foi reposta com Danny Graham, artilheiro da Championship pelo Watford.

As especulações são interessantes. Jonathan Soriano, goleador da segunda divisão espanhola pelo Barcelona B de Luís Enrique, pode chegar. Marcos Senna também está na pauta. A negociação é complicada, mas só a atitude de tentar levá-lo a Gales dá a ideia de que o projeto de permanência é forte no Liberty e que capturas exóticas, comuns para quem acaba de subir, não serão bem-vindas.

No entanto, a prática ainda precisa se igualar ao discurso. O clube não se reforçou tanto quanto o Norwich, por exemplo. Se o Swansea fizer o dever de casa no mercado e não mudar totalmente à primeira derrota, o 4-2-3-1 bem protegido e com Dyer e Sinclair abertos pode dar samba. Aos 38 anos, Brendan Rodgers tem a missão de honrar o apelido do time: Swanselona, agora na Premier League.

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quinta-feira, 16 de junho de 2011 Mercado, Newcastle, West Ham | 15:14

Para entender Nolan, Newcastle e West Ham

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Nolan e Big Sam: amigos para sempre

Nosso capitão e artilheiro, valorizado por uma ótima temporada, resolve nos deixar para disputar a segunda divisão? Essa deve ser a pergunta da moda em Newcastle. Kevin Nolan, de 28 anos, marcou 30 gols desde 2009 e foi o jogador mais importante dos Magpies no último biênio. A mudança de Nolan para o rebaixado West Ham, já confirmada, é inicialmente um retrocesso, mas pode ser compreendida.

Primeiro, na perspectiva do jogador. Nolan é cria do Bolton. Profissionalmente, esteve no Reebok Stadium de 1999 a 2009. Por oito desses anos, trabalhou com o recém-contratado treinador do West Ham, Sam Allardyce, uma espécie de pai futebolístico para o meia ofensivo. O reencontro e a confiança de que eles podem levar os Hammers a um acesso imediato explicam muito.

O ponto de vista do Newcastle, que teria recebido só £3,5 milhões (+ £500 mil em caso de promoção do West Ham) pela saída de seu capitão, também é válido. Já prevendo a perda, o clube gastou £4,3 milhões por Yohan Cabaye, o organizador do Lille no título francês. Cabaye é três anos mais novo e perfeitamente compatível com Tioté, seu provável parceiro. Se a possível saída de Barton por má vontade da diretoria parece absurda, a de Nolan faz algum sentido, embora não agrade à primeira vista.

Apesar das 50 mil libras semanais por cinco anos, o West Ham dá ótima resposta às iminentes perdas de Hitzlsperger, sem contrato, e Parker, que deve render bom dinheiro. Os Hammers tentam reeditar o Newcastle de 2008-09. Na ocasião, Nolan foi o craque da segunda divisão e garantiu aos Magpies um pronto retorno à elite, mesma obrigação de quem pretende se mudar para o Estádio Olímpico em breve. O novo líder dos londrinos certamente vai dominar o meio-campo e marcar muitos gols.

Luka Modric x Charlie Adam
Modric é perseguido por Chelsea, Manchester United e Manchester City. O primeiro teve uma proposta de £22 milhões recusada pelo Tottenham. Por que não apostar em Adam, que pode sair do Blackpool por menos da metade desse preço? O croata, com números tímidos em gols e assistências, organiza brilhantemente um time que não lhe dá o direito de errar. O escocês arrisca tudo e participa mais do jogo pela necessidade dos Tangerines. Modric é aposta certeira. Adam ainda é incógnita.

*Inglaterra sub-21, McLeish rumo ao Aston Villa e outros assuntos serão discutidos aos poucos.

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sexta-feira, 11 de março de 2011 Brasileiros, Jogadores, Mercado, Newcastle | 00:48

Viagem na maionese

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Alguém aí acredita na formação da dupla Adriano & Joey Barton?

Adriano era talhado para jogar na Premier League. Seus atributos poderiam ter rendido sucesso ainda maior que o de Andy Carroll, também alto, forte e canhoto. Não à toa, o Chelsea considerou pagar uma fortuna à Inter pelo brasileiro em 2005, auge da carreira do Imperador. Seis anos e muitas besteiras depois, é difícil levar a sério as especulações de que Alan Pardew, treinador do Newcastle, tem incentivado a diretoria a fazer uma proposta ao ex-romanista.

Na Inglaterra, sempre há espaço para informações não muito confiáveis. A possível intenção de Pardew foi divulgada pelo Caught Offside, que adora um boato. O de Adriano explora o desespero de um Newcastle empobrecido no ataque após a venda de Carroll. Um cenário nada animador, com Lovenkrands, Ameobi, Ranger e Best (apesar do surpreendente hat-trick contra o West Ham), já levou a clube a contratar o também livre e muito discutível finlandês Shefki Kuqi, dispensado pelo Swansea aos 34 anos.

Além de estar fora de combate até o fim de abril, Adriano se enquadra em uma exceção. Como ainda era jogador da Roma ao fechamento da janela de transferências de janeiro, teoricamente não pode atuar em 2010-11, ao contrário do que tem sido especulado. Paliativo, ele não será. Imaginar que o acordo é para a próxima temporada e de longo prazo requer ainda mais esforço. A aposta seria um ato de negação à promessa de deixar de lado ofertas polpudas a jogadores livres e decadentes, pois, em campo, Adriano também está mal. Kluivert e Caçapa são exemplos para esquecer.

Ainda há a indisciplina, pule de dez para o brasileiro, que já escolheu a terra natal. A questão é que ainda não sabemos quem ou mesmo se alguém terá coragem de recebê-lo. O proprietário Mike Ashley, com incrível propensão a trapalhadas, até poderia aproveitar o ambiente de incerteza para tentar levá-lo ao St James’ Park. Mesmo assim, a vontade e o histórico do jogador fazem a maioria dos torcedores do Newcastle duvidar do interesse e não gostar da ideia. Em fórum na internet, um deles diz preferir um Kevin Doyle a três Adrianos.

Cartão imaginário
Peter Walton foi o árbitro de Everton x Birmingham, único jogo da Premier League na quarta-feira. Quando iria mostrar o cartão amarelo a Jordon Mutch, dos visitantes, percebeu que o importante acessório não estava no bolso. Como diria Galvão Bueno, olha o que ele fez.

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 Blackburn, Debates, Mercado, Temporada | 17:27

Quem quer ser um grande time?

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Neymar e Ganso estão entre os alvos do Blackburn. Mas o que os levaria ao Ewood Park? (Christopher) Samba?

O Venky’s, grupo indiano que comprou o Blackburn há três meses, é bom de negócio. Em 40 anos, a pequena empresa familiar se transformou no maior produtor asiático de aves. Os Rao muito conhecem de fármacos e processamento de carne de frango, mas isso não significa que já saibam como transformar os Rovers em uma potência.

Ontem, a imprensa inglesa repercutiu a obsessão do Venky’s pela contratação de um jogador brasileiro. Estariam na lista de desejos Kaká, Robinho, Neymar, Ganso, Luís Fabiano, Elano e Jucilei. Em janeiro, o Blackburn tentou, sem sucesso, capturar Ronaldinho. A discriminação dos alvos pela nacionalidade – e não pela posição em que jogam – é um sinal de que a visão de futebol dos indianos ainda é um tanto estereotipada e de que não há um projeto de time bem definido.

Quando o Venky’s chegou ao Ewood Park, a primeira atitude oficial foi a demissão de Sam Allardyce, talvez ainda mais estranha que a dispensa de Chris Hughton pelo Newcastle. Big Sam era bem aceito por jogadores, torcedores, colegas de profissão e, apesar do estilo “rude” de futebol, pela crítica. Allardyce tirou o clube do buraco em 2008-09, levou-o à primeira metade da tabela na temporada passada e, de certa forma, vinha mantendo o padrão nesta. Ninguém entendeu a saída dele.

E o substituto tinha status de interino! Felizmente para os indianos, Steve Kean melhorou seus decepcionantes resultados iniciais, o Blackburn segue longe da zona de rebaixamento, e o contrato do treinador foi renovado até 2013. O elenco, por sua vez, conserva alguns nomes interessantes. Paul Robinson, Samba, Givet, Pedersen, Kalinic e especialmente o muito promissor Phil Jones podem fazer parte dessa proposta de reconstrução.

Manter Phil Jones é uma das obrigações do Venky's

Reconstrução que não deveria ser baseada em um jogador de uma nacionalidade preestabelecida. A busca pelo reforço é tão desnorteada, que se especula a possibilidade de o clube correr atrás de um argentino “se não der certo com um brasileiro”. Essa postura lembra muito a primeira contratação do xeque Mansour no Manchester City: Robinho, nos últimos instantes da janela do verão de 2008. O investimento pesadíssimo em apenas um jogador se revelou um fracasso.

Por outro lado, a escolha do brasileiro, meio disfarçada pela impossibilidade de acertar com o Chelsea, até era compreensível. O City tinha ótimos pratas da casa (Richards, Michael Johnson, Ireland, Sturridge) e, após boa temporada com Sven-Goran Eriksson, já vinha de um processo de crescimento sob a administração do tailandês Thaksin Shinawatra. Com o Blackburn, ainda sem o poder de atrair grandes jogadores, o sonho não deve se realizar. Se quiser espalhar a marca, o Venky’s precisa, sem fantasias, montar um time forte primeiro.

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011 Jogadores, Mercado | 10:49

As consequências de um dia inesquecível

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"Quando você tem a chance de jogar em um time assim, não pode dizer não", Fernando Torres

No histórico 31 de janeiro de 2011, 11 clubes da Premier League confirmaram 16 contratações. Fechamentos de mercado são movimentados mesmo, mas ninguém poderia adivinhar que, no deadline da janela de inverno, seriam negociadas as duas maiores transferências da história do futebol inglês em nível interno, uma atrelada à outra. Após £85 milhões, Fernando Torres é do Chelsea, e Andy Carroll é do Liverpool. Os Blues ainda reverteram a negociação por David Luiz, que parecia morta, e levaram o ex-benfiquista por £21 milhões mais o meia sérvio Nemanja Matic.

Vamos aos protagonistas das movimentações:

Chelsea: As duas contratações não deixam dúvidas. David Luiz resolve o já histórico problema de escassez na defesa e certamente será titular em Stamford Bridge durante toda a década. Fernando Torres oferece mais agressividade e não obriga Ancelotti a prescindir do 4-3-3, mais adequado a Essien, Ramires (ou Mikel) e Lampard. Mercado inflacionado à parte, o Chelsea está mais seguro e perigoso. É time para, no mínimo, desafiar o Arsenal no campeonato e candidatar-se seriamente à Champions.

"Andy Carroll, Liverpool's number nine", manifestação óbvia dos Reds

Liverpool: A perda de Torres não prejudica o projeto de reconstrução do clube, insistentemente mencionado pelo proprietário John W. Henry. Carroll e Suárez formam parceria para agora e para o futuro. Os novos atacantes devem roubar uma vaga do meio-campo, certamente a de Maxi Rodríguez. Às escuras, Damien Comolli, olheiro que capturou Modric e Bale para o Tottenham, começa a trabalhar. O meia Conor Thomas, do Coventry City e da Inglaterra sub-17, chega por empréstimo e com opção de compra. O Liverpool, que ainda emprestou Konchesky ao Nottingham Forest, deve terminar a temporada entre os seis primeiros.

Aston Villa: Gerard Houllier é um dos grandes vencedores do mercado de transferências. No deadline, o Villa garantiu a contratação do norte-americano Michael Bradley, por empréstimo. Ele se junta a Jean Makoun, outro recém-chegado, e cobre de vez o rombo da meia central, que chegou a ter seis jogadores lesionados simultaneamente em novembro. Ireland, que foi para o Newcastle, não fará nenhuma falta. Após as contratações, a ameaça de rebaixamento deve ser afastada. Aliás, diziam que o preço de Bent era um exagero. Depois de ontem, o ex-atacante do Sunderland até parece uma barganha, não é?

Outras negociações

O Birmingham contratou o nigeriano Obafemi Martins, ex-Newcastle, por empréstimo. Com o jogador do Rubin Kazan no elenco, McLeish ganha mais uma opção de ataque e fica moralmente proibido de escalar Cameron Jerome toda semana.

Ireland cumprimenta Barton no City: reunidos em St James' Park

O Newcastle, sem Carroll, não conseguiu reposição (Elmander, do Bolton, chegou a ser especulado) e passa a depender de Best, Ameobi e Lovenkrands. Por outro lado, os Magpies acertaram com Ireland, fiasco no Aston Villa, por empréstimo. Ireland e Barton, ex-parceiros no Manchester City, estão juntos novamente. Os pubs do norte que os aguardem.

Não foi apenas o Liverpool que contratou no Noroeste. Com Sturridge, do Chelsea, o Bolton mantém a tradição recente de angariar bons empréstimos em janeiro. O Everton acertou com o atacante grego Apostolos Vellios, de 19 anos e 1.91m. Vellios não deve ser utilizado inicialmente. Ao Blackburn, chegam Mauro Formica, ex-Newell’s, e Rúben Rochina, que estava no Barcelona B. Rochina terá sido outra grande captura de um clube inglês, como Mérida, Piqué e Fàbregas, também da cantera do Barça?

Eidur Gudjohnsen, que mal consegue jogar no retorno à Inglaterra, foi emprestado pelo Stoke ao Fulham. Candidato forte à reserva de Dembélé.

Após 10 meses sem vínculo, o goleiro brasileiro Adriano Basso, ex-Ponte Preta e Atlético Paranaense, acertou contrato com o Wolverhampton. Na Inglaterra desde 2004, Basso chega para o suporte a Hahnemann e Hennesey.

A menção honrosa do mercado fica para o Blackpool, que resistiu bravamente ao assédio por seu melhor jogador, o volante escocês Charlie Adam. No dia final, além de segurar Adam, os Seasiders capturaram Andy Reid, do Sunderland, e James Beattie, que estava no Rangers. Pelo Southampton, em 2002-03, Beattie marcou 23 gols na Premier League. Apesar da baixa pontuação nos últimos jogos, o Blackpool ainda não é forte candidato ao rebaixamento.

Detalhes

* Em sua primeira entrevista como jogador do Chelsea, Torres cutucou o Liverpool. “É um sonho para todos os jogadores de primeira classe jogar em um time de primeira classe. Agora eu posso fazer isso”. Em março de 2005, o zagueiro Jamie Carragher foi questionado por um repórter sobre a possibilidade de se transferir para um “clube maior” que o Liverpool. Ele, prontamente, respondeu: “quem é maior que o Liverpool?”. Dois meses depois, o limitado conjunto dos Reds levou a Champions League.

Aliás, você vai perder Chelsea x Liverpool, no próximo domingo?

* Nos últimos quatro meses, cinco dos melhores atacantes da liga solicitaram transferência formalmente: Rooney, Tévez, Bent, Torres e Carroll. Os motivos são distintos, mas o movimento dá uma boa noção de como o mercado anda aquecido por lá.

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