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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 Mercado, Treinadores | 14:19

O pior fantasma

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José Mourinho não aguenta mais o Real Madrid, o Barcelona e a imprensa espanhola. O Sunday Times sugere, então, que o Special One retornará à Inglaterra já na próxima temporada, quebrando seu vínculo ao Santiago Bernabéu dois anos antes do previsto. A reação óbvia à notícia de que um bicampeão inglês pretende (ou que simplesmente vai) voltar à Premier League é o aumento imediato da pressão sobre os técnicos dos grandes clubes. E aí?

Mourinho substituiu Mancini na Internazionale em 2008

Roberto Mancini, Manchester City. Certamente, é o mais ameaçado por conta do nível de gastos e exigência da diretoria. Nas copas, sua especialidade na carreira de treinador, Mancini já fracassou. Se não ganhar a Premier League, parece bem provável que o polpudo orçamento anual do xeque Mansour seja administrado por outra pessoa a partir da próxima temporada.

Alex Ferguson, Manchester United. Se quiser, aposenta-se. Se não, fim de papo.

Harry Redknapp, Tottenham. Os resultados e o desempenho em campo são ótimos, sem contestação. No entanto, o líder da ascensão dos Spurs tem pendência na justiça e, há dez anos, uma trajetória marcada pelo nomadismo. Além disso, sempre está entre os candidatos para suceder Fabio Capello na seleção inglesa depois da Euro 2012.

André Villas-Boas, Chelsea. O discurso da cúpula é de apoio irrestrito ao discípulo do Special One. Inclinado a contratar jovens, Villas-Boas parece ter carta branca para liderar a reforma do elenco. Assim, imaginando ainda a relação arranhada entre Roman Abramovich e o treinador do Real Madrid, o Chelsea não deve fazer um flashback com Mourinho se puder garantir ao menos um lugar na próxima Champions League. Aliás, um confronto entre os portugueses na Inglaterra seria sensacional.

Arsène Wenger, Arsenal. Com contrato até 2014, Wenger não deve ter sua saída determinada pela direção, que respeita a história do treinador. Em outras palavras, após amenizar muito a crise do início da temporada, o francês sai apenas se quiser, através de um acordo mútuo.

Kenny Dalglish, Liverpool. O contrato de King Kenny também termina em 2014. Para não correr riscos, entretanto, Dalglish precisa tratar de ganhar uma das copas e melhorar o aproveitamento na liga. A vaga na Champions pode até não vir, mas os proprietários são ianques, pragmáticos e querem ter a certeza de que o clube vai progredir, ou seja, exigem evolução em campo.

José Mourinho. Outro ponto é o tamanho do desafio que ele aceitaria assumir. Por exemplo, estaria o bicampeão inglês, acostumado a um Chelsea que não media esforços para lhe oferecer o melhor time, disposto a abraçar um projeto com restrições financeiras, como seriam os de Tottenham, Arsenal ou Liverpool? E se não houver vagas em clubes, Mourinho substituiria Capello na seleção? A conferir.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , ,

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012 Listas, Mercado | 18:03

Gossip

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Hleb no Birmingham: departamento médico, chiadeira e rebaixamento

Gossip, do português fofoca. Até o site da BBC, paladino da seriedade no sempre efervescente webjornalismo inglês, criou uma seção com esse nome para publicar rumores do mercado de transferências de janeiro. Como faltam apenas quatro dias para o fechamento da janela, as especulações se multiplicam, e os clubes, quando desesperados, tendem a fazer besteira. O blog tratou de filtrar os boatos mais divertidos:

Alexander (ou Aliaksandr) Hleb no Liverpool. Hã? Isso é sério? Hleb foi ótimo na primeira passagem pelo Stuttgart, razoável no Arsenal, mal no Barcelona e péssimo no Birmingham. Assolado por contusões e de carreira em queda livre nos últimos três anos, o inteligente meia bielorrusso não parece ter muito a oferecer ao Liverpool, especialmente considerando o que ele não fez em sua aventura inglesa mais recente, há um ano. Alex McLeish, que treinou a fera no St. Andrew’s, sabe bem do que estamos falando.

Edinson Cavani no Liverpool. Seria excelente para o time, que reuniria Suárez e Cavani, uruguaios nascidos em Salto, numa combinação explosiva e entrosada. Mas, honestamente, é bem improvável. Por que Cavani, santificado no Napoli, deixaria o San Paolo no meio de uma temporada tão importante para o clube? E, ainda, por que iria ao Liverpool, em fase de reconstrução, diante de um mercado jogado a seus pés? David Teixeira é o uruguaio mais perto de Anfield.

Kevin Davies no Sunderland. Um novo treinador assume, o time marca 16 pontos em oito jogos, e aí aparece esse anticlímax. É claro que o Sunderland tem graves deficiências ofensivas e que, para agravá-las, Bendtner vai perder várias semanas, mas Kevin Davies? O histórico atacante do Bolton, que estreou na seleção inglesa com 33 anos e 200 dias, está em péssima temporada e na reserva de – que rufem os tambores – David N’Gog.

Michael Owen no Brighton & Hove Albion. O uruguaio Gus Poyet (lembra-se dele?), treinador do Brighton, gosta mesmo de uma contratação alternativa. Em agosto, foi Vicente Rodríguez, aquele que fez muito sucesso no Valencia no início dos anos 2000. Agora, seria Owen. Para jogar regularmente, o atacante do Manchester United não precisa se rebaixar à segunda divisão. O problema de Owen, todo mundo sabe, é outro.

Chelsea não vai pagar £83 milhões por Hulk. Jura? Quem inventou essa história? O Chelsea tem um titular que executa muito bem as mesmas tarefas de Hulk: Daniel Sturridge. E, mesmo que não tivesse, a cláusula de rescisão do portista é daquelas que são feitas para ninguém pagar. Não custa recordar que Cristiano Ronaldo foi vendido ao Real Madrid por £80 milhões. Ex-técnico do brasileiro, André Villas-Boas ainda tem pendências mais urgentes para resolver.

Antes do deadline day, quando negócios absurdos, sagazes e previsíveis serão fechados, estaremos de olho no fim de semana de FA Cup.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , ,

quinta-feira, 1 de setembro de 2011 Mercado | 16:13

As melhores do deadline

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Pensa bem, torcedor do Everton: melhor do que Andy van der Meyde, este holandês será

Não foram tantas surpresas na Inglaterra, mas o último dia do mercado de verão sempre dá o que escrever. Por isso, o blog separa as dez melhores contratações fechadas ontem:

10 – Shaun Wright-Phillips no Queens Park Rangers. De proprietário novo, o QPR até fez boas contratações para compensar os flops certos no início do mercado. Uma delas é a de Wright-Phillips, que oferece velocidade pela direita e pode ser um complemento interessante a Adel Taarabt. Mesmo assim, o ex-winger do Manchester City terá de achar seu espaço num elenco com Joey Barton, Alejandro Faurlín e Tommy Smith.

9 – Royston Drenthe no Everton. Sim, Drenthe. Com Séamus Coleman lesionado, o Everton não tinha opções naturais pelos lados do campo. Drenthe fracassou no Real Madrid e teve lampejos no Hércules, mas David Moyes pode tirar muito do holandês e transformá-lo num bom parceiro para Leighton Baines à esquerda. Para quem não tem dinheiro, valeu a pena o empréstimo do left winger.

8 – Per Mertesacker no Arsenal. Ao lado de Gervinho, a grande aquisição dos Gunners no difícil verão para Arsène Wenger. Mertesacker leva ao Emirates experiência (apesar dos 26 anos, tem duas Copas no currículo), soberania no jogo aéreo e, principalmente, reduz a chance de Sébastien Squillaci aparecer em campo a uma hora dessas. Certamente não era o melhor zagueiro que o Arsenal poderia contratar, mas vai acrescentar bastante.

7 – Bryan Ruiz no Fulham. Andy Johnson e Bobby Zamora até são bons, mas gostam de um DM. Ruiz deve ser titular e oferecer um poder ofensivo, também pelos lados, que tem faltado aos Cottagers. O costarriquenho chegou a ser especulado no Liverpool em janeiro e tinha o interesse de pelo menos três ingleses neste mercado. O Fulham foi mais rápido e capturou a estrela do Twente. O único senão é a origem. Da Holanda, nunca se sabe quando sai um Afonso Alves ou um Luis Suárez.

6 – Wilson Palacios no Stoke. O hondurenho dá a Tony Pulis uma combatividade que faltava ao meio-campo. Com o Stoke à procura de alternativas a Rory Delap nos laterais (Ryan Shotton é o mais promissor), Palacios pode tanto substituí-lo quanto jogar com o irlandês. O sósia de César Sampaio é bom jogador, mas já sobrava no Tottenham, ainda mais com a chegada de Scott Parker.

5 – Scott Dann no Blackburn. Daquela famosa defesa do Birmingham, o melhor era Roger Johnson, que, agora no Wolverhampton, é uma das grandes contratações do mercado. Mas Dann tem 24 anos (quatro a menos do que Johnson) e um bom potencial que havia atraído o interesse de Liverpool e Arsenal. Em mercado fraco dos indianos que levam o Blackburn para o buraco, Dann é um ponto fora da curva e deve dar certo no Ewood Park.

4 – Peter Crouch no Stoke. Sem muitas palavras para definir o negócio. Não é a melhor, mas deve ser a contratação mais adequada a um estilo da história do futebol.

A primeira passagem não foi exatamente um sucesso, mas Bellamy volta mais confiante e deve ser bom reserva de luxo

3 – Craig Bellamy no Liverpool. Está aí um torcedor dos Reds. Na entrevista inicial, o galês disse que se animava, mesmo de longe, com o processo de reconstrução do clube sob Kenny Dalglish. Até por isso, ele não deve ser problema para o ambiente. Como retorna sem custos, é ótimo reforço. Todo treinador quer uma figura assim: reserva competente para o ataque e para os lados do campo, como ele jogou em sua última temporada no Manchester City. É único no elenco.

2 – Raul Meireles no Chelsea. Um pedido de transferência a meia hora do fechamento da janela, uma proposta relâmpago dos Blues, e André Villas-Boas contratava o jogador que ele mesmo vendeu ao Liverpool há um ano. Bom para o Chelsea, que tem mais uma opção para o meio, onde Raul deve brigar por vaga com Ramires ou mesmo ser uma alternativa torta a Lampard. Os Reds perdem um ótimo reserva agora, mas ganham espaço na folha salarial (venderam muito bem) e mais minutos para Jonjo Shelvey, que só tende a melhorar.

1 – Scott Parker no Tottenham. Por preço fantástico (£5,5 milhões), Harry Redkanpp se presenteou com o melhor jogador da temporada passada eleito pelos jornalistas – mesmo no West Ham. Parker virou titular da seleção inglesa porque faz todo tipo de serviço no meio-campo. Até por isso, também é o parceiro ideal para qualquer meia central do elenco, principalmente Luka Modric (sem corpo mole). Com ele em campo, o Tottenham certamente não teria sido goleado pelo Manchester City no domingo.

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terça-feira, 30 de agosto de 2011 Arsenal, Mercado | 23:59

As cartadas de Wenger

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André Santos Avenue vai precisar de cobertura

Arsène Wenger se nega a pagar por um jogador mais do que ele vale. É para evitar isso que a gestão responsável do Arsenal passa por contratações de jovens talentos. Mas agora não dá para ser assim. O êxodo de craques e a humilhação em Old Trafford exigem respostas imediatas. São três as necessidades básicas do elenco: um zagueiro, um lateral-esquerdo e um volante. No entanto, se você pensa em Gary Cahill, Leighton Baines e qualquer outra estrela da Premier League, pode esperar sentado.

Mercado interno, como a gente viu em janeiro, inflaciona, transforma um jogador razoável em overpriced. Wenger também tem aversão a leilões. Participou de um por Andrei Arshavin, em 2009, e certamente se arrependeu. Se não é possível resolver com a garotada, o francês sai à procura de barganhas fora da Inglaterra. Estima-se que, com £17 milhões, ele captura até o deadline de amanhã o zagueiro alemão Per Mertesacker, o lateral-esquerdo André Santos e o atacante sul-coreano Park Chu-Young, o único já confirmado.

Dispensável em relação a posições mais problemáticas, Park, que vem do francês Monaco, é um “foi bom enquanto durou” a Chamakh e Bendtner. Mais importante, Mertesacker chegaria para ser titular da defesa ao lado de Vermaelen. Com duas Copas do Mundo na bagagem, o zagueiro de 1,98m deve minimizar o caos aéreo, mas tem o que provar por baixo após liderar uma defesa, a do Werder Bremen, que sofreu 61 gols em 34 jogos na Bundesliga. Melhor do que Koscielny e Djourou ele é.

Mesmo com a evidente carência em sua posição, a contratação de André Santos, do Fenerbahçe, é a mais duvidosa. Após vender o intragável Armand Traoré ao Queens Park Rangers, Wenger deixou claro – e está correto – que não entregará a vaga a Kieran Gibbs. A questão é: o brasileiro suporta uma lateral na Inglaterra? Até seu maior fã, Mano Menezes, sabe que ele mal consegue defender. Em um mês, pode (só pode; de repente, até dá certo) virar um Eboué canhoto, reserva de Gervinho.

Wenger atende a clamores, mas corre riscos pelo comportamento imprevisível das contratações, que chegam agora ao futebol inglês. Aliás, e o volante? Rumores apontam para Yann M’Vila, francês de 21 anos do Rennes. Apesar do estereótipo de “mais um jovem compatriota do manager”, este seria ótimo. M’Vila é nome forte na seleção de Laurent Blanc e arrebentou na vitória da França sobre a Inglaterra em Wembley, no ano passado. O problema é que o Arsenal demorou e pode perder o melhor negócio.

*Yossi Benayoun, do Chelsea, também é especulado. Ainda que ofereça mais uma opção para a meia, está longe de ser a maior necessidade. Basta um Rosicky no elenco.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , ,

quinta-feira, 18 de agosto de 2011 Arsenal, Mercado | 20:03

À deriva

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Wenger se esqueceu de abrir exceções à própria regra. Agora, ficou difícil administrar

O Arsenal está sem rumo. O sentimento de que a gestão Arsène Wenger caminha para o colapso tem se fortalecido. A provável venda de Samir Nasri lidera a lista de problemas. Depois das saídas de Gael Clichy e Cesc Fàbregas, o melhor jogador do time na temporada passada também deve deixar o Emirates de acordo com a BBC.

Os casos de Nasri e Clichy expõem a atual fragilidade do clube e alimentam o crescimento do Manchester City, que fica com ambos. O grito por títulos dos franceses e o término de seus contratos em 2012 colocaram Wenger contra a parede. Por valores inferiores aos que arrecadaria em condições normais, o Arsenal deve ceder dois titulares ao City e ampliar sua desvantagem para o ascendente rival.

Por outro lado, a transferência de Fàbregas ao Barcelona tem teor sentimental, envolve o DNA blaugrana do jogador e um clamor doentio dos catalães. Trocar a dor de cabeça que a permanência dele poderia causar por £36 milhões pareceu um negócio razoável. Com dinheiro para reinvestir, Wenger corre contra o tempo – ou deveria – para reforçar o elenco e ainda buscar uma temporada respeitável.

A grande questão no Arsenal não é dinheiro, mas o poder de atrair craques prontos. O estereótipo de time que não ganha nada ficou cruelmente mais pesado ontem, quando, após dez minutos em campo, Fàbregas fez no Barcelona o que não pôde em seis anos no Emirates: comemorou título. Assim, não se conclui sequer a evolução das antigas apostas (Fàbregas, Nasri…) de um modelo que não previu a insatisfação generalizada.

Ao esbarrar na resistência das estrelas, Wenger se vê obrigado a retomar a velha fórmula. Há pouco, pagou £12 milhões por Alex Oxlade-Chamberlain, winger de 18 anos do Southampton. Sem olhar à volta, Chamberlain é ótimo reforço para o futuro e pode render até em 2011-12. Mas não preenche as maiores necessidades do Arsenal, que ainda carece, no mínimo, de um zagueiro top class e de uma alternativa ao capitão van Persie.

A vitória contra a Udinese, na terça-feira, deixou muitas dúvidas. O 1 a 0 foi bom em função dos duros desfalques (Wilshere e van Persie), mas não assegura a vaga. Pelo jogo do Emirates, a primeira ausência na fase de grupos da Champions em 15 anos é um cenário bem possível, que dificultaria o resgate da confiança e a chegada de reforços. Só uma vitória sobre o Liverpool no sábado amenizará os questionamentos disparados após o empate na abertura da Premier League em Newcastle. A tabela, que ainda reserva o Manchester United em Old Trafford para a terceira rodada, não ajuda.

Por ora, o Arsenal ganhou Chamberlain, Gervinho, Joel Campbell e Carl Jenkinson. Estaria perdendo a corrida por Gary Cahill (outra para o Liverpool), já perdeu Fàbregas, Clichy e Eboué e, pelo visto, perderá Nasri e Bendtner. Perdeu também a profundidade do elenco e até a força do time titular, que hoje tem Gibbs e Rosicky. Perder: um verbo que pode ser mais conjugado do que deveria no Emirates.

Fantasy
A primeira rodada da liga God Save the Ball (código 833770-316366) levou à liderança o Smiths FC, de Nelson Oliveira. Veja a classificação geral. Na segunda semana, a Premier League decidiu liberar transferências ilimitadas sem dedução de pontos para se desculpar pelos transtornos técnicos no site. A liga, por enquanto com 46 times, pode receber novos participantes.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , ,

quarta-feira, 27 de julho de 2011 Mercado, QPR | 12:33

Perguntar não ofende

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Dyer? Aquele? Agora vai!

A temporada 2010-11 foi perfeita para o Queens Park Rangers. A campanha irrepreensível na segunda divisão devolveu o clube à elite após 15 anos, e uma vitória nos bastidores impediu que a controversa compra do argentino Alejandro Faurlín, em 2009, barrasse essa promoção. Associado às promessas de investimento e à habilidade do marroquino Adel Taarabt, o ótimo trabalho do técnico Neil Warnock parecia ser a receita para o sucesso na Premier League. Nada podia deter os Rangers.

A menos que o próprio clube estragasse tudo. Proprietário de um terço do QPR, o indiano Lakshmi Mittal tem fortuna comparável à de Mansour Al Nahyan, manda-chuva do Manchester City, mas quase não investe. Contar com os outros sócios é inútil. Bernie Ecclestone e, desde que despachado da presidência, Flavio Briatore não existem para todos os efeitos. Um dos potenciais protagonistas do mercado virou um coadjuvante atrapalhado e sem grife.

Genro de Mittal, Amit Bhatia se demitiu da vice-presidência ainda em maio por não concordar com os rumos do clube. Até Warnock havia perdido força, e o nome de Claudio Ranieri (aquele mesmo) chegou a ser ventilado para substituí-lo. Ecclestone, que não faz nada, recusa-se a vender sua parte no QPR, de 62%. O resultado é um mercado apático, desastroso para um time sólido na segunda divisão, mas que não sobreviverá sem se reforçar direito. Por ora, são três contratações sem custos e certamente ineficazes: Kieron Dyer, Daniel Gabbidon e Jay Bothroyd.

Em quatro anos de West Ham, Dyer esteve quase sempre machucado e, mesmo quando jogou, não justificou seu salário. Gabbidon, também nos Hammers, ratificou o status de defensor limitado e ainda arrumou confusão. Bothroyd começou bem na segunda divisão pelo Cardiff e foi convocado à seleção inglesa por Fabio Capello durante uma crise de lesões entre os atacantes, mas desapareceu. O único alento é a intenção de manter Taarabt. Perguntar não ofende: aonde o QPR acha que vai assim?

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , ,

sábado, 23 de julho de 2011 Everton, Mercado | 14:56

Vende e prospera

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Bons tempos, aqueles em que o Everton tinha ataque, Rooney não precisava de implante capilar...

Não são secretos os problemas financeiros do Everton. Em 2004, por exemplo, a venda de Wayne Rooney ao Manchester United foi fundamental para evitar um cenário de desespero. Mesmo com recursos escassos, a era David Moyes, que completará uma década nesta temporada, sempre manteve o time entre os mais consistentes da Premier League. O futuro, outra vez, depende do julgamento do treinador, que costuma tomar boas decisões. Para se reforçar, o Everton tem de vender alguém*.

O segundo amistoso da pré-temporada ratificou a necessidade de levar nova(s) cara(s) a Goodison Park. Fora de casa, o Everton perdeu por 1 a 0 para o Philadelphia Union na última quarta-feira. No mesmo dia, apareceu mais uma chance de o clube financiar contratações. Empenhado em fortalecer sua defesa, o Arsenal fez uma proposta de £10 milhões pelo zagueiro de seleção inglesa Phil Jagielka. Os Toffees, que haviam rejeitado £12 milhões por ele no verão passado, declinaram a oferta de novo.

O Everton faz jogo duro para tentar arrecadar mais com a saída de Jagielka, de 28 anos. Rumores indicam que exagerados £20 milhões seriam suficientes para liberá-lo. No entanto, parece improvável que, com Gary Cahill no mercado, um clube atinja a exigência de Moyes. O zagueiro do Bolton é três anos mais jovem e pode sair pelos £17 milhões da cláusula de rescisão. A questão é: vale a pena se desfazer de alguém para reforçar outra posição (ataque, ataque!)?

Ah, vale. Além de Jagielka, o Everton tem três jogadores que poderiam fazer um caixa interessante: o lateral-esquerdo Leighton Baines e os volantes Jack Rodwell e Marouane Fellaini. Baines, o melhor do time, não tem substituto, e sua saída representaria um grande golpe nas pretensões de Moyes. Em tese, não dá para vendê-lo por menos de £25 milhões. O preço de Jagielka é menor, mas se desfazer dele seria deixar a defesa nos pés de zagueiros longe do auge, como Distin e Yobo.

Com os dois volantes defensivos, é diferente. Um pode substituir o outro. O titular Fellaini está mais pronto, mas, apesar de estagnado nos últimos anos, Rodwell ainda é muito novo (20) e deve render mais nas próximas temporadas. Moyes deveria ponderar a venda de um deles. A posição pode contar também com Heitinga e Phil Neville deslocados. Com Arteta operando mais à frente, Coleman e Osman abertos e Tim Cahill encostando no ataque, o meio-campo estaria, como a defesa, bem resolvido.

O problema é mesmo o ataque: Yakubu pesado, Anichebe enrolado, Saha quase sempre lesionado, Baxter problemático… Beckford, acredite, é o mais confiável. Quaisquer £15 milhões arrecadados devem ser reinvestidos na posição para cobrir a maior carência de um time muito sólido, mas que virou cemitério de centroavantes. Afora Cahill, que às vezes tem de quebrar o galho por ali, você se lembra do último grande atacante do Everton? Sim, o texto termina com quem começou: Wayne Rooney.

*A informação é da BBC

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , ,

quinta-feira, 21 de julho de 2011 Man Utd, Mercado | 00:00

Sem pressa

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Sneijder x Chelsea: vai virar rotina?

Há dez anos, o Manchester United contratou um jogador de que não precisava: Juan Sebastián Verón, por generosos £28 milhões à Lazio. Paul Scholes, que estava no auge, foi adiantado para abrir espaço ao argentino. Não deu certo. Verón fracassou e acabou vendido ao Chelsea por £15 milhões em 2003. Hoje, depois da aposentadoria de Scholes, o excesso virou escassez. Alex Ferguson ainda não tem um novo organizador de jogadas.

Seu alvo preferencial é Wesley Sneijder. A negociação, no entanto, não é simples. Luka Modric foi especulado, mas o forte interesse do Chelsea e a resistência do Tottenham são obstáculos. Samir Nasri chegou a ser visto como a alternativa ideal, só que o Arsenal parece disposto a assumir o risco de manter o jogador mesmo com o contrato perto do fim. Houve até quem falasse em Ganso, porém a falta de dinamismo do santista e a dificuldade em se adaptar a um papel mais defensivo afastam essa possibilidade.

A posição do playmaker é a maior – talvez a única, aliás – carência do elenco. Ainda assim, Ferguson prefere não arriscar. Ele não dá margem de erro a esse negócio, só admite contratar o jogador certo. Há pouco, negou dos Estados Unidos, onde o time faz pré-temporada, as indicações de que Wayne Rooney possa virar uma solução caseira (até faria sentido com mais um grande atacante no elenco).

Por ora, o substituto é mais velho do que Scholes: Ryan Giggs. O galês, por sinal, havia assumido a posição bem antes de o parceiro encerrar a carreira. Scholes foi o melhor da liga em agosto de 2010, mas perdeu o fôlego. Raramente foi titular absoluto nos últimos quatro anos. O reposicionamento de Giggs, que tem dado muito certo, cobre uma carência que, na verdade, existe há bastante tempo.

Ferguson pode contar também com Anderson e, até por isso, parece tranquilo. Afinal, a maior missão no mercado está cumprida: derrubar a média de idade do United. Embora os dois primeiros cheguem para posições abastadas, Ashley Young (26), Phil Jones (19) e David De Gea (20) são bons reforços. Tom Cleverley (21), Danny Welbeck (20) e Federico Macheda (19) voltam para compor o grupo.

Na contramão, Gary Neville (36) e Edwin van der Sar (40) se juntam a Scholes (36) no grupo dos ex-jogadores. Wes Brown (31) e John O’Shea (30) vão para o Sunderland. Calculista para promover as necessárias mudanças, Ferguson diz ter, com o Liverpool, quatro concorrentes após muito tempo. No fundo, ele sabe que está à frente de todos eles na disputa doméstica. Mas, para desafiar Barcelona e Real Madrid na Europa, pode mesmo precisar de um Sneijder.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , , , ,

sexta-feira, 15 de julho de 2011 Liverpool, Mercado | 19:03

O bom mercado do Liverpool

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Novo Alonso? Os passes de Adam chamaram a atenção no primeiro amistoso do Liverpool na Ásia

A pré-temporada na Ásia não afastou o Liverpool dos grandes negócios. O técnico Kenny Dalglish interrompeu sua estada na Malásia para fechar a contratação do winger Stewart Downing, que estava no Aston Villa, por £20 milhões. Downing é o quarto reforço do clube no atual mercado. Jordan Henderson, Charlie Adam e o goleiro brasileiro Doni (well done, empresário) já haviam chegado a Anfield.

A transferência eleva os gastos do clube no verão europeu a estimados £45 milhões. Se somarmos esse valor ao de janeiro, ultrapassamos a marca de £100 milhões. Ainda que o adjetivo overpriced (acima do preço real) possa ser atribuído a algumas dessas aquisições, os novos proprietários agiram corretamente. Não custa lembrar que a venda de Fernando Torres ao Chelsea financiou metade dessa brincadeira.

Dalglish e o pessoal do Fenway Sports Group herdaram um elenco cheio de buracos. A saída de Xabi Alonso, há dois anos, havia transformado o Liverpool em um two-man team, totalmente dependente de Gerrard e Torres. A situação piorou com contratações equivocadas e posições ignoradas no mercado. O investimento combate justamente o modelo de prisão às condições técnica e física de um ou dois.

Há também uma questão de contexto. Downing pode não valer £20 milhões individualmente, mas talvez valha até mais para os Reds, que precisam demais de um bom cruzador. Enquanto Suárez já é o craque do elenco, Carroll, excelente cabeceador, ainda não emplacou. Nesse aspecto, Downing, Adam e Henderson podem fazer o papel de Joey Barton, cujas assistências o ajudavam muito no Newcastle.

Superestimado? Não para o Liverpool, que realmente precisa de um Downing

A chegada de Downing provavelmente fecha o ciclo de contratações no meio-campo. De acordo com o preciso OptaJoe, ele, Adam e Henderson criaram 239 ocasiões de gol na última temporada, número correspondente a 56% de todas as chances do Liverpool no mesmo período. A abundância de opções e uma ligação mais efetiva com o ataque eram alvos claros da direção.

Downing não é melhor do que Ashley Young, que preferiu o Manchester United, mas teve temporada superior à dele. Às 27 primaveras, chega a Anfield após ano muito produtivo, o melhor de uma carreira que tem sido menos do que prometia em seu início, no Middlesbrough. Mais consistente, Downing oferecerá gols, cruzamentos a Carroll e uma qualidade nas pontas (joga nas duas) que o time não tem há muito tempo.

O winger pode ter conquistado definitivamente a confiança de Dalglish no último jogo da temporada, quando foi determinante para a vitória do Aston Villa sobre o Liverpool. Assista aqui a um resumo da atuação dele. Downing, vale lembrar, foi eleito pelos torcedores o melhor jogador do clube em 2010-11.

Como escalar o time?
O próximo passo no mercado deve ser a resolução de outro problema crônico: a lateral esquerda. Aly Cissokho, do Lyon, e José Enrique, do Newcastle, despontam como os nomes mais prováveis. Apesar de o elenco ainda não estar fechado, já é viável fazer um esboço das opções de Dalglish.

Ainda que não dispute competição continental, o Liverpool tenta – e tem se saído bem – montar dois times para minimizar o impacto de perdas por lesão ou suspensão e se manter forte durante toda a temporada. Nos campinhos abaixo, as possíveis formações titular e reserva no 4-3-3, esquema que tem sido apontado como o favorito para ser a base de trabalho em 2011-12:

Foram desconsiderados jogadores com grande chance de deixar o clube (Aquilani, Joe Cole…) e possíveis contratações (à exceção da lateral esquerda, que fatalmente será reforçada). Mesmo assim, sobra muita gente.

Se preferir atuar num 4-4-2 convencional, Dalglish pode escalar Gerrard, Meireles ou Henderson à direita. De um jeito ou de outro, uma das obrigações do treinador é dar liberdade a Suárez para trocar de posição o tempo todo, aspecto fundamental na recuperação dos Reds no último semestre. As fichas do Liverpool pelo título ou por vaga na Champions passam por isso.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 13 de julho de 2011 Jogadores, Mercado | 18:30

Persistência deles, coragem dos clubes

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Woodgate é recebido sob nuvens de desconfiança em Stoke-on-Trent

Em fevereiro de 2007, os frequentadores de departamento médico Jonathan Woodgate, Owen Hargreaves e Kieron Dyer foram convocados à seleção inglesa por Steve McClaren. A ocasião era um amistoso com a Espanha em Manchester.

Hargreaves se cortou “para não arriscar sua condição física”. Woodgate e Dyer foram titulares. A Inglaterra cumpriu as expectativas e perdeu. Apesar de convocações esporádicas até 2008, o trio desapareceu depois. Nos últimos dois anos, as lesões os limitaram, juntos, a 33 jogos (27 só de Dyer) por seus clubes. Fim da linha para eles?

Nada disso. Nesta semana, Stoke e Queens Park Rangers anunciaram, respectivamente, o zagueiro Woodgate (31) e o meia Dyer (32), que ficam na Premier League. O volante Hargreaves (30), que há pouco divulgou uma série de vídeos a fim de provar aos clubes sua aptidão para jogar, atraiu o interesse do Leicester, da segunda divisão.

Woodgate pode dar certo no Stoke. Como o ex-capitão Faye é mais um dos antigos pupilos de Sam Allardyce a reforçar o West Ham, o time precisava mesmo de nova alternativa a Shawcross e Huth. O ex-zagueiro do Tottenham, assim como Hargreaves e Dyer, estava livre. O contrato de risco protege o clube. Boa sacada de Tony Pulis, que, se conseguir colocá-lo em campo, ganha um ótimo defensor.

A contratação do QPR é bem mais questionável. Taarabt (se ficar), Faurlín e Smith ocupam o espaço de Dyer, só que, mesmo como opção secundária, o ex-meia do West Ham nada fez para merecer um lugar na Premier League. Foi nulo nos Hammers quando conseguiu jogar e não marca um gol há mais de quatro anos – quando ainda estava no Newcastle! Dyer era uma estrela no início da carreira, mas pode agradecer a chance oferecida por Neil Warnock, que dá um tiro no escuro e na própria ambição.

Até pela força de vontade, Hargreaves, que atuou por cinco minutos em 2010-11, merece ser testado após deixar o Manchester United. Embora não tenha certeza sobre o desejo do jogador, Sven-Goran Eriksson, que o comandou na Copa de 2006, parece determinado a lhe oferecer essa oportunidade no Leicester. O técnico só precisa ficar de olho na quantidade de apostas no passado: seu elenco já tem Vassell, Konchesky e Nugent. O West Bromwich também estaria interessado em Hargreaves.

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