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Arquivo da Categoria Copas Nacionais

domingo, 17 de abril de 2011 Bolton, Copas Nacionais, Debates, Stoke City | 21:17

O Bolton ofereceu, o Stoke aceitou

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A loucura de Coyle: no primeiro tempo, Elmander parecia um boxeador golpeado

O Bolton entregou o ouro ao Stoke, classificado à final da FA Cup contra o Manchester City. Owen Coyle não tinha Holden, fora da temporada, e Sturridge, que havia atuado pelo Chelsea. Foi o suficiente para ele tomar duas decisões infelizes: escalar Klasnic ao lado de Kevin Davies e o atacante Elmander como volante.

Após a chegada de Sturrrige, em janeiro, Coyle manteve o 4-4-2 e deslocou Elmander ao lado direito. Dá certo porque o atacante emprestado pelo Chelsea se movimenta muito, e a equipe se mantém protegida pelo meio com dois autênticos volantes. Na semana passada, Elmander de fato jogou ao lado de Muamba, mas sem o paradão Klasnic à frente e contra um time que também se expõe demais, o West Ham de Avram Grant.

Não é motivo para crucificar Coyle, um treinador de mão cheia, ou mesmo para minimizar os 5 a 0 do Stoke, que aproveitou a oferta do Bolton. Os Potters vinham de resultados terríveis fora de casa, mas os torcedores responderam ao pedido de Tony Pulis e transformaram metade do Wembley no Britannia. Além da vaga na final, esse obstinado time praticamente se garante na Liga Europa.

A goleada sobre um Bolton incrivelmente frágil na defesa também serve para enterrar preconceitos tolos. Ainda que o Stoke tenha um estilo de jogo muito físico, os estereótipos não podem encobrir as outras qualidades do time. É verdade que Delap joga sobretudo por conta de seus arremessos laterais para a área, um recurso como tantos outros, mas a equipe tem muito mais que isso.

Pennant vai mandar a bola para a área... com o pé

O zagueiro Huth ressuscita sua carreira com uma notável habilidade para marcar gols – já são nove na temporada, mesmo número de Fernando Torres. Seu parceiro Shawcross, o capitão do time, é ótimo e, ao lado de Piqué, do Barcelona, poderia formar uma defesa para vários anos no Manchester United, que avaliou mal os dois enquanto eles estavam em Old Trafford.

Pulis tem dois jogadores em ótima fase no meio: os wingers Pennant e Etherington. O primeiro, instável no Liverpool e problemático no Zaragoza, quebra as defesas adversárias, como quando serviu Kenwyne Jones no terceiro gol dos Potters. Etherington é mais técnico, mas também impõe correria quando necessário. À frente deles, Walters e Jones não marcam tantos gols, só que atormentam defesas e seguram bem a bola.

Relativamente tranquilo na tabela, o Stoke já vai para sua quarta temporada consecutiva na elite. Quase sempre era apontado como candidato ao rebaixamento, mas Pulis usou todos os recursos (inclusive e não somente Delap) que poderia para tornar seu time um adversário complicado para qualquer um, especialmente no Britannia. Silenciosamente, o clube se desenvolve, contrata para reduzir suas carências e não poderia ter resultados melhores. Ensiná-los a jogar é uma bobagem.

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , ,

sábado, 16 de abril de 2011 Copas Nacionais, Jogadores, Man City | 19:20

Yaya é exceção

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Yaya Touré em sua versão mais faceira

Balotelli, Boateng, Milner, Kolarov (que até foi bem hoje), Dzeko. Qualquer um desses contratados do Manchester City em 2010-11 está sujeito à tradicional provocação What a waste of money (que desperdício de dinheiro). Com David Silva ainda irregular, a grande captura do clube na temporada é Yaya Touré, melhor em campo contra o Manchester United e co-autor do gol (o outro foi Carrick, que lhe entregou a bola) que classificou os Citizens à decisão da FA Cup.

Ironicamente, Yaya é símbolo da irritante cautela de Roberto Mancini. Volante defensivo e até zagueiro em Monaco e Barcelona, o marfinense foi contratado para ser meia ofensivo no 4-2-3-1 de Mancio. É aquela história: dois sistemas semelhantes podem representar estratégias diferentes. O Tottenham, por exemplo, é habitualmente mais ousado que o Manchester City. Van der Vaart é o Yaya de White Hart Lane.

Touré poderia funcionar melhor em sua posição orginal, pois marca muito e tem uma arrancada impressionante. Em temporada sonolenta de Barry, seria o complemento perfeito a De Jong. Mas, se Mancini o escala de outro jeito, Yaya não liga e consegue ser fundamental. Em alguns jogos, inclusive, ele é quase um segundo atacante. O novo posicionamento e a eficiência dele o transformaram na melhor alternativa a Tevez. Quando o Apache não joga, o marfinense costuma ser a principal figura ofensiva do time, como na brilhante atuação contra o West Ham em dezembro.

Yaya marcou sete vezes na temporada e lidera a tabela do Manchester City em assistências. Não deixa de contribuir defensivamente, puxa quase todos os contra-ataques, aparece em momentos decisivos e, junto de Kompany, é o segundo melhor do time em 2010-11. Seu salário de £10 milhões anuais é um absurdo, mas ele justifica ao menos o valor da transferência, de £24 milhões. A ajuda na negociação é o melhor serviço já prestado ao clube pelo irmão Kolo Touré.

Autor: Daniel Leite Tags: , , ,

sexta-feira, 15 de abril de 2011 Copas Nacionais, Premier League | 11:20

Guia da 33ª rodada e das semifinais da FA Cup

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O improvável Phillips, que viveu o auge no Sunderland, tem sido titular. Afundará o ex-time amanhã?

A 33ª rodada da Premier League se reduz a seis jogos neste fim de semana por conta das semifinais da FA Cup. Nosso guia fala, portanto, das duas competições:

SÁBADO

11h - Birmingham (16) x Sunderland (13). A caravana do Sunderland, de um ponto em 24 possíveis, chega a Birmingham. Bent faz falta, mas o problema é coletivo. Nos 3 a 0 sobre o Chelsea em novembro, Gyan e Welbeck se viraram sem ele. O time queria o continente e, tal qual seu adversário (já na Liga Europa), agora só quer ficar na elite. Árbitro: Phil Dowd. Palpite: Birmingham.

11h - Blackpool (17) x Wigan (20). Se Ian Holloway diz precisar de seis pontos, três têm de vir daqui. É hora de Charlie Adam arriscar tudo e deixar Evatt se virar como puder lá atrás para vencer o concorrente mais fraco na luta contra a queda. Árbitro: Peter Walton. Palpite: Blackpool.

11h - Everton (7) x Blackburn (15). Lembra-se da saga do Sunderland? Então, o Blackburn também não ganha um jogo há quase três meses. Sem o capitão Nelsen e contra o Everton, o time do momento mesmo cheio de desfalques, a tendência é o jejum persistir. Árbitro: Kevin Friend. Palpite: Everton.

11h - WBA (10) x Chelsea (3), ESPN e ESPN HD. O clima de descontinuidade está escancarado no Chelsea. A temporada se limita a uma nada empolgante obrigação de assegurar um lugar no Top Four, que, amanhã, pode esbarrar no ótimo trabalho inicial de Roy Hodgson no Hawthorns. Árbitro: Lee Probert. Palpite: empate.

11h - West Ham (18) x Aston Villa (14). As pesadas derrotas para United e Bolton quebraram a arrancada dos Hammers. Já o Villa, com seu quarteto da seleção inglesa, não superou a mediocridade nem na última rodada, quando venceu o Newcastle. Árbitro: Michael Oliver. Palpite: empate.

Equivalentes, Rooney e Tevez não jogam o dérbi. Pior para Mancini, que confia demais no argentino

13h15 - FA Cup: Man City x Man Utd, Esporte Interativo, ESPN e ESPN HD. Mancini pode jogar o emprego e a temporada em Wembley. Em dérbi sem Tevez, é difícil que seu velho 4-2-3-1 não volte à pauta. O City precisa, sobretudo, de atitude para não repetir Anfield. O United não conta com Rooney, mas Ferguson tem alternativas seguras. Árbitro: Mike Dean. Palpite: Man Utd.

DOMINGO

12h - Arsenal (2) x Liverpool (6), RedeTV! e ESPN. Das quatro vitórias dos Reds longe de Anfield, três foram sob Dalglish. Entretanto, a coleção de desfalques e a consequente fragilidade pelos lados devem impedir que o Liverpool reedite no Emirates a atuação de segunda-feira. Os Gunners podem derrubar a vantagem do United para quatro pontos. Árbitro: Andre Marriner. Palpite: Arsenal. *Sempre vale lembrar: há 22 anos, uma tragédia no obsoleto estádio Hillsborough, que recebia a semifinal da FA Cup entre Liverpool e Nottingham Forest, vitimava 96 torcedores do Reds. Os tributos não param.

12h - FA Cup: Bolton x Stoke, Esporte Interativo e ESPN HD. Além da vaga na final, uma vitória pode implicar classificação à Liga Europa. Sem Sturridge, que jogou a FA Cup pelo Chelsea, Coyle pode formar um ataque forte com a retomada da parceria entre Elmander e Kevin Davies contra um sempre complicado conjunto de Tony Pulis. Árbitro: Howard Webb. Palpite: Bolton.

Autor: Daniel Leite Tags: , , ,

domingo, 27 de fevereiro de 2011 Arsenal, Birmingham, Copas Nacionais, Temporada | 20:37

McLeish merece a Copa da Liga

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Fàbregas, que acabava de completar 18 anos, comemorou muito o último título do Arsenal, a FA Cup de 2004-05

É difícil decidir qual fila pesava mais: a de 48 anos do Birmingham ou a de seis do Arsenal. A lamentação dos Gunners, bem representada pelas lágrimas do grande Wilshere, foi do tamanho da comemoração dos jogadores e torcedores azuis. Após a vitória por 2 a 1, o Brum levou a Carling Cup, apenas seu segundo título de primeira grandeza. Em temporada superior a 2009-10, os Gunners sofrem um baque terrível com a perda da taça. Mas não dependia só deles. Do outro lado, havia um time pronto para tornar as coisas mais complicadas.

A tentação de atribuir o resultado a uma suposta amarelada de um Arsenal sem Vermaelen, Fàbregas e Walcott não pode encobrir a notável atuação do Birmingham, que também tinha seus desfalques. Alex McLeish armou um 4-1-4-1 para segurar os três meias adversários e explorar a altura de Zigic. Apesar da maior cautela, o time de hoje em muito lembrou o da temporada passada, que se defendia bem demais e terminou a liga no nono lugar. Apontado como candidato ao rebaixamento, aquele conjunto se superou a partir da força defensiva de Hart, Carr, Dann, Johnson e Ridgewell. Hart retornou a Manchester, e Dann está fora da temporada. Problema? Não para Foster e Jiranek, impecáveis na final.

Aliás, Foster está entre os cinco melhores goleiros da Premier League. Contestado por conta de falhas esporádicas em Old Trafford, o tricampeão consecutivo da Carling Cup desfruta o prêmio de melhor do jogo e a grande temporada que tem feito. O título é um boost para ele e para uma defesa que não conseguia reeditar o bom desempenho de 2009-10. E também para Alex McLeish, treinador que, por um semestre ruim, teve o emprego ameaçado após reconstruir o Birmingham nas últimas duas de suas três temporadas em St Andrew’s.

A temporada passada anunciou que McLeish entraria para a história do Birmingham

O time de 2009-10, anterior aos razoáveis investimentos do proprietário chinês Carson Yeung, era mais humilde, mas a repetição o tornou muito forte: Hart; Carr, Dann, Johnson, Ridgewell; Larsson, Ferguson, Bowyer, McFadden; Chucho Benítez e Jerome foram os titulares por nove jogos consecutivos! A consistência deu à equipe sua melhor fase naquela temporada. É a tal da “química”, escassa quando chegaram Beausejour, Hleb, Zigic e Derbyshire, que se revezavam enquanto o treinador não encontrava um time e um rumo.

A atual 16ª posição na liga (com dois jogos a menos) é consequência de um início decepcionante. Nos últimos 13 jogos por todas as competições, o time venceu oito. O título ratifica a fase mais tranquila e premia o bom trabalho de três anos que tem feito McLeish. “Foi minha maior conquista pessoal”, diz ele. O escocês merece o título. O ataque, que decidiu a parada com Zigic e Martins, precisa capitalizá-lo. Jerome, Derbyshire, Phillips e os goleadores do dia: toda essa artilharia aí é a pior da Premier League com apenas 25 gols.

Premier League
O garoto Jonjo Heuerman concluiu sua caminhada e acredita ter arrecadado cerca de 20 mil libras (o dobro do mínimo planejado) ao Fundo Bobby Moore para Pesquisa sobre o Câncer. Foi um dia e tanto: ele ainda comemorou a ótima vitória do West Ham sobre o Liverpool. O hammer Scott Parker, que marcou um golaço, está em nossa seleção do fim de semana: van der Sar (Man Utd); Walker (Aston Villa), Hangeland (Fulham), Jagielka (Everton), José Enrique (Newcastle); Ashley Young (Aston Villa), Parker (West Ham), O’Hara (Wolves), Jarvis (Wolves); Chicharito (Man Utd), Beckford (Everton).

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , , , , , , ,

domingo, 20 de fevereiro de 2011 Copas Nacionais, Everton, Temporada | 00:13

O Everton merece mais

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Cobrador do pênalti decisivo em Stamford Bridge, o capitão Phil Neville atribui muita importância à classificação do Everton para as oitavas-de-final da FA Cup. “Pode salvar nossa temporada”, diz ele. Temporada que, de fato, é uma das mais fracas desde que David Moyes chegou a Liverpool, em 2002. Ainda assim, a difícil classificação no replay contra o Chelsea não foi exatamente uma surpresa. Embora a má fase não fosse suficiente para derrubar o favoritismo londrino, o histórico recente dos Toffees contra clubes mais poderosos sugeria que eles tinham atributos para avançar.

Em tempos difíceis para a defesa, Howard continua a dar o seu recado

A incoerência entre facilidade em atormentar os grandes e 13ª posição na liga não é tão assustadora quando a que acontece ao Wolverhampton, mas precisa ser discutida. Na temporada passada, a saída de Joleon Lescott e uma crise de lesões entre os zagueiros obrigaram o time a se reinventar, pensar mais ofensivamente. Com improvisações como Lucas Neill (hoje no Galatasaray) e Tony Hibbert no miolo da defesa, o Everton foi vazado 49 vezes nos 38 jogos daquela Premier League. Nos três anos anteriores, os Toffees sofreram 36, 33 e 37 gols, médias sempre inferiores a um por partida.

Contando com uma ótima reação na metade final do campeonato e um ataque de 60 gols (o melhor do clube sob Moyes), um Everton de nova abordagem chegou à oitava posição, interessante para uma temporada em que sete times eram claramente melhores. O esquema sem atacantes propriamente ditos, muitas vezes adotado pelo técnico (inclusive em 2010-11), criou uma falsa sensação de mentalidade defensiva. Essa interpretação disfarça o verdadeiro problema do elenco, existente até hoje: a escassez de bons atacantes.

Essa ausência foi significativa a ponto de causar desespero em Goodison Park quando Tim Cahill se juntou à seleção australiana para a Copa da Ásia, em janeiro. Cahill é, com boa vontade, meia ofensivo. No entanto, como finaliza muito bem (especialmente com a cabeça) e não tem a companhia de grandes avançados no clube e na seleção, habituou-se a jogar adiantado e virou fundamental por ali. Curiosamente, o Everton até se virou bem sem ele. Esse período coincidiu com a fase saudável e goleadora do melhor atacante do elenco, Louis Saha, que já se lesionou de novo.

Baines passa longe de ser midiático, mas não há lateral-esquerdo jogando mais que ele na Inglaterra

Se ele não joga ou não está legal, o bom meio-campo não tem o desafogo de que precisa, e a tendência é o time levar pressão e sofrer mais gols. O fim da temporada será a hora de fazer um esforço financeiro que o clube já realizou há três anos: contratar um grande atacante para atuar no 4-4-1-1 de Moyes. Quando chegou ao Everton, Yakubu estava bastante valorizado. Até teve duas temporadas interessantes por lá, embora a segunda delas tenha sido atrapalhada por uma grave lesão. A partir daí, perdeu-se. Com Yakubu decadente, Saha instável, Beckford, Anichebe e Baxter, fica difícil.

Os 30 pontos em 26 jogos não afastam o Everton da zona do rebaixamento. Em contrapartida, há a qualidade e o caráter de vários jogadores que crescem em grandes jogos. Howard se recuperou de um início ruim de temporada. Como meia central, Arteta rende bem. O ex-lateral Coleman se consolidou como o “Bale destro”, mesmo com menos recursos. Fellaini não cria nada, mas é muito intenso e bom ladrão de bolas. Os dois melhores são Baines, excelente no apoio e responsável direto pela eliminação do Chelsea na FA Cup, e Cahill, autor de nove gols no primeiro turno. Agigantando-se e atacando sem ataque (e agora sem Pienaar), os Toffees ainda não perderam para Chelsea, Liverpool, City, United, Tottenham e Sunderland na temporada. Falta aprenderem a vencer West Ham, Wigan, Wolves…

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , ,

sábado, 29 de janeiro de 2011 Copas Nacionais | 17:53

A FA Cup como promotora de sonhos

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Um clube que disputa a Conferência tem, hierarquicamente, 92 times e quatro divisões acima dele na Inglaterra. Até ontem, apenas cinco equipes abaixo da chamada Football League, que engloba o Championship, a League One e a League Two, haviam atingido as oitavas-de-final da FA Cup após a Segunda Guerra Mundial. Nenhuma depois de 1994. O Crawley Town, da Conferência Nacional (a quinta divisão, por assim dizer), quebrou essa tendência e é um dos 16 melhores times da Copa da Inglaterra 2010-11, o sexto dos chamados non-League a chegar lá. Caso vença a próxima eliminatória, o Crawley será o primeiro a disputar as quartas-de-final.

A cidade de Crawley, 45 quilômetros ao sul de Londres, tem um potencial adormecido. São mais de 100 mil habitantes e uma economia pujante. Ao início desta temporada, a diretoria do Town parece ter notado isso. Após uma série de problemas financeiros, o co-proprietário Bruce Winfield anunciou a quitação das dívidas do clube por intermédio da ação de empresários locais. O treinador Steve Evans, por sua vez, ganhou a promessa de um elenco que pudesse levar o Crawley Town à Football League.

Crawley Town, da quinta divisão: pronto para fazer mais história?

Paralelamente à disputa da Conferência Nacional, da qual o time é líder por aproveitamento, o Crawley havia eliminado Newport, Guiseley, Swindon (League One) e Derby County (Championship) na Copa da Inglaterra. Os 16-avos-de-final reservavam um encontro com o Torquay United, da League Two. Como a FA Cup tem essa mania de nos surpreender, a zebra não era o Crawley, mesmo jogando fora de casa.

A título de ilustração, enquanto o time da Conferência Nacional tem oito não-ingleses no elenco, o Torquay tem apenas um, o zagueiro escocês Chris Robertson. Em entrevista à BBC, o goleiro Scott Bevan, do Torquay, reconheceu que o nível de investimento do Crawley chega a ser “maior que o de clubes da League One”. Bevan foi o grande jogador do time em todas as eliminatórias. Garantiu as três vitórias por 1 a 0. Hoje, na derrota para o Crawley, também por 1 a 0, defendeu dois pênaltis e quase deu ao Torquay a primeira classificação às oitavas-de-final da FA Cup em 111 anos de história. O herói da vitória do clube da Conferência foi o atacante Matt Tubbs, um dos vários contratados no último verão, que marcou seu 25º gol na temporada.

Qualquer que fosse o vencedor, a história seria escrita. Um pouco pelas combinações dos sorteios, muito pelo investimento do Crawley e a superação de Scott Bevan, um goleiro nômade de 31 anos. A prova de que nem sempre os clubes de divisões inferiores precisam de uma mãozinha do sorteio é a façanha do Stevenage, campeão da Conferência Nacional na temporada passada e hoje na League Two. A vitória por 3 a 1 sobre o Newcastle na fase anterior fez a festa da torcida local.

Não se tratou apenas de despachar um clube de três divisões acima, mas especialmente de dar o troco no algoz na FA Cup de treze temporadas atrás, quando o mesmo Newcastle eliminou o mesmo Stevenage num confronto repleto de controvérsias. O Reading, do Championship, acabou com o sonho do Stevenage de seguir adiante. Mais cedo, os Royals venceram o simpático clube da quarta divisão por 2 a 1.

Bevan defendeu dois pênaltis: classificação seria inédita para o Torquay

Voltando a Scott Bevan, o goleiro-herói do Torquay, ele definiu muito bem o que a FA Cup representa para os jogadores de divisões inferiores. “Quando o Crawley eliminou o Derby (então possível adversário do Torquay), houve um pouco de frustração. Mesmo que não tenha chance de vencer, você quer jogar contra os melhores”, disse à BBC. No St. Mary’s, o Southampton até poderia vencer o Manchester United. Mas o confronto foi, acima de tudo, uma grande oportunidade para os jogadores desse tradicional clube da League One aparecerem.

O time que revelou recentemente Gareth Bale e Theo Walcott agora apresenta à Inglaterra Alex Oxlade-Chamberlain, de 17 anos. O jovem despertou o interesse de vários clubes da elite e, hoje, teve a chance de se exibir para mais gente. Foi discreto, ofuscado pelo companheiro Dan Harding, de 27 anos. Tarde demais para Harding? Não necessariamente. Jermaine Beckford (27), máquina goleadora pelo Leeds na League One, certamente não estaria no Everton se não tivesse provado, na FA Cup, que pode se destacar contra os grandes. A mais antiga e democrática competição de futebol é uma verdadeira promotora de sonhos.

Atualização às 14h30min de 30/01: O sorteio das oitavas-de-final da FA Cup não poderia ter sido mais interessante. O Crawley Town vai a Old Trafford!

Autor: Daniel Leite Tags: , , , , , ,

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