O Bolton ofereceu, o Stoke aceitou
O Bolton entregou o ouro ao Stoke, classificado à final da FA Cup contra o Manchester City. Owen Coyle não tinha Holden, fora da temporada, e Sturridge, que havia atuado pelo Chelsea. Foi o suficiente para ele tomar duas decisões infelizes: escalar Klasnic ao lado de Kevin Davies e o atacante Elmander como volante.
Após a chegada de Sturrrige, em janeiro, Coyle manteve o 4-4-2 e deslocou Elmander ao lado direito. Dá certo porque o atacante emprestado pelo Chelsea se movimenta muito, e a equipe se mantém protegida pelo meio com dois autênticos volantes. Na semana passada, Elmander de fato jogou ao lado de Muamba, mas sem o paradão Klasnic à frente e contra um time que também se expõe demais, o West Ham de Avram Grant.
Não é motivo para crucificar Coyle, um treinador de mão cheia, ou mesmo para minimizar os 5 a 0 do Stoke, que aproveitou a oferta do Bolton. Os Potters vinham de resultados terríveis fora de casa, mas os torcedores responderam ao pedido de Tony Pulis e transformaram metade do Wembley no Britannia. Além da vaga na final, esse obstinado time praticamente se garante na Liga Europa.
A goleada sobre um Bolton incrivelmente frágil na defesa também serve para enterrar preconceitos tolos. Ainda que o Stoke tenha um estilo de jogo muito físico, os estereótipos não podem encobrir as outras qualidades do time. É verdade que Delap joga sobretudo por conta de seus arremessos laterais para a área, um recurso como tantos outros, mas a equipe tem muito mais que isso.
O zagueiro Huth ressuscita sua carreira com uma notável habilidade para marcar gols – já são nove na temporada, mesmo número de Fernando Torres. Seu parceiro Shawcross, o capitão do time, é ótimo e, ao lado de Piqué, do Barcelona, poderia formar uma defesa para vários anos no Manchester United, que avaliou mal os dois enquanto eles estavam em Old Trafford.
Pulis tem dois jogadores em ótima fase no meio: os wingers Pennant e Etherington. O primeiro, instável no Liverpool e problemático no Zaragoza, quebra as defesas adversárias, como quando serviu Kenwyne Jones no terceiro gol dos Potters. Etherington é mais técnico, mas também impõe correria quando necessário. À frente deles, Walters e Jones não marcam tantos gols, só que atormentam defesas e seguram bem a bola.
Relativamente tranquilo na tabela, o Stoke já vai para sua quarta temporada consecutiva na elite. Quase sempre era apontado como candidato ao rebaixamento, mas Pulis usou todos os recursos (inclusive e não somente Delap) que poderia para tornar seu time um adversário complicado para qualquer um, especialmente no Britannia. Silenciosamente, o clube se desenvolve, contrata para reduzir suas carências e não poderia ter resultados melhores. Ensiná-los a jogar é uma bobagem.










