A unanimidade de Birmingham
O número 1 exibido pelo novo treinador do Aston Villa, Alex McLeish, representa bem sua posição na segunda metrópole britânica. A deselegância ao se demitir do Birmingham City por e-mail e o sim ao rival Villa o transformaram no sujeito mais odiado da cidade. O trabalho de quatro anos em St Andrew’s começou e terminou com rebaixamentos, mas o saldo é curiosamente positivo.
McLeish rendeu ao Birmingham uma pronta recuperação após a primeira queda, um excelente nono lugar na temporada seguinte e o único título do clube em 48 anos. O surpreendente rebaixamento em 2010-11 não abalou muito de seu prestígio, e o escocês manteve o nome forte no mercado inglês. A questão é mesmo a oportuna mudança para o Villa Park, onde foi muito mal recebido.
O técnico já foi eleito o responsável por todos os problemas dos dois clubes. Ao City, ele deixou o limitado atacante Marlon King como última contratação. Demitido pelo Newcastle em dezembro, Chris Hughton assume seu lugar para as disputas da Championship e da Liga Europa e sabe que não será o principal culpado por eventuais maus resultados. No Villa, uma pressão incompatível o espera.
O perfil do escocês, treinador talentoso que ainda precisa se afirmar na Inglaterra, parece adequado após uma temporada complicada com Gérard Houllier. A dificuldade está no tempo que ele não vai ter e na obscura situação do Villa, de objetivo indefinido. O sucesso de Martin O’Neill e a enganosa nona posição de 2010-11 obrigam McLeish a uma campanha de top 10 com um elenco problemático.
Ninguém queria treinar o Aston Villa. Roberto Martínez, por exemplo, preferiu ficar no Wigan a triplicar o salário. A venda de Ashley Young ao Manchester United e a provável mudança de Stewart Downing para o Liverpool destroem a criatividade do time. A turma da base é boa, mas se revelou imatura no primeiro semestre da última temporada, quando houve uma crise de lesões no elenco.
McLeish é defensivista. Seu Birmingham fez só 37 gols na Premier League, menos do que Cristiano Ronaldo em La Liga. Sem o ótimo goleiro Friedel e com Dunne de volta ao seu normal (o que não é bom), ele vai ter de trabalhar muito para reeditar no Villa a defesa forte do City. A grande vantagem em relação a St Andrew’s é a presença de Darren Bent, o melhor atacante do clube desde Dwight Yorke.
Se há algum bom sinal para McLeish, é o fato de ele ter se destacado justamente quando não havia muitos recursos. Com mais investimento no Birmingham, ele se perdeu. O escocês precisa de definição rápida e repetição do time, chave para seu sucesso há duas temporadas. Reposição mínima das perdas, início forte para contornar a revolta da torcida e sorte com a condição física são obrigatórios.
*McLeish é o segundo a treinar os dois times de Birmingham. O primeiro foi Ron Saunders, campeão inglês pelo Villa em 1981.


